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Syllabus Movimentos Carismáticos: problemas na liturgia, piedade, teologia, etc


Com a graça de Nossa Senhora esperamos que
os problemas dos Movimentos Carismáticos, assim como aqueles que possuem apreço sentimental por algum deles, vejam este artigo com isenção de ânimo, avaliando as fontes aqui dispostas para cada tópico salientado. De fato, é na Tradição da Igreja Católica que se encontra a verdade sobre qualquer assunto. Esta lista (Syllabus) fazemos sem nenhuma intenção além do limite do estado laical. Outras compilações:

Clique aqui para mais syllabus contra várias falsa-direitas, movimentos modernos 





 

Diversos são os movimentos carismáticos, mas em geral neles se observa alguns dos problemas a seguir expostos, de modo que para cada movimento ou tipo carismático o leitor poderá observar o compilado ao qual se aplica.



- Compilados contra os problemas de piedade

A imposição de mãos dos leigos carismáticos para abençoar e curar está de acordo com a Tradição Católica? 

"Dom de Línguas" dos "carismáticos" refutado pela Bíblia e os Santos. Refutação de objeções 

Tradição Católica contra a espiritualidade do estender os braços, fazer caras e bocas. Refutando a Espiritualidade Tribalista e suas objeções 

Tradição Católica contra o repouso no espírito, falso dom místico carismático 

É lícito ministrar para a-católicos sacramentos, sacramentais e chamar ao culto católico, ou ao coral da Igreja? Communicatio in sacris passiva 

Sagrada Escritura, Papas e Santos contra o ecumenismo ou contra a oração com os hereges e cismáticos 

Papas, Santos e Teólogos falaram contra a comunhão na mão? Refutação do pseudo apoio de São Cirilo de Jerusalém 





- Compilados contra os problemas teológicos

S. Pio X contra a heresia "Cristianismo é um encontro, uma experiência” ou o modernista religioso 




- Compilados contra os problemas do missal usado

Resumo do problema da missa nova segundo o tradicionalismo. Plinio Corrêa de Oliveira introduz o livro de Arnaldo Xavier da Silveira. Download do livro 





- Compilados contra os problemas litúrgicos nas missas

Papas proibiram instrumentos como bateria, pratos, piano e outros na música litúrgica?

Papas deram diretrizes sobre os cantos profanos ou em vernáculo na liturgia?

Papas, prelados e santos sobre dança, palmas e gritos na missa


Papas indicaram que tipos de música devem ser evitadas na liturgia (intemperante, sentimental, ininteligível, etc)?


Papas, Santos e teólogos contra a participação ativa liturgicista na missa em desprezo do terço e piedades não-litúrgicas. Resposta a objeções

Papas, santos e teólogos contra o liturgicismo do uso da língua vernácula



A mulher coroinha, acólita, leitora e cerimoniária contra a Doutrina Católica. Fala a Bíblia, os Papas, Santos e teólogos



-> CONCLUSÃO

Esta lista de problemas dos Movimentos Carismáticos que contrastam com artigos que iluminam a doutrina Católica Tradicional deve ser suficiente para que o próprio ou algum admirador veja que é a Tradição da Santa Igreja o caminho a ser seguido.

Rezemos para que os Movimentos Carismáticos, frequentados por pessoas com capacidade intelectual e cultura, se curvem diante de Nossa Senhora Co-Redentora, e façam assim que tantos outros se curvem também, entre os quais estaremos nós, em ação de graças por isto e pedindo perdão pelos nossos pecados.


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Tradição Católica contra repouso no espírito, falso dom místico carismático

Versão protestante do repouso no espírito com música de jogo de luta 
para mostrar o ridículo da prática

S. João da Cruz, rogai por nós!

Anterior desta série:
Tradição Católica contra a espiritualidade do estender os braços, fazer caras e bocas. Refutando a Espiritualidade Tribalista e suas objeções


Seção dos Convulsionários de Saint Medárd,
seita jansenista do século XVIII
condenada pela Igreja. Alguma
semelhança com o "repouso no espírito"?


Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados (Volume II, 2a edição)".

Tendo em vista a crítica à Espiritualidade tribalista exteriorizante antes tratada, prosseguimos a abordar o suposto dom do "repouso no espírito" que, apesar de ser também exteriorizante, difere-se por se considerar que origina do Espírito Santo, e não da pessoa (onvulsionários de Saint Medárd, seita jansenista do século XVIII condenada pela Igreja, não é mera coincidência)*.

Um padre adepto da prática explica em que consiste:

"O repouso no Espírito traduz-se, habitualmente, por uma incapacidade corporal. A pessoa começa por vacilar, para finalmente cair suavemente para trás; a energia física desvanece-se. A pessoa está como que ofuscada pela intensidade da presença interior do Espírito Santo. Há, então, incapacidade de adaptar o psiquismo e os sentidos a uma experiência espiritual tão intensa" [1].

Sequer desejamos compartilhar vídeos de católicos "repousando no Espírito Santo", dado que muito disso é do maligno, como veremos na compilação.


Abaixo, as curtas afirmações enumeradas, que figuram por falta de teólogo católico abalizado sobre o tema, são justificadas pelos textos que as seguem, escritos pela pena de místicos e teólogos consagrados da Igreja Católica Apostólica Romana.

1 - A prática incentiva o desejo de ter dons místicos, o que é oposto à humildade e ao correto desenvolvimento espiritual

Santo Afonso Maria de Ligório

"Algumas pessoas piedosas, lendo os êxtases e arroubos de Santa Teresa, São Felipe Néri e outros santos, desejariam ter essas experiências espirituais. Esses desejos devem ser rejeitados porque são contrários à humildade. Se queremos ser santos, procuremos a verdadeira união com Deus que é unir totalmente nossa vontade à vontade dele. [...] Certas pessoas, ávidas de satisfações espirituais, nada mais fazem na sua oração do que procurar sentimentos agradáveis e ternos, para se deliciarem neles. As almas fortes e desejosas de pertencer só a Deus não lhe pedem senão luz para discernir sua vontade e força para a cumprir perfeitamente" [2].

Santa Teresa de Jesus

“É evidente que a absoluta perfeição não consiste nas alegrias interiores, nem nos grandes êxtases, visões, nem no espírito da profecia. Consiste em tornar nossa vontade de tal modo conforme a de Deus, que abracemos de todo o coração o que cremos querido por ele e que aceitemos com a mesma alegria o que é amargo e o que é doce, desde que compreendamos que Sua Majestade o quer” [3].

S. João da Cruz

“A virtude não consiste nas apreensões e sentimentos de Deus, por sublimes que sejam, nem em nada de semelhante que se possa experimentar interiormente. Ao contrário, a virtude está no que não se sente, isto é, em humildade profunda e grande desprezo de si mesmo” [4].

2 - Inverte a hierarquia no homem, a qual se deve dar primazia ao que é comunicado ao espírito, e não ao sentido. Assim, assemelham-se ao que os modernistas, segundo São Pio X, queriam com uma religião do sentimento

S. João da Cruz

“Ora, importa saber que, não obstante poderem ser obras de Deus os efeitos extraordinários que se produzem nos sentidos corporais, é necessário que as almas não queiram admitir nem ter segurança neles; antes é preciso fugir inteiramente de tais coisas, sem querer examinar se são boas ou más. Porque quanto mais exteriores e corporais, menos certo é que são de Deus. Com efeito, é mais próprio de Deus comunicar-se ao espírito, e nisto há para a alma mais segurança e lucro, do que ao sentido, fonte de freqüentes erros e numerosos perigos. O sentido corporal, nessas circunstâncias, faz-se juiz e apreciador das graças espirituais julgando-as tais como sente. No entanto, há tanta diferença entre a sensibilidade e a razão como entre o corpo e a alma, e na realidade, o sentido corporal é tão ignorante das coisas espirituais como um jumento o é das coisas racionais, e mais ainda” [5].

3 - Põe em perigo de ser enganado pelo demônio, por se fiar em uma ação nos sentidos corporais

S. João da Cruz

“Quem estima esses efeitos extraordinários erra muito, e corre grande perigo de ser enganado, ou, ao menos, terá em si total obstáculo para ir ao que é espiritual. Como já dissemos, os objetos corporais nenhuma proporção tem com os espirituais, por isso, deve-se sempre pensar que, nos primeiros, mais se encontra a ação do mau espírito em lugar da ação divina. O demônio, possuindo mais domínio sobre as coisas corporais e exteriores, pode com maior facilidade nos enganar neste ponto, do que nas interiores e espirituais" [6].

“A alma, além disso, vendo-se favorecida por graças tão extraordinárias, muitas vezes concebe secretamente boa opinião de si, imaginando já valer, algo diante de Deus, o que é contrário à humildade. Por outro lado, o demônio sabe sugerir-lhe oculta satisfação de si mesma, por vezes bem manifesta. Com este fim propõe-lhe frequentemente objetos sobrenaturais aos sentidos, oferecendo à vista imagens e maravilhosos resplendores; aos ouvidos, palavras misteriosas; ao olfato, perfumes muito suaves; ao paladar, delicadas doçuras, e ao tato sensações deleitosas, para que atraída a alma com estes gostos, possa ele causar-lhe muitos males" [7].



CLIQUE PARA MAIS:

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Lista de artigos compiladores da Doutrina Católica contra os erros sobre sacramentos, liturgia e espiritualidade

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* Algumas citações deste artigo foram coletadas de diversos
endereços virtuais que comentaram sobre o tópico no passado. Não mais os encontramos para o devido crédito.
[1] Site RCC Brasil, Repouso no Espírito e Renovação Carismática, Pe. O. Melançon, CSC. Link: http://rccbrasil.org.br/espiritualidade-e-formacao/carismas/659-repouso-no-espirito-e-renovacao-carismatica.html

[2] "A Prática do Amor a Jesus Cristo", Cap. VIII, p. 168, 172
[3] Livro das Fundações, cap. 5, n.10
[4] Subida ao Monte Carmelo. Livro III, capítulo IX, 3. Rio de Janeiro: Vozes, 1998, p. 345
[5] Idem Livro II, capítulo XI, 2, p. 217 
[6] Idem, Livro II, capítulo XI, 3 p. 217
[7] Idem, Livro II, capítulo XI, 5, p. 218

Sagrada Escritura, Papas, prelados e santos sobre dança, palmas e gritos na missa. Tratando objeções.

Imagem anterior (não original) ilustrativa

S. João Clímaco, rogai por nós!
Santo Tomás de Aquino, rogai por nós!

Já compilamos material sobre as danças que não podem ser dançadas em nenhuma hipótese: Modéstia nos bailes e danças em livro elogiado por Pio XII e Paulo VI, prefaciado pelo Núncio D. Bento Masella

Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados" (Volume II, 2a edição).

Sagrada Escritura

O desafio de S. Elias aos profetas de Baal consistiu em oferecer um sacrifício à divindade que cada um acreditava. Neste desafio, o sacrifício aceito seria confirmado pela vinda do fogo do céu para consumá-lo e provar a religião verdadeira. Como todo o sacrifício antigo era uma prefigura do sacrifício de Cristo Nosso Senhor, mais reverência deve-se ter pelo sacrifício novo.

Com isso em mente, lembramos abaixo como o profeta Elias escarnecia dos pagãos que pulavam e gritavam no seu ato "litúrgico", pois o santo profeta não fazia o mesmo. Ou seja, estes atos são tipicamente pagãos:

"Tomando o boi que lhes foi dado, o imolaram, e não cessavam de invocar o nome de Baal de manhã até o meio-dia, dizendo: Baal, ouvi-nos. Mas não se ouvia voz, nem havia quem respondesse; e saltando sobre o altar que haviam feito, e passavam de uma parte a outra.

Sendo já o meio-dia, burlava-se Elias deles, dizendo: Gritai mais alto; porque esse deus talvez esteja em conversação com algum, ou em alguma pousada, ou de viagem; talvez está dormindo, e assim é importante desperta-lo.

Gritavam, pois, eles a grandes vozes; e se cortavam, segundo seu rito, com faca e lanças, até se encherem-se de sangue.

Mas passado já o meio-dia, e enquanto prosseguiam em suas invocações, chegou o tempo em que se costuma oferecer o sacrifício, sem que se ouvisse nenhuma voz, nem tivesse quem respondesse, nem atendesse aos que oravam.

Disse então Elias a todo o povo: Acerque-os a mim; e acercando-se a ele o povo, reparou o altar do Senhor que havia sido arruinado (...).

Sendo já o tempo de oferecer o holocausto, se aproximou o profeta Elias, e disse: Oh Senhor Deus de Abraão, e de Isaac, e de Israel, mostra hoje que te es o Deus de Israel, e que eu sou teu servo, e que por teu mandato tenho feito todas estas cosas.

Ouvi-me, oh Senhor, escutai-me, a fim de que saiba este povo que tu es o Senhor Deus, e que tu converteste de novo seus corações.

De repente baixou fogo do céu, e devorou o holocausto, e a lenha, e as pedras, e até o pó, consumindo a água que havia na vala.

Visto isso por todo o povo, se prostraram todos sob seus rostos, dizendo: O Senhor é o Deus, o Senhor é o Deus verdadeiro.

Então lhes disse Elias: Prendei aos profetas de Baal, e que não se escape nenhum deles. Presos que foram, Elias os mandou levar a torrente do Quisom (Kishon); e ali lhes matou". I Reis XVIII, 26-40

São João Clímaco (525-606)

"Quando fizermos nossa oração em companhia de outros, procuremos recolher nosso coração, e procuremos despertar interiormente nossa devoção sem mostras exteriores. Mas, se estamos sós (onde não haja ocasião de louvores humanos, nem os temores dos olhos de que nos observa), aproveitemo-nos de figuras e gestos para ajudar da devoção, tais como bater nos peitos, levantar os olhos para o céu, prostrar-nos em terra, estender os braços em cruz, e outras coisas semelhantes; porque muitas vezes acontece que o espírito dos imperfeitos se levanta com isso e se conformam com os movimentos exteriores" [1].

Santo Tomás de Aquino


"E por isso Crisóstomo diz: Quem reza não faça nada insólito, que atraia o olhar dos outros, como gritar, bater no peito ou levantar os braços", pois, é a novidade mesma desse proceder que atrai sobre ele a atenção dos outros" [2]. 

São Pio X

Contra o tambor e instrumentos fragorosos, entre os quais podem ser incluídos as palmas:

"19. É proibido, na Igreja, o uso do piano bem como o de instrumentos fragorosos, o tambor, o bombo, os pratos, as campainhas e semelhantes.

20. É rigorosamente proibido que as bandas musicais toquem nas igrejas, e só em algum caso particular, com o consentimento do Ordinário, será permitida uma escolha limitada, judiciosa e proporcionada ao ambiente de instrumentos de sopro, contanto que a composição seja em estilo grave, conveniente e semelhante em tudo às do órgão.

21. Nas procissões, fora da igreja, pode o Ordinário permitir a banda musical, uma vez que não se executem composições profanas. Seria para desejar que a banda se restringisse a acompanhar algum cântico espiritual, em latim ou vulgar, proposto pelos cantores ou pias congregações que tomam parte na procissão" [3].

João XXIII

“Estou muito satisfeito por estar aqui. Mas eu devo exprimir-lhes um desejo: que na igreja não gritem e não batam palmas, nem mesmo para saudar o Papa, porque Templum Dei Templum Dei (o templo de Deus é o templo de Deus). Agora, se vocês estão felizes em encontrar-me nesta bela igreja, imagine como o Papa não está feliz em ver seus filhos! Mas assim que ele vê seus filhos, eles batem as mãos na frente de sua face. E esse que está diante de vocês é o sucessor de São Pedro!” [4].

Cardeal Ratzinger (posteriormente Bento XVI)

"A dança não é uma forma de expressão da liturgia Cristã. Por volta do terceiro século, houve uma tentativa em certos círculos Gnósticos-Docetistas de introduzí-la na liturgia. Para este povo, a Crucifixão era apenas uma aparência. Antes da Paixão, Cristo havia abandonado o corpo que de qualquer maneira ele nunca realmente assumiu. A dança podia tomar um lugar na liturgia da cruz, porque, apesar de tudo, a Cruz era apenas uma ilusão. As danças de cultos de diferentes religiões tem diferentes propósitos, encantamentos, magia imitativa, êxtase místico, nenhum dos quais é compatível com o propósito essencial da liturgia da "sacrifício razoável". É totalmente absurdo tentar fazer a liturgia "atraente" introduzindo danças pantomimas (sempre que possível feita por grupo profissionais de dança), os quais frequentemente (e com razão, do ponto de vista profissional) acabam com aplausos. Sempre quando o aplauso entra na liturgia por causa de algum feito humano, é um sinal seguro que a essência da liturgia desapareceu totalmente e foi substituída por uma espécie de entretenimento religioso. Tal atração desvanece rapidamente, ela não pode competir no mercado da busca dos lazeres, incorporando como crescentemente fazem várias formas de excitações religiosas. Eu mesmo experienciei a substituição de um rito penitencial por uma apresentação de dança, a qual, não é preciso dizer, recebeu muitos aplausos. Pode ter qualquer coisa mais longe da verdadeira penitência ? A liturgia só pode atrair as pessoas quando ela olha, não para ela mesma, mas para Deus, quando deixa ele entrar e agir. Então algo verdadeiramente único acontece, além da competição, e o povo tem a sensação de que algo a mais aconteceu do que uma atividade recreacional. Nenhum dos ritos Cristãos inclui a dança" [5].

São Padre Pio

"A fim de evitar irreverências e imperfeições na casa de Deus, na igreja – que o divino Mestre chama de casa de oração -, exorto-vos no Senhor a praticar o seguinte.

Entre na igreja em silêncio e com grande respeito, considerando-se indigno de aparecer diante da Majestade do Senhor. Entre outras considerações piedosas, lembre-se que nossa alma é o templo de Deus e, como tal, devemos mantê-la pura e sem mácula diante de Deus e seus anjos. (...).

Em seguida, pegue água benta e faça o sinal da cruz com cuidado e lentamente.

Assim que você estiver diante de Deus no Santíssimo Sacramento, faça uma genuflexão devotamente (...)

Ao assistir à Santa Missa e as funções sagradas, fique muito composta, quando em pé, ajoelhada e sentada, e realize todos os atos religiosos, com a maior devoção. Seja modesta no seu olhar, não vire a cabeça aqui e ali para ver quem entra e sai. Não ria, por respeito para com este santo lugar e também por respeito para aqueles que estão perto de você. Tente não falar com ninguém, exceto quando a caridade ou a estrita necessidade pedirem isso. (...)

Ao sair da igreja, você deve estar recolhida e calma (...)" [6].

- Objeções

Obj. 1: É Tradição antiga, desde pelo o Renascimento, a Dança dos meninos de Sevilla [7], chamado Baile de los Seises, feito na Catedral, diante do Santíssimo Sacramento.
Baile de los seises,
tratado na objeção 1

R.1: A dança é inocente, tradicional e com belos trajes. Em si mesma nada tem de mau. Tudo indica que era feita nas procissões de Corpus Christi primordialmente, e em procissões, como vimos, são permitidas as bandas musicais, que possuem instrumentos fragorosos, o que não é permitido na Catedral. Se a dança foi permitida na Igreja, certamente foi fora da liturgia. Um postal antigo indica que era feita na Catedral (talvez por algum fator meteorológico, o que a tornaria inconveniente se realizada do lado de fora), mas em uma área lateral, onde também, pelo que indica a imagem, o arcebispo sentava. Isto destoa por completo da atualidade, pois eles (agora incluindo meninas) dançam muitas vezes no ponto mais alto do altar, onde talvez nem se celebre missa, pois o igualitarismo da missa nova exige um altar no mesmo nível do povo.

Obj. 2: este versículo deixa entrever uma liturgia celebrada alegremente pelo povo de Israel, com instrumentos, ritmos, aclamações, na qual o corpo também está bastante envolvido: "Povos, aplaudi com as mãos, aclamai a Deus com vozes alegres, porque o Senhor é o Altíssimo, o temível, o grande Rei do universo". Salmo 46.

R.2: De fato, nas procissões isso era permitido, ainda mais que as canções, segundo o documento de São Pio X, não podiam ser profanas.

Obj. 3: “Davi e toda a casa de Israel dançavam com todo o entusiasmo diante do Senhor, e cantavam acompanhados de harpas e de cítaras, de tamborins, de sistros e de címbalos” II Sm VI, 5. Seria difícil não imaginar o uso das palmas em tais celebrações, e como a Arca é a prefigura do Sacrário do Santíssimo, se pode fazer o mesmo na Igreja.

R.3: Nesse versículo a Arca sai pelas ruas, isto é, faz um percurso, e o povo acompanha como em uma procissão. Logo, é legítimo e fora do âmbito litúrgico.

Obj.4: Todo instrumento musical incluindo o som de mãos batendo uma contra as outras em forma de louvor podem e devem fazer parte do nosso culto de louvor a Deus, pois: "Aleluia. Louvai o Senhor em seu santuário, louvai-o em seu majestoso firmamento. Louvai-o por suas obras maravilhosas, louvai-o por sua majestade infinita. Louvai-o ao som da trombeta, louvai-o com a lira e a cítara. Louvai-o com tímpanos e danças, louvai-o com a harpa e a flauta. Louvai-o com címbalos sonoros, louvai-o com címbalos retumbantes. Tudo o que respira louve o Senhor". Salmo 150, 1-5. 


R.4: Nas procissões pode se usar instrumentos inconvenientes para o templo, o que prova que é possível louvar a Deus com vários instrumentos. Um exemplo é o hino do Vaticano, que pode ser cantado na Igreja, mas também é bem acompanhado por tambores e pratos em procissões, onde esses instrumentos são mais apropriados.

Obj.5: Se se pode louvar em voz alta a Deus, como num episódio Bíblico, pode-se fazer o mesmo ao Santíssimo Sacramento na Igreja: "Quando já se ia aproximando da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, tomada de alegria, começou a louvar a Deus em altas vozes, por todas as maravilhas que tinha visto. E dizia: Bendito o rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória no mais alto dos céus! Neste momento, alguns fariseus interpelaram a Jesus no meio da multidão: Mestre, repreende os teus discípulos. Ele respondeu: Digo-vos: se estes se calarem, clamarão as pedras." São Lucas XIX, 37-39.

R.5: O povo fez do percurso de Nosso Senhor Jesus Cristo uma procissão, e Ele elogiou esse gesto. É possível dizer que um dos motivos pelos quais o Salvador repreendeu os fariseus contrários foi o de que "clamarão as pedras", remetendo-nos ao salmo de que a natureza deve clamar ao Senhor e, por isso, todos os instrumentos usados nessa procissão para louvar a Deus, desde a voz alta até mesmo o uso de ramos, eram bem-vindos.


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[1] Escada do Céu, A oração, Cap. XVIII 
[2] Suma Teológica, IIa IIae parte, q. 187, art. 6, ad. 3. O texto citado, Opus Imperfectum in Matthaeum, não é hoje considerado de São João Crisóstomo, embora fosse muito popular na Idade Média e talvez, por isso, muito citado como se o fosse.
[3] Motu Proprio "Tra Le Sollecitudine", 22 de Novembro de 1903
[4] João XXIII; 1963, Ostia, IV Domingo da Quaresma. Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=k_Pl5C4xISM
[5] Introdução ao espírito da Liturgia. 3ª Edição. Paulinas: Prior Velho, Portugal, 2010. pp. 146 e 147
[6] Padre Pio’s Letters, “Correspondence with his Spiritual Daughters (1915-1923)” Vol.III. Carta de Padre Pio para Annita Rodote, Pietrelcina, 25 de julho de 1915. Primeira edição (versão em Inglês), Editor; Edizioni Padre Pio da Pietrelcina, Alessio Parente, OFM Cap., Editor Edizioni Padre Pio Pietrelcina da, Nossa Senhora do Convento dos Capuchinhos Grace, San Giovanni Rotondo, Itália, 1994, Traduzido por Geraldine Nolan, pp 88-92.
[7] Um vídeo da dança pode ser visto nesse link:https://www.youtube.com/watch?v=WZNR7L3kWug

A imposição de mãos dos leigos carismáticos para abençoar e curar está de acordo com a Tradição Católica?


S. Teresa de Jesus, rogai por nós! 
O trecho do vídeo acima (a partir de 23:50) representa a procissão em que Santa Teresa participou com o Arcebispo comentada nesse artigo

Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados (Volume II, 2a edição)".

"Dom de Línguas" dos "carismáticos" refutado pela Bíblia e os Santos. Refutação de objeções

Tendo abordado o falso "dom de línguas" carismático, compilamos agora sobre a imposição de mãos.

Atualmente, muitos meios "carismáticos" promovem a imposição de mãos e, tendo em vista os inúmeros erros, além do progressismo basilar que ali existe, trazemos compilados da Tradição sobre o tema para dar uma resposta concreta para esse assunto que envolve muitas falsas concepções até por parte de quem condena (corretamente) a prática como é feita nos movimentos dito carismáticos.

Para emitir um juízo correto sobre a imposição de mãos de acordo com a Tradição, isto é, se ela é lícita em algum caso, precisamos saber, com a ajuda da Enciclopédia Católica Americana do começo do século XX, onde na Igreja a imposição de mãos existe: (1) No batismo do rito tradicional, quando o padre impõe as mãos durante a "preces nostras", e de novo depois do exorcismo. Tertuliano menciona a imposição no batismo nos seus dias (de Bap., VI, VII, &c.). (2) Na penitência o ministro meramente eleva a sua mão durante a absolvição. É um costume, não faz parte do sacramento dado que a forma da absolvição são as palavras da absolvição, e a matéria, o pecado. (3) Na extrema unção tradicional não há imposição de mãos nas rubricas, apesar de que na prece imediatamente antes da unção as palavras "per impositionem manuum nostrarum" ocorrem. (4) É empregada em quase todos os tipos de bênçãos de pessoas e coisas. Abades e virgens são assim abençoados (cf. "Roman Pontifical and Ritual"). (5) Na reconciliação de penitentes públicos e na recepção de cismáticos, hereges, e apóstatas na Igreja, as mãos eram formalmente, e ainda são impostas (cf. Duchesne, "Christian Worship", pp. 328, 435, St. Cyprian, De Lapsis 16). (6) No exorcismo dos obsediados por maus espíritos (cf. Ritual Romano, Titus, x, cl). (7) Na missa tridentina em vários momentos o padre impõe as mãos sobre os objetos litúrgicos, oferendas, etc. (8) Na ordenação de sacerdotes. (9) No rito da crisma junto do óleo.

Dito isso, lembremos primeiro que um leigo não pode administrar sacramento algum, exceto em caso de necessidade ou delegação, quando possível, dado que o estado de leigo impede o poder de conferir alguns sacramentos. Por isso, fora dessas condições, não pode impor as mãos durante o batismo, penitência, extrema unção, nos objetos litúrgicos na missa, na reconciliação dos penitentes públicos, no exorcismo, na ordenação, no crisma.

Agora falta analisar a imposição de mãos nas bênçãos várias, ou visando a cura. Antes, tratemos algumas falsas concepções.

Condenação de Pio XII da imposição de mãos por leigos?

"Somente aos apóstolos e àqueles que, depois deles, receberam dos seus sucessores a imposição das mãos, é conferido o poder sacerdotal em virtude do qual, como representam diante do povo que lhes foi confiado a pessoa de Jesus Cristo, assim representam o povo diante de Deus (...)". (Encíclica "Mediator Dei").

Qualquer alma não apressada repara que o Papa não fala da imposição como a dos "carismáticos", mas do poder sacerdotal que é passado somente por esse ato, matéria do sacramento da ordem. Um leigo só podia fingir ter o poder de ordenar sacerdotes, visto que isto é próprio do Bispo.

A imposição carismática de mãos por leigos é Bíblica?

Alguns poderiam alegar alguns versículos para embasar a normalidade da imposição de mãos "carismática", mas essa interpretação provém de uma interpretação neopentecostal protestante que nega a correta interpretação da Igreja desde os tempos antigos. A Tradição Apostólica consiste no seguinte sobre a imposição: ordenação de diáconos (Atos VI, 1-6), rito da crisma, pois "somente tinham sido batizados" (Atos VIII, 14-17), rito do batismo, seguido de crisma, e depois de milagre (Atos XIX, 1-7), referência à graça vinda do sacramento da ordem (I Tim IV, 14, II Tim I, 6), referência à doutrina da imposição de mãos (Hb IV, 2).

A imposição de mãos de leigos para curar a pessoa

Nosso Senhor curava as pessoas com a imposição de mãos (S. Marcos V, 23, VI, 5, VII, 32, VIII, 22-25, S. Mateus IX, 18, S. Lucas VI, 19, IV, 40, XIII, 13). Os discípulos faziam o mesmo (Atos IX, 12-17, XXVIII, 8). O Salvador falou que a cura virá, na imposição de mãos, aos que crerem:

“Disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura. O que crer e for batizado, será salvo, o que, porém, não crer, será condenado. Eis os milagres que acompanharão os que crerem: Expulsarão os demônios, em meu nome, falarão novas línguas, manusearão as serpentes, e, se beberem alguma mortífera, não lhes fará mal; imporão as mãos sobres os enfermos e serão curados” (S. Marcos XVI, 15-19).

A cura pela imposição de mãos Nosso Senhor prometeu aos que crerem: não há restrição de pessoas aqui, é verdade. Mas Ele prometeu a cura, logo, se não há cura em uma imposição de mãos é uma falsa imposição, falta fé por parte de quem as impõe, o qual não deve repetir o ato, e manter-se somente rezando pelo doente sem tocá-lo.

Há também a questão da chamada cura pela "energização" da pessoa, através da imposição das mãos. Apesar de não conhecermos uma condenação clara de algum Papa sobre o Reiki, a filosofia pagã existente por trás da prática, inventada por um budista, torna algo indigno de promoção por católicos, que também não deveriam frequentar sessões de Reiki. Se a imposição de mãos, através do campo bio-magnético do homem, beneficia fisiologicamente o homem sofrendo a imposição, compete à ciência experimental comprovar, sem ferir as regras da moralidade com toques indevidos. Se confirmada, essa terapia não poderá ser misturada com nenhum tipo de misticismo, católico ou não, e ainda mais por uma filosofia pagã, dado que será puramente médica.

A imposição de mãos de leigos para rezar pela pessoa ou abençoá-la

Antes, precisamos mostrar que, ao contrário do que muitos pensam, os leigos podem abençoar, e até mesmo a sacerdotes. No entanto, a análise minuciosa mostra como isso difere da prática "carismática".

Santa Teresa de Jesus (1515-1582) abençoou até um Arcebispo, que se colocou de joelhos para tal: “Como nada se opunha à abertura da nova casa, as Irmãs tomaram posse dela no dia 1 de Maio de 1576. Havia sido seu desejo fazê-lo no silêncio, às escondidas, mas o Padre Garcia Alvarez insistiu em que se devia fazer uma celebração pública, a qual se realizou, com grande pompa e regozijo, no dia 3 de Junho. Nela o venerável Arcebispo levou o Santíssimo Sacramento pelas ruas antigas, desse uma das igrejas paroquiais, seguido da maioria do clero da cidade e de grande número de confrarias, formando assim uma brilhante procissão, enquanto acorriam as multidões para aplaudir e admirar, davam-se salvas de artilharia. Foi uma grande festa de justificação e desagravo para a madre Teresa de Jesus (a Santa havia sido duramente caluniada anteriormente). Para que tudo alcançasse seu ponto culminante, quando ela pediu a bênção ao Arcebispo, este, ajoelhando-se diante da freira, pediu que ela lhe desse a sua bênção, o que ela fez diante de toda a multidão” [1]

Santa Rosa de Lima (1586-1617), terceira dominicana, abençoava os presentes e ausentes: “E depois, pedindo-lhe Dona Maria de Uzátegui, a rogo de algumas pessoas que estavam presentes, que lhes desse sua bênção, reparou um instante e levantou-se, por fim virou-se e disse erguendo o braço: “A bênção do Padre, do Filho e do Espírito Santo, com todos os seus dons e graças desça sobre estas senhoras e sobre todas as demais amigas e conhecidas que estão presentes e ausentes, e as cumule de seus bens, para que os gozem eternamente, depois pediu que chamassem as filhas do Contador e fez para elas uma prática espiritual, exortando-as à virtude (...) deu-lhes também sua bênção [2].

Outros casos podiam ser relatados, como o de São João Berchmans (1599-1621), São Luís Gonzaga (1568-1591), etc.

O teólogo Padre Royo Marín explica: “Resposta: Trata-se de simples bênçãos invocativas, a modo de oração, mas não constitutivas, como a dos Sacerdotes. A diferença consiste em que as bênçãos meramente invocativas não deixam benta a coisa mesma, mas se limitam a invocar sobre ela o favor ou a bênção de Deus ou da Santíssima Virgem. Pelo contrário, a bênção constitutiva, dada pelo Sacerdote, deixa benta a coisa mesma (por exemplo, um crucifixo, um terço, uma medalha, a comida, etc.). O leigo pede a Deus ou a Nossa Senhora que abençoe o que ele abençoa, o Sacerdote abençoa por si mesmo, em virtude de seus poderes sacerdotais. A bênção do Sacerdote é um sacramental, a do leigo ou do simples religioso não o é.

2ª pergunta: É lícito que simples leigos deem a bênção a outras pessoas, invocando o nome de Deus ou de sua Santíssima Mãe?

Resposta: Sim, no sentido que acabamos de explicar.

3ª pergunta: Em caso afirmativo, quais as condições para que o leigo possa dar essa bênção?

Resposta: Faça-o com humildade e devoção, sem se dar nenhuma importância.

4ª pergunta: Em que consiste propriamente essa bênção, do ponto de vista teológico e canônico?

Resposta: É uma simples deprecação, não um sacramental, como a do Sacerdote.

5ª pergunta: Em que se diferencia essa bênção, da bênção litúrgica dada pelo Sacerdote ou por um Superior Religioso, em nome da Igreja?

Resposta: Já está dito. Tome-se em consideração que o Superior Religioso, se não é Sacerdote, não abençoa em forma de sacramental. Somente os Sacerdotes e Diáconos gozam deste poder sagrado.

6ª pergunta: E, por outro lado, qual é a diferença entre a bênção dada por leigos e a que costumam dar, em certos lugares, os pais a seus filhos, os padrinhos a seus afilhados, os tios a seus sobrinhos, e até pessoas mais idosas a crianças ou jovens?

Resposta: Nenhuma diferença. Todos são leigos.

Antonio Royo Marín O. P, Madrid, 14 de Fevereiro de 1984” [3].

Sabe-se, pela Escritura, que Jacó impôs as mãos sobre seus netos, Efraim e Manassés, para abençoá-los (Gn XLVIII, 14). Moisés foi ordenado por Deus para impor as mãos sobre Josué (Nm XXVII, 18 e 23) para fazê-lo líder e sucessor de Moisés. 

Logo, a imposição de mãos para abençoar não é em si ruim, tendo em vista o que ela realmente significa. Essa imposição de leigos, como fez Jacó nos filhos, não pode ser criticada intrinsecamente.

Problema do igualitarismo na prática carismática que a distancia da Tradição

Os movimentos ditos "carismáticos", ao promoverem uma total liberdade para impor as mãos, sem quem que impõe seja nem padrinho do outro, nem um dos pais, nem diretor espiritual, nem possua alguma preeminência hierárquica espiritual sobre o outro, mas seja um semelhante ou inferior seu, promove um igualitarismo, uma dissolução da noção da hierarquia, e um falso misticismo, oriundo de uma mentalidade que trata a religião como atos externos ou sensibilidade, como explica São Pio X sobre este tipo de crente:

“Se, porém, procurarmos saber que fundamento tem esta asserção do crente, respondem os modernistas: é a experiência individual. — Com esta afirmação, enquanto na verdade discordam dos racionalistas, caem na opinião dos protestantes e dos pseudo-místicos. Eis como eles o declaram: no sentimento religioso deve reconhecer-se uma espécie de intuição do coração (...)" [4].

Também erram ao fazerem tais práticas na frente de todos, promovendo até uma espécie de vaidade e se aproximando do neopentecostalismo. Se o Arcebispo de Sevilha pediu a bênção de Santa Teresa na frente da multidão, após a procissão, foi para reconhecê-la como profetisa de seu tempo e para desagravar as perseguições que ela tinha sofrido, ao contrário da prática carismática, que normalmente se realiza perante muitos, estimulando um igualitarismo geral, ou seja, não é uma mera prece por outro, que poderia ser feito sem isso tudo.

Conclusão

Nenhum leigo pode impor as mãos como se participasse ou fizesse parte de algum modo da investidura do batismo, penitência, extrema unção, bênção dos objetos litúrgicos na missa, reconciliação dos penitentes públicos, exorcismo, ordenação, crisma, quando não os estiver administrando (se isso for possível, dado o tipo de sacramento que inviabiliza o leigo de administrar), e dado o estado de necessidade ou delegação. Quem faz o contrário promove um igualitarismo entre leigo e sacerdote, criticando com atos a hierarquia eclesiástica instituída por Cristo Senhor.

Um leigo que impõe as mãos para abençoar ou rezar pela pessoa, sem que seja nem padrinho do outro, nem um dos pais, nem diretor espiritual, nem possua alguma preeminência hierárquica espiritual sobre o outro, mas seja só um semelhante ou inferior seu, promove um tipo de igualitarismo que despreza a hierarquia da Igreja feita por Nosso Senhor, e pode estar ainda mais eivado da mentalidade igualitária e exibicionista se o faz na frente de muitos.

O leigo que impõe a mão para curar baseado na promessa de Nosso Senhor (S. Marcos 16, 15-19), mas sem uma revelação particular, ou sem estar movido por uma atração fortíssima para a confiança na providência de que curará, age por um tipo de superstição. Há agravante nisso se, além disso, o leigo achar que tem de fazer na frente de todos. Mas se, enganado por qualquer falsa impressão, vier a fazer e não obter sucesso, ele, Deus e o confessor saberão se agiu por ignorância ou não.

Vidas de Santos: davam bênçãos mesmo sendo leigos, as pessoas ajoelhavam-se diante deles e osculavam-lhes os pés

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[1] William Thomas Walsh, Santa Teresa de Ávila, Espasa-Calpe, Madrid, 1951, pgs.486-487.
[2] Fray Pedro de Loayza OP, Vida de Santa Rosa de Lima, Iberia, Lima, 1965, p. 100. Pode reimprimir-se: Mario Cornejo, Obispo Auxiliar e Vicario General.
[3] Refutação da TFP a uma investida Frustra Volume II, pg.346-349.
[4] Encíclica Pascendi Dominici Gregis, 8 de setembro de 1907, no.2.