Hipótese Teológica em parte baseada em Dr.Plinio sobre o que faz alguém ser um verdadeiro Carmelita filho do profeta

Elias e Eliseu
Para entender melhor conceitos deste artigo, recomendamos:

Hipótese Teológica: a missão de Elias Profeta é prefigura das eras do Apocalipse ou eras cristãs.


Esse artigo é a continuação de outros, e é baseado em parte nas teses de Dr.Plinio Corrêa de Oliveira. Esclarece a razão pela qual Dr.Plinio era irmão terceiro e queria que fossem assim os membros da Associação da qual ele era presidente, a TFP. E também prova que atualmente há membros dentro da entidade carmelitas não ligados juridicamente a nenhum sodalício, assim como era o fundador depois da dissolução do sodalício dele.

A estrutura da Ordem do Carmo é válida e permitida para sempre

Apesar de ser a Igreja quem valida as Ordens e suas regras, a estrutura da Ordem do Carmo é validada pela Escritura, e não só pelo Antigo Testamento, porque S.João Batista não precisou se adaptar, nem Nosso Senhor condenou os costumes dele.

Alguns poderiam argumentar que isso foi antes de Pentecostes, no entanto Nosso Senhor é o Corpo místico da Igreja e não condenou, e nem a tradição nem a Sagrada Escritura diz que depois o Carmelo foi mudado nos seus costumes e regras. Os carmelitas discípulos de S.João Batista já estavam inseridos na fé em Cristo pela própria missão do mestre de preparar o caminho. Não precisavam ser inseridos juridicamente na Igreja, com autorização eclesiástica, porque a autorização vem da Sagrada Escritura, o que precisa é o reconhecimento como carmelitas.

Mas nesse caso o reconhecimento não é uma autorização ou legimitização, é somente dissipação de dúvidas, porque em uma ordem nova, por mais que Deus saiba da justeza da regra, e ela seja já aos olhos de Deus boa, a Igreja precisa autorizar, no Carmelo não, a Igreja já autorizou em seu documento mais importante, a Sagrada Escritura, portanto o reconhecimento serve como dissipador de dúvidas: se aqueles são ou não carmelitas genuínos. 


Nem se pode dizer que deste modo qualquer ordem que tenha em essência os mesmos hábitos já seriam permitidas, sem autorização da Igreja, porque em essência todos não tem os mesmos hábitos. Se tivessem, bastava verificar a existência disso para aprovar, e mesmo assim não pode-se avaliar a justeza de uma regra só por isso, dado que as ordens diferem por detalhes que fazem toda a diferença na comunidade.

O que é preciso para ser um Carmelita

-Formalmente se é carmelita não só pelo sacramental

Óbvio, pois muitos pertencem a outras ordens, por exemplo. Os requisitos seguintes também provam a afirmação.

-É preciso a vida monástica

O Livro da Instituição dos Primeiros Monges indica quatro condições para alcançar a perfeição profética e a vida religiosa eremítica. São elas: Pobreza, Anulação da vontade, Voto de Castidade-solidão e um amor ardente por Deus. O segundo e o quarto são requisitos que todos podem alcançar, indiferente da profissão, obrigação cívica, etc. Os outros requerem uma mudança de estado, e comentários aqui.

O voto de pobreza, diz Felip Ribot, não é necessariamente não ser rico, ou não ter posse de coisas materiais. No entanto, a perfeição vem melhor quando se renuncia a eles, "como nos disse o sábio: "Bem-aventurado o rico que é encontrado sem culpa e que não anda atrás do ouro, nem põe sua esperança no dinheiro e nos tesouros" (Eclo 31,8); mas com o que o mesmo Sábio continuou dizendo: "Quem é este e o elogiaremos?" Ensinou-nos claríssimamente quão difícil é encontrar um homem que, possuindo riquezas, não tenhas o afeto de seu coração nelas."Os cuidados do século, e a ilusão das riquezas e os demais apetites desordenados a que dão entrada, afogam a Palavra Divina e vêm a ficar sem fruto" (Mc 4,19); por isso "dificilmente entrará o rico no Reino do Céu" (Mt 19, 23). (...) Porque este é o caminho mais fácil e mais seguro para caminhar à perfeição profética e também para chegar ao Reino dos Céus. "Todo o que tiver deixado casa ou irmãos, ou pai, ou esposa, ou filhos, ou heranças por causa de Meu Nome, receberá cem vezes mais em bens mais sólidos" (Mt 19, 29)" [1].

Portanto, o voto de pobreza é uma preferência pela renúncia de enriquecimento quando, é claro, é a melhor opção para uma pessoa, porque para outras, devido ao alto encargo que possuem na ordem temporal ou necessidade de manter as riquezas por motivos de força maior, não é possível. Portanto, a parte importante nisso é não se preocupar com afazeres mundanos, na chamada "vida ativa", dedicando-se assim à vida contemplativa. Para uma pessoa sem um alto encargo como, por exemplo, um Rei, um político, ou um Bispo, não há um entrave para se livrar totalmente dos afazeres temporais e das riquezas, pois o ofício da pessoa não requer o mantimento da hierarquia (mas é preciso prudência em cada caso).

Ora, os Bispos, e principalmente os Cardeais, são a prova de que um voto de pobreza pode ser harmonizado com uma vida de luxo, com refeições melhores, residência melhor, etc. Todos eles, tendo abandonado todos os assuntos do mundo a exemplo dos apóstolos, deveriam viver em torno de posses, por causa da manutenção da hierarquia e da beleza nos cargos mais importantes aos olhos de Deus, mas devem viver sem se afetar por elas. De fato, os Bispos precisam ser escolhidos dentre os mais santos, amantes da mortificação, assim, nenhum luxo ou poder de autoridade os afetaria na vaidade. Mas antes de serem obrigados a viverem deste modo por causa da hierarquia, os bispos são obrigados pelo encargo e vocação deles de dirigir a vida religiosa de um grande número de pessoas, de afetar a vida pública defendendo a Igreja, se pronunciar quando questões morais vem ao público, etc. Então a vocação determina o grau do voto de pobreza.


Por isso no caso de um apostolado leigo filiado a uma vida monástica, dependendo da vocação daquele apostolado, o voto de pobreza poderia ter o mesmo grau que o dos Bispos. Por exemplo, se o apostolado visa atingir os leigos da aristocracia e da nobreza, e influenciá-los na virtude cristã (com os métidos do apostolado exemplo que tomamos), seria preciso que os apóstolos tenham uma aparência de acordo, elegante, acostumem em seus encontros a colocar comidas de categoria, fazendo-os em ambientes bonitos, tudo de acordo para elevar o nível das reuniões. E se eles tivessem uma Sede, ela precisaria de um mínimo para acolher este tipo de gente, na linha das coisas citadas aqui. E mesmo se o apostolado se concentrasse nas classes mais baixas, não é por isso que a ambientação, as sedes, os encontros deveriam ter tudo para se assemelharem aos costumes de mosteiros severos. Ora, tanto o apostolado com as elites e com os pobres nesta avaliação são apostolados com gente de vida ativa, não monástica.


Já o voto de castidade, há menos impedimentos para um carmelita seguir, porque as vezes os altos encargos são exercidos por solteiros, e a formação de uma família poderia até afetar a eficiência do trabalho e da vida monástica se esta já for uma coisa presente na vida da pessoa. Alguns, no entanto, precisam, até mesmo depois de viúvos, formar famílias de novo, como alguns nobres. A razão do voto é simples: a obtenção da vida contemplativa é mais fácil por esse meio, "estás livre de mulher ? Não busques mulher" (I Cor 7, 27). "O que não tem mulher, anda unicamente solícito das coisas do Senhor; e o que há de fazer para agradar a Deus. Mas, o que está casado, está cuidadoso das coisas que são do mundo, como há de dar gosto a sua mulher, e está dividido" (I Cor 7, 32-33).

E por que é voto de castidade-solidão ? "Monos em grego significa único ou sozinho; Achos em grego significa triste, daqui procede a palavra monástico, que é igual a sozinho e triste, e que há de chorar em solidão seus pecados e os alheios. E isto é melhor do que viver junto as multidões da cidade" [2]. Muitos, segundo os exemplos dados acima, não podem viver em total solidão, embora possam passar um tempo sozinho, ou boa parte do dia sozinhos, de modo que seriam equivalentes ao hábito de S.Elias, que vivia na missão profética junto aos discípulos, os reis e em combate contra os falsos-profetas, e não deixa de ter uma vida monástica.

-É preciso vida profética


Depois de Nossa Senhora não há espírito profético que não seja engendrado por ela, então é necessário uma profunda união com ela antes de tudo. O carmelita, o qual no novo testamento o exemplo perfeito é S.João Batista e S.João Evangelista, vive para preparar o futuro.

Ora, há três tipos de monges: os que vivem em comunidade, os que vivem em total solidão, e os que vivem entre uma coisa e outra. Portanto, como é necessário a vida monástica, a vida profética precisa estar inserida nesse esquema. 


Nos que vivem em solidão o profetismo se cumpre quando observada a vida monástica em alto grau, como no caso de S.Teresinha, que viveu e morreu desconhecida, mas depois da morte mudou o mundo: sua vida foi consagrada para isso. Apesar de que S.Teresinha tenha vivido em um Carmelo com outras monjas, possibilitando a divulgação da sua vida, ela serve como exemplo de alguém mais para o lado solitário monástico, porque dos monjes santos exclusivamente solitários não se tem notícia. Desse jeito Nosso Senhor viveu com Nossa Senhora trinta anos.

Nos que vivem em comunidade, como eram os apóstolos, o profetismo se dá, para sermos breves, como foi exemplo a vida de S.Pedro, S.Paulo, S.João, todos os outros primeiros apóstolos, e a vida pública de Nosso Senhor. Nos que vivem entre uma coisa e outra foi exemplo a vida de Nosso Senhor também, que saía para rezar no deserto muitas vezes.

Santo Elias viveu todos estes estilos de vida conforme atesta a Escritura, mas convém destacar as partes vividas em comunidade no apostolado dele, pois estas partes são as consideradas propriamente a sua missão profética, e deste modo teremos noção do que é a vida profética carmelitana. S.Elias teve a missão de fazer profetas e reis, restaurarando a civilização durante um tempo de crise, portanto sua intervenção é na ordem espiritual e temporal. A largura de sua missão profética no mundo é a mais completa possível, pois abrange todas as esferas possíveis de intervenção. Do mesmo modo S.João Batista fazia, ao advertir Herodes sob os pecados de adultério, o povo sobre os sacerdotes corruptos, etc. Pessoas de todos os tipos vinham pedir conselhos para ele (Lc 3, 10-14).

Mas falamos da largura da missão de S.Elias naquele tempo presente, e não em relação ao tempo futuro. Por exemplo, o profeta, conforme mostramos em outro artigo, previu a vinda de Nosso Senhor e de Nossa Senhora e passou a venerá-la antes dela nascer, consagrando sua espiritualidade em algo ainda não presente, mas de vinda certa na época. Assim também fez S.João Batista em relação a Nosso Senhor Jesus Cristo (Lc 3, 16). Por isso, a missão profética de Elias não só em relação àquele tempo foi completa, mas em relação ao futuro, porque ele não só previa os acontecimentos espirituais futuros, mas viveu em torno deles, consagrou a sua vida a eles. A profecia é um aviso, viver em torno dele é ter uma vida profética plena, isto é propriamente ter o espírito eliático. Claro, isto só pode acontecer para eventos de grande magnitude como por exemplo a vinda do Salvador e a destruição do templo (a primeira e a segunda).


Dr.Plinio definiu bem a vida profética englobada na consagração a Nossa Senhora: "é preciso que nos compenetremos bem de que a posse do escapulário ou o seu uso, e o simples ato de profissão na Ordem Terceira do Carmo, não constituem toda a essência de nossa vinculação a Nossa Senhora, e nada seriam se não fosse nossa consagração especial e interior à Virgem do Carmo. Este, sim, é o elemento básico de nossa condição de terceiros carmelitas. E o uso do escapulário, bem como a profissão na Ordem Terceira não são senão um objeto material e um ato jurídico – um e outro de grande significação e importância, aliás – que exprimem essa consagração" [3]. 

Deste modo definimos as características do espírito Carmelitano, pelo qual uma pessoa pode se tornar um se possuir os outros requisitos definidos acima: sacramental, vida monástica e desejo de ser carmelita. O último falamos a seguir.


-Desejo de ser um Carmelita em obediência a S.Elias no mínimo

Com a dissolução do sodalício que Dr.Plinio Corrêa era prior por causa do progressismo, foram fechadas as portas do Carmelo juridicamente paras os membros da TFP. Mesmo assim, o fundador da TFP sustentava: "Esta ordem do Carmo à qual tantos de nós nos gloriamos de pertencer como terceiros, a qual todos nós pertenceríamos se nos tivessem franqueadas as portas dela, à qual nós pertencemos em espírito, porque se há um batismo de desejo que faz com que o indivíduo se beneficie dos efeitos do batismo ainda mesmo quando não recebendo propriamente o sacramento, também alguém pode se dizer carmelita, neste sentido, de desejo. E nesse sentido todos nós o somos" [4]. É claro, o desejo precisa ser um dos requisitos para ser um Carmelita, e desse modo podemos falar de S.Elias, que vivo, se poderia dizer que ele se filiaria ao Carmelo se não estivesse antes vinculado a uma ordem imposta por Nosso Senhor, a qual cremos, tem sua conveniência na manuntenção destas teses aqui expostas e do sodalício formado com Enoch aonde está. Portanto, o desejo de ser carmelita é ardentemente completado e tem os efeitos da entrada no Carmelo assim como o batismo de desejo quando se faz um voto de obediência a S.Elias no mínimo, patrono especial dos carmelitas em exílio, não tendo se filiado juridicamente a nenhum sodalício pela conveniência, como falávamos, de haver um sodalício dos carmelitas por batismo de desejo.

Existe o espírito eliático: ele está representado pela capa carmelita e o escapulário.

A Sagrada Escritura é clara quanto ao desejo de Eliseu de ter o espírito de Elias duplicado nele e seu desejo atendido ao vê-lo, e ao rasgar as vestes dele em duas partes (II Reis 2, 9-12). No Evangelho S.João Batista veio no espírito de Elias (Lc 1, 17), e se vestia como S.Elias, conforme falamos em um artigo anterior. Ou seja, o espírito eliático está sempre junto do sacramental antigo, a capa. E Nossa Senhora, quem engendrou este espírito, ajuntou ainda o escapulário como marca dele. Com a aparição de Nossa Senhora a S.Elias, o Carmelo viveu em volta da promessa do Salvador e de sua Mãe Santíssima, e pelo uso da capa, se distinguiam. Com a aparição de Nossa Senhora a S.Simão Stock, o Carmelo passou a viver também em volta da promessa sabatina, e pelo uso do escapulário se distinguem. A Medianeira dos Cristãos é quem abençoa e dá a missão profética da Ordem do Carmo desde o começo dela.

Se é necessário se filiar ao Carmelo juridicamente para ser um carmelita

Quem cumpre os requisitos acima, já é um Carmelita, conforme sustentamos, mas isso não quer dizer que basta ficar em casa. Por exemplo, a comunidade necessária para o carmelita viver, conforme citado, ou é uma diocese da Igreja (no caso de um padre que tem jurisdição para ser carmelita ali), ou uma comunidade carmelita autorizada pela Igreja (primeira ou segunda ou terceira), ou uma comunidade que viva no espírito Eliático. As duas primeiras não precisamos justificar, só a terceira.

Quando não é possível ao homem filiar-se a uma das duas acima, por justos motivos, ele poderia juntar-se em uma comunidade vivendo no espírito de S.Elias. Se não houver nenhuma, basta viver na maior solidão possível (por exemplo, se vive com avó, não tendo ela lugar melhor para ir, não acabe com isso só porque precisa viver sozinho. Cada caso é preciso prudência, lembrando dos conceitos de comunidade e solidão dados aqui, e para isso arrumar companheiros de ideal ajuda). No entanto, com o fim da comunidade, autorizada ou não, a pessoa não deixa de ser carmelita. Seria, se perdesse a vontade de se filiar ou juntar-se a uma comunidade, não tendo nenhum impedimento de consciência justo.

De fato, S.Elias nunca se filiou juridicamente a uma Ordem Carmelitana, e não era por causa de sua existência mais antiga que a Igreja Católica, porque ele foi arrebatado para o paraíso terrestre, onde vive até hoje, e junto com S.Enoch, forma uma comunidade lá. Ambos vivem na espera da vinda do anti-Cristo, condição para a volta deles ao mundo, quando realizarão a missão profética que vivem em torno atualmente.

Isso significa que uma comunidade vivendo no espírito de um fundador de uma outra ordem da Igreja, igualmente por motivos de força maior, seriam legítimos ? Não, porque as outras ordens foram feitas através da autorização da hierarquia, embora inspiradas por Deus, elas não tem missão profética como o Carmelo, durável até o fim do mundo. A regra delas foi e é confirmada pela hierarquia, por isso mesmo elas não durarão até o tempo do anti-Cristo, quando a abominação da desolação desmanchará as ordens (como em prefigura atualmente ela já desmanchou a vocação da grossa maioria) e só uma comunidade com os requisitos de força maior explicados aqui poderia ser chamada ainda parte de uma Ordem, até depois da morte de S.Elias e S.Enoch pelo anti-Cristo, quando acabaria o mais antigo sodalício Carmelita. Dizer que as outras ordens não possuem o encargo profético como o Carmelo não é tirar o profetismo de seus fundadores ou membros, mas reduzí-lo dentro da história da Igreja, subordinado ao Papa. Resumindo: as outras ordens tem existência submissa ao poder temporal da Igreja, ao contrário do Carmelo, confirmado pela Sagrada Escritura e com existência alheia a qualquer poder temporal (necessariamente), do mesmo modo que S.Elias não é submisso a qualquer dano temporal: não envelhece, não tem autorização para ser carmelita mas é o maior deles.

Se com isso qualquer padre ordenado pode servir a um Carmelo desses e viver nele, ou passar a se vestir como Carmelita publicamente, e se o terceiro pode se vestir publicamente como Carmelita também cumprindo estas exigências.

Para o padre a resposta é "não" enquanto impedir o voto de obediência ou a jurisdição para exercer tais encargos dentro da Igreja, dada pela hierarquia. E tanto ele como o leigo não poderiam se vestir publicamente como carmelitas porque causariam confusão nos fiéis, principalmente no caso do padre. No entanto, privadamente, na presença de pessoas que entendem toda a questão, é possível a eles se vestirem assim. Mas só um leigo poderia livremente se juntar a uma comunidade nos moldes da última questão.


Dr.Plinio cumpria todos os requisitos, e, junto de seus seguidores que os cumprem, pode ser chamado de carmelita

Além de ter sido um carmelita terceiro durante um bom tempo, depois da dissolução do sodalício que ele era prior, Dr.Plinio continuou cumprindo os requisitos acima para continuar sendo um carmelita. Explicaremos aqui a vida monástica e profética com mais detalhes.

Nos moldes da vida monástica citamos exemplos de apostolado que poderiam ser muito bem relacionados com a TFP, porque muitos ali possuem uma espécie de voto de castidade pela vocação, e não possuem vida ativa, isto é, tem um grau de voto de pobreza, e no passado mais claramente, existia nesta entidade casas onde os chamados "camaldulenses" e "eremitas de S.Bento", embora não o eram realmente, viviam em um regime quase igual aos monges que imitavam. No entanto, o próprio Dr.Plinio salientava que estas casas serviam para correção e preparação, não eram a vocação do Grupo.

A vida profética é mais evidente na pessoa de Dr.Plinio, que, por ser fundador, dá o tônus de toda a vocação de seus discípulos. Mostramos em outros artigos o seu profetismo. Aqui lembramos que na época do progressismo e da crise na Igreja, essa é a única entidade carmelita e tradicional da Igreja basicamente, o que completa os requisitos da missão de Elias: "Eu me consumo de zelo pelo Senhor dos exércitos, porque os filhos de Israel abandonaram a tua aliança, destruíram os teus altares, mataram os teus profetas à espada. Eu fiquei só e procuram-me para me tirarem a vida" I Reis 19, 10. 

O Grupo vive no espírito eliático não desejando a vinda de Nosso Senhor e venerando Nossa Senhora antes da existência dela como S.Elias, mas desejando a vinda do Reino Social de Nosso Senhor, e venerando este Reino, que será o Reino de Maria, e venerando a graça especial que ela concederá para a formação desta civilização, e a vingança dela no Castigo (bagarre). Então o Grupo vive em torno de promessas proféticas, e quanto mais ele viver nestas promessas, mais aprofundado estará no espírito eliático, mesmo perdendo toda a influência na ordem temporal e espiritual, como aconteceu com os filhos do profeta na Escritura, que precisavam se esconder e sobrou somente um, S.Elias, o pai deles, para completar a missão, e pelo mesmo motivo viverá até o tempo do anti-Cristo.

É verdade então, o que disse Dr.Plinio: "nós temos: A continuidade de Santo Elias, pela continuidade da graça. Nós temos a continuidade de Santo Elias pela continuidade do Carmo" [5]. "Então, quer dizer que esta velha vinculação com a Ordem do Carmo, passando por cima de toda a história da devoção marial, faz com que os mais atualizados, os mais de dianteira no bom sentido da palavra a favor do Reino de Maria e pela Bagarre, estes sejam os filhos carmelitas dela desde o começo. Nós sintetizamos em nós todas as tradições do Carmo e todas as esperanças do futuro Reino de Maria. Nós sintetizamos em nós toda a história da devoção a Nossa Senhora. Não quero dizer que sejamos os únicos a sintetizar mas digamos que em nós, esta síntese por esta forma se opera" [6].

Do desejo de pertencer ao Carmelo em obediência a S.Elias pelo menos no fundador da TFP era bem claro, e portanto é em todos da entidade que seguem o seu espírito. Em uma reunião anterior à da tese do batismo de desejo, diz ele: "E nós somos uma Ordem carmelita no exílio. Nós somos a Ordem carmelitana do silêncio. É a Ordem Terceira do silêncio! Porque nós somos carmelitas e a nossa injustíssima expulsão da Ordem do Carmo não tem valor legal (...)". 

"Que neste dia em que comemoraremos todos os mortos da Ordem do Carmo, nós nos lembremos que entre eles não está santo Elias, porque não morreu. Que ele preside a todos, mas que ele está de fora. E que nos ponhamos sob a obediência dele, uma vez que ele está de fora e nós também. E que ele ainda vai ter – embora confirmado em graça – que passar por essa peregrinação na qual estamos também. Que ele se constitua nosso especial chefe, nosso especial pai, nosso especial senhor; que ele auxilie nossas almas cambaleantes, que ele dê fervor a nossas almas bruxuleantes; que ele dê claridade a nossos espíritos indecisos, que ele dê firmeza a nossa vontade fraca, de maneira que de um momento para outro, por uma ação de Santo Elias, sejamos transformados e possamos, por nossa vez, transformar a terra!"
 [7] 

------------------------------------------------------------------
Fontes:
[1] Os Dez Livros da Instituição dos Primeiros Monges, Filip Ribot, 1379, Livro I, Cap.3
[2] Idem. Livro I, Cap.5
[3] 15 de novembro de 1958, Conferência no Congresso da Ordem Terceira do Carmo em São Paulo, "O Escapulário, a Profissão e a Consagração Interior", "Mensageiro do Carmelo", Ano XLVII, Edição especial, 1959.
[4] Reunião do Santo do Dia, 16 de Julho de 1976, Sexta-feira. A-IPCO.
[5] Simpósio "O que somos nós", 26 de Fevereiro de 1966, Sábado 
[6] Reunião do Santo do Dia, 16 de Julho de 1976, Sexta-feira
[7] Reunião do Santo do Dia, 14 de Novembro de 1970, Sábado