Refutando argumentos da legalização das drogas (recreativa ou "medicinal") com simples lógica e declarações Papais

Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados" (volume II, 2a edição).

Antes das refutações, mostraremos as declarações dos Papas recentes, já que o tema é recente, embora o cerne moral não o seja, pois drogadição e alcoolismo possuem o mesmo problema moral. Estes Papas falam em conformidade com a Doutrina perfeita da Santa Igreja Católica, o que já deveria ser suficiente argumento a um católico. 

-> Doutrina Católica contra a legalização das drogas, seja recreativa ou "medicinal"

Bento XVI

"Eu digo aos que fazem comércio de droga para refletirem sobre os danos que infligem à multidão de jovens e de adultos de todos os níveis da sociedade, Deus irá chamá-los para explicarem o que fizeram" [1].

Francisco

"O flagelo da droga continua a alastrar-se de formas e em dimensões impressionantes, alimentado por um mercado ignóbil, que ultrapassa confins nacionais e continentais. Deste modo continua a crescer o perigo para os jovens e os adolescentes. Face a este fenômeno, sinto a necessidade de manifestar a minha dor e preocupação.

Gostaria de dizer muito claramente: a droga não se vence com a droga! A droga é um mal, e com o mal não nos podemos dar por vencidos nem ceder a compromissos. Pensar que se pode limitar o dano, permitindo o uso de psicofármacos àquelas pessoas que continuam a usar droga, não resolve minimamente o problema. As legalizações das chamadas «drogas leves», até parciais, além de serem discutíveis a nível legislativo, não produzem os efeitos estabelecidos. Depois, as drogas substitutivas não são uma terapia suficiente, mas um modo velado de se render ao fenômeno. Pretendo reafirmar quanto já foi dito noutra ocasião: não a qualquer tipo de droga. Simplesmente. Não a qualquer tipo de droga (cf. Audiência geral, 7 de Maio de 2014). Mas para dizer este não, é preciso dizer sim à vida, sim ao amor, sim aos outros, sim à educação, sim ao esporte, sim ao trabalho, sim a mais oportunidades de trabalho. Um jovem que não tem trabalho, pensemos nisto. Penso que o número é de 75 milhões na Europa. Penso, não tenho a certeza, não quero dizer uma coisa que não é. Mas pensemos num jovem: nem, nem. Nem estuda nem trabalha. Entra nesta falta de horizonte, de esperança, e a primeira oferta são as dependências, entre as quais a droga (...).

A Igreja, fiel ao mandato de Jesus de ir onde quer que haja um ser humano sofredor, sedento, faminto, na prisão (Mt 25:31-46), não abandonou quantos caíram na espiral da droga, mas com o seu amor criativo foi ao encontro deles. Pegou-lhes pela mão, através da obra de tantos agentes e voluntários, para que pudessem redescobrir a própria dignidade, ajudando-os a recuperar (...). Mas este trabalho de recuperação é muito limitado, não é suficiente. É preciso trabalhar na prevenção. Isto fará muito bem" [2].

-> Refutando argumentos pela legalização das drogas

Droga aqui significa o uso de substância que altera a percepção da realidade, tal como ocorre com o embriagado. 

- Legalizar diminuirá o uso de drogas

Argumento desprovido da menor lógica, que equivale a dizer que legalizar o assassinato diminuirá o mesmo, ou legalizar o roubo diminuirá os assaltos, etc.

Ora, em qualquer sociedade há os que consomem, os que não consumirão legalizado ou não, os que provariam se fosse fácil, e os que não consomem pela repressão existente. 

Quando uma droga é legalizada, os que não consumirão de qualquer forma continuarão a não consumir, mas os que provariam se fosse fácil, e os que não conseguem consumir por causa da repressão passarão a consumir em algum grau. 

Assim, temos a seguinte conclusão: a legalização aumentará o consumo, e pode transformar simpáticos a droga em viciados. Além disso, é o aumento da repressão que, de fato, diminui o consumo.

O Uruguai é uma prova disso, pois lá aumentou o narcotráfico e o crime, como mostraremos ao final.

- Legalizar é dar liberdade ao indivíduo de fazer o que quer consigo mesmo

O indivíduo não tem total liberdade sobre si, pois sua total liberdade afeta o todo, o qual ele não possui. Por exemplo, problemas como um suicida, ou alguém que quer se tornar um mendigo não são mais unicamente do indivíduo, mas da sociedade, porque esta perde tudo que esta pessoa pode agregar, porque juridicamente o Estado não pode permitir a auto-destruição do próprio povo sob pena de não ser mais um Estado que preza pela vida dos seus cidadãos.

Ademais, o desejo de auto-destruição influencia a psicologia de parte da sociedade que não possui tal desejo, o que pode acarretar outros problemas. Afinal, o desejo de auto-destruição é um problema de saúde mental, e se feito em larga escala se torna um problema de saúde pública. Como o Estado deve velar pela saúde pública, o Estado não deve legalizar droga alguma. 

 
Além disso, a auto-destruição de uma sociedade traz problemas econômicos, como se vê nos danos psicológicos e sanitários que a auto-destruição traz. Por exemplo, as cracolândias brasileiras. Como o Estado deve velar pelo bom funcionamento da economia de um país, ele deve evitar que a sociedade se autodestrua.

- Legalizar enriquece o país

Se fosse assim, as cracolândias brasileiras seriam um exemplo de produtividade econômica, mas a realidade contrasta fortemente, avisando sobre a visão futura do inferno ao qual se expõe a sociedade que legaliza drogas.

- Legalizar acaba com o tráfico ilegal

Se fosse verdade, nada se venderia de falsificado no mundo, porque o falsificado é ilegal.

O Uruguai é uma prova disso, pois lá aumentou o narcotráfico e o crime, como mostraremos ao final.


- Legalizar tira o monopólio do tráfico dos bandidos (onde estes monopolizam)

Ao contrário, pois os bandidos traficantes já possuem todo um esquema empresarial, desde a distribuição até a venda ao consumidor final. Portanto, a legalização torna o crime organizado um empresariado possante.

Além disso, a bandidagem provavelmente continuará seus outros crimes com mais eficácia, pois terão menos uma ilegalidade para se preocupar.

- Legalizar diminui o crime de modo geral

Se fosse assim, as cracolândias brasileiras seriam mais civilizadas e não causa de diversos furtos praticados por viciados.

Com a legalização, o consumo de drogas aumenta, portanto, o crime só pode aumentar, e se diminuiu após a legalização, foi certamente por causa de outro fator social. Esta afirmação parte da simples lógica que avalia por um lado o consumidor, e por outro, o vendedor.

Primeiro, o aumento no consumo de drogas aumenta a incapacidade de raciocínio do ser humano, fazendo-o escravo das paixões de acordo com cada droga, com efeitos a curto e a longo prazo, aumentando o vício que perpetua estes efeitos. Todos estes efeitos psicológicos e físicos são nocivos ao indivíduo, o qual tende a perder o senso moral e cometer crimes.

Segundo, o aumento no consumo de uma droga incentiva os vendedores a querer vender outras drogas para se enriquecerem, já que vendem uma droga sem escrúpulo. A venda de outras drogas aumenta os efeitos nocivos no consumidor, como antes dito. Ademais, na sociedade em que só uma droga é legalizada, o crime organizado, que vende as outras, tende a querer monopolizar a venda para aumentar seus lucros, e também se perpetua no crime, já que uma venda será legal, minorando uma preocupação.


O Uruguai é uma prova disso, pois lá aumentou o narcotráfico e o crime, como mostraremos ao final.

- Se se deve proibir a droga, também se deve proibir o álcool

O álcool, assim como diversos remédios, tem um nível seguro, ao contrário de drogas que afetam o raciocínio e percepção da realidade no primeiro efeito, razão pela qual certas pessoas buscam a droga e a embriaguez: fuga da realidade.

- Legalizar para uso medicinal é útil e pode salvar ou melhorar vidas

Somente se não houvesse o efeito da droga, e se houvesse condições que garantam o controle do uso social da droga fora do ambiente estritamente médico. 

Esta alegação costuma ser falsa, pois passa a impressão de que tal droga é boa, que deve ser cultivada, e aos poucos se abre espaço para qualquer razão que possa justificar o "uso medicinal" para plantio caseiro. 

Por exemplo, dizem que ministrar cannabis a um paciente com epilepsia ou parkinson resolve, pois segundo alguns vídeos estes parecem curados após o uso, quando só estão anestesiados pela droga e perderam sua capacidade de raciocínio. Ou seja, trocou-se seis por meia dúzia.

-> Notícia que desmonta muitos argumentos dos apoiadores da legalização das drogas

"Montevidéu, 7 Mar 2017 (AFP) - O Diretor Nacional de Polícia do Uruguai, Mario Layera, disse nesta terça-feira que a legalização da maconha, aprovada em 2013, não implicou diretamente na queda do tráfico desta droga e que o narcotráfico aumentou o número de assassinatos.

“No ano passado tivemos os níveis históricos mais altos de confisco no país proveniente de outra região. Por isso, entendemos que o tráfico para o Uruguai não se ressentiu de maneira notável”, comentou Layera em entrevista à rádio El Espectador, sobre a vigência da lei.

Em dezembro, a Brigada de Narcóticos indicou que a droga mais confiscada em 2016 foi a maconha, chegando a 4,305 toneladas até 18 de dezembro, sendo que em 2015 havia sido de 2,52 toneladas.

Layera também sustentou que pelo tráfico de drogas constatado nos últimos tempos, houve um aumento “dos níveis de crimes e homicídios”.

“O aumento da taxa criminal, que medimos de 2005 em diante, foi crescendo com base nos fenômenos de oferta e consumo de drogas”, indicou.

Nos últimos anos a polícia verificou o aumento de assassinatos, principalmente de homens jovens, que em muitos casos se tratavam de ajustes de contas entre pessoas ligadas ao tráfico.

Layera também falou que há autoridades ameaçadas por conta das novas estratégias e medidas aplicadas para combater o crime organizado.

“Várias autoridades do Ministério do Interior foram ameaçadas além de juízes, procuradores e algumas personalidades dos Direitos Humanos” [3].

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[1] 12 de Maio de 2007, no Brasil, Guaratinguetá (SP). Link: http://www.a12.com/redacaoa12/santo-padre/visita-de-bento-xvi-ao-brasil-completa-10-anos
[2] Aos participantes da 31ª Edição da «International Drug Enforcement Conference», 20 de junho de 2014. Link: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2014/june/documents/papa-francesco_20140620_drug-conference.html
[3] Link: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2017/03/07/legalizacao-da-maconha-nao-diminuiu-trafico-no-uruguai.htm?cmpid=copiaecola