Papas e Teólogos contra a arte deformada, insólita, simplória, como cubista, abstrata, moderna, etc.


Além das condenações anteriores sobre arte imoral, a Doutrina Católica condena práticas específicas de arte, que não se referem só à arte que pode ser admitida no templo.

-> Condenações da arte deformada, insólita, simplória, estilo cubista, abstracionista, moderno, etc.

Pio XII

"nossa época sofre de um desatino geral: sistemas filosóficos que nascem e morrem sem melhorar os costumes, monstruosidades de uma certa arte que entretanto, tem a pretensão de se chamar cristã" [1].

"O que dissemos da música, se aplica às outras artes e especialmente à arquitetura, à escultura e à pintura. Não se devem desprezar e repudiar genericamente e por preconceitos as formas e imagens recentes, mais adaptadas aos novos materiais com os quais são hoje confeccionados; mas, evitando com sábio equilíbrio o excessivo realismo de uma parte e o exagerado simbolismo de outra, e tendo em conta as exigências da comunidade cristã, mais do que o juízo e o gosto pessoal dos artistas, é absolutamente necessário dar livre campo também à arte moderna, se esta serve com a devida reverência e a devida honra aos sagrados edifícios e ritos; de modo que ela possa unir a sua voz ao admirável cântico de glória que os gênios cantaram nos séculos passados a fé católica.

Mas, pela consciência do Nosso dever, não podemos deixar de deplorar e reprovar as imagens e representações recentemente introduzidas por alguns, pois parecem deformações e depravações da arte sã, opõem-se às vezes ao decoro, modéstia e piedade cristã, e ofendem lamentavelmente o sentimento verdadeiramente religioso; estas devem ser banidas completamente dos nossos templos, como "em geral tudo quanto se opõe à santidade do lugar" (Cân. 1178[2].

Cardeal Celso Constantini (1952-1955)

"Ao invés, quando a pretensa arte sacra moderna, esquecendo o grande passado e extraviando-se na floresta selvagem das artes figurativas cubistas, abstracionistas, etc., trai seu caráter e fim, deforma e degrada as veneráveis imagens de Jesus Cristo, da Virgem Maria e dos Santos, suscitando a aversão e o escândalo, como visões blasfematórias, condena-se ela a si mesma e cai sob a sanção do Cânone 1279: Que o Bispo não permita jamais que sejam expostas nas igrejas ou noutros lugares sagrados imagens de falsos dogmas, e que não tenham a dignidade e honestidade necessárias e que constituam para o povo simples uma ocasião de erro (...)

De qualquer modo devem os artistas abster-se de deformar e degradar a humanidade de Cristo, da Mãe Imaculada de Deus, e devem fugir ao costume, infelizmente muito difundido, de representar os Apóstolos e os Santos com fisionomias simplórias e com mãos e pés desproporcionados" [3].

"1) Certas populações da África e da Oceania utilizam-se de máscaras monstruosas com que pretendem evocar os antepassados e os bons espíritos e aplacar os espíritos malignos. Esta religião é essencialmente uma magia trágica, que se exprime por figuras grotescas e assustadoras. Devem nossos artistas cristãos inspirar-se nesses selvagens?

2) Exaltam-se as representações nas quais faltam o desenho e o relevo e onde se manifesta uma deficiência pictórica infantil. Os "ex-voto" de nossos santuários, confeccionados por bons artífices locais, são obras-primas desta estranha escola. Os "ex-voto" precederam Picasso e Matisse (...).

Ó Senhor, vós imprimistes em nós a luz de Vossa face, diz o Salmista (Ps. 4, 3). Parece, em contraposição, que certos artistas procuram imprimir na face dos Santos um sinal das trevas infernais [4].

"Recebo agora o nº 33 da revista Arquitetura e Engenharia do Brasil, com extravagantes projetos para diversas igrejas. Um arquiteto indignado escreve-me: Desde que um baixo materialismo invadiu o campo da arte neste país, especialmente nos setores da arquitetura, estou travando uma batalha sem tréguas contra esta manifestação existencialista nas artes plásticas, chamada "arte moderna", a qual por meio de uma poderosa organização de caráter internacional, está prejudicando enormemente a formação artística da juventude de todo o mundo" [5].

Plinio Corrêa de Oliveira (1957-1961)

"O quadro famoso de Velázquez - as Meninas do Prado - passa, a justo título, por um dos pontos altos da arte.
A graça infantil e cândida da Infanta, o carinho cheio de dignidade e respeito das jovens fidalgas que a servem, a altaneria do cavaleiro de Santiago que se vê à esquerda (e que é o próprio pintor), tudo exprime um ambiente recolhido, elevado, profundamente civilizado. A consideração atenta desta obra-prima além de aprimorar o senso artístico, é altamente formativa para a personalidade humana.

Se um observador tivesse uma súbita perturbação nos olhos, nos nervos ou na mente, é claro que as harmonias do quadro se iriam desfazendo para ele. No ponto extremo dessa perturbação, poderia o aspecto da obra de Velázquez chegar ao grau de "horripilância" contido no outro clichê desta página.

O inverso jamais poderia ocorrer. Se alguém considerasse o segundo clichê, e começasse a sofrer da vista, dos nervos ou da mente, nunca chegaria a ver as Meninas do Prado.

É isto tão evidente, que dispensa demonstração.

É que o primeiro quadro é produto não da desordem, mas da ordem, do talento, da cultura, da civilização, e apresenta em seus imponderáveis uma marca profundamente cristã. O segundo é fruto não da ordem, mas da desordem, da extravagância, do desequilíbrio, da intemperança. Só pode proceder - insistimos - das paixões desordenadas ou da doença.

O segundo clichê reproduz a cópia, feita por Picasso, da obra imortal de Velázquez.

Sem comentário" [6].

"(...) estas foram as qualidades que ele [o romano] soube comunicar às suas grandes realizações: o Império, o direito, e as obras primas de sua literatura e de sua arte.

Mas se tal era o romano, muito particularmente tal era em Roma o militar. Pois foi pelo alto teor com que possuíram as qualidades do povo, que os exércitos romanos dominaram o mundo.

São Sebastião foi, no mesmo século III, comandante da primeira coorte sob os imperadores Diocleciano e Maximiniano. Esta tropa era a elite do exército, o qual, do ponto de vista da varonilidade, era por sua vez (como dissemos) a elite do povo. Não conhecemos nenhum documento capaz de nos esclarecer sobre a fisionomia do glorioso Mártir (...).

E isto tanto mais quanto São Sebastião era católico. E a graça, elevando e fortificando a natureza, longe de debilitar nele as virtudes do romano, lhes dava um valor e uma intensidade incomparáveis.

Como admitir então que o nobre chefe de coorte se parecesse com este jovem, que crivado embora de flechas, se diria a um tempo a antítese da mortificação cristã e da gravidade de espírito?

Trata-se de um moço bem feito de rosto e de corpo, muito seguro de sua boa aparência, encantado de se exibir. Seu rosto tem uma expressão sentimental e caprichosa. A atitude de seu corpo é de quem está molemente gozando o sol e as brisas, um pouco cansado de estar de pé. Ele usa o tronco de árvore como confortável encosto, e arranjou um jeito de apoiar comodamente os pés em dois galhos cortados. As flechas não lhe causam a mínima dor. Nada, na sua figura, nos dá a impressão de que ele vai morrer. A lembrança de Deus e da vida eterna, a súplica para alcançar a perseverança final, a prece pela Santa Igreja, a invectiva salutar ou a palavra de bondade aos algozes, nada disto se exprime ou se representa no quadro.

Dir-se-ia que este moço, enfastiado por se achar só, está esperando que o venham buscar, a fim de volver aos afazeres da vida quotidiana.

Em última análise, trata-se de uma figura moralmente medíocre, preocupada exclusivamente consigo e com o mundo... na medida em que este lhe diz respeito. Pertence à família moral das almas banais.

Artisticamente, um grande quadro, que, aliás, se deve ao pincel imortal de Botticelli. Mas que o mestre não deveria ter intitulado "São Sebastião". Melhor teria sido apagar as flechas, figurar o jovem no nível do chão, e chamar o quadro "moço faceiro, tomando sol".

A que estes comentários? Para fazer sentir todo o mal que a Renascença pagã fez às almas, difundindo pela arte um estado de espírito impalpável mas contagioso, capaz de contradizer discretamente todas as idéias da Igreja sobre perfeição moral.

Advertência para os católicos, postos em face das aberrações tão mais graves de numerosos artistas modernos!" [7].


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[1] "Menti Nostrae", 23 de setembro de 1950
[2] Carta Encíclica "Mediator Dei", 20 de novembro de 1947. Link: http://w2.vatican.va/content/pius-xii/pt/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_20111947_mediator-dei.html 
[3] "A competência da Santa Sé em matéria de arte sacra", Revista Catolicismo no.22, Outubro de 1952. Link: http://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0022/P04-05.html
[4] A propósito de Arte Figurativa, Revista Catolicismo n° 23, novembro de 1952. Link: http://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0023/P04-05.html
[5] Revista "Fede e Arte", maio de 1955, Editado pela Pontifícia Comissão Central para a Arte Sacra na Itália. Transcrito em Revista Catolicismo Nº 58 - Outubro de 1955 - A Igreja protege a arte contra o neomaniqueísmo. Link: https://www.pliniocorreadeoliveira.info/1955_058_CAT_ATR_A_Igreja_protege_a_Arte.htm
[6] "Se alguém tivesse uma súbita perturbação nos olhos, nos nervos ou na mente...", Revista Catolicismo Nº 131 - Novembro de 1961.
[7] "Varonilidade pagã e falsa paciência cristã", Revista Catolicismo Nº 73 - Janeiro de 1957