S.Pio X contra a heresia "Cristianismo é um encontro, uma experiência” ou o modernista religioso

Do livro "O Príncipe dos Cruzados" (compilação doutrinária inédita).

O mais comum nos ambientes progressistas é um proselitismo do coração, "venha sentir essa experiência", "venha sentir esse encontro com Cristo", e muitas outras frases que jogam a fé para uma definição subjetivista.

Tudo isso é condenado brilhantemente nestas poucas palavras do Papa São Pio X:

“Se, porém, procurarmos saber que fundamento tem esta asserção do crente, respondem os modernistas: é a experiência individual. Com esta afirmação, enquanto na verdade discordam dos racionalistas, caem na opinião dos protestantes e dos pseudo-místicos. Eis como eles o declaram: no sentimento religioso deve reconhecer-se uma espécie de intuição do coração, que pôs o homem em contacto imediato com a própria realidade de Deus e lhe infunde tal persuasão da existência dele e da sua ação, tanto dentro como fora do homem, que excede a força de qualquer persuasão, que a ciência possa adquirir. Afirmam, portanto, uma verdadeira experiência, capaz de vencer qualquer experiência racional; e se esta for negada por alguém, como pelos racionalistas, dizem que isto sucede porque estes não querem pôr-se nas condições morais, que são necessárias para consegui-la. Ora, tal experiência é a que faz própria e verdadeiramente crente a todo aquele que a conseguir. Quanto vai dessa à doutrina católica! Já vimos essas ideias condenadas pelo Concílio Vaticano I. Veremos ainda como, com semelhantes teorias, unidos a outros erros já mencionados, se abre caminho para o ateísmo” [1]. 

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Tradição Católica contra a espiritualidade do estender os braços, fazer caras e bocas. Refutando a Espiritualidade Tribalista e suas objeções

Papas, prelados e santos sobre dança, palmas e gritos na missa

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[1] Encíclica Pascendi Dominici Gregis, 8 de setembro de 1907. Link: https://w2.vatican.va/content/pius-x/pt/encyclicals/documents/hf_p-x_enc_19070908_pascendi-dominici-gregis.html

Tradição Católica contra a espiritualidade do estender os braços, fazer caras e bocas. Refutando a Espiritualidade Tribalista e suas objeções

Do livro "O Príncipe dos Cruzados" (compilação doutrinária inédita).

Já refutamos a faceta da espiritualidade tribalista na liturgia: Papas, prelados e santos sobre dança, palmas e gritos na missa

Sagrada Escritura 

No Evangelho de São Mateus (Cap.16, 6-7) lemos: "Quando jejuardes, não vos mostreis com aspecto triste como os hipócritas, que desfiguram seus rostros, para mostrar aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam sua recompensa. Tu, ao contrário, quando jejues, perfuma tua cabeça e lava tua cara, para que não conheçam os homens que jejuas, senão unicamente teu Pai".

O que pode ser aplicado àqueles que fazem caras e bocas para mostrar os "dons espirituais" que supostamente recebem, ou mesmo para mostrar que estão glorificando a Deus, como acham que estão. Nestes versículos, Nosso Senhor fala contra estes que querem mostrar o que fazem para Deus, não para Ele, mas para os homens, e mesmo sem intenção, o que fazem tem esta aparência, e o que tem aparência de pecado é pecado.

- Objeções

1 - Leigos levantarem as mãos para rezar é tradição, desde os judeus até os cristãos: "Quero que os homens orem em todo lugar, levantando as mãos limpas", 1 Tm 2:8. Em outra passagem (2 Mac 3:19-20), as pessoas, "levantando as mãos aos céus, dirigiam para aí suas orações".

R: Na segunda citação, o contexto do capítulo indica que as pessoas estavam pedindo ardentemente a intervenção Divina contra as profanações que estavam para serem feitas, e o povo estava todo contrito, diferente de uma atitude normal de oração, era um momento de agonia ao povo escolhido, e a exclamação a Deus cabia perfeitamente.

Sobre as frases de São Paulo a Timóteo, respondemos primeiro que o Apóstolo não deu uma regra, caso contrário estaria a Igreja errada e faltando com o Evangelho por muito tempo ao não obrigar o povo a rezar assim, o que é absurdo.

E segundo, citamos ao Padre Antônio Vieira citando a Santo Agostinho, indicando uma faceta simbólica do versículo quanto ao levantar de mãos:

"E que mãos levantadas são estas, de que tanto depende a oração? Santo Agostinho o disse e em três lugares: basta que refiramos um: Per manus debemus opera accipere. Et quis bene manus levat? Ille utique qui implet illud Apostoli: levantes manus puras ("Por mãos devemos entender as obras..."). Assim como no coração dissemos que se entendem os afetos, assim nas mãos, diz o santo, se entendem as obras. E que obras? Aquelas das quais diz o apóstolo S. Paulo, que, quando oramos a Deus, levantemos as mãos puras (1 Tim 2:8)" [1].

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[1] Sermões Escolhidos, vol. III, "Sermões sobre o Rosário: Sermão X, Maria Rosa Mística", Edameris, São Paulo, 1965 

Refutando a mentira "Papa Libério condenou S.Atanásio" com as palavras do próprio Santo e dos Papas

Santo Atanásio,
Doutor da Igreja
Foi o Cardeal John Henry Newman um dos primeiros, senão o primeiro, a dizer que o Papa Libério condenou S.Atanásio, o que é uma inverdade, pois, além dos Papas, o mesmo Santo Doutor diz que o Papa Libério o condenou sob tortura, após dois anos de exílio, e que não pode ser considerado a vontade do Papa, logo, não é uma condenação verdadeira, nem foi um ato feito "de maneira parecida" ao que ocorreu entre São Pedro e São Paulo, como diz Newman:

"Foi São Pedro infalível naquela ocasião de Antioquia quando São Paulo o resistiu? (...) ou Libério quando de maneira parecida excomungou Atanásio? [17].

Sobre o Cardeal Newman, muito venerado nos EUA e na Inglaterra, já tivemos a oportunidade de compilar posições que mostram a sua verdadeira face: Syllabus Cardeal Newman: contra a devoção Mariana, a infalibilidade Papal e Pio IX, era suspeito de heresia e investigado por Roma

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Agora, a refutação da mentira, hoje muito usada por diversos cismáticos que querem justificar uma vida ignorando excomunhões oriundas da hierarquia católica que Nosso Senhor Jesus Cristo fundou.

Pio IX

"16. (...) E previamente os Arianos falsamente acusaram Libério, também Nosso predecessor, ao Imperador Constantino, porque Libério recusou-se a condenar Santo Atanásio, Bispo de Alexandria, e recusou-se a apoiar a heresia deles" [1].

Bento XV

"3. Os Padres da Igreja (...) tomaram refúgio nesta Sede Apostólica, a única capaz de assegurar a salvação em situações de extrema crise. Basílio, o Grande, fez isso, e o grande defensor do Credo de Nicéia, Atanásio, e também João Crisóstomo. Estes padres, mensageiros da fé ortodoxa, apelaram do Concílio de Bispos ao juízo do Supremo Pontífice (...). Quem poderia dizer que estos Papas falharam em relação ao mandato de Cristo de confirmar seus irmãos? Assim (...), muitos foram ao exílio sem medo, como Libério, Silvério e Martino" [2].

Papa Santo Anastásio I e Santo Ambrósio segundo a Enciclopédia Católica


"Uma carta do Papa S. Anastásio I (401) menciona ele com Dionísio, Hilário, e Eusébio como um daqueles que prefiriram morrer que blasfemar a Cristo com os Arianos. S. Ambrósio o recordava com um um homem muito santo" [3].

E o próprio S.Atanásio, escrevendo sobre si na terceira pessoa, em documento citado por Pio IX acima:

"Primeiro, eles não pouparam nem Libério, Bispo de Roma, mas estenderam sua fúria a todas as partes, não respeitaram seu episcopado, porque era um trono Apostólico, eles não sentiram reverência por Roma (...)

O eunuco foi a Roma, e primeiramente propôs a Libério a assinar contra Atanásio, e ter comunhão com os arianos (...).

Mas o bispo esforçou-se por convencer-lo, raciocinando com ele assim: "Como é possível a mim fazer algo contra Atanásio? Como eu posso condenar um homem, que não só um Concílio, mas a assembléia de todas as partes do mundo, justamente absolveu, e o qual a Igreja de Roma despediu em paz? (...).

Mas Libério, após estar em exílio dois anos, assinou por medo das ameaças de morte. Até mesmo isso só mostra a conduta violenta deles, e o ódio de Libério contra a heresia, e seu apoio a Atanásio, já que ele padeceu por exercer uma escolha livre. Porque o que o homem por tortura é forçado a fazer contra seu primeiro julgamento, não pode ser considerado a vontade daquele em medo, mas a vontade de seus torturadores. Eles tentaram qualquer coisa em apoio a sua heresia, enquanto o povo de cada Igreja, preservando a fé que tinham aprendido, esperaram o retorno de seus verdadeiros professores, e condenaram a heresia anti-Cristã, e todos a evitaram, como se fosse uma serpente[4].

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[1] Encíclia Quartus Supra, 1863, Item #16. Link: http://www.papalencyclicals.net/Pius09/p9quartu.htm
[2] Encíclica Principi Apostolorum Petro, October 5, 1920, Item #3. Link: http://w2.vatican.va/content/benedict-xv/it/encyclicals/documents/hf_ben-xv_enc_05101920_principi-apostolorum-petro.html
[3] Chapman, J. (1910). Pope Liberius. In The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company. Link: http://www.newadvent.org/cathen/09217a.htm
[4] History of the Arians, Part V. Link: http://www.newadvent.org/fathers/28155.htm 

Papas, prelados e santos sobre dança, palmas e gritos na missa

Do livro "O Príncipe dos Cruzados" (compilação doutrinária inédita).

Antes de tudo, é preciso saber que há danças que não podem ser dançadas em nenhuma hipótese: Modéstia nos bailes e danças em livro elogiado por Pio XII e Paulo VI, prefaciado pelo Núncio D.Bento Masela

Sagrada Escritura

No episódio em Santo Elias desafia os profetas de Baal a sacrificar um boi, enquanto ele faria o mesmo depois, para ver vinha fogo do céu ou coisa semelhante para consumar o sacrifício e provar a religião verdadeira. Ora, o sacrifício antigo é propriamente uma prefigura do sacrifício da Nova Aliança, daí poder ser comparado com um ambiente litúrgico.

Lemos que o profeta Elias escarnece dos pagãos que pulavam e gritavam no seu ato litúrgico, e ele não faz o mesmo. Ou seja, estes atos são tipicamente pagãos.

"Tomando o boi que lhes foi dado, o imolaram, e não cessavam de invocar o nome de Baal de manhã até o meio-dia, dizendo: Baal, ouvi-nos. Mas não se ouvia voz, nem havia quem respondesse; e saltando sobre o altar que haviam feito, e passavam de uma parte a outra.

Sendo já o meio-dia, burlava-se Elias deles, dizendo: Gritai mais alto; porque esse deus talvez esteja em conversação com algum, ou em alguma pousada, ou de viagem; talvez está dormindo, e assim é importante despertar-lo.

Gritavam, pois, eles a grandes vozes; e se cortavam, segundo seu rito, com faca e lanças, até se encherem-se de sangue.

Mas passado já o meio-dia, e enquanto prosseguiam em suas invocações, chegou o tempo em que se costuma oferecer o sacrifício, sem que se ouvisse nenhuma voz, nem tivesse quem respondesse, nem atendesse aos que oravam.

Disse então Elias a todo o povo: Acerque-os a mim; e acercando-se a ele o povo, reparou o altar do Senhor que havia sido arruinado (...).

Sendo já o tempo de oferecer o holocausto, se aproximou o profeta Elias, e disse: Oh Senhor Deus de Abraão, e de Isaac, e de Israel, mostra hoje que te es o Deus de Israel, e que eu sou teu servo, e que por teu mandato tenho feito todas estas cosas.

Ouvi-me, oh Senhor, escutai-me, a fim de que saiba este povo que tu es o Senhor Deus, e que tu converteste de novo seus corações.

De repente baixou fogo do céu, e devorou o holocausto, e a lenha, e as pedras, e até o pó, consumindo a água que havia na vala.

Visto isso por todo o povo, se prostraram todos sob seus rostos, dizendo: O Senhor é o Deus, o Senhor é o Deus verdadeiro.

Então lhes disse Elias: Prendei aos profetas de Baal, e que não se escape nenhum deles. Presos que foram, Elias os mandou levar a corrento do Quisom (Kishon); e ali lhes matou". 1 Reis 18:26-40

São Pio X

Contra o tambor e instrumentos fragorosos, entre os quais podem ser incluídos as palmas:

19. É proibido, na Igreja, o uso do piano bem como o de instrumentos fragorosos, o tambor, o bombo, os pratos, as campainhas e semelhantes.

20. É rigorosamente proibido que as bandas musicais toquem nas igrejas, e só em algum caso particular, com o consentimento do Ordinário, será permitida uma escolha limitada, judiciosa e proporcionada ao ambiente de instrumentos de sopro, contanto que a composição seja em estilo grave, conveniente e semelhante em tudo às do órgão.

21. Nas procissões, fora da igreja, pode o Ordinário permitir a banda musical, uma vez que não se executem composições profanas. Seria para desejar que a banda se restringisse a acompanhar algum cântico espiritual, em latim ou vulgar, proposto pelos cantores ou pias congregações que tomam parte na procissão [1].

João XXIII

“Estou muito satisfeito por estar aqui. Mas eu devo exprimir-lhes um desejo: que na igreja não gritem e não batam palmas, nem mesmo para saudar o Papa, porque Templum Dei Templum Dei (o templo de Deus é o templo de Deus). Agora, se vocês estão felizes em encontrar-me nesta bela igreja, imagine como o Papa não está feliz em ver seus filhos! Mas assim que ele vê seus filhos, eles batem as mãos na frente de sua face. E esse que está diante de vocês é o sucessor de São Pedro!” [2].

Bento XVI (quando Cardeal)

"A dança não é uma forma de expressão da liturgia Cristã. Por volta do terceiro século, houve uma tentativa em certos círculos Gnósticos-Docetistas de introduzí-la na liturgia. Para este povo, a Crucifixão era apenas uma aparência. Antes da Paixão, Cristo havia abandonado o corpo que de qualquer maneira ele nunca realmente assumiu. A dança podia tomar um lugar na liturgia da cruz, porque, apesar de tudo, a Cruz era apenas uma ilusão. As danças de cultos de diferentes religiões tem diferentes propósitos, encantamentos, magia imitativa, êxtase místico, nenhum dos quais é compatível com o propósito essencial da liturgia da "sacrifício razoável". É totalmente absurdo tentar fazer a liturgia "atraente" introduzindo danças pantomimas (sempre que possível feita por grupo profissionais de dança), os quais frequentemente (e com razão, do ponto de vista profissional) acabam com aplausos. Sempre quando o aplauso entra na liturgia por causa de algum feito humano, é um sinal seguro que a essência da liturgia desapareceu totalmente e foi substituída por uma espécie de entretenimento religioso. Tal atração desvanece rapidamente, ela não pode competir no mercado da busca dos lazeres, incorporando como crescentemente fazem várias formas de excitações religiosas. Eu mesmo experienciei a substituição de um rito penitencial por uma apresentação de dança, a qual, não é preciso dizer, recebeu muitos aplausos. Pode ter qualquer coisa mais longe da verdadeira penitência ? A liturgia só pode atrair as pessoas quando ela olha, não para ela mesma, mas para Deus, quando deixa ele entrar e agir. Então algo verdadeiramente único acontece, além da competição, e o povo tem a sensação de que algo a mais aconteceu do que uma atividade recreacional. Nenhum dos ritos Cristãos inclui a dança" [3].

São Padre Pio

"A fim de evitar irreverências e imperfeições na casa de Deus, na igreja – que o divino Mestre chama de casa de oração -, exorto-vos no Senhor a praticar o seguinte.

Entre na igreja em silêncio e com grande respeito, considerando-se indigno de aparecer diante da Majestade do Senhor. Entre outras considerações piedosas, lembre-se que nossa alma é o templo de Deus e, como tal, devemos mantê-la pura e sem mácula diante de Deus e seus anjos. (...).

Em seguida, pegue água benta e faça o sinal da cruz com cuidado e lentamente.

Assim que você estiver diante de Deus no Santíssimo Sacramento, faça uma genuflexão devotamente (...)

Ao assistir à Santa Missa e as funções sagradas, fique muito composta, quando em pé, ajoelhada e sentada, e realize todos os atos religiosos, com a maior devoção. Seja modesta no seu olhar, não vire a cabeça aqui e ali para ver quem entra e sai. Não ria, por respeito para com este santo lugar e também por respeito para aqueles que estão perto de você. Tente não falar com ninguém, exceto quando a caridade ou a estrita necessidade pedirem isso. (...)

Ao sair da igreja, você deve estar recolhida e calma (...)" [4].


- Objeções

- É Tradição antiga, desde pelo o Renascimento, a Dança dos meninos de Sevilla [5], chamado Baile de los Seises, feito na Catedral, diante do Santíssimo Sacramento.

R: Essa dança é inocente, tradicional e com belos trajes. Em si mesma nada tem de mau. Tudo indica que era feita nas procissões de Corpus Christi primordialmente, e em procissões, como vimos, são permitidas as bandas musicais, que possuem instrumentos fragorosos, o que não permitido na Catedral. Se, por algum motivo, tal dança foi permitida na Igreja, isso não foi feito convenientemente.

- Este versículo deixa entrever uma liturgia celebrada alegremente pelo povo de Israel, com instrumentos, ritmos, aclamações, na qual o corpo também está bastante envolvido: "Povos, aplaudi com as mãos, aclamai a Deus com vozes alegres, porque o Senhor é o Altíssimo, o temível, o grande Rei do universo". Salmo 46.

R: De fato, nas procissões isso era permitido, ainda mais que as canções, segundo o documento de São Pio X, não podiam ser profanas.

“Davi e toda a casa de Israel dançavam com todo o entusiasmo diante do Senhor, e cantavam acompanhados de harpas e de cítaras, de tamborins, de sistros e de címbalos” 2 Sm 6:5. Seria difícil não imaginar o uso das palmas em tais celebrações, e como a Arca é algo como a prefigura do Santíssimo, se pode fazer o mesmo na Igreja.

R: Nesse versículo a Arca sai pelas ruas, isto é, faz um percurso, e o povo acompanha como em uma procissão. Logo, é legítimo e fora do âmbito litúrgico.

- Todo instrumento musical incluindo o som de nossas mãos batendo uma contra as outras em forma de louvor podem e devem fazer parte do nosso culto de louvor a Deus, pois: "Aleluia. Louvai o Senhor em seu santuário, louvai-o em seu majestoso firmamento. Louvai-o por suas obras maravilhosas, louvai-o por sua majestade infinita. Louvai-o ao som da trombeta, louvai-o com a lira e a cítara. Louvai-o com tímpanos e danças, louvai-o com a harpa e a flauta. Louvai-o com címbalos sonoros, louvai-o com címbalos retumbantes. Tudo o que respira louve o Senhor". Salmo 150:1-5. 


R: Nas procissões pode se usar uma gama de instrumentos que não se pode na Igreja, e para músicas não profanas, o que prova que se pode louvar a Deus com vários instrumentos. Um exemplo é o hino do Vaticano, que pode ser cantado na Igreja, mas também é bem acompanhado por tambores e pratos em procissões, aonde estes instrumentos tem lugar.

- Se se pode louvar em voz alta a Deus, como nesse episódio Bíblico, então se pode também fazer o mesmo ao Santíssimo na Igreja: "Quando já se ia aproximando da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, tomada de alegria, começou a louvar a Deus em altas vozes, por todas as maravilhas que tinha visto. E dizia: Bendito o rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória no mais alto dos céus! Neste momento, alguns fariseus interpelaram a Jesus no meio da multidão: Mestre, repreende os teus discípulos. Ele respondeu: Digo-vos: se estes se calarem, clamarão as pedras." São Lucas 19, 37-39.

R: O povo fez da descida de Nosso Senhor Jesus Cristo uma procissão, e Ele elogiou este gesto. Poderia se dizer que um dos motivos pelos quais o Salvador repreendeu os fariseus por serem contra, foi que "clamarão as pedras", espelhando o salmo acima citado na objeção de que a natureza toda deve clamar ao Senhor, e por isso, todos os instrumentos usados nesta procissão para louvar a Deus, desde a voz alta até mesmo o uso de ramos, eram bem-vindos.


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[1] Motu Proprio "Tra Le Sollecitudine", 22 de Novembro de 1903
[2] João XXIII; 1963, Ostia, IV Domingo da Quaresma. Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=k_Pl5C4xISM
[3] Introdução ao espírito da Liturgia. 3ª Edição. Paulinas: Prior Velho, Portugal, 2010. pp. 146 e 147
[4] Padre Pio’s Letters, “Correspondence with his Spiritual Daughters (1915-1923)” Vol.III. Carta de Padre Pio para Annita Rodote, Pietrelcina, 25 de julho de 1915. Primeira edição (versão em Inglês), Editor; Edizioni Padre Pio da Pietrelcina, Alessio Parente, OFM Cap., Editor Edizioni Padre Pio Pietrelcina da, Nossa Senhora do Convento dos Capuchinhos Grace, San Giovanni Rotondo, Itália, 1994, Traduzido por Geraldine Nolan, pp 88-92.
[5] Um vídeo da dança pode ser visto nesse link:https://www.youtube.com/watch?v=WZNR7L3kWug

"Me sinto apoiado". Papa Francisco recebendo com alegria homossexuais e transsexuais no Vaticano e casas da Igreja

Em 2015, a CBS News [1] mostrou um contraste na visita Papal aos EUA. Por um lado o Santo Padre recebeu Kim Davies, uma oficial de cartório que foi presa por se recusar a reconhecer um casamento gay sendo notícia no país e no mundo, e por outro lado recebeu Yayo Grassi, um ex-estudante seu abertamente homossexual, que foi recebido junto ao seu parceiro homossexual e amigos. Só um deles foi recebido secretamente, sem presença da imprensa, e o Vaticano fez questão de retirar qualquer menção a uma audiência oficial. O outro, obviamente o homossexual, foi recebido calorosamente, com direito a vídeo [2].

E Grassi ainda disse: "Me senti apoiado por ele", tendo dito que ouviu na ocasião a famosa frase do Papa sobre os homossexuais: "quem sou eu para julgar?". Grassi ainda lembrou que um transgênero espanhol já foi recebido no Vaticano [3].

Um sorridente Papa entre o
transsexual (direita) e sua "esposa"
Sobre esse "transgênero", Diego Neria Lejarraga, valeria a pena também contar. O indivíduo foi recebido com sua "esposa" no Vaticano pelo Papa, após sentir-se mal-tratado por sacerdotes de seu país pelo pecado que vive. Foi convidado via telefone pelo próprio Vigário de Cristo (que pagou as despesas), e contou que este, além de abraçá-lo, disse que "há um espaço em algum lugar na casa de Deus para você", e que "a Igreja te ama e o aceita da maneira que você é" [4].

Um outro gesto Papal semelhante a estes foi o convite feito a Maurice Rocca, comediante e jornalista da CBS show, para ler a Epístola em missa Papal em New York, em setembro de 2015 [5]. Como Rocca é assumidamente homossexual, o gesto Papal foi visto positivamente pelo movimento gayzista LGBT [6].

3 Ave-Marias em reparação dos pecados cometidos no mundo

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum. Benedicta tu in mulieribus et benedictus Fructus ventris tui Iesus. Sancta Maria Mater Dei, ora pro nobis peccatoribus, nunc et in hora mortis nostræ. Amen.

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Papa Francisco recebeu bênção de uma bruxa pagã cultuadora da Pachamama (mãe terra)

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Bento XVI diz amar a Igreja cismática, lamenta as excomunhões do passado, e diz crescer na unidade ao rezar junto deles e hereges 

Concílio Vaticano II aprovou a liberdade religiosa repudiada pela tradição católica  

João Paulo II celebra missa com homens e mulheres nus (índios), que ajudam a ler a epístola e a levar as oferendas  

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[1] 2 de Outubro de 2015, "Vatican confirms pope met with gay couple during U.S. visit". http://www.cbsnews.com/news/vatican-confirms-pope-met-with-gay-couple-during-u-s-visit/
[2] Pode ser visto nesse link: https://www.youtube.com/watch?v=wpcNC0Ly8os
[3] Univision, 2 de Outubro de 2015, J.Gonzalo. Link: http://www.univision.com/noticias/noticias-de-eeuu/entrevista-con-el-latino-homosexual-que-se-reunio-con-el-papa-me-siento-apoyado-por-el
[4] "Report: Pope Francis meets with, hugs transgender man", Thomas C. Fox, 30 de Janeiro de 2015. Link: https://www.ncronline.org/blogs/ncr-today/report-pope-francis-meets-hugs-transgender-man 
[5] Link: https://www.youtube.com/watch?v=i9fJ5toGSVg 
[6] Link: http://www.huffingtonpost.com/entry/mo-rocca-francis-mass_us_5606d8eee4b0768126fdc46a

Syllabus Cardeal Newman: contra a devoção Mariana, a infalibilidade Papal e Pio IX, era suspeito e investigado por Roma

Missa de Bento XVI com foto de 
Newman atrás. Este Papa é grande 
admirador do prelado inglês
Nossa compilação (Syllabus) de fatos muitas vezes pouco conhecidos sobre o Cardeal John Henry Newman, espelhando o grande documento, do mesmo nome, de Pio IX sobre os erros de seu tempo, entretanto, o fazemos sem nenhuma intenção além do limite do estado de leigo. Que Nossa Senhora ajude a todos. Outras compilações:

Clique aqui para mais syllabus contra várias falsa-direitas 


Lembrando que Dr.Plinio Corrêa de Oliveira dizia que ele que era o precursor do Concílio Vaticano II.

Contra a devoção a Nossa Senhora como começou a ser propagada pelos livros de S.Luis Maria Grignion de Montfort

Na Inglaterra, o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, foi traduzido e promovido pelo Padre Frederick Faber.

Então, os hereges anglicanos se levantaram contra a nova onde de devoção mariana, e dentre eles estava Edward B. Pusey, quem escreveu um livro em 1865, Eirenicon, ridicularizando essa devoção. 

Newman, amigo de Pusey, também ficou indignado pelos muitos aspectos desse novo entusiasmo por Nossa Senhora. Na sua resposta público a Pusey, Newman declarou estar de acordo com ele e condenou os "excessos" do Pe. Faber como dito por Pusey. Assim, ele atacaou os princípos S. Luis de Monfort escreveu no seu Tratado:

"Eu coloco longe de mim, como você gostaria, sem nenhum hesitação, como assuntos nos quais meu coração e razão não tem parte (...) tais sentenças e frases [como você cita]:

Que a graça de Maria é infinita, que Deus resignou nas suas mãos Sua Onipotência; que é seguro procurá-la que procurar Seu Filho (…). A Virgem Maria toma seu lugar como advogado com Pai e Filho (…) que Maria é o único refúgio daqueles com os quais Deus está irado (…) que, a medida que somos cobertos com os méritos de Cristo, somos cobertos com os méritos de Maria (…) que almas eleitas nascem de Deus e Maria, que o Espírito Santo leva à fecundidade Sua ação por ela, produzindo nela e por ela Jesus Cristo nos seus membros, que o Reino de Deus nas almas, como Nosso Senhor fala, é realmente o Reino de Maria nas almas, que ela e o Espírito Santo produz na alma coisas extraordinárias, e que quando o Espírito Santo encontra Maria numa alma Ele voa para ela (...)

Sentimentos como estes eu me submeto às suas censuras, eu nunca soube deles até ler seu livro (...). Parecem a mim um sonho mau. Eu não poderia conceber que poderiam ser ditos (…).

Eles opõem-se a todos os loci theologici (...). Eles tão somente me assustam e me confundem (...), considero eles calculados para prejudicar inquéritos, para assustar o iletrado, abalar as consciências, para provocar blasfêmia, e ajudar a perdição das almas" [1].

Posto em suspeita por leigos, sacerdotes e até o Papa Pio IX, tendo chegado a ser acusado de heresia

"Em 1846, Orestes Brownson escreveu uma mordaz crítica ao "Essay on the Development of Christian Doctrine, de John Henry Newman.

Brownson começa sua crítica notando que a coisa correta que Newman deveria fazer com seu Essay (Ensaio) era enterrá-lo (...). Desde que Newman havia se convertido e comido a "comida dos anjos", ele deveria abandonar sua teoria protestante, a qual foi desnecessária e inadmissível. No intenso esforço de Newman de "desenvolver protestantismo no Catolicismo", ele inventou uma teoria que era "essencialmente anti-Católica e protestante (pp. 2-3).

É um absurdo, Brownson acusou, basear o depósito da Fé em algo mutável como "sentimentos intensos". Se este fosse o caso, então hoje um artigo de fé poderia levantar um novo sentimento, o que depois poderia tornar-se opinião, e finalmente, numa época mais distante, é imposto como uma verdade dogmática. Tal visão, se seguisse, "supriria inteiramente a verdadeira autoridade de ensino da Igreja, competente a todo momento para declarar infalível o que é precisamente a verdade revelada" (p. 8).

(...) Ele citou Newman como aplaudindo o Montanismo como “uma notável antecipação ou presságio de desenvolvimentos o qual logo começaram a mostrar-se na Igreja". Newman dizia que "os profetas do Montanistas prefiguravam os doutores da Igreja" e o heresiarca ele mesmo foi a "antecipação de São Francisco". A heresia Novaciana antecipou o pensamento de São Bento e São Bruno (p. 13). Com efeito, Newman defendeu que a ortodoxia é supostamente formada da "matéria-prima" dada pelos hereges.

Brownson fortemente observou: "É singular que nunca ocorreu ao Sr.Newman que possivelmente a visão herética que ele parecia tanto admirar eram simplesmente corrupções de doutrinas que a Igreja ensinou antes delas, e que a heresia é a corrupção da ortodoxia, e não sua matéria-prima" (p. 14). 

Brownson foi então a criticar a suposição de Newman que a Revelação foi primeiramente feita exclusivamente pela palavra escrita, outra noção protestante que ele tentou catolizar. Ele também argumentou contra a visão profundamente naturalista da história humana e eclesiástica que caracterizava o ensaio de Newman" [2].

Mons. George Talbot, secretário do Papa Pio IX, ao Arcebispo Manning:

"É perfeitamente verdadeiro que uma nuvem paira sobre Dr. Newman em Roma desde quando o Bispo de Newport o delatou a Roma por heresia no seu artigo no "the Rambler" sobre consultar o laicato em matérias da fé. Nenhum dos seus escritos desde então removeram essa nuvem. Cada um deles criou uma controversa, e o espírito deles nunca foi aceito em Roma (…).

Dr. Newman é o homem mais perigoso da Inglaterra, e verá que ele fará uso do seu laicato contra Vossa Excelência, que não deve ter medo dele. Será necessário muita prudência, mas V.E. precisa manter-se firme, já que o Santo Padre ainda mantêm sua confiança em você (…)" [3].

Mesmo convertido, elogiava seu passado herético anglicano

Cardeal Newman não rejeitou seus livros do passado herético por estarem eivados de espírito anti-Católico, e ofendendo a Igreja, antes dizia que se poderia ver de outra forma:

"Quando Newman chegou a revisar seu próprio ataque no sistema Católico Romano, escrita nos dias do Movimento de Oxford, ele encontrou que um bom número deles eram verdadeiros e sólidos. Mas, como ele agora reconheceu, era na verdade um criticismo não na Igreja nela mesma, ou na religião Católica, mas na ação dos povos Católicos ou governantes em circunstância especiais" [4].

No livro "John Henry Newman", o Cardeal Avery Dulles aponta a atitude de Newman perante a Igreja da Inglaterra (pp. 121-124). 

"Nestas três cartas escritas finais de 1850, começo de 1851 ao leigo católico J.M.Capes, Newman o adverteu contra lançar uma cruzada contra o establisment [anglicano]. Newman aqui descrevia a Igreja da Inglaterra como um "baluarte contra a infelidade", na sombra da qual todas as Igrejas dissidentes viveram. Enquanto a Igreja estabelecida sobreviveu, Newman acreditava, ela servia como testemunha da revelação e da religião dogmática e ritualística. Se o establishment anglicano fosse derrubado, literatura descrente iria inundar o mercado. A Igreja Católica não era suficientemente forte para tomar lugar do establishment nesse ponto" [5].

Em 1860 Newman não quis tomar parte nos planos de construir uma nova Igreja Católica em Oxford, baseando-se que poderia diminuir a influência anglicana lá. Numa carta ao secretário do Bispo Ullathorne, Cônego E. E. Estcourt, ele explicou suas razões: 

“Enquanto eu não vejo um caminho meu para enfraquecer a Igreja da Inglaterra, sendo o que ela é, menos ainda eu deveria fazê-lo em Oxford, onde até agora foi a base destas tradições que constituem o que quer que exista de doutrina Católica e princípio na Igreja Anglicana (...) Até as coisas mudarem muito lá, enfraquecendo Oxford, enfraqueceríamos nossos amigos (...) católicos não fizeram de nós católicos, Oxford nos fez católicos. Neste momento, Oxford certamente faz mais bem que mal (...)” [6].

Na sua Apologia, Newman lembrava sua de larga data "firme crença que a graça poderia ser encontrada na Igreja Anglicana [7] da qual ele dizia “que até certo ponto, é uma testemunha e professora da verdade religiosa” [8].

Contra infalibilidade papal, mas mostrando duplicidade

Um mês após a promulgação do Dogma da Infalibilidade Papal, em 1870:

“Mas nós deveríamos esperar, porque se é obrigado a esperá-lo, que o Papa será levado de roma, e não continuará o Concílio, ou que haverá um outro Papa. É triste que ele deva forçar-nos a estes desejos” [9].

Discurso seu de 1852 que mostra duplicidade perante o dogma: 

“Profundamente eu sinto, sempre protestarei, porque eu sempre apelarei ao amplo testemunho da história para me sustentar que, em questões de certo ou errado, não há nada tão forte em todo o mundo, nada tão decisivo e operativo, senão a voz dele, ao qual foram confiadas as chaves do Reino e a vigilância do rebanho de Cristo. Essa voz é agora, como nunca antes o foi, uma verdadeira autoridade, infalível quando ensina, próspero quando manda, sempre tomando a dianteira sabiamente e distintamente no seu terreno, adicionando certeza ao que é provável e persuasão ao que é certo. Antes dele falar, o mais santo pode errar, e depois que ele fala, o mais dotado deve obedecer [10].

"Tais cartas (se elas circulassem) fariam muito para assegurar as muitas mentes perturbadas hoje quando olham para Roma (…).

Mas tudo que eu faço é rezar aos primitivos doutores da Igreja, cuja intercessão decidiria a matéria, Agostinho e o resto, para prevenir tão grande calamidade (...)" [11].

Diz um biografo sobre como o prelado considerava intelectualmente o dogma:

"E a reclamação de Newman foi que os interesses da precisão intelectual, a exibição da consistência do dogma com conhecidos princípios teológicos e fatos históricos, não foram atendidos[12].

Lembrando que os que prelados que se opunham ao Dogma na época diziam variavam em dizer que era inoportuno, mal-explicado e nos casos mais raros, equivocado:

"Concordo com você que a redação do Dogma não tem nada dificultoso nele. Expressa o que, como opinião, eu sempre mantive com uma gama de outros católicos. Mas não me faz querer impor aos outros, e eu não vejo porque um homem que o negasse não seria tão bom católico quanto o homem que o sustentasse. E é inédito e sério precedente na Igreja que um dogma de fide tenha sido passado sem causa definitiva ou urgente.

Até onde vejo, ninguém é atado a acreditar neste momento, certamente não até o fim do Concílio (…). Ao mesmo tempo, tendo o Papa pronunciado a definição, eu penso ser mais seguro aceitá-la de uma vez. Eu duvido muito que neste momento, antes do fim do Concílio, eu poderia ir ao público falar que era de fide, qualquer coisa que veio dele, apesar de acreditar na doutrina mesma" [13].

Contra o Syllabus de erros de Pio IX

Newman’s sobre o Syllabus de Pius IX em 1875, faz todo o possível para tirar a autoridade do documento:

“Vista nela mesma, não é nada mais que uma compilação de certos erros feitos por um autor anônimo"

"Não há uma palavra nele da escrita do Papa"

"Não há nada nele que mostre que o Papa o viu, página por página, se o imprimatur na carta do Cardeal não foi evidência disso” 

“O Syllabus não pode ser chamado um eco da Voz Apostólica” [14].

A redução de Newman sobre a preposição 77 que diz "não é mais conveniente que a Religião Católica seja estabelecida em exclusão das outras":

"Quando nos voltamos para a Alocução, que é a base dela ser posto no Syllabus, o que encontramos? Primeiro, que o Papa estava falando, não dos Estados universalmente, mas de um Estado particular, a Espanha (...), segundo, que ele não estava notando a proposição errado diretamente, ou categoricamente (...)" [15].

Crítico do Papa Pio IX, que foi um santo ultra-montano para quem estuda a vida dele

Para Lady Simeon, em 18 de novembro de 1870: 

“Chegamos a um climax de tirania. Não é bom para um Papa viver 20 anos. É uma anomalia e não traz bons frutos, ele se torna um deus, não tem ninguém para contradizê-lo, não conhece os fatos, e faz coisas cruéis sem querer” [16].

Fomentou a falsa história do Papa Libério ter condenado S.Atanásio

Foi um dos primeiros, senão o primeiro, a dizer que o Papa Libério condenou S.Atanásio, o que é uma inverdade, pois, além dos Papas, o mesmo Santo Doutor diz que o Papa o condenou sob tortura, após dois anos de exílio, e que não pode ser considerado a vontade do Papa, logo, não é uma condenação verdadeira, nem foi um ato feito "de maneira parecida" ao que ocorreu entre São Pedro e São Paulo, como diz Newman:

"Foi São Pedro infalível naquela ocasião de Antioquia quando São Paulo o resistiu? (...) ou Libério quando de maneira parecida excomungou Atanásio? [17].

Pio IX

"16. (...) E previamente os Arianos falsamente acusaram Libério, também Nosso predecessor, ao Imperador Constantino, porque Libério recusou-se a condenar Santo Atanásio, Bispo de Alexandria, e recusou-se a apoiar a heresia deles" [18].

Bento XV

"3. Os Padres da Igreja (...) tomaram refúgio nesta Sede Apostólica, a única capaz de assegurar a salvação em situações de extrema crise. Basílio, o Grande, fez isso, e o grande defensor do Credo de Nicéia, Atanásio, e também João Crisóstomo. Estes padres, mensageiros da fé ortodoxa, apelaram do Concílio de Bispos ao juízo do Supremo Pontífice (...). Quem poderia dizer que estos Papas falharam em relação ao mandato de Cristo de confirmar seus irmãos? Assim (...), muitos foram ao exílio sem medo, como Libério, Silvério e Martino" [19].

E o próprio S.Atanásio:

"Primeiro, eles não pouparam nem Libério, Bispo de Roma, mas estenderam sua fúria a todas as partes, não respeitaram seu episcopado, porque era um trono Apostólico, eles não sentiram reverência por Roma (...)

O eunuco foi a Roma, e primeiramente propôs a Libério a assinar contra Atanásio, e ter comunhão com os arianos (...).

Mas o bispo esforçou-se por convencer-lo, raciocinando com ele assim: "Como é possível a mim fazer algo contra Atanásio? Como eu posso condenar um homem, que não só um Concílio, mas a assembléia de todas as partes do mundo, justamente absolveu, e o qual a Igreja de Roma despediu em paz? (...).

Mas Libério, após estar em exílio dois anos, assinou por medo das ameaças de morte. Até mesmo isso só mostra a conduta violenta deles, e o ódio de Libério contra a heresia, e seu apoio a Atanásio, já que ele padeceu por exercer uma escolha livre. Porque o que o homem por tortura é forçado a fazer contra seu primeiro julgamento, não pode ser considerado a vontade daquele em medo, mas a vontade de seus torturadores. Eles tentaram qualquer coisa em apoio a sua heresia, enquanto o povo de cada Igreja, preservando a fé que tinham aprendido, esperaram o retorno de seus verdadeiros professores, e condenaram a heresia anti-Cristã, e todos a evitaram, como se fosse uma serpente[20].

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[1] The Life of John Henry Cardinal Newman by Wilfrid Ward, vol. II, pp. 106-107
[2] Catholic Dogmas Come from ‘Intense Feelings’, Margaret C. Galitzin. Summary of Orestes Brownson’s review of Essay on Development of Doctrine by John Henry Newman [Brownson’s Quarterly Review, July, 1846]. Link: http://www.traditioninaction.org/bkreviews/Internet_Files/A_031_newman-Brownson.pdf
[3] Msgr. George Talbot, Papal chamberlain from the Vatican wrote to Archbishop Manning, 25 Abril 1867. "The Life of John Henry Cardinal Newman" by Wilfrid Ward, vol. II, pp. 146-148.
[4] The Life of John Henry Cardinal Newman by Wilfrid Ward, vol. II, pp. 419-420.
[5] Letter of J. H. New man to J.M. Capes of December 24, 1850, and February 9 and February 18, 1851, in The Letters and Diaries of John Henry Newman,Vol. 14, pp. 173, 207, 213-214.
[6] Letter of J.H. Newman to E. E. Estecourt of June 2, 1860, in ibid, Vol. 19, p. 352.
[7] Apologia Pro Vita Sua, p. 277, referring to a letter of September 1844
[8] Ibid., pp. 339-342
[9] John Henry Newman’s Letter to Fr. Ambrose St. John, August 22, 1870
[10] Dessain, vol. XXVI, p. 167. On University Education, 1852. In: Duplicity of Newman regarding the Papacy, James Larson. Link: http://www.traditioninaction.org/HotTopics/f056_Newman_1.htm
[11] Newman's letter to Bishop Ullathorne of January 28, 1870. This document is in The Life of John Henry Cardinal Newman by Wilfrid Ward, vol. II, pp. 287-289
[12] The Life of John Henry Cardinal Newman by Wilfrid Ward, vol. II, pp. 419-420 
[13] The Life of John Henry Cardinal Newman by Wilfrid Ward, vol. II, pp. 310-311 and 308-309 respectively.
[14] Section 7 of the Letter to the Duke of Norfolk (1875). 'The Syllabus Does Not Represent The Mind of the Pope', James Larson. Link: http://www.traditioninaction.org/HotTopics/f057_Newman_2.htm.
[15] 'The Syllabus Has No Dogmatic Force', James Larson. Link: http://www.traditioninaction.org/HotTopics/f058_Newman_3.htm.
[16] Quotations from Newman’s letters are taken from Charles Stephen Dessain’s The Letters and Diaries of John Henry Newman, v. XXVI.
[17] Op.Cit: Letter to the Duke of Norfolk.
[18] Encíclia Quartus Supra, 1863, Item #16. Link: http://www.papalencyclicals.net/Pius09/p9quartu.htm
[19] Encíclica Principi Apostolorum Petro, October 5, 1920, Item #3. Link: http://w2.vatican.va/content/benedict-xv/it/encyclicals/documents/hf_ben-xv_enc_05101920_principi-apostolorum-petro.html 
[20] History of the Arians, Part V. Link: http://www.newadvent.org/fathers/28155.htm