Importância e simbolismo da Tríplice Coroa, deposta no Concílio Vaticano II por Paulo VI pela primeira vez



Vídeo da coroação de João XXIII, referida abaixo

Simbolismo e história da Tiara Papal

Uma das mais importantes e mais antigas insígnias da Igreja, a Tiara Papal denota o poder do Sumo Pontífice, fala da doutrina católica aos olhos dos homens, e é contra-revolucionária, tornando-se ainda mais contra-revolucionária depois que revolucionários invadiram e tomaram os Estados Pontifícios no século XIX, pois a partir daí ganhou o significado de resistência ao ato abominável.

Sabe-se que com São Silvestre I, o Papa recebeu do Imperador Constantino várias relíquias, entre elas, o Palácio de Latrão (hoje Basílica de São João de Latrão), e "o diadema, isto é, nossa coroa e ao mesmo tempo o gorro frígio, quer dizer, a tiara e o manto que os imperadores costumam usar", segundo o Edito deste Imperador [1]. O Sumo Pontífice usou esta única Tiara até Bonifácio VIII, que incluiu outra, na época do confronto com o Rei da França, Filipe, o Belo, para representar a sua autoridade espiritual superior à civil. "Foi Bento XII, em 1342 que acrescentou a terceira coroa para simbolizar a autoridade moral do Papa sobre todos os monarcas civis, e reafirmar a posse de Avinhão", conforme conta o Núncio Apostólico, em explicação oficial do brasão de Bento XVI, no site do Vaticano [2].
A Tiara foi de tal maneira um
símbolo do poder Papal, que
 o sultão muçulmano Solimão, 
o Magnífico, quis concorrer 
colocando quatro coroas, 
como na gravura

Na cerimônia de coroação do Papa, o Cardeal Proto-Diácono (mais velho Cardeal), diz em latim, enquanto coroa o Papa:

"Receba a Tiara adornada com três coroas e saiba que vós sois o Pai dos Príncipes e Reis, Governador do Mundo, Vigário de Nosso Salvador Jesus Cristo na terra, o que é honra e glória pelos séculos dos séculos [Accipe tiaram tribus coronis ornatam, et scias te esse Patrem Principum et Regum, Rectorem Orbis, in terra Vicarium Salvatoris Nostri Jesu Christi, cui est honor et gloria in sæcula sæculorum]" [3].

Assim, dos vários simbolismos podemos destacar os títulos representados na tríplice coroa: pai dos Reis e príncipes, governador do mundo e vigário de Cristo. As três Igrejas: triunfante, padecente, e militante [4]. Os três poderes do Papa: Magistério, Jurisdição e Ordem. As três missões da Igreja: Ensinar, governar e santificar. A dignidade do Bispo de Roma: Pastor Universal, Jurisdição Eclesiástica Universal, e Poder Temporal. As três dignidades de Cristo: Sacerdote, Profeta e Rei. E, obviamente, a Santíssima Trindade.

Deposição da Simbólica Tiara no Concílio Vaticano II, em um simbólico gesto contra a Tradição Católica 

Provavelmente já pensando em preparar os espíritos para a deposição da Tiara Papal, Paulo VI usou a mais feia já feita. Ora, o raciocínio é bem feito: raramente se sente falta do que é feio. O historiador Roberto de Mattei conta como foi a deposição desse tesouro Papal cheio de simbolismo e doutrina:

"Descrevendo a Missa conclusiva da sessão, com 24 concelebrantes, "mistura de inovações litúrgicas (...) e do velho rito", Padre de Lubac anota: "Olho a estátua de S. Pedro com a testa coberta pela Tiara: será possível tirá-la? Seria visto como um sacrifício".
Paulo VI depõe a Tiara Papal

Uma semana antes, a 13 de novembro, Paulo VI era elevado ao Trono Pontifício posto sob o baldaquino de bronze de São Pedro e havia deposto "sob o altar do Concílio" a Tiara que lhe foi dada pelos Milaneses na ocasião de sua coroação de Pontífice. D. Hélder Câmara, descreve o evento com estas palavras: "Em emocionante silêncio, a Basílica viu Paulo VI avançar com a tiara nas mãos, pousá-la sobre o altar, e voltar para trás satisfeito! Foi um delírio". Congar, que estava presente na cerimônia, mas que pegou as repercussões, comenta com uma dose de ceticismo: "O Papa tirou a tiara e ofereceu-a aos pobres. Se se trata de renunciar à tiara e se, depois daquela, não vai ter mais nenhuma, muito bem. De outro modo, será apenas um gesto espetacular sem futuro. Em suma, é necessário colocar sobre o altar, não uma tiara, mas A tiara."" [5].

Lembrando que D.Hélder Câmara era conhecido como "Arcebispo Vermelho", nome popularizado por Plinio Corrêa de Oliveira nos inúmeros embates que teve com este prelado, o qual foi sempre alinhado com a esquerda, o progressismo, e o tribalismo eclesiástico. 

Por fim, a tiara de Paulo VI foi vendida e seu dinheiro doado para a caridade como previsto, no entanto, os compradores eram católicos, os quais doaram à Basilica of the National Shrine of the Immaculate Conception, de Washington, DC. Um ato que poderia o pioneiro em relação ao resto dos outros tesouros Papais e do Vaticano, ainda mais com Papas como o Papa Francisco, o qual abandona cada vez mais estas relíquias.

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[1] "História da idade média: textos e testemunhas", Maria Guadalupe Pedrero-Sánchez, 2003, Pg.125 
[2] D. Andrea Cordero di Montezemolo, Núncio Apostólico, L'Osservatore Romano. Link: https://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/elezione/documents/stemma-benedict-xvi.html
[3] Ver cerimônia de coroação de João XXIII no link: https://www.gloria.tv/video/VdNznHpsPfPpLP8kiaaj1XWaU
[4] Site do Vaticano: http://www.vatican.va/news_services/press/documentazione/documents/sp_ss_scv/insigne/triregno_en.html
[5] Roberto de Mattei, "O Concílio Vaticano II: uma história nunca escrita", Cap.V, 16, 2012.