Hipótese Teológica sobre qual será a indumentária do Papa Santo

Do livro "O Príncipe dos Cruzados (Vol. I, parte I, 3a edição, Cap. III)".

Continuação do seguinte artigo:
http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2014/07/hipotese-teologica-sobre-mudanca-na.html


Para entender tais raciocínios convém ler primeiro alguns artigos da seção:


CLIQUE: Profecias Católicas

Hipótese Teológica sobre qual será a indumentária do Papa Santo

Primeiro, recapitulemos o artigo anterior: foi apresentado um método de hipotetizar, depois mostrado como, de uma hipótese, se pode fazer raciocínios, etc
Hipótese: as Eras da Igreja são as Eras já tratadas antes nesse capítulo.

Tese histórica provada: os começos e os fins das Eras, em maioria, foram acompanhadas por uma mudança nas vestes Papais.

Além dos argumentos históricos, mostrados antes, nos referimos às noções do volume 2 e ao que já foi visto nesse volume, para sustentar as seguintes teses: - O decaimento no uso das vestes Papais no pós-concílio clama por resgate ou por mudança.
- A vinda do Papa Santo é o marco do início da sexta Era, o que precisa estar explícito nos símbolos também.

No caso das vestes habitualmente usadas pelo Papa, a conveniência de uma mudança é apoiada pelos motivos:
- O uso das vestes papais pelos Papas que renunciaram causa confusão, mas essa confusão igualitária será belamente resolvida com a mudança das vestes papais.
- Transformará a roupa antiga em um símbolo da Igreja antiga, que com o Papa Santo tomaria novo rumo.
- Se os papas que renunciaram passassem a usar a roupa nova, seria uma afronta ao Papa Santo e um claro indício de que eles queriam mesmo o igualitarismo.

No caso das vestes litúrgicas, a conveniência do uso tradicional é apoiada pelo seguinte motivo:
- Em relação a liturgia, o Papa Santo virá para resgatar.


1. A nova roupa não pode ser simplesmente diferente, pois será o símbolo do que o novo Papa, representante da nova direção da Igreja, representa. Se representa uma Idade profética, assim será o simbolismo da roupa.

1.1. Um roupa com simbolismo profético é a da Ordem Carmelita. Nesse sentido duas cosas destacam-se no hábito carmelita: o Escapulário e a Capa.

- O Escapulário, além de trazer benefícios espirituais, é um sinal de predileção de Nossa Senhora pela Ordem, a qual irá durar até o fim dos tempos, como vimos no capítulo 2. Por isso, pensamos, a Virgem Santíssima designou uma parte do hábito da Ordem, porque quis deixar uma marca na Ordem, uma marca dEla. E
mbora seja uma devoção extremamente recomendada e entregue pela Santíssima Virgem, o Rosário mas não é uma marca específica de uma Ordem. Além disso, os decretos da Santa Igreja definem que os bens espirituais, atrelados ao Escapulário, só serão alcançados mediante certas devoções, como a prática da castidade e a recitação diária do pequeno ofício da Virgem ou do Rosário. Podemos fazer um paralelo com o batismo, sacramento no qual se pode corresponder à graça, mas que não deixa de imprimir caráter definitivo na pessoa, pois o Escapulário é o caráter definitivo impresso por Nossa Senhora na Ordem Carmelita, e seus benefícios espirituais dependem de quem o porta. Esse sinal simbólico-profético da Mãe de Deus a Igreja sabiamente estendeu aos fiéis fora da Ordem, tanto pelos benefícios espirituais singulares, como porque a missão profética se estende aos membros da Igreja num todo, bastando que sejam piedosos e, no caso, estejam consagrados à Virgem do Carmelo, o que é a essência da parte profética da Ordem Carmelitana, como veremos adiante. Novamente fazendo a analogia simbólica com um sacramento, o Escapulário é a matéria, as devoções, a forma. Mas, para completar o símbolo do sacramento, é preciso que ele seja administrado e recebido. "Administrar" qualquer Padre não cismático tem jurisdição para impor com a fórmula prescrita pela Igreja, "receber" se dá quando, já feita a imposição, se cumpre com o uso e devoção, como dito.

Beato Palau com a capa do carmelo e escapulário
- Elias tinha a Capa, a qual pôs sobre Eliseu, para fazê-lo profeta (1 Reis XIX, 19). Essa capa é a Capa Carmelita, elo de indumentária entre o Papa Santo e Santo Elias. Alguns podem objetar dizendo que S. João Batista, apesar de ser de linha sacerdotal e poder vestir roupas dignas de sua condição, se vestia com pele de Camelo e cinto de couro e, por isso, essa precisa ser a roupa do Papa Santo, ou esta deveria ser uma roupa futura da Ordem Carmelita, algo do gênero. Mas o santo se vestia dessa maneira para mostrar a hipocrisia dos religiosos da época. O Camelo é um animal hostil, e o cinto era usado para atar os bois. Assim, sendo de linha sacerdotal e colocando essas roupas, o santo designava as características dos sacerdotes da época: hostis e opressores. Adendo da 3a edição: se o santo precursor quis criticar, através de seu traje, os erros sociais de seu tempo, segue muito naturalmente a hipótese do Papa Santo fazer o mesmo, isto é, combater. combater, através dos trajes Papais tradicionais,combater, a feiúra progressista e mostrar o esplendor da tradição e dignidade de seu cargo, erros desse tempo, principalmente no clero. S. João Batista também usava esta roupa porque Elias a usava (2 Reis I), e ficou sendo depois a roupa comum de todos os profetas (Zac 13). Nosso Senhor próprio admite que São João Batista era Elias (Mt XI), por causa da missão de antecessor da vinda do Messias, a qual está reservada à Elias no fim (Mal III e Eclo 48). Mesmo acreditando que o Papa Santo será carmelita, não cremos que usará cinto de couro e pele de Camelo, pois esses eram a roupa prefigurativa de São João Batista, pois foi usada primeiro por Elias. Outra razão é que o Sumo Sacerdote da época (equivalente do Papa) não se vestia daquela maneira, e nisso queremos dizer não só Caifás, como o próprio Cristo Senhor Nosso, conforme mostramos no volume II dessa série. Por esse raciocínio, podemos dizer que o Papa não poderá usar roupa que desvia da noção da dignidade de seu ofício e, assim, não usará a roupa de São João Batista, exceto a capa, que é um símbolo tão intimamente ligado ao Carmelo que até os membros terceiros precisam usá-la.

1.2. Outra roupa profética é a de Nossa Senhora de Fátima. Se essa é a mais profética das aparições, o simbolismo deverá ser profético também.


- A brancura da roupa indica a pureza que Maria Santíssima espera do mundo, tão necessária em uma época de luxúria. Seu véu é como o de algumas imagens antigas em que o véu forma também uma capa. Outras imagens de aparições proféticas da Mãe de Deus que usam capa são a da Virgem do Bom Sucesso e a do Carmo. Vale lembrar que a Mãe de Deus apareceu como a Senhora do Carmo aos videntes na sequência dos acontecimentos em Fátima. Isso leva a concluir que a Capa, como símbolo profético, deverá ser usada pelo Papa Santo. Incluímos também os detalhes dourados na ponta da capa, existentes na imagem, porque assim completaria não só a referência à Capa dessa Aparição, mas à dignidade Papal, como mencionado acima.

- A terceira parte do Segredo dado aos videntes fala de "um bispo vestido de branco. Tivemos a impressão que era o Santo Padre", que sustentamos, no capítulo V, ser o Papa Santo. Então, é óbvio que a roupa do Papa continuará a ser branca em geral. O "pressentimento" se encaixa mais na concepção dada nessa hipótese, porque a roupa do Santo Padre só causa um pressentimento, e não uma certeza, pois é ligeiramente diferente da roupa Papal da época dos pastorinhos.

Capa da TFP por cima do terno

1.3. A terceira veste com tal simbolismo é a capa e o hábito elaborados por Plinio Corrêa de Oliveira para uso dos membros da TFP. Possui simbolismo profético não só por conter elementos proféticos em si, mas por ser a indumentária de um Grupo de terceiros Carmelitas, porque o fundador e inspirador Dr. Plinio via essa relação com o filão Eliático algo importante na missão do Grupo, embora para ele, "a posse do escapulário ou o seu uso, e o simples ato de profissão na Ordem Terceira do Carmo, não constituem toda a essência de nossa vinculação a Nossa Senhora, e nada seriam se não fosse nossa consagração especial e interior à Virgem do Carmo. Este, sim, é o elemento básico de nossa condição de terceiros carmelitas" [1]. Outro motivo é a esperança na qual se insere esse Grupo: a vinda do Reino de Maria, do qual o Papa Santo é prefigura de um cidadão exemplar, principalmente como Pontífice. Também nesse Grupo as profecias foram bem conhecidas e divulgadas. Esses fatos não bastariam se não fosse esse Grupo adepto da Doutrina Tradicional da Igreja, alheios à pastoral progressista reinante desde mais ou menos o Concílio Vaticano II. O uso de tais vestes pelo Papa Santo seria a confirmação da missão do Grupo e adicionaria beleza na missão desse Pontificado.


- Esta capa se baseou numa escultura presente na parte exterior da Catedral de Notre Dame em Paris. Portanto, é uma veste que, se pode dizer simbolicamente, pertence à Nossa Senhora. E outro motivo concorre para uso dessa veste pelo Papa: é a substituição da murça, que é vermelha como a capa. A mudança então não seria muito chocante para a opinião pública e em relação às vestes antigas. A parte mais chocante seria o fato de ser a capa da TFP.

- Na capa figura o Leão rompante (Nosso Senhor Jesus Cristo é o Leão de Judá), ou seja, posto de pé, com as patas dianteiras levantadas, para indicar a atitude de estar pronto para defender a Igreja e a Civilização Cristã em qualquer circunstância. Esse leão é marcado por uma pequena cruz, que é uma letra grega chamada 'thau'. Essa cruz, ou 'thau', lembra um episódio narrado nas Sagradas Escrituras, em que um Anjo marcou com um 'thau' a testa de todos aqueles que não se conformavam com a corrupção de costumes que havia na época. Esses inconformes depois foram salvos de um castigo de Deus mandou aos homens daquela época. Tal simbolismo agrega à beleza de uma missão profética.

- O hábito na verdade é o Escapulário, que já defendemos que será parte das vestes Papais, com a introdução da Cruz de Santiago no meio. Ora, essa cruz tem exatamente as cores principais usadas pelo Papa: o vermelho e o branco. Não há muitos outros motivos além desse e do fato de ela ser da TFP. O que podemos pensar é se seria mais conveniente ao "princípio de beleza" se a roupa não tivesse a cruz de Santiago. Essa cruz lembram coisas muito convenientes, como a Cruzada Católica e as palavras do Salvador: "não vim para trazer a paz, mas a espada", algo bem contrário às doutrinas progressistas que o Papa Santo combaterá. O uso dessa cruz no hábito também enriquece a indumentária Papal nos símbolos, o que pode levar gerações futuras a espelhar isso, usando coisas mais simbólicas, assim como leva as gerações atuais a pensarem no simbolismo daquele tipo de cruz. Tais razões tornam conveniente o uso dessa cruz.


Dr.Plinio de capa e hábito com escapulário
2. Disso tudo concluímos a hipótese: a roupa do Papa Santo será o hábito carmelita, com a capa branca com detalhes dourados na ponta, e escapulário marrom com a cruz de Santiago no meio, e a capa vermelha da TFP com o Leão Rompante marcado com o thau mantendo-a.

Vale lembrar que essas vestes não serão iguais aos paramentos de eremitas da TFP, por causa do hábito carmelita e do modo como é usada a capa, isto é, como é usada por cima da roupa, encostando na parte arredondada da capa carmelita.

Já as vestes litúrgicas Papais voltarão a ser as que eram antes, com todos os aparatos tradicionais, os quais muitos deles foram deixados de lados. Isso deixará claro a intenção de retorno litúrgico, enquanto a roupa comum, que representaria as rotinas da Santa Igreja, mudará porque a atitude mudou, não só no sentido de restabelecer a tradição, mas de estabelecer uma herança profética. A liturgia é mais um resgate.

Acreditamos também que essas vestes habituais do Papa serão substancialmente
as mesmas durante toda a sexta Era, a do Reino de Maria. Pelo fato dessa Era ser simbólica-profético e ser simbólico que a capa da Virgem de Fátima vele o Papa durante todo este tempo, já que o Reino é dEla, a mais importante nessa missão pelo advento desse Reino.

---------------------------------------
[1] O Escapulário, a Profissão e a Consagração Interior, 15 de novembro de 1958, publicado no"Mensageiro do Carmelo", Ano XLVII – Edição especial – 1959