As epístolas católicas da Escritura falam do advento de falsos doutores de palavras fingidas, cheios de sensualidade

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"Temos ainda a palavra mais firme dos profetas, à qual fazeis bem em prestar atenção, como a lucerna que alumia num lugar escuro, até que venha o dia, e a estrela da manhã nasça em vossos corações, atendendo antes de tudo a isso: que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular. Com efeito, a profecia nunca foi dada pela vontade dos homens, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo." 2 Pedro 1, 19-21

Aqui São Pedro fala para se ater às profecias, como para iluminar um lugar escuro. Significa que nos momentos em que parecerem os mais estranhos, caóticos, as profecias servirão como luz no escuro. Vivemos atualmente na crise da Igreja, e quantos se atem às profecias para saber o que se dará ou como devemos entender esse curso atual da história ? Quase ninguém dentro da Igreja se interessa por um estudo profundo das profecias, enquanto os que se interessam iluminam o lugar escuro e pode iluminar o dos outros. Muito mais podemos com as profecias, pois elas encerram a ciência da história, e é nesse sentido que vai falar adiante São Pedro, por isso ele dá uma introdução preliminar ao que é e como entender as profecias.


"Até que venha o dia", isto é dito logo após o testemunho da natureza divina de Cristo, o que levou muitos, corretamente, a pensar no dia do juízo, o que é correto, mas a passagem encerra mais: o dia é para aquele que saiu do escuro, é a graça, a luz nas consciências, que vem revelar as coisas, que antes de modo embaçado a lucerna iluminava no escuro precedente.

Mas nenhuma profecia é de gosto pessoal, interpretação particular, "sola scriptura" e essas coisas. É preciso se ater ao que disse a Santa Igreja. E quando Ela nada disser ou só dar uma aprovação negativa na interpretação ou profecia particular, isto é, dizer que não há nada na interpretação contra a fé ? Então ao homem cabe acreditar no que ficou bem diante dos olhos dele, no que parece ser a plenitude dos tempos, nos conselhos dos santos para esses tempos perigosos que queria significar o Apóstolo com o "lugar escuro".

É preciso acreditar somente nas profecias dos homens santos de Deus, e aqui não só da Escritura, mas as particulares, embora estas a Igreja não obriga a crença. A profecia foi dada a eles e é deles a interpretação justa, quando carece a Igreja. No entanto, se não houver santo deste por perto ? Nesses momentos lembramos que teologia podemos fazer, hipóteses, se não contrariam a fé, podemos fazer, aproximações baseadas no conjunto dessas profecias é um estudo teológico necessário para estes tempos.

Ora, assim como entre o povo houve falsos profetas, do mesmo modo haverá entre vós falsos doutores, que introduzirão seitas de perdição e renegarão aquele Senhor que os resgatou, atraindo sobre si mesmos uma pronta ruína. Muitos seguirão as suas dissoluções, por causa dos quais será blasfemado o caminho da verdade, e, por avareza, com palavras fingidas, farão negócio de vós, mas a sua condenação já desde há muito tempo não repousa e a sua perdição não dorme. 2 Pedro 2, 1-3

Fica claro que não é "haverá" falsos doutores somente, mas "entre vós haverá", ou seja, as inúmeras heresias, mas será só das heresias em geral que o Apóstolo se refere ? É óbvio que os hereges particulares são, pela própria natureza, as primícias de grandes heresias que assolam a Cristandade, isto quando não são o motor delas. A análise das outras partes indica um tipo específico de época e heresia,  embora toda profecia digna tenha a característica de ser cumprida para várias épocas. Junto com o que São Paulo comenta da "falsa piedade", o tipo de heresia que encontramos com estes "falsos doutores" é que muitos os seguirão, e eles serão avaros e de "palavras fingidas".

Em realidade, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, precipitados no tártaro, os entregou às cadeias das trevas para serem atormentados e reservados até ao juízo, e se não perdoou ao mundo antigo, mas somente salvou, com outros sete, a Noé, pregador da justiça, quando fez vir o dilúvio sobre o mundo dos ímpios, e se condenou a uma total ruína as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinzas, para servir de exemplo àqueles que venham a viver impiamente, se, enfim, livrou o justo Lot oprimido pelas injúrias e pelo viver luxurioso desses infames, (esse justo que habitava entre eles sentia, diariamente, a sua alma atormentada, vendo e ouvindo as suas obras iníquas), (é porque) o Senhor sabe livrar os justos da tentação e reservar os maus para o dia do juízo, a fim de serem atormentados, principalmente aqueles que vão atrás da carne, na imunda concupiscência e desprezam a soberania (de Cristo). Audaciosos, arrogantes, não temem blasfemar das potestades superiores, enquanto que os anjos, que são maiores em fortaleza e robustez, não leva juízo de maldição contra elas. 2 Pedro 2, 4-11

Aqui temos figuras históricas que representam o estado no tempo dos falsos doutores. São elas: a queda dos anjos, o dilúvio, Sodoma e Gomorra. Então somamos estes e temos que será como a queda de algo que parecia ser muito grande (os anjos), que irá atingir e abalar o mundo inteiro (dilúvio), e virá para lavar as impurezas (Sodoma e Gomorra), e separando os poucos bons dos maus da época (Dilúvio, Sodoma e Gomorra). Se refere ao tempo próximo do Castigo como podemos ver claramente, quando haverá o império da concupiscência e da imundice. Eles são audaciosos e arrogantes, não querendo obedecer as autoridades por serem cismáticos, "a caridade de muitos esfriará" disse o Senhor, e nós mostramos antes que isso significa o pecado contra a caridade, o cisma.

São como fontes sem água, e névoas agitadas por turbilhões, para os quais está reservada a obscuridade das trevas, porque, falando palavras arrogantes de vaidade, atraem aos desejos impuros da carne aqueles que pouco antes tinham fugido dos que vivem no erro; prometendo-lhes a liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois que se é escravo daquele por quem se for vencido. Assim, se, depois de terem fugido das corrupções do mundo pelo conhecimento de Jesus Cristo nosso Senhor e Salvador, por elas são novamente envolvidos e vencidos, o seu segundo estado tornou-se-lhes pior do que o primeiro. 2 Pedro 2, 17-21

Novamente o Príncipe dos Apóstolos fala da impureza e da avareza, o amor pelo dinheiro e o sensível, peculiaridades de uma sociedade materialista. Estes arautos desta civilização prometerão a liberdade com todos esses vícios. No entanto, o apóstolo comenta depois que eles fizeram isso após conhecer Nosso Senhor.

Essa parte portanto, precisa ser entendida de várias maneiras, por exemplo em relação a sociedade, pois São Pedro profetiza, como todo bom profeta, aos povos e nações. A nação que ele fala é de uma que deixou de ser católica, que mais corresponde a do fim do mundo, segundo a ordem de precedência do Reino de Maria a vinda do Anti-Cristo, e à época do Castigo Mundial, porque o povo havia decaído cada vez mais na quinta era que começa no fim da idade média.

A segunda maneira é entender como a característica específica daqueles que são reprovados na profecia: os que eram católicos e passaram a não ser mais por amor aos prazeres do mundo. Estes são, ao nosso ver, os homens não só do fim do mundo propriamente, como os do tempo da vinda do Papa Santo e do Grande Monarca. Por causa da grande graça que estas duas prefiguras das duas testemunhas do Apocalipse trarão ao mundo, os que não se mantiverem na linha da pregação deles assim são réprobos nesta profecia.

As outras partes da epístola interessantes a nós relembram o espírito de soberba destes falsos doutores por causa do caos na sociedade, e nada de vinda de Cristo, e também lembra São Pedro que São Paulo dizia as mesmas coisas nas suas cartas.

Efetivamente, introduziram-se entre vós certos homens ímpios (dos quais está escrito há muito tempo que viriam a cair nesta condenação), os quais trocam a graça de nosso Deus em luxúria, e negam a Jesus Cristo, único Dominador e Senhor.

Ora, eu quero recordar-vos, embora já saibas tudo, que Jesus, salvando o povo da terra do Egito, destruiu depois aqueles que não creram; e os anjos que não conservaram seu principado, mas abandonaram  seu domicílio, os reservou,  com cadeias eternas, em trevas, para o juízo do grande dia. Assim como Sodoma, Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que fornicaram com elas e se abandonaram ao prazer infame, foram postas por escarmento, sofrendo a pena do fogo eterno, da mesma maneira também estes contaminam a sua carne, desprezam a dominação (de Cristo) e blasfemam da majestade. Judas 1, 4-8

Este modo de expor os falsos doutores está de acordo com o que já dissemos, tanto que em seguida o apóstolo lembra a luta de São Miguel o que confirma a prefigura que falamos na epístola antes comentada.

Eles são máculas nos seus festins, banqueteando-se sem respeito, apascentando-se a si mesmos, nuvens sem água, que os ventos levam de uma parte para a outra, árvores do outono, sem fruto, duas vezes mortas, desarraigadas, ondas furiosas do mar, que arrojam as espumas da sua torpeza, estrelas errantes, para quem está reservada uma tempestade de trevas por toda a eternidade.

Também Henoc, o sétimo patriarca depois de Adão, profetizou sobre destes, dizendo: "Eis que vem o Senhor, entre milhares dos seus santos, a fazer juízo contra todos, e a arguir todos os ímpios de todas as obras da sua impiedade, que impiamente fizeram, e de todas as palavras injuriosas, que os pecadores ímpios tem proferido contra Deus".


Eles são uns murmuradores queixosos, que andam segundo as suas paixões, e a sua boca profere coisas soberbas, as quais mostram admiração pelas pessoas segundo convém ao seu próprio interesse.

Mas vós, caríssimos, lembrai-vos das palavras preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo, os quais vos diziam que nos últimos tempos virão impostores, que andarão segundo as suas paixões, cheios de impiedade. Estes são os que provocam divisões, homens sensuais que não tem espírito. Vós, porém, caríssimos, edificando-vos a vós mesmos sobre o fundamento da vossa santíssima fé, orando no Espírito Santos, conservai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia eterna. Judas 1, 12-21


A esta parte, cabe-nos a dizer poucas palavras que constituem novidade ao que já interpretamos, já que é tão similar ao já interpretado. A presença de Henoc na Epístola de São Judas Tadeu é por causa da presença dele nos tempos do anti-Cristo, como já sustentamos antes. O Apóstolo também confirma nossa opinião que os falsos doutores "provocam divisões", isto é, cismas, e que o remédio para aqueles que viverão nesta época é o fortalecimento na "santíssima fé, orando no Espírito Santo, conservai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia eterna".