Razões teológicas e filosóficas contra a tatuagem e o piercing. Resposta à objeções

Do nosso livro ainda inédito O Príncipe dos Cruzados volume 2 (compilação doutrinário).

Apresentamos razões filosóficas e teológicas para não fazer tatuagem e piercing, colocadas após o T e o P, respectivamente. Respondemos objeções ao fim. Este nosso artigo original está sujeito à censura eclesiástica.

-Pode estar financiando um mercado liberal dependendo do lugar onde se faz

T/P: Muitos tatuadores e lojas que fazem piercings não possuem restrição moral para o seu trabalho, então a pessoa que as procura financia uma loja que tatua coisas que ela não concorda ou que não concordam com a doutrina católica, se é que não vai contra.

-Promove uma cultura neo-pagã

T/P: O neo-paganismo é evidente quando vemos que até hoje persistem hábitos pagãos antigos, em geral entre os índios e alguns orientais, de fazer tatuagem, colocar piercings grandes que sobressaem no rosto todo, etc. Está envolta também no sensualismo e no sadomasoquismo a cultura da tatuagem e do piercing, visto que muitos fazem para mostrarem as partes pudendas do corpo junto da própria tatuagem em um ato de vaidade, e muitos fazem com intenção sadomasoquista.

T: A pessoa estará promovendo uma cultura que faz as pessoas marcarem em sua pele desenhos que, muitas vezes são imorais, pagãs, satânicas, materialistas, anti-cristãs, ou aproximam-se destas coisas.

P: No caso do piercing, e ainda mais nos usados atualmente, a pessoa fica muito mais parecendo um índio, um pagão oriental, do que usando tatuagem, as quais variam muito. Ainda esta cultura promove o hábito tipicamente neo-pagão do igualitarismo entre os sexos, dado a mentalidade disseminada dentro dela de que ambos os sexos podem usar nos mesmos lugares o piercing.

-Promove uma cultura artística péssima

T: A maioria das tatuagens são desenhos ordinários, sem complexidade e beleza, e os desenhos mais raros e considerados bonitos pelos tatuadores não chegam perto de uma obra de arte de um pintor de boa qualidade. Aliás, se fosse realmente boa a arte do tatuador, ele quereria fazer um quadro com ela e vender por milhões. Nesta época, na qual os pintores, arquitetos e desenhistas do mundo fazem desenhos sem virtude, revolucionários, banais e simples, a tatuagem fica parecendo arte, mas não é, assim como não são artistas os que em suas obras visuais não deixam claro uma virtude a ser cultivada, situações não absurdas, e a qualidade de percepção visual do próprio artista, o que demonstra o seu valor. O fato da tatuagem não ter grande duração visto que envelhece com o corpo, diferente das grandes obras de arte bem cuidadas, já mostra o seu valor descartável, reflexo da cultura em que ela se insere. O bom artista deixa seu legado para a eternidade, não até um homem morrer.

P: No caso do piercing também ocorre a mesma coisa: na maioria das vezes eles são desarmônicos com o rosto, atraindo feiúra sobre a pessoa com a quebra de simetria do rosto, e são de baixa qualidade.

-Vai contra a disposição de aparência dada por Deus para o corpo, embora não seja um pecado contra a natureza

T: Excetuando os acidentes, como queimaduras, cicatrizes, doenças de pele, etc, o corpo humano tem uma disposição que pode se dizer, está em potência, como ela deveria ser, na carga genética da pessoa. Então o corpo abstratamente considerado, tatuado, pode ser considerado vítima de uma agressão, visto que a tinta agride a aparência natural, mas co-existe com ela, não perverte a sua função, e por isso não caracteriza um pecado contra a natureza.

P: Agride o corpo humano, como é óbvio quando posto nos genitais, mãos, pés, boca, nariz e outras partes do corpo nas quais o piercing atrapalha a função da parte corporal referida, embora não a perverta, o que caracterizaria pecado contra a natureza.

No umbigo ele simplesmente não tem função de adorno lícita, pois não se pode sair mostrando por aí o umbigo sem ferir a modéstia ou praticar um costume estranho como mostrar unicamente o umbigo, fora que, se permanente, pode atrapalhar a junção carnal de marido e mulher e o sono da pessoa. No fim das contas só poderia ser considerado um adorno exclusivo, isto é, só para o marido (não pode ser algo usado pelos dois por causa do igualitarismo) na hora da cópula, mas nem isto seria desejável, visto que o homem não se atrai sexualmente pelos adornos externos, a não ser por fetiche, então seria pecado. Se não fosse assim uma mulher vestida com uma roupa colorida, cheio de adornos e tudo o mais exitaria o desejo no homem, o que não é verdade para organismos masculinos normais. Alguém pode argumentar que o piercing ali cumpriria sua missão na copulação indiretamente, atraindo o olhar para a parte que atrairia sexualmente o homem. No entanto, o umbigo e barriga formam um conjunto só e natural, e com um piercing isto não acontece, e esta parte do corpo sofre intrusão deste adorno, desvirtuando a forma daquela parte que atrai sexualmente. O homem que prefere esta parte do corpo da mulher com piercing do que sem incorre em atração desordenada e anti-natural. Se o piercing valesse como sinalizador, também outras roupas e coisas estranhas também valeriam, quando na verdade nada mais sinaliza uma parte nu de um corpo totalmente nu do que a nudez desta parte, visto que uma coisa estranha no corpo nu se sobressai e atrai os olhares para ela antes do que para o corpo.

Nas outras partes do rosto não mencionadas, mesmo se harmônicas com a simetria facial, vão contra a natureza humana no que versa sobre o reconhecimento do rosto. Ora, é na face em que se encontram os traços regionais, de parentesco, os indícios do humor, da idade, das lutas, etc. Só estas características já formam uma identidade natural para o homem, dado que elas provêm em maioria da natureza humana. Colocar piercings, mesmo se pequenos, nestas partes, é querer mudar a identidade natural, é uma espécie de rebeldia. Esta identidade, assim como a carga genética do homem que define seu sexo por exemplo, é algo que não muda.

-Pode acarretar problemas médicos

Não querendo citar opiniões médicas sobre o quanto as tintas usadas prejudicam a pele da pessoa, o fato é que nem todos usam o mesmo tipo de tinta, tem a mesma higiene, e fora, também, que muitos que se arrependem vão procurar tratamentos a lasers ou outros tatuadores correndo risco de inflamações e infecções novamente. Mesmo saindo ileso, o tatuado promove uma cultura aonde outros correm este risco.

Resumo

Aquele que faz tatuagem ou piercing com consciência de estar promovendo uma cultura neo-pagã, anti-estética e uma coisa que, de si, é um ato de rebeldia contra a disposição corporal ordenada por Deus, incorre em falta grave. Arrependido, mesmo ainda com as marcas, ele sai do pecado. Em seguida, o arrependido deve procurar o meio mais rápido e seguro de retirar estas marcas. No caso da tatuagem, se possuir uma não censurável e em lugar semi-pudendo do corpo, que na modéstia cristã costuma-se cobrir com roupas, pode não retirar enquanto tenha algum impedimento razoável para tal, tomando precaução para não mostrá-la. Se possuir uma censurável indiferente do lugar ou uma religiosa em lugar impudico, deve cobri-las sempre, e procurar rapidamente as retirar (o ato sexual entre esposos fica proibido até a retirada por causa do sacrilégio e desrespeito com o ato). Se a tatuagem, indiferente do tipo, estiver em parte comum do corpo, como mãos, rosto, etc, deve cobri-las com maquiagem (contanto que discreta), ou esparadrapo, ou coisa semelhante e procurar retirá-las com semelhante urgência.

Objeções comuns e respostas

Obj.1: Tatuar imagens religiosas seria um modo de mostrar devoção, contanto que seja nas partes não imodestas do corpo.

Já demos razões culturais, estéticas e da ordem da criação para não fazer tatuagem. Deus quer o sacrifício de um espírito contrito não de hóstias e oblações, já dizia a Escritura. Além disso, todo ato de devoção tem Deus como fim último, e este sonda o coração do homem. Uma imagem bonita de um santo no corpo não faria, por exemplo, mais do que uma pintura, uma divulgação de imagens deste santo por aí, então não há motivo razoável de propaganda.

Obj.2: A Igreja aceita a prática do uso dos brincos, e já no antigo testamento, se vê que o povo de Deus usava (Ex 32, 2-4), logo é possível colocar estes mesmos brincos em outras partes, contanto que não seja erótica.

Os brincos, usados desde os tempos antigos, podem ser utilizados em harmonia nas duas orelhas. Ele, quando não demasiado grande a estragar o lóbulo da orelha, eleva a dignidade do rosto. O mesmo se pode dizer das maquiagens, mas não daquelas em que a pessoa fica irreconhecível, porque estas, como o piercing, dão um espécie de brado contra a natureza humana. O brinco, usado no lóbulo, uma parte do corpo que é comum em todos e que ninguém nota a diferença de uma pessoa para outra, ao contrário do que acontece com o rosto humano, pega algo comum a todos, que não faz parte do reconhecimento facial, e atribui um adorno à pessoa, em uma analogia do homem que pegou sua alma, imortal como qualquer outra, e encheu de virtudes. Quando usado com temperança, o brinco não atenta contra a disposição facial, mas antes eleva a dignidade da pessoa, enquanto é usado em harmonia com roupas e outros justos adornos. No entanto, é um adorno feminino, nos tempos atuais e naquele tempo também havia distinção no uso entre os sexos, sendo portanto um pecado usar porque é contra a natureza do homem querer-se parecer mulher: é uma espécie de revolta contra a criação.

Obj.3: A Sagrada Escritura diz: "Não fareis incisões na vossa carne, por causa de algum morto, nem fareis figuras algumas ou sinais sobre o vosso corpo" (Lv 19, 28), mas em seguida também proíbe raspar a barba e o cabelo em redondo, o que é um absurdo. Estas práticas, tendo sido abolidas, mostram que aquelas também foram.

Nem todas as leis antigas são válidas mas nem todas inválidas. Este versículo em específico proíbe uma prática pagã, que não deixou de ser nos séculos seguintes, bem como depois de Nosso Senhor, e, ainda mais, nos tempos atuais, em que a sociedade é neo-pagã, como demonstrado acima.

Obj.4: Algumas pessoas possuem tatuagem e se arrependeram, para estas por vezes é difícil apagar, então não há problema em manter sendo católico contanto que as escondam, e se não for possível, uma pessoa não poderia ser rejeitada na Igreja.

Estes deverão fazer de tudo para apagar, e se for mais aconselhável medicamente, procurar invés de um laser, um tatuador, se possível um não-liberal, para mudar os desenhos que forem contra a doutrina. Caso tenham marcados na pele desenhos nas partes onde a roupa por costume não deve cobrir (como mãos, pescoço e rosto), diríamos que se tiver marcas no rosto, para evitar o escândalo, o fiel arrependido da tatuagem, não havendo ainda conseguido apagar as marcas, deve procurar ir na missa com algum tipo de curativo ou maquiagem (contanto que discreta) que possa esconder as marcas. No caso das mãos e pescoço ainda poderiam ser cobertas por roupa somente na hora da missa, mas pensamos ser melhor os mesmos curativos (em geral esparadrapos) ou maquiagem, os quais são mais apropriados tanto para estes lugares quanto para o rosto quando a pessoa estiver fora da missa também, visto que não é algo que se deve mostrar por aí.

Obj.5: A história diz que alguns cruzados usavam tatuagens.

Tinha valor uma pequena tatuagem de uma cruz para os cruzados antigos, para, caso fossem capturados, não pudessem negar a fé e virar de lado, tendo de ser mortos por causa da marca impressa no corpo, que costumava ser no pulso. Também facilitava o reconhecimento do corpo depois das batalhas.

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