Razões teológicas e filosóficas contra a tatuagem e o piercing. Resposta à objeções

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Membro de gangue da Guatemala

Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados" (volume II, 2a edição).

Apresentamos razões filosóficas e teológicas para não fazer tatuagem e piercing, colocadas após o T e o P, respectivamente. Respondemos objeções ao fim. Este nosso artigo original está sujeito à censura eclesiástica.

-Pode estar financiando um mercado liberal dependendo do lugar onde se faz

T/P: Muitos tatuadores e lojas que fazem piercings não possuem freio moral que os impedem de atender certas demandas. Assim, quem os busca financia quem atende demandas que podem contrariar diretamente a Santa Doutrina Católica.

-Promove uma cultura neo-pagã

T/P: O neo-paganismo é evidente quando vemos que até hoje persistem hábitos pagãos antigos (em geral entre os índios e alguns orientais), de fazer tatuagem, colocar piercings grandes que sobressaem no rosto todo, etc. A cultura da tatuagem e do piercing está envolta também no sensualismo e no sadomasoquismo, visto que muitos gostam da prática pelo gosto em mostrar vaidosamente as partes pudendas do corpo junto da própria tatuagem, e também muitos o fazem com intenção sadomasoquista.

T: A pessoa estará promovendo uma cultura que incentiva desenhos que, muitas vezes são imorais, pagãs, satânicas, materialistas, anti-cristãs, ou aproximam-se dessas coisas.

P: No caso do piercing, especialmente os atualmente mais usados, a pessoa fica mais parecida a um índio, ou um pagão oriental, do que usando tatuagem, as quais variam muito. Esta cultura ainda promove o hábito tipicamente neo-pagão do igualitarismo entre os sexos, dado que sustenta-se que ambos os sexos podem usar o piercing nos mesmos lugares.

-Promove uma cultura artística péssima

T: A maioria das tatuagens são desenhos ordinários, sem complexidade e beleza, e os desenhos mais raros e considerados bonitos pelos tatuadores não chegam perto de uma obra de arte de um pintor de média qualidade do século XIX. Aliás, se a arte do tatuador fosse realmente boa, este preferiria fazer um quadro e vender caro. Numa época quando os pintores, arquitetos e desenhistas do mundo criam "artes" sem virtude, revolucionárias, banais e simples, a tatuagem parece arte, mas não é. O fato da tatuagem não ter grande duração visto que envelhece com o corpo, diferente das grandes obras de arte bem cuidadas, já mostra o seu valor descartável, reflexo da cultura em que se insere. O bom artista deixa seu legado para a eternidade, e não até um corpo morrer.

P: No caso do piercing também ocorre a mesma coisa: na maioria das vezes eles são desarmônicos com o rosto, atraindo feiúra sobre a pessoa com a quebra de simetria do rosto, além de ser de baixa qualidade.

-Vai contra a disposição de aparência dada por Deus para o corpo, embora não seja um pecado contra a natureza

T: Excetuando os acidentes, como queimaduras, cicatrizes, doenças de pele, etc, o corpo humano tem uma disposição que, pode-se dizer, está em potência na carga genética da pessoa. Assim, o corpo, quando tatuado, pode ser considerado vítima de uma agressão, visto que a tinta agride a aparência natural. Mas co-existe com esta, isto é, não perverte a sua função, não caracteriza um pecado contra a natureza.

P: Agride o corpo humano, como é óbvio quando posto nos genitais, mãos, pés, boca, nariz e outras partes do corpo nas quais o piercing atrapalha a função da parte corporal referida, embora não a perverta, o que caracterizaria pecado contra a natureza.

No umbigo: simplesmente não tem função de adorno lícita, pois não se pode sair mostrando por aí o umbigo sem ferir a modéstia, ou praticar um costume estranho como mostrar unicamente o umbigo, além de que, se permanente, pode atrapalhar a junção carnal de marido e mulher, assim como o sono da pessoa. Também não é desejável que este seja considerado um adorno exclusivo, isto é, somente ao marido (não pode ser algo usado pelos dois por causa do igualitarismo acima comentado) na hora da cópula, visto que o homem não se atrai sexualmente pelos adornos externos, a não ser por fetiche, o que é pecado. Se isso não fosse fetiche uma mulher vestida com uma roupa colorida e cheia de adornos exitaria naturalmente o desejo masculino, o que não é verdade para organismos masculinos normais. Alguém pode argumentar que o piercing no umbigo cumpriria sua missão na copulação indiretamente, atraindo o olhar para algo que atrai sexualmente o homem. No entanto, o umbigo e barriga formam um conjunto só e natural, o que é mudado pelo piercing, pois essa parte do corpo sofre intrusão desse adorno, mudando a forma desse conjunto que atrai naturalmente. Assim, pode-se dizer que o homem que prefere esta parte do corpo da mulher com piercing incorre em atração desordenada. Ademais, se o piercing valesse como sinalizador de atração, também outras roupas e coisas estranhas também valeriam, mas nada sinaliza mais uma parte nu de um corpo totalmente nu do que a nudez desta parte, visto que uma coisa estranha no corpo nu se sobressai e atrai os olhares para esta, antes do que para o corpo.

Nas outras partes do rosto não mencionadas, mesmo se harmônicas com a simetria facial, vão contra a natureza humana no que tange o reconhecimento do rosto. Ora, é na face onde encontram-se os traços regionais, de parentesco, os indícios do humor, da idade, das lutas, etc. Só essas características já formam uma identidade natural para o homem, dado que provêm em maioria da natureza humana. Colocar piercings, mesmo se pequenos, nessas partes, parece visar mudar a identidade natural, parece uma espécie de rebeldia. Essa identidade, assim como a carga genética do homem que define seu sexo, é algo que não muda.

-Pode acarretar problemas médicos

Sem citar opiniões médicas sobre o quanto as tintas usadas prejudicam a pele da pessoa, o fato é que nem todos usam o mesmo tipo de tinta, tem a mesma higiene, e fora, também, que muitos que se arrependem vão procurar tratamentos a lasers ou outros tatuadores correndo risco de inflamações e infecções novamente. Mesmo saindo ileso, o tatuado promove uma cultura onde outros correm esse risco.

Resumo

Aquele que faz tatuagem ou piercing com consciência de estar promovendo uma cultura neo-pagã, anti-estética e uma coisa que, de si, é um ato de rebeldia contra a disposição corporal ordenada por Deus, incorre em falta grave. Arrependido, mesmo ainda com as marcas, o católico sai do pecado. Em seguida, o arrependido deve procurar o meio mais rápido e seguro de retirar estas marcas. No caso da tatuagem, se possuir uma não censurável e em lugar semi-pudendo do corpo que, segundo a modéstia cristã, costuma-se cobrir com roupas, pode não retirar enquanto tenha algum impedimento razoável para tal, tomando precaução para não mostrá-la. Se possuir uma censurável indiferente do lugar, ou uma religiosa em lugar impudico deve cobri-las sempre, e procurar rapidamente retirá-las (o ato sexual entre esposos fica a critério do confessor para cada ocasião, pois depende de cada caso). Se a tatuagem, indiferente do tipo, estiver em parte comum do corpo, como mãos, rosto, etc, deve cobri-las com maquiagem (contanto que discreta), ou esparadrapo, ou coisa semelhante e buscar retirá-las com semelhante urgência.

Objeções comuns e respostas

Obj. 1: Tatuar imagens religiosas é um modo de mostrar devoção, contanto que sejam nas partes modestas do corpo.

Já demos razões culturais, estéticas e da ordem da criação para não fazer tatuagem. Deus quer o sacrifício de um espírito contrito, não de hóstias e oblações, diz a Sagrada Escritura. Além disso, todo ato de devoção tem Deus como fim último, Aquele que sonda o coração do homem. Se uma imagem bonita de um santo no corpo não faz, por exemplo, mais do que uma pintura, ou uma divulgação de imagens desse santo, então, não há motivo razoável para essa propaganda.

Obj. 2: A Igreja aceita a prática do uso dos brincos, e já no Antigo Testamento lemos que o povo de Deus usava (Ex XXXII, 2-4), logo é possível colocar esses mesmos brincos em outras partes, contanto que não tenha cunho erótico.

Os brincos, usados desde os tempos antigos, podem ser utilizados em harmonia nas duas orelhas. Quando não são grande demais a ponto de estragar o lóbulo da orelha, eleva a dignidade do rosto. O mesmo se pode dizer das maquiagens, mas não daquelas em que a pessoa fica irreconhecível, porque estas, como o piercing, dão um espécie de brado contra a natureza humana. Já o lóbulo, uma parte do corpo quase nunca notável porque quase sempre idêntica de uma pessoa para outro, permite o uso do brinco. Afinal, ao contrário do rosto humano, o lóbulo não faz parte do reconhecimento facial. Quando usado com temperança, o brinco não atenta contra a disposição facial, mas antes eleva a dignidade da pessoa, enquanto é usado em harmonia com roupas e outros justos adornos. No entanto, é um adorno feminino nos tempos atuais, e mesmo naqueles tempos havia distinção no uso entre os sexos, sendo portanto um pecado usá-los porque querer parecer-se do outro sexo contraria a dignidade humana: é uma espécie de revolta contra a criação.

Obj. 3: A Sagrada Escritura diz: "Não fareis incisões na vossa carne, por causa de algum morto, nem fareis figuras algumas ou sinais sobre o vosso corpo" (Lv XIX, 28), mas em seguida também proíbe raspar a barba e o cabelo em redondo, o que é um absurdo. Estas práticas, uma vez abolidas, mostram que aquelas também foram.

Nem todas as leis antigas são válidas, mas nem todas inválidas. Esse versículo em específico proíbe uma prática pagã, que não deixou de ser nos séculos seguintes, bem como depois de Nosso Senhor e, ainda mais, nos tempos atuais, em que a sociedade é neo-pagã, como demonstrado acima.

Obj. 4: Algumas pessoas possuem tatuagem e se arrependeram: para essas algumas vezes é difícil apagar, ou seja, não há problema em manter-se católico contanto que as escondam, e mesmo se não for possível, essa pessoa não pode ser rejeitada na Igreja.

Verdadeiros católicos farão de tudo para apagar, e se for mais aconselhável por um médico, buscar invés de um laser, um tatuador, e se possível um não-liberal, para mudar os desenhos que atentem contra a Igreja. Caso tenham marcados na pele desenhos nas partes onde a roupa por costume não deve cobrir (como mãos, pescoço e rosto), diríamos que se tiver marcas no rosto, para evitar o escândalo, o fiel arrependido da tatuagem, não tendo ainda conseguido apagar as marcas, deve procurar ir a missa com algum tipo de curativo ou maquiagem (contanto que discreta) que possa esconder as marcas. As mãos e pescoço ainda podem ser cobertas por roupa somente na hora da missa, mas os curativos (em geral esparadrapos) ou maquiagem podem ser melhor, os quais são mais apropriados tanto para esses lugares, quanto para o rosto quando a pessoa estiver fora da missa também, visto que não é algo que se deve mostrar.

Obj. 5: A história diz que alguns cruzados usavam tatuagens.

Uma pequena tatuagem de uma cruz tinha valor aos cruzados antigos pois, caso fossem capturados, não poderiam negar a fé, ou seja, seriam mortos por causa da marca impressa no corpo, que costumava estar no pulso. Também facilitava o reconhecimento do corpo depois das batalhas.

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