Papa Francisco admite bispos comunistas indicados pelo Partido Comunista Chinês. Cardeal Zen chamou acordo de traição


Foto: Cardeais Zen e Parolin

Em setembro de 2018, aconteceu algo escandaloso na Igreja: aceitação de bispos comunistas, submissos a comunistas, indicados por comunistas, os quais são todos anti-católicos. Na história da Igreja, reis católicos chegaram a poder indicar bispos, mas nunca gente que não é católica, ou é herege. Seguindo esta lógica de que vale qualquer um, e só depende da circunstância, o próprio satanás poderia indicar bispos.

Do site gloria.tv (grifos nossos):

"O cardeal de Hong Kong, Joseph Zen, de 86 anos, fez um apelo para que o Secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, dê um passo atrás, porque ele é responsável por um acordo iminente entre o Vaticano e o regime chinês, conforme relatou South China Morning Post em 20 de setembro de 2018.

O acordo visa estabelecer relações diplomáticas e deixar os Comunistas escolherem os bispos, traindo, dessa forma, a Igreja clandestina que permaneceu fiel a Roma durante décadas de perseguição.

Zen chamou o acordo de uma "incrível traição" da fé Católica: "eles estão dando comida na boca dos lobos." E: "É uma completa rendição. É uma traição [da nossa fé]. Eu não tenho outras palavras".

O cardeal descreve Parolin como alguém que despreza heróis da fé. "Ele deveria se demitir", ele acrescentou: "E não acho que ele tenha fé. Ele é apenas um bom diplomata, em uma definição muito secular, mundana."

Segundo Zen, o acordo danificará a credibilidade da Igreja: "Talvez este seja o motivo pelo qual eles mantêm o acordo em segredo".

Ele acredita que apenas metade dos Católicos aceitariam o acordo: "Estou com medo que [os outros] possam fazer algo irracional, eles podem fazer uma rebelião" [1].

No dia 26 de setembro de 2018, em Mensagem aos Católicos Chineses e à Igreja Universal, o Papa Francisco aprovou tal acordo, assinado dia 22, sábado anterior:

"Neste sulco, coloca-se o Acordo Provisório, que é fruto do longo e complexo diálogo institucional da Santa Sé com as Autoridades governamentais chinesas, iniciado já por São João Paulo II e continuado pelo Papa Bento XVI (...).

decidi conceder a reconciliação aos restantes sete Bispos «oficiais» ordenados sem Mandato Pontifício e, tendo removido todas as relativas sanções canónicas, readmiti-los na plena comunhão eclesial. Ao mesmo tempo, peço-lhes para expressarem, por meio de gestos concretos e visíveis, a reencontrada unidade com a Sé Apostólica e com as Igrejas espalhadas pelo mundo, e para, não obstante as dificuldades, se manterem fiéis à mesma" [2].

Não há nenhuma referência ao comunismo e ao socialismo, nenhum pedido aos bispos para que abdiquem desta ideologia condenada pela Santa Igreja.

Logo em seguida, no dia 23, domingo, saiu no jornal O Globo:

"A Igreja Católica da China reafirmou sua lealdade ao Partido Comunista neste domingo, ao mesmo tempo em que comemorou o acordo histórico entre o Vaticano e o governo chinês sobre a nomeação de novos bispos no país" [3].

Pouco depois, um jornalista perguntou ao Santo Padre o que muitos queriam ouvir. Destacamos a parte mais impressionante, pulando a parte em que o Pontífice nada responde.

"Antonio Pelayo:

Santo Padre, há três dias foi assinado um Acordo entre a Santa Sé e o Governo da República Popular Chinesa. Pode dar-nos qualquer informação mais sobre isto, sobre o seu conteúdo? É que alguns católicos chineses, em particular o Cardeal Zen, o acusa de ter vendido a Igreja ao governo comunista de Pequim, depois de tantos anos de sofrimento: que responde a esta acusação?

Papa Francisco:

Trata-se dum processo de anos, um diálogo entre a Comissão do Vaticano e a Comissão Chinesa, para regularizar a nomeação dos Bispos. (...) Penso na resistência, nos católicos que sofreram: é verdade, eles sofrerão. Num acordo, há sempre sofrimento" [4].

Salmo em reparação (Salmo 6)

"Senhor, não me arguas no teu furor, nem me castigues na tua ira. Tem misericórdia de mim, Senhor, porque sou enfermo; sara-me, Senhor, porque meus ossos estremeceram. E a minha alma turbou-se em extremo, mas Tu, Senhor, até quando ? Volta-te, Senhor, e livra a minha alma, e salva-me pela tua misericórdia.

Porque na morte não há quem se lembre de Ti, e na habitação dos mortos, quem Te louvará? Estou esgotado à força de tanto gemer, lavarei meu leito com lágrimas todas as noites, regarei com elas o lugar do meu descanso. 

Os meus olhos se turbaram por causa do furor, envelheci no meio de todos os meus inimigos. Apartai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade, porque o Senhor ouviu a voz do meu pranto.

O Senhor ouviu a minha súplica, o Senhor ouviu a minha oração. Sejam confundidos, e em extremo conturbados todos os meus inimigos, retirem-se e sejam num momento cobertos de vergonha".

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[1] Link: https://gloria.tv/article/QAHWGovrxbPw1bbaPiKYDFjau. Também saiu no Life Site news: https://www.lifesitenews.com/news/cdl.-zen-calls-for-vatican-secretary-of-state-parolin-to-resign-over-betray
[2] Link: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/pont-messages/2018/documents/papa-francesco_20180926_messaggio-cattolici-cinesi.html
[3] Igreja Católica da China reafirma lealdade ao Partido Comunista 23/09/2018 - 09:52 / 23/09/2018. Link: https://oglobo.globo.com/sociedade/igreja-catolica-da-china-reafirma-lealdade-ao-partido-comunista-23094377
[4] Viagem Apostólica à Lituânia, Letônia e Estônia: Entrevista coletiva do Santo Padre durante o voo de regresso a Roma (25 de setembro de 2018). Link: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2018/september/documents/papa-francesco_20180925_voloritorno-estonia.html 

Papa Francisco abandona cruz em missa por um cajado usado por bruxos, critica o moralismo, e faz discurso estranho sobre profecia


Acima: vídeo da missa do Papal com cajado bruxo.


Na Missa nova por ocasião da abertura da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, no dia 3 de outubro de 2018, o Papa Francisco abandonou a férula Papal, que na tradição invariavelmente foi uma cruz riquíssima para mostrar a dignidade do Papado e de Cristo Nosso Senhor, para usar um cajado bifurcado, usado na bruxaria e por druidas (basta verificar qualquer site ou foto de rituais destes).

Na ocasião, o Santo Padre fez um discurso estranho. Comentários nossos em negrito.

"Porque sabemos que os nossos jovens serão capazes de profecia e visão, na medida em que nós, adultos ou já idosos, formos capazes de sonhar e assim contagiar e partilhar os sonhos e as esperanças que trazemos no coração (cf. Jl 3, 1)".

Além da citação bíblia não ter relação alguma, a relação de causalidade entre o sonho e esperança do adulto e a profecia e visão do jovem é totalmente inventada, sem fundamento algum. Ademais, não se especifica de que tratam tais coisas. Fosse o desejo da Cristandade, de converter os povos, faria algum sentido, do contrário mais parece o sonho gnóstico e fora da realidade.

"Que o Espírito nos dê a graça de ser Padres sinodais ungidos com o dom dos sonhos e da esperança, para podermos, por nossa vez, ungir os nossos jovens com o dom da profecia e da visão; que nos dê a graça de ser memória operosa, viva e eficaz, que, de geração em geração, não se deixa sufocar e esmagar pelos profetas de calamidades e desgraças, nem pelos nossos limites, erros e pecados, mas é capaz de encontrar espaços para inflamar o coração e discernir os caminhos do Espírito"

Dentre os profetas de calamidades se inclui o Apóstolo S.João que escreveu o livro do Apocalipse contendo mais calamidades que outras coisas? Se incluem as profecias de Nossa Senhora em La Salette e Fátima? É de se perguntar, pois o que parece é que este mundo não é um vale de lágrimas, mas um lugar para fazer utopia.

"Hoje, pela primeira vez, estão conosco também dois irmãos Bispos da China continental, a quem damos as nossas calorosas boas-vindas. Graças à sua presença, é ainda mais visível a comunhão de todo o Episcopado com o Sucessor de Pedro".

Parecendo indicar que sonhos e desejos são estes, o Papa saúda dois bispos da China, entre os quais Joseph Guo Jincai, recentemente admitido pela Igreja em um acordo chamado de traição pelo Cardeal Zen. Jincai era um bispo indicado pelo governo comunista chinês, e portanto, excomungado durante anos. Como já mostramos, ele e outros não fizeram negação da ideologia comunista para serem admitidos, antes juraram novamente lealdade ao partido comunista uma vez admitidos.

"O dom da escuta sincera, orante e, o mais possível, livre de preconceitos e condições permitir-nos-á entrar em comunhão com as diferentes situações que vive o povo de Deus. Ouvir a Deus, para escutar com Ele o clamor do povo; ouvir o povo, para respirar com ele a vontade a que Deus nos chama (cf. Discurso na Vigília de Oração preparatória para o Sínodo sobre a família, 4 de outubro de 2014)".

Vimos em outros artigos como estas "situações diferentes do povo de Deus" inclui a situação de adultério, que o Papa passou a dizer que não é de pecado mortal, recomendando dar comunhão (sacrilégio). Portanto, ou S.S. repete a mesma coisa, ou também quer aumentar ainda o escopo de "situações diferentes" para outras situações de pecado (Deus não permita).

"Esta atitude defende-nos da tentação de cair em posições moralistas ou elitistas (...)" [1]

Portanto, defender a moral é deixar-se cair em tentação, e é bom defender o igualitarismo.


Salmo em reparação (Salmo 6)

"Senhor, não me arguas no teu furor, nem me castigues na tua ira. Tem misericórdia de mim, Senhor, porque sou enfermo; sara-me, Senhor, porque meus ossos estremeceram. E a minha alma turbou-se em extremo, mas Tu, Senhor, até quando ? Volta-te, Senhor, e livra a minha alma, e salva-me pela tua misericórdia.

Porque na morte não há quem se lembre de Ti, e na habitação dos mortos, quem Te louvará ? Estou esgotado à força de tanto gemer, lavarei meu leito com lágrimas todas as noites, regarei com elas o lugar do meu descanso. 

Os meus olhos se turbaram por causa do furor, envelheci no meio de todos os meus inimigos. Apartai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade, porque o Senhor ouviu a voz do meu pranto.

O Senhor ouviu a minha súplica, o Senhor ouviu a minha oração. Sejam confundidos, e em extremo conturbados todos os meus inimigos, retirem-se e sejam num momento cobertos de vergonha".

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[1] Santa Missa por ocasião da abertura da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (3 de outubro de 2018). Link: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2018/documents/papa-francesco_20181003_omelia-inizio-sinodo.html. Link do vídeo da missa: https://www.youtube.com/watch?v=rJlgWU6Mp3s

Lançamento do volume 2 da série "O Príncipe dos Cruzados", do escritor Eloi Taveiro

O site "O Príncipe dos Cruzados" lança hoje, dia 8 de Setembro de 2018, festa de Nossa Senhora da Natividade, e em honra, agradecimento e louvor a esta, a primeira edição do livro: 

"O Príncipe dos Cruzados (Vol.II): Manual básico do Tradicionalista Contra-Revolucionário; Bíblia, Papas, Santos, e Teólogos", com 821 páginas, escrito por seu articulista principal e motor principal, Eloi Taveiro.

No dia 13 de Maio de 2015 havíamos lançado a primeira edição da primeira parte, e poucos dias depois, a segunda. Em 2018, lançamos a segunda de ambos com correções, e incrementos indicados na introdução dela. O link para baixá-los está a seguir:

"O Príncipe dos Cruzados (Volume 1, Parte 1): Da Teologia da História às profecias", Eloi Taveiro, 2 Edição, 609 pgs.

"O Príncipe dos Cruzados (Volume 1, Parte 2): Plinio Corrêa de Oliveira, o S. Elias de seu tempo e profeta por sabedoria, 2 edição, 218 pgs.

Colocamos a seguir transcrita a introdução desta edição,lembrando que temos a intenção de pôr a opção de comprar via internet o livro físico, assim que acharmos algum negócio decente.


De vez em quando iremos corrigir erros de português, ou de edição no livro, sem lançar novas edições, de maneira que é bom baixar de novo por esse link, mais ou menos de seis em seis meses, quando se acumular estas revisões para serem postas. Além disso, tentaremos diminuir o tamanho da letra para diminuir o número de páginas e colocar no padrão dos outros livros. Esta versão deve estar com uma letra 10% maior. Talvez uma próxima versão tenha algum pouco incremento.

Links para baixar gratuitamente estes livros em pdf:



Como ler este livro – Introdução da edição

Este livro faz parte da série “O Príncipe dos Cruzados”. Dela foi lançado em primeiro lugar o volume 1, que é dividido em duas partes, “Da Teologia da História às profecias” e “Plinio Corrêa de Oliveira e suas profecias”. A segunda parte pode ser lida sem a primeira, e a primeira também, com boa vontade. No entanto, elas fazem parte de um conjunto, e só serão divulgadas separadas porque muitos têm interesse em uma só das partes.

Agora, vem à lume o segundo volume, que visa ser um manual de apologética e mapa para o Tradicionalista Contra-Revolucionário ver as áreas principais de atuação da Revolução com suas heresias, erros e práticas que levam ao inferno e ao fim de todo vestígio de Civilização Cristã. Sendo um manual, dá alguns bons elementos para refutar estas coisas.

Sabemos que muito mais aprofundamento poderia ser dado nas tantas áreas do conhecimento que tocamos, por isso afirmamos ser este volume meramente um manual básico. Além disso, algumas áreas foram deixadas de lado, assim como o número de heresias, pela pouca influência que possuem na sociedade hodierna, ou por sua refutação estar incluída em outra refutação.

Nada mais queríamos com este trabalho e objetivo, do que mostrar com mais clareza a glória da Santa Igreja Católica fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo. Afinal, com boa parte consistindo em citações, o livro é menos nosso do que da Tradição Católica.

Somente com a aparição de coisas muito relevantes colocaremos novos detalhes e artigos em futuras edições, que certamente existirão pelo menos para correção de erros de português, estilo, etc. Então, nos comprometeremos a ressaltar aqui na introdução os acréscimos ou correções relevantes desde a primeira edição.

Por fim, é importante ressaltar as palavras sempre proféticas e certeiras de Plinio Corrêa de Oliveira, e oferecer a Nossa Senhora este trabalho, para que seja o cumprimento de anseios tão justos, tão esquecidos, tão urgentes, que esse filho da Virgem Santíssima exprimiu, e que infelizmente seus herdeiros não tiveram atenção em cumprir. Quanto a nós, antes mesmo de conhecermos estas palavras a seguir, já tínhamos o objetivo de fazer este livro, e podemos dar graças a Maria Santíssima por conhecer tudo e terminar este trabalho.  

"Então, essa tarefa que nós temos diante de nós é uma tarefa intelectual. Nós temos a obrigação de conhecer, de, portanto, estudar, e temos a obrigação de estudar um monte de matérias enorme, estudar suficientemente para dar uma denúncia capaz e eficaz, e apresentar assim contra essa maré montante, com o sinal da cruz e o M de Maria, apresentar de frente a nossa contestação: "Isso é assim! Vocês são tais! E contra vocês nós jogamos tal denúncia!". Dê no que der e arrebente no que tiver que arrebentar, pouco importa. Nós teremos cumprido nosso dever.

Acontece que na idade madura dos srs. vem exatamente a possibilidade  de fazer esse estudo que é um grande estudo de maturidade. É um grande estudo de aplicação de inteligência, de aplicação de vontade, de empuxe sério para fazer as coisas andarem. E com isso uma possibilidade de começarem a terçar as armas da Bagarre (...).

Então os srs. percebam bem a conjuntura histórica na qual estão. Quer dizer, é-lhes posto tudo nas mãos. Mais uma vez. E com o lhes pôr isto tudo nas mãos, permitam que eu lhes diga com toda franqueza, não sei se é certo, mas é possível que a Providência lhes esteja dizendo:

"Esta é a última vez. Não facilite, porque eu perdoei uma vez, duas vezes, 50 vezes; a vez 51 não vai! Agora trate de aproveitar".

Quer dizer, esse apelo que eu estou fazendo aqui é um apelo imensamente sério, mas é imensamente sério" (Reunião Comissão Médica, 21/4/91).


Eloi Taveiro,
Dia 8 de Setembro de 2018,

Festa da Natividade de Nossa Senhora, 
um dia após o dia da Independência do Brasil.

Sobre alegações de problema no Rito Maronita reformado

São Charbel, modelo dos maronitas,
rogai por nós
Do livro "O Príncipe dos Cruzados" (volume II - inédito).

Recomendamos os artigos anteriores para melhor compreensão:

A forma da Eucaristia é só "isto é o meu corpo"/"este é o meu sangue" ? Análise pelas liturgias tradicionais, Papas, Santos e teólogos

Papas, Santos e teólogos contra a participação ativa liturgicista na missa em desprezo do terço e piedades não-litúrgicas. Resposta a objeções

Papas e tradição contra o liturgicismo pró altar-mesa, altar único, padre voltado ao povo, e oposto a imagens sagradas. Resposta a objeções

Resumo da reforma do Rito Maronita

Neste artigo mostraremos em linhas gerais o que mudou na reforma do Rito Maronita, e como isto trouxe um problema de licitude, e em que consiste este problema. Para isto, nos servimos do Qurbono Book of Offering (Divine Liturgy), o livro da Divina Liturgia Maronita, disponível no site da Eparquia de São Marun do Brooklyn, e publicado em 31 de Julho de 1992 [1], que surgiu após "quarenta tentativas" de reformas, "entre 1963 e 1982", seguindo o influxo do Concílio Vaticano II, como o próprio livro alega. Esta edição de 1992 foi feita em conjunto com o Sínodo Patriarcal dos Bispos e a Congregação Vaticana para as Igrejas Orientais, e foi publicada, "pela primeira vez, com um decreto oficial atestado pela assinatura do Patriarca e seu imprimatur".

Não queremos tratar, portanto, das reformas anteriores, mas o leitor poderá, lendo este artigo, avaliar se nelas se aplicam as mesmas reflexões. Avisamos também que nossa análise visa ser geral, não exaustiva, visto que tal coisa se coaduna com nossos objetivos que são alcançados somente com este artigo.

Pontos ruins

- Liturgicismo do padre voltado ao povo: o livro admite que tradicionalmente os padres celebravam de costas ao povo, e voltado para o oriente, o que era possibilitado pela construção da Igreja. Agora, fala que é a hierarquia local que decidirá como será feito, já que um decreto de Junho de 1992 do Sínodo Patriarcal dos Bispos Maronitas possibilitou celebrar em qualquer direção. O livro recomenda ser de frente ao povo.

- Liturgicismo da participação ativa: em vários lugares se fala em participação ativa do povo na liturgia.

- Liturgicismo do uso diminuído da língua vernácula: um Arcebispo alega que várias coisas foram mantidas na língua siríaca (considerado um tipo de aramaico), o que mostra que muita coisa na língua tradicional foi retirada para dar lugar ao vernáculo, que seria o árabe [2].

- Concílio Vaticano II: é citado uma vez como influenciador das reformas.

Pontos bons

- Orações e hinos antigos e tradicionais

“Aqui nós não criamos novas orações e hinos, pelo contrário, fomos atrás de orações e hinos selecionados de nossas raízes e fontes Siríacas. A maior parte do tempo nós usamos um texto Siríaco como base para os textos traduzidos [3].

- Orações de penitência e perdão abundam, assim como gestos de baixar a cabeça para pedir perdão [4].

- A preparação dos elementos é mantida

- Credo Niceno-Constantinopolitano

Conclusão parcial

Dado só estes pontos, seria de lamentar estes elementos ruins, mas não o suficiente para ter que evitar tal Rito como favorecedor da heresia, já que a estrutura se mantêm quase exatamente a mesma (obviamente ignoramos abusos litúrgicos que podem ocorrer em um local ou outro).

Tratando de uma objeção: a consagração nas anáforas maronitas

Anáfora é o nome que se dá à parte mais solene da liturgia na qual se inclui a consagração. No Rito Maronita reformado existem nove anáforas em uso [5]:

Anáfora dos Doze Apóstolos, Anáfora de São Pedro Chefe dos Apóstolos, Anáfora de São Tiago, Anáfora de São João Apóstolo, Anáfora de São Marcos Evangelista, Anáfora de Sixto Papa de Roma, Anáfora de S. João Crisóstomo, Anáfora de S.João Maron, Anáfora Sharar.

Chegamos a verificar que as palavras da consagração de algumas destas anáforas, pelas traduções que vimos, tem problemas. Entretanto, no livro do Qurbono de 1992 acima citado se diz que para as palavras da instituição do Rito foi escolhido sempre o uso da anáfora dos Doze Apóstolos [6]. Ademais, no Qurbono, ou Missal Maronita, traduzido da edição de 2005, já com todas anáforas acima exceto a de Sharar, está disponível na internet assim como o Qurbono de 1992 [7], e em ambos se vê em todas as anáforas as mesmas palavras da consagração. De modo que não há problema no Qurbono de 1992 ou de 2005.

Entretanto, houve mais uma reforma da Liturgia em 2008, quando foram adicionadas as últimas três anáforas acima citadas. Conforme o que soubemos por um sacerdote libanês do rito maronita, não houve alteração nas palavras da consagração no missal, e uma fonte maronita de Março de 2014, analisando a estrutura da missa, indica que se usa as palavras corretas da consagração "isto é o meu corpo/isto é o meu sangue" [8]. Além disso, temos fontes de que as anáforas de S.João Crisóstomo [9] e S.João Maron [10], por si só exibem as palavras da consagração como deve ser.

De qualquer forma, analisaremos a anáfora de Sharar segundo as traduções que obtivemos, e considerado que são fidedignas, veremos o problema na consagração. Ressaltamos que não queremos avaliar esta anáfora inteiramente, mas só as palavras da consagração que sejam ruins. Portanto, pode ser que no decurso dos séculos se tenha modificado, que a tradução seja o problema real, ou que as palavras estavam assim desde o começo para ocultar propositalmente. Não é nosso objetivo tratar destes problemas.

Problema da Anáfora Sharar

Atribuída à S.Pedro, esta anáfora pertenceu ao Rito Maronita. Isto nos conta o livro acima citado, que diz que esteve ausente de 1716 até 1959, nas edições seguintes do Qurbono de 1716, que eram iguais a esta segunda edição de 1716, mostrando um indício de rechaço que poderia ter tido em relação ao uso dela.

Qual é o problema com ela? Pelas traduções que vimos ao inglês por livros sobre liturgia [11], e uma tradução do latim ao espanhol [12], as palavras da consagração são:

"Este pão é o meu corpo/ Este cálice é o meu sangue".

O que diz Santo Afonso Maria de Ligório sobre isso:

"221 - I. A consagração é válida, mas ilícita: I. Se o consagrante diz: "Este alimento", "essa bebida", "esse cálice", ou "essa coisa", ou "o conteúdo dessa espécie", [e em seguida] "é o meu corpo" ou "é o meu sangue" [Hic cibus, hic potus, hic calix: vel haec res, vel contentum sub his speciebus, est corpus meum, vel sanguis meus]. Bon. l. c. p. 1. II. Se diz: 'Hic est calix novum testamentum in sanguine meo', como está em S. Lucas. c.22. (...)" [13].

Ora, esta doutrina de S.Afonso é sólida pelo motivo de que falando "este pão é o meu corpo" o padre está chamando de pão e ao mesmo tempo de corpo de Cristo a Sagrada Eucaristia, isto é, ele não deixa de consagrar, mas ofende a Deus chamando de pão o que só possui a aparência de pão. O mesmo se diga do cálice.

Assim, o padre peca se tem consciência disso, e por isso o Santo Doutor diz que é válida mas ilícita.

Segundo um estudioso da liturgia, esta Anáfora é usado no Domingo da Consagração da Igreja, Domingo dos Padres, Novo Domingo, Festa de São Pedro e São Paulo, Festa da despedida da Virgem Maria [14].

Conclusão

As fontes que citamos dizem que esta anáfora não é aplicada na consagração, e que mesmo a escolha da anáfora a ser usada é do sacerdote. De qualquer forma, se um dia for o caso ou acontecer em algum caso particular, a conclusão será a seguinte:

Como o católico não pode favorecer o sacrilégio e o pecado, mesmo que o padre não saiba o que faz, não é lícito frequentar uma missa com a consagração tirada desta anáfora, se o fiel tem ciência do fato, porque não é lícito a um católico favorecer uma missa com uma consagração ilícita, pecaminosa. Entretanto, a comunhão será lícita se o católico aparecer somente para comungar, isto é, na hora da comunhão, contando que não haja um Rito tradicional para ir. Isto porque a paróquia e o padre são parte da Igreja, e não há communicatio in sacris, nem favorecimento da missa porque se aparece só para comungar.

Se a anáfora de Sharar não é usada inteiramente, a missa não tem problema algum, exceto, talvez, os problemas de liturgicismo, e outros problemas litúrgicos que já falamos em outros artigos.


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[1] Qurbono Book of Offering (Divine Liturgy), Boutros Gemayel, Archbishop of Cyprus for the Maronites Chairman, Patriarchal Commission on Liturgy, English translation by Bishop Stephen Hector Doueihi, Bishop of the Eparchy of Saint Maron of Brooklyn. Link: http://www.stmaron.org/spirituality/liturgy/qurbono-book-of-offering-divine-liturgy/
[2] S. E. Mons. Moussa el Hage, Arcebispo Maronita de Haifa e Terra Santa. "Hemos mantenido una serie de cosas en lengua siriaca, por ejemplo cuando se entra y nos dirigimos hacia el altar, pronunciamos “he entrado en tu casa, oh Señor”, o como el trisagio, “tres veces santo”, que pronunciamos ‘Qadeeshat Aloho’, que significa ‘Tú eres santo, oh Señor’, o incluso la oración de consagración ‘el primer día antes de su vivificante pasión’”. LA IGLESIA MARONITA “Puente entre Oriente y Occidente”. Link: https://www.cmc-terrasanta.com/es/video/la-iglesia-maronita-puente-entre-oriente-y-occidente-11070.html
[3] Qurbono Book of Offering...Tradition and Renewal
[4] "The Rite of Penance found in the Maronite Ritual is identical to the practice of the Roman Church before its revision in recent years. It consists of the penitent confessing his sins to the priest, being attentive to the priest's admonition and the giving of penance to be performed, the expression of sorrow followed by the prayer of absolution". The Sacraments Of Reconciliation: A Commentary On The Spirit Of Reconciliation As A Way Of Life, Chorbishop Seely Beggiani, Rector of Our Lady of Lebanon Seminary and Professor at the Catholic University of America, Washington, D.C. Link: http://www.maronite-institute.org/MARI/JMS/july00/The_Sacraments_Of_Reconciliation.htm
[5] 10 de Junho de 2016, The Maronite Church “A bridge between East and West". Link: https://www.cmc-terrasanta.com/en/video/the-maronite-church-a-bridge-between-east-and-west-11069.html
[6] Por isto uma fonte diz: "There are at least seventy two Maronite Amphorae. In the present reformed Maronite mass, the “Anaphora of the twelve Apostles ” is the one used". St.George Maronite Church. Link: https://www.stgeorgesa.org/maronite-divine-liturgy/ 
[7] "Qurbono: The Book of Offering", Diocese of Saint Maron, USA, Brooklyn, NY. 1993, Saint Maron Publications, Brooklyn, New York. Link: https://thehiddenpearl.org/liturgical-books/. E em francês no link: http://www.maronites.fr/IMG/pdf/messe_edition_complete.pdf
[8] The Third Encyclical Letter of Patriarch Rai, Bkerke, March 2014, Patriarca da Antioquia e todo o Oriente e Cardeal da Igreja Universal. Link: http://sjmaronite.org/index.php/en-us/church-media/patriarch-visit/patriarch-photos/14-web-pages/patriarch.feed#sdendnote4anc
[9] "The Eucharistic Liturgies: Their Evolution and Interpretation", Paul F. Bradshaw, Maxwell E. Johnson, Pg.99. E também: "Prayers of the Eucharist: Early and Reformed", Ronald Claud Dudley Jasper, G. J. Cuming, pg.132 
[10] "The Divine Liturgy of the Maronite Church: Birth of Our Lord, Epiphany", 3 edição, 2006, Eparquia Maronita da Austrália, editado por Rev. G. Abdallah, assistido por Sr Y. Zaarour e Mr E. Azzi, pp.274-5
[11] "Do this in Remembrance of Me: The Eucharist....", Bryan D. Spinks, Pg.169 & "Prayers of the Eucharist: Early and Reformed", Ronald Claud Dudley Jasper, G. J. Cuming, Pg.48
[12] No link: http://wwwmileschristi.blogspot.com/2015/10/la-anafora-nestoriana-o-el-ecumenismo.html
[13] Theologia Moralis, Livro IV, Tratado VI, Cap.I, Dubium VI 
[14] "Do this in Remembrance of Me: The Eucharist....", Bryan D. Spinks, Pg.167