A Doutrina Católica dá medida de modéstia e pudor na mesa e nos salões ?

Modéstia nos gestos em geral

Difícil é dar medida à modéstia gestual na mesa e nos salões com tantas diversidades culturais. Em alguns países é falta de educação servir o vinho a si mesmo, em outros não é. Então em um lugar determinado ato é pecado e em outro não ? Ou só uma das culturas é pecaminosa ? E se uma pessoa que em consciência desobedece essa regra de etiqueta local peca, como mostrar que o pecado não é relativo ao lugar ?

Primeiro, é preciso entender que há uma modéstia considerada globalmente, isto é, um costume de uma cultura qualquer não pode desobedecê-la. Como por exemplo, o costume indígena de andar pelado, que deve ser banido. Ou mesmo o costume de muitos (infelizmente não mais ligado só aos índios) de comer feito bicho.

Dentro da modéstia geral, são saudáveis as diferenças regionais e nacionais, até porque dizem muito sobre a característica de um povo, mostram que hábitos são mais comuns em certas regiões, e por quais razões. Essas razões por vezes são fundamentadas nos próprios hábitos, como o dos gaúchos, que comem muita carne e, para auxiliar a digestão, no lugar da ingestão de verduras tomam mate, que também esquenta, pois a região deles é fria. Outro hábito a ser notado é o do francês, que em sua residência considera falta de educação aquele convidado que se serve ou serve os outros de vinho, coisa que é reservado somente ao dono da casa. No caso dos gaúchos, não pecaria o homem comendo verduras junto da carne e negando educadamente o mate, pelo fato que nem todos são acostumados com essas comidas no paladar (embora seja sempre bom estarmos em harmonia com o ambiente). Já no caso do francês seria um desrespeito à hospitalidade do dono da casa se servir de vinho (sabendo dessa regra de educação) porque faria oposição à generosidade francesa embutida nesse ato, enquanto no caso dos gaúchos não há ato de virtude conectado ao hábito do chimarrão. Aliás, fazer isso em nada adiciona ao homem, antes tira, pois do outro modo ele é servido.

Baseado nisso, cremos poder responder:
Então em um lugar determinado ato é pecado e em outro não ? Ou só uma das culturas é pecaminosa ?  Enquanto estiver nos limites da modéstia geral para os movimentos e gestos, pode ser pecado se estiver o ato for contrário ao costume que está atrelado a uma virtude.

E se uma pessoa que em consciência desobedece essa regra de etiqueta local peca, como mostrar que o pecado não é relativo ao lugar ? Não é relativo, porque no hábito saudável a virtude atrelada ao costume é imutável.

Com isso está definido um método básico de analisar todos os costumes que possam surgir ou que existem no mundo. 


Modéstia gestual na mesa.

Ver a nota seguinte.

Modéstia gestual nos salões.

Devido aos inúmeros hábitos culturais que existem ou podem surgir, não analisaremos esse tópico, e não cremos ser conveniente dar algum palpite pelo fato do assunto ser extenso. Com o método que dispomos sobre a modéstia gestual globalmente considerada já é possível ter uma base para uma análise. Julgamos interessante transcrever um fato que pode dar um senso de toda a questão da civilidade e da modéstia nas mesas e salões, embora este fato esteja mais conectado com o trato social que trataremos posteriormente.

"Ponto importantíssimo em matéria de civilidade é a arte de tratar cada um segundo a dignidade, a precedência e os méritos adquiridos. Conta-se que o príncipe de Talleyrand era mestre consumado nesta arte. Num jantar familiar de alta sociedade, eis como distribuiu as fatias de um pernil. Ao seu vizinho da direita, o Sr. Barão de... principal conviva, disse:

"Sr. Barão de..., poderia eu ter a ousadia de lhe oferecer uma fatia de pernil ?"

Ao comensal da esquerda, segundo conviva em dignidade, disse:

"O sr. teria a gentileza de aceitar um pouco de pernil ?"

Ao terceiro falou: "O sr. quer pernil ?"

Ao quarto: "Um pouco de pernil ?"

Enfim ao quinto, disse apenas com um gestinho da faca: "Pernil ?" " [1]


CLIQUE: Modéstia, Pureza e Elegância: masculina e feminina
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[1] Pequeno Manual de civilidade para uso da mocidade, preliminares, pg.5