Papas e Teólogos contra a arte sacra eclesiástica com aspecto profano e a multidão de imagens e estampas desordenadas no templo

Papas e Teólogos contra a arte imoral. Comentário sobre a Capela Sistina

Papas e Teólogos contra a arte deformada, insólita, simplória, como cubista, abstrata, moderna, etc.

Além das condenações anteriores sobre arte imoral, e a arte deformada, insólita, simplória, estilo cubista, abstracionista, moderno, etc, as quais se aplicam igualmente à arte sacra chamada eclesiástica, temos outras duas condenações.

-> Contra a arte sacra eclesiástica com algo de profano

Concílio Tridentino

"Ainda, na invocação dos santos, na veneração das relíquias, no sagrado uso das imagens (...). Por fim seja tão grande a diligência e cuidado dos Bispos a este respeito, que não apareça nada desordenado, inconveniente ou confusamente acomodado, nada de profano, nada de desonesto, como o exige a santidade da casa de Deus" [1].

Urbano VIII 

"(...) as coisas que se apresentam aos olhos dos fiéis não sejam desordenadas nem insólitas, mas excitem devoção e piedade" [2].

Pio X

"No templo não deve portanto encontrar-se coisa nenhuma que perturbe ou diminua sequer a piedade e a devoção dos fiéis, coisa nenhuma que dê motivo razoável de estranheza ou escândalo, coisa nenhuma sobretudo que (...) seja indigna da casa de oração e da majestade de Deus" [3].

Código de Direito Canônico de 1917

"Procurem os Ordinários, ouvindo também, se for necessário, o conselho de peritos, que na edificação e reparação das igrejas se guardem as formas consagradas pela tradição cristã e as leis da arte sacra" (Cân. 1164 § 1)

Instrução do Santo Ofício aos ordinários do lugar "sobre a arte sacra" 

"A arquitetura sagrada, mesmo que tome formas novas, não pode de maneira nenhuma, assemelhar-se aos edifícios profanos, mas deve desempenhar sempre o seu papel, realizar uma casa de Deus e uma casa de oração (...)" [4].

Cardeal Celso Constantini

"Existe a arte sacra histórica ou narrativa, como a Missa de Bolsena, de Rafael; existe a arte da devoção privada, como os medalhões de núpcias de Boticelli; há a arte religiosa romântica, como o Angelus de Millet ou o Refugium peccatorum de Nono. Essa arte se desenvolve fora das igrejas e basta que não contenha algum falso dogma e tenha o cunho da honestidade e da dignidade que Leonardo chamava decoro e Michelangelo, conveniência.

Ao lado desta arte sacra que chamaremos exterior, existe a arte propriamente litúrgica ou eclesiástica, isto é, a que, como a música, a literatura, o drama, vive nas igrejas e para as igrejas, preparando o lugar para o próprio culto (arquitetura), pintando e esculpindo as imagens sagradas para serem objeto de veneração ou explicação do catecismo (biblia pauperum). A esta arte se acrescenta a variedade dos objetos eclesiásticos que fez a glória do artesanato cristão (cruzes, cálices, ostensórios, candelabros, turíbulos, etc.)" [5].

"Há infelizmente engenheiros e arquitetos que ignoram ostensivamente a Instrução do Santo Ofício, inserindo e desenvolvendo nos esquemas arquitetônicos das igrejas as mais arbitrárias extravagâncias de construção, de maneira que ditas igrejas podem parecer pavilhões de feiras de amostras, abrigos de praia de banho ou qualquer outro edifício, exceto igreja" [6].

-> Contra a multidão de imagens e estampas desordenadas no templo

Concílio Tridentino

"Ainda, na invocação dos santos, na veneração das relíquias, no sagrado uso das imagens (...). Por fim seja tão grande a diligência e cuidado dos Bispos a este respeito, que não apareça nada desordenado, inconveniente ou confusamente acomodado (...)" [7]

Instrução do Santo Ofício aos ordinários do lugar "sobre a arte sacra" 

"5. Segundo a norma dos cân. 485 e 1178, procurem os Ordinários que seja removido dos edifícios sagrados tudo o que se oponha de algum modo à santidade do lugar e à reverência devida à casa de Deus; e proíbam severamente que se exponha à veneração dos fiéis, sem ordem nem gosto, ou nos próprios altares ou nas paredes contíguas às capelas, uma profusão de estátuas, e imagens de pouco valor, estereotipadas na maior parte das vezes" [8].

Cardeal Celso Constantini

"Destruam-se essas estátuas de massa negligentemente modeladas e economicamente reproduzidas às dezenas e centenas de exemplares.

Em muitas igrejas, ao pé dos retábulos dos altares, colocam-se quadrinhos e muitas vezes cromos. . Por que? Estará isso conforme com a limpidez e a dignidade do culto? (...).

O Santo Padre Pio XII assim se exprime na encíclica sobre a Liturgia: «Julgamos ser nosso dever repreender a piedade mal formada daqueles que — nas igrejas e até sobre os altares — sem justo motivo, propõem à veneração imagens e estampas múltiplas"" [9]

-----------------------------------------
[1] Sess. XXV, De invocatione, vener. et Reliquiis Sanct. et sacris Imaginibus
[2] Sacrosancta Tridentina, § 1, 15 mensis martii 1642, Bullarium Romanum, Taurinen, editio, XV, 171
[3] Motu proprio "Tra le sollecitudini, 22 nov. 1903
[4] 30 de Junho de 1952, publicada em Revista Catolicismo, no.22, Outubro de 1952. Link: http://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0021/P06-07.html
[5] "A competência da Santa Sé em matéria de arte sacra", Revista Catolicismo no.22, Outubro de 1952. Link: http://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0022/P04-05.html 
[6] Revista "Fede e Arte", maio de 1955, Editado pela Pontifícia Comissão Central para a Arte Sacra na Itália. Transcrito em Revista Catolicismo Nº 58 - Outubro de 1955 - A Igreja protege a arte contra o neomaniqueísmo. Link: https://www.pliniocorreadeoliveira.info/1955_058_CAT_ATR_A_Igreja_protege_a_Arte.htm
[7] Sess. XXV, De invocatione, vener. et Reliquiis Sanct. et sacris Imaginibus
[8] 30 de Junho de 1952, publicada em Revista Catolicismo, no.22, Outubro de 1952. Link: http://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0021/P06-07.html
[9] "A competência da Santa Sé em matéria de arte sacra", Revista Catolicismo no.22, Outubro de 1952. Link: http://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0022/P04-05.html