Hipótese Teológica sobre a mudança na indumentária com o Papa Santo

Para entender tais raciocínios convém ler primeiro os artigos da seção que trata dos temas que aqui podem parecer obscuros:

CLIQUE: Profecias Católicas 

Hipótese Teológica sobre a mudança na indumentária com o Papa Santo

Estas hipóteses são firmadas no que chamamos "princípio de beleza". A hipótese é feita por aproximação de uma situação imaginada de extrema beleza, contendo o máximo de aspectos belos e semelhantes aos aspectos que dispõem a Sagrada Escritura. Essa hipótese é o mais próximo possível que a mente do teólogo pode chegar (com a graça de Deus dada no momento), e portanto ela em si é limitada e não necessariamente verdadeira. De teses desta mesma hipótese é possível fazer raciocínios. Estes raciocínios são baseados muitas vezes em questões de doutrina e por isso só uma pessoa imbuída da doutrina tradicional católica poderá ser bem-sucedida nestes casos.

Tais hipóteses teológicas foram, até onde o autor destas palavras pode rastrear, primeiramente postas em prática pelo prof.Plinio Corrêa de Oliveira nas inúmeras palestras que deu em vida, as quais temos excertos desse pensamento na obra "Inocência Primeva e a Contemplação Sacral do Universo", na parte em que Dr.Plinio fala do exercício de transcendência.


Teses:

-As eras da Igreja são as eras já tratadas antes
-Os começos e os fins das eras em maioria foram acompanhadas por uma mudança nas vestes dos Papas
- O decaimento no uso das vestes Papais no pós-concílio clama ou por resgate ou por mudança


-A vinda do Papa Santo é o marco do início da sexta era: isso precisa estar explícito nos símbolos também

No caso das vestes habituais, a conveniência de uma mudança é apoiada pelos motivos:
-O uso das vestes papais pelos Papas que renunciaram causa confusão, essa confusão igualitária seria belamente resolvida com a mudança das vestes papais.
-Transformaria a roupa antiga em um símbolo da Igreja antiga, que com o Papa Santo tomaria novo rumo.
-Se os papas que renunciaram passassem a usar a roupa nova, seria uma afronta ao Papa Santo e um claro indício de que eles queriam mesmo o igualitarismo.


No caso das vestes litúrgicas, a conveniência do uso tradicional é apoiada pelos motivos:
-Em relação a liturgia, o Papa Santo viria para resgatar.


-Os começos ou os fins das eras em maioria foram acompanhadas por uma mudança nas vestes dos Papas

Resta provar essa afirmativa. Mas primeiro é preciso perguntar por qual motivo isso acontece, isto é, se há alguma razão, pois caso contrário poderia se dizer que foi mera casualidade.

Os sinais exteriores refletem a dignidade da pessoa, assim como a sua personalidade. Como visto em artigos anteriores [1].


CLIQUE PARA ESTES ARTIGOS: Modéstia, Pureza e Elegância: masculina e feminina

Então se um Papa resolve se vestir com mais dignidade, ele estará ou querendo mostrar certa grandeza que tem em seu cargo ou estará cheio de vaidade, conforme vimos. A segunda opção não é possível de certo ponto de vista.

Por duas razões: o Papado é atemporal, e é a mais digna posição que um homem pode ter, por ser chefe da única e verdadeira religião e representante de Nosso Senhor Jesus Cristo. Então a indumentária Papal não precisa estar de acordo com os costumes do tempo e pode ser a mais luxuosa.

Porém, há a possibilidade do Papa refletir vaidade se caso ele passar a usar roupas luxuosas que nada tem de continuidade com os Papados anteriores. Aconteceria, por exemplo, se ele desprezasse as cores vermelhas e brancas, a cruz peitoral por um cruz grudada na roupa feita em diamantes ou pedras preciosas, etc. E pior ainda seria se usasse roupas semelhantes ou iguais a de outros, de modo que não só seria algo igualitário mas constrangeria o outro que a usa, pois ele não poderia se manter muito parecido com o Supremo Pontífice.


Essas coisas até hoje não existiram, mas os últimos Papas passaram a deixar de lado muitas coisas luxuosas que antes representavam a grandeza do Papado. Não queremos avaliar os motivos para isso aqui, mas só ressaltar que isso indica algo que pode ser confirmado pela análise desses pontificados: o Sumo Pontífice é como um bispo qualquer, seguidor da mentalidades moderna, e sem interesse em se mostrar como chefe supremo da Igreja, que seria então uma religião do homem. Não provaremos que os últimos pontificados tenderam a esta mentalidade, o que já fizemos em outro lugar [2].

Se o Papa, ao vestir vestes mais belas quer mostrar a grandeza de seu posto podemos dizer que isso ocorre por dois motivos:
1. Impulsionado pelo próprio Papa
2. Impulsionado pelo Papa por causa de algo da sociedade. Esta opção pode ser motivada por reação ou conformidade, considerando que alguém pode se conformar com o mal e reagir contra o bem.

O segundo motivo já denota mudança de era, pois ela é marcada por um mudança na sociedade em relação a Igreja. Já o primeiro pode ser simplesmente da cabeça do Papa, não influenciado pela sociedade. No entanto, conforme vimos que a indumentária reflete o homem, se for algo bom, denota bons tempos, e portanto ou um ápice (da glória da era), ou o começo, ou o fim de uma era. Do mesmo modo para o mal, que denota maus tempos, e portanto ou o começo ou o fim de uma era.


Épocas em que as indumentárias Papais se estabilizaram - Indumentária - Era

Obs: O ápice referido é no Papado


(1) Séc. IV - Pálio - Fim da Era 2

(2) Séc. VIII - Fano - Começo da Era 4

(3) Séc. VIII - Tiara ou Camelaucum - Começo da Era 4

(4) Séc. VII -  Manto vermelho
- Começo da Era 4

(5) Séc. XIII -  Batina branca - Ápice da glória da Era 4

(6) Séc. XIV, Bonifácio VIII e Bento XI e Clemente V -  Tríplice Tiara Papal
- Começo da Era 5

(7) Séc. XVI, São Pio V - Hábito Dominicano branco
- Ápice da glória da Era 5

(8) Séc.XXI, Papa Santo - Veste Papal profética do Reino de Maria - Começo da Era 6


-Objeções

Objeção 1: O Papado de Pio IX obteve mais glórias
, pois sob ele sucederam: santos como João Bosco, João Maria Vianney, Antônio Maria Claret, Bernadette Soubirous, Francisco Palau, a fundação dos Salesianos e dos Claretianos, Nossa Senhora de La Salette, Nossa Senhora de Lourdes, Concílio Vaticano I, proclamação de dogmas infalíveis.

No Pontificado de Pio V semelhantes coisas aconteceram: santos como João da Cruz, Teresa D'Avila, Luis Gonzaga, José de Anchieta, a reforma do Carmelo, o legado da companhia de Jesus, a Contra-Reforma, Nossa Senhora de Lepanto, Concílio de Trento, a forma final da missa latina.

Podemos dizer que o Pontificado de Pio IX teve eventos mais ligados ao espírito da profecia, tanto que seus santos eram mais inclinados a isso do que os santos sob Pio V, que eram mais combativos. Isso era conveniente ao tempo de cada um. Sendo anterior e mais combativo, o pontificado de Pio V alcançou mais conquistas, até no sentido material, coisa que não aconteceu com Pio IX, que acabou refém dos revolucionários, perdendo os estados pontifícios, embora no âmbito sobrenatural tenha sido um glorioso pontificado.

Aqui é mais relevante as conquistas materiais (ligadas ao sobrenatural, é claro), pois a Igreja pode perder tudo no âmbito material e estar gloriosa no sobrenatural, como foi na época dos mártires. Por esse motivo também é difícil encontrar um marco na indumentária Papal da época.

Objeção 2: Se o ápice da glória é simbolizada mais pelas conquistas materiais do que as sobrenaturais como dito antes, como dizer que o Papa Santo é quem trará uma mudança nas vestes, e não algum outro glorioso pontificado no Reino de Maria ?

Acontece que o Reino de Maria, segundo vimos nas profecias, vem após a bagarre ou Castigo Mundial, e será restaurada as graças e o estado de espírito da pessoas, mas se deve ter em conta que o mundo ainda estará em ruínas por causa do Castigo. Apesar disso, a conquista material será grande pois voltarão os Estados Pontifícios, e os remanescentes serão católicos autênticos, sobrando quase nenhum revolucionário, a conquista será enorme. Também ajunta a isso a conversão da Inglaterra e da China, conforme consta nas revelações particulares.


Objeção 3: A era 4 parece não ter começo definido, e assim também o fim da era 3, o que fica fácil de colocar mudanças nas vestes, porque há mais tempo.

Acontece assim para essa virada de era porque é a queda do império Romano, que depois chegou a ser governado pelo império Bizantino, então não há uma data exata para a queda do império Romano. Mas essa virada de era vem junto com a "mudança" do poder de Roma para o poder da Igreja. A Igreja, fundada em Roma, seria o novo Império Romano, agora também no âmbito sobrenatural. A realidade desse império da Igreja ficou mais evidente depois que Roma já era considerada um império do passado definitivamente e a Igreja resistia. Então a era já é a da Idade Média propriamente, a era 4, a qual a Igreja mostra-se, como nunca se mostrou até então, que ela é o verdadeiro Império.

(1) Séc. IV - Pálio - Fim da Era 2


Bento XVI entregando o Pálio e usando um
A enciclopédia Católica [3] diz que "de acordo com o "Liber Pontificalis", foi usado na primeira metade do século IV. Esse livro relata, que na vida do Papa São Marcos (+336), ele conferiu o direito de usar o pálio ao Bispo de Ostia, porque a consagração do Papa pertencia a ele." Na mesma fonte é mencionado o uso comum dessa vestimenta no século VI pelo Papa e alguns outros bispos que recebiam dele: cita-se o caso de São Cesário de Arles que recebeu o pálio do Papa Símaco em 513.

Outro fato que mostra o significado do pálio é a do papa São Félix IV, que quando ficou doente no ano de 530, quis assegurar a paz na Igreja de Roma nomeando um sucessor no leito de morte. Para isso, ele deu ao Arqui-diácono Bonifácio seu pálio, e isso ficou publicamente conhecido como um gesto de escolha de um sucessor [4]. Embora isso tenha causado problemas, pois não quiseram aceitar Bonifácio II, e escolheram outro Papa, que morreu 22 dias depois e o Papa ficou sendo Bonifácio mesmo.


(2) Séc. VIII - Fano - Começo da Era 4

Pio XII com pálio sobre o fano, e tríplice tiara
É citado no mais antigo Ordo Romanus, então sua existência pode ser provada para o século VIII.  Era chamado então anabolagium (angolagium), mas não era uma vestimenta exclusiva do Papa.

(3) Séc. VIII - Tiara ou Camelaucum - Começo da Era 4

"A mitra Papal é de origem romana, e vem de uma veste não litúrgica que distinguia o Papa: o camelaucum, do qual a tiara também vem. Esse camelaucum foi usado tão cedo quanto o começo do século VIII, como é evidenciado na biografia do Papa Constantino I (780-815) no Liber Pontificalis". "As moedas de Sérgio III (904-11) e de Bento VII (974-83), nas quais São Pedro é desenhado usando um camelaucum, dá ao chapéu a forma de cone, geometria original da mitra [5].

(4) Séc. VII -  Manto vermelho - Começo da Era 4

Já no século XI, São Pedro Damião descreveu a cappa rubea dada ao Papa na sua eleição como uma vestimenta única do Papa [6]. Porque ela significava a supremacia da esfera espiritual sobre a temporal, São Gregório VII (1073-1085) avisou que "somente o Papa pode usar a capa vermelha como sinal de sua autoridade imperial e martírio" [7].

Isso já indicava ser um costume da época, o que estendemos para o século VII, como evidencia a imagem abaixo no lado esquerdo com São Gregório Magno usando a capa vermelha, em um desenho do século XII, e um mosaico da Basílica de "Santa Agnese fuori le mura" em Roma feita pelo Papa Honório (625-38) que mostra ele usando o manto vermelho.

(5) Séc. XIII -  Batina branca - Ápice da glória da Era 4

Embora tenha São Pio V o primeiro a usar o hábito branco de dominicano como Papa, como mostraremos a seguir, a batina branca era mais antiga. A pintura de Raphael de Júlio II (1503-13) evidencia isso. O ordo XIII do Papa Gregório X em 1274 é o mais antigo a mencionar a batina branca como uma veste Papal, e que de certa forma nos diz que foi nessa época consolidado a batina branca e o manto vermelho, apesar deste último já ser de uso mais antigo do Papa. Um argumento para isso é que a partir desse ordo essas duas vestimentas foram sempre lembradas como tipicamente do Pontífice.

Em 1284 William Duranti, bispo de Mende, já dava interpretações simbólicas destas duas roupas, o que leva a crer que a consolidação delas trouxe a questão a tona. 


(6) Séc. XIV, Bonifácio VIII e Bento XI e Clemente V -  Tríplice Tiara Papal - Começo da Era 5

Bento XI com a tríplice tiara e o pálio
É notório que o primeiro a usar a tríplice tiara foi Bonifácio VIII em resposta aos que tentavam tirar o poder temporal da Igreja. A tiara ou camelaucum, como foi visto, é mais antiga.

Os papas
Bonifácio VIII, Bento XI e Clemente V  por estarem no meio da confusão que foi a virada de uma era, e o exílio em Avignon resolveram deixar mais significativo o poder Papal e incrementaram a tiara Papal o que deu no tempo deles a tríplice tiara hoje conhecida [8].

Bento XVI com o hábito dominicano
(7) Séc. XVI, São Pio V - Hábito Dominicano branco - Ápice da glória da Era 5
 
São Pio V foi o primeiro a usar propriamente o hábito de dominicano, embora, como argumentamos acima, não foi o primeiro a usar batina branca ou vestes brancas por baixo.


(8) Séc.XXI, Papa Santo - Veste Papal profética do Reino de Maria - Começo da Era 6

No próximo artigo discutiremos a hipótese da roupa do Papa Santo.

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Fontes: 
[1] Artigos da beleza e dignidade nas vestes, dispostos na seção do site
[2] Artigos a serem publicados
[3] Catholic Encyclopedia, Palium, by Joseph Braun, 1909  
[4] “Neues Archiv”, XI, 1886, 367; Duchesne, “Liber Pontificalis”, I, 282, note 4 
[5] Church Vestments: Their Origin and Development, pg.108, Herbert Norris, 1950 
[6] Peter Damian, Epist., book 1, 20 (1073) in Carol M Richardson, The Cardinal’s Red Hat, The Open University, UK, p. 6
[7] “Descriptio sanctuarii Lateranensis ecclesiae”, in ibid., p. 7.[7] “Descriptio sanctuarii Lateranensis ecclesiae”, in ibid., p. 7.
[8] A History of the Crown Jewels of Europe, (London: B. T. Batsford, 1960) pp. 377-378