Santos contra a imodéstia feminina na maquiagem, pintar cabelo e coisas análogas à homens

"Não temais (por favor, entenda), tu tal como és, que, quando chegar o dia da ressurreição, não te reconheça seu Criador"
São Cipriano (200-258)
Antes de apresentar os impressionantes e atuais textos dos santos que são segura fonte de doutrina católica na maria, urge refutar alguns erros que poderiam surgir de conclusões erradas a partir da leitura dos santos:

- Toda maquiagem desfigura o natural da aparência feminino, logo, todas são proibidas.

se condena, como está explícito pelo começo, o "enfeite que desfigure a fisionomia natural". Os brincos, podemos dizer, desfigura a aparência em certo grau e é um enfeite, mas é citado nas Escrituras (Ex 32, 2-4, Gn 24:47) sem condenação. Resolve-se a questão sabendo a diferença entre realçar o natural, e mudá-lo. Portanto, sustenta-se com segurança que realçar a fisionomia natural é lícito com a maquiagem, enquanto desfigurá-la não. Logo, nem toda maquiagem é lícita.

A mulher que nasceu ou adquiriu algum defeito, não proveniente do decurso natural da raça humana, seja no rosto, cabelo ou corpo, e que seja facilmente corrigido usando recurso como maquiagem, tinta, etc, não pode usar estes recursos visando corrigir, pois estaria pervertendo a fisionomia natural.

Esse tipo de maquiagem não desfigura a fisionomia natural, mas antes a resgata, pois pelos acidentes da natureza muitos possuem tais problemas. Por exemplo, possuir cabelo branco muito antes do tempo natural e corrigir pintando da cor natural, colocar peruca da cor natural do cabelo para corrigir uma falha genética de calvice, esconder com pó da cor da pele as olheiras, espinhas, cicatrizes, queimaduras, etc. Mas não seria um exemplo a mulher anciã pintar o cabelo branco da cor do cabelo jovem dela, pois estaria contra o decurso natural da raça humana. 

- É possível um homem usar maquiagem ou pintar o cabelo seja para embelezamento, seja para correção de defeitos acidentais como espinhas, cicatrizes, queimaduras, etc.

São Cipriano abaixo sequer expôs a problemática de homens maquiados, dado que isso já era impensável, de tal maneira o papel do homem e o que ele simboliza era muito claro naquele tempo. De fato, o homem representa a parte rude, batalhadora, e trabalhadora do homem, que com suor ganha seu pão. Esse suor, que profetizou Deus no Gênesis, representa as escoriações, as dores, e, mais que tudo, as marcas da vida dura depois do pecado original. "Não vos ensina a própria natureza que é desonroso para o homem deixar crescer os cabelos?" (I Cor 11:15), diz São Paulo, nos mostrando que tais adornos são contra a dignidade do homem, enquanto as marcas da vida, o suor, não o são. Porém, não é por isso que o homem deve procurar se mutilar, estar sempre suado, não penteado, etc, porque há uma diferença entre sujeira e marca da vida. Já a mulher não deve seguir a natureza do homem neste tema, pois "a mulher é a glória do homem" (I Cor 11:7), isto é, uma imagem da glória dele, deve ser a mulher forte que "vestiu-se de linho fino e de púrpura" (Prov. 31:22).

- A mulher pode usar maquiagem ou pintar o cabelo para esconder o decurso natural de sua fisionomia, como pintar os cabelos brancos pela velhice, porque com isso pretende resgatar sua fisionomia natural.

A fisionomia natural de todo ser humano está ligada ao pecado original, presente em toda a raça humana. Logo, é preciso não confundir a fisionomia natural na terra com a fisionomia natural no céu, onde cada um terá seus cabelos, sua pele, tudo em seu corpo de modo belíssimo sem as falhas do pecado original e dos problemas genéticos grandes ou pequenos, e todos terão a idade de Cristo: 33 anos. Portanto, resgatar a fisionomia natural, nesta terra, é resgatar de acordo com o modo que Deus dispõs a natureza e o decurso natural do homem.

- Não constitui maquiagem imodesta: usar cílios postiços quem não os perdeu por defeito ou acidente, pintar em volta dos olhos de cores diferentes da natural, pintar a boca de uma cor diferente da natural, pintar o cabelo de uma cor diferente da natural, pintar da cor natural os cabelos brancos pela velhice, mudar a estrutura e a cor natural do rosto com mescla de pós coloridos, usar lente de contato para aumentar ou mudar a cor dos olhos, aumentar ou diminuir ou até suprimir a sobrancelha natural por tatuagem ou algo semelhante. 

Refuta-se pelos textos abaixo e observações acima. 

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São Cipriano (200-258)

"14 (...) Todos estes enganos trouxeram astutamente os anjos caídos e apóstatas, quando, chafurdando-se nas imundícias terrenas, perderam a virtude do céu. Eles ensinaram a pintar os olhos ao redor com tintura negra, e a tingir as bochechas com vermelho fictício, e a trocar a cor dos cabelos com cores postiças, e desfigurar o natural do rosto e cabeça com enfeites artificiosos.



15. Por certo que, induzido agora pelo temor que me inspira a fé, pelo amor que devo a meus irmãos, creio que a admoestação se deve dirigir não só às virgens ou viúvas, mas também a casadas e a todas as mulheres em geral, porque de maneira alguma devem adulterar a obra de Deus, seu acabamento e contorno, aplicando cores e pós amarelos, negros ou vermelhos, ou qualquer enfeite que desfigure a fisionomia natural. Diz Deus: "Façamos ao homem a nosso imagem e semelhança" (Gn 1:26). E se atreverá alguém a mudar e perverter o que Deus fez? Em Deus põem as mãos quando tratam de reformar e retocar a obra que Ele formou, sem dar-se conta que é obra de Deus tudo que nasce, e é do diabo tudo quanto se perverte. Se um pintor retrata-se o rosto e as feições e atitudes de um indivíduo com imitação perfeita, e, terminado o quadro, outro puser nele suas mãos querendo retocar como mais perito o que está já acabado e pintado, pareceria sem dúvida uma injúria e seria justa a indignação do pintor: e tu crês que ficará impune tua ousadia e temeridade tão reprovável, que é uma ofenso ao sumo artista Deus? Pois, ainda que não seja sem vergonha e desonesta pelos enfeites artificiais em opinião dos homens, és considerada pior que uma adúltera por desfigurar e profanar a obra de Deus. Tua idéia de se enfeitar, de se adornar, é um ataque à obra de Deus, é uma desviação da verdade.

16. (...) Por ventura se conservarão a sinceridade e a verdade, quando o que é autêntico se mancha com cores falsas, e se altera o verdadeiro em falso com adereços postiços de pomadas? Teu Senhor diz: "Não podes tornar branco ou negro nem um só cabelo" (Mt 5:36). E tu pretendes ter mais poder que o Senhor para desmentir suas palavras, terás a ousadia e o desprezo sacrílego de tingir seus cabelos, ou acaso suspeitas de teu futuro, como presagiando-o, ao pôr seu cabelo cor vermelho de fogo, e pecas (que abominação!) em tua própria cabeça, quer dizer, na parte principal de teu corpo? E tendo escrito o Senhor: "Seus cabelos eram brancos como a lã ou a neve" Ap. 1:14. Tu abominas os cabelos grisalhos, detestas a brancura que se assemelha à cabeça do Senhor.

17. Não temais (por favor, entenda), tu tal como és, que, quando chegar o dia da ressurreição, não te reconheça seu Criador, e quando te acerques a receber o prêmio e as promessas, te aparta e te exclua, repreendendo-lhe com a severidade de um rigoroso juiz com palavras como estas: "Esta obra não é minha, nem imagem nossa. Tens enfeiurado a compleição com postiça droga, tens tingido teu cabelo com cor bastarda, esta cara se gastou a força de fictícios unguentos, sua fisionomia foi falseada, este rosto é de outro. Não poderás ver a Deus, posto que não tens os olhos que Deus te deu, senão os que deformou o diabo. Tu seguiste a este, imitaste os olhos vermelhiços e pintados da serpente, te adornaste como teu inimigo, também com ele há de arder"" [1].

São João Batista de La Salle

Entenda-se primeiro que muitos escritos deste santo falam de hábitos de seu tempo, como o caso da peruca masculina abaixo (de uso comum na França da época) enquanto outros são regras a-temporais:

"Não há ninguém que não deva tomar como regra e prática se pentear todos os dias e nunca se deve aparecer diante de quem quer que seja com os cabelos em desalinho e sujos. Tenha-se sempre cuidado de que não tenham vermina nem piolho. Esta precaução e este cuidado é muito importante ao se tratar de crianças (...). Embora não se deva colocar facilmente pó nos cabelos e porque isto denota um homem efeminado, deve-se contudo ter o cuidado de não ter os cabelos gordurosos.

Se São Pedro e São Paulo proíbem às mulheres fazerem os cabelos, condenam com mais forte razão certos enfeites dos homens que, por terem naturalmente menos inclinação a esta sorte de vaidade do que as mulheres, por conseguinte, devem ter muito mais desprezo por isto e ficar bem mais longe de se entregar a isso (...).
 

Uma peruca é muito mais acertada e conveniente para a pessoa que a usa quando é da cor do cabelo do que quando é castanha ou loira. Contudo há gente que a usa tão encrespada e tão loira descolorada de maneira que mais parece mulher do que homem (...)" [2].

"Não é cortês deixar sujeiras ou barro no rosto (...). Uma coisa muito inconveniente e que manifesta um excesso de vaidade que não convém aos cristãos é colocar moscas (pintas) no rosto e pintá-lo com o uso de pó branco ou vermelho" [3].

Santo Tomás de Aquino

“É preciso, no entanto, observar que uma coisa é falsificar uma beleza que não se tem, e outra coisa é esconder uma desfiguração decorrente de alguma causa, como a doença ou o gosto. Para isso é legal, pois, segundo o Apóstolo (I Coríntios 12,23), “como nós pensamos ser os membros menos honrosos do corpo, sobre estes nós colocamos muito mais honra.” [4]








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[1] Obras de San Cipriano, Edición Bilingue, BAC, 1964. "Sobre o porte exterior das Virgens", tradução nossa.
[2] "As Regras da Cortesia e da Civilidade Cristã", Parte 1, Cap. III, Dos Cabelos
[3] Idem, Parte 1, Cap. IV, Do Rosto
[4] Suma Teológica, II-II, Q. 169, Art. 2