Hipótese Teológica da divisão das Eras da Igreja. Apreciação das divisões de S. Agostinho, S. Boaventura e outros

Santo Agostinho, rogai por nós!
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Tirada do livro "O Príncipe dos Cruzados" (volume I, parte 1, 3a edição, Cap. III).


Hipótese Teológica da divisão das eras da Igreja. Apreciação das divisões de S. Agostinho, S. Boaventura e outros

Divisão segundo
a simbologia da Criação no Gênesis

A criação é ordenada em sete fases, logo, a história do mundo também, por possuir mesma perfeição ordenativa. 

O homem, na ordem da criação, é feito na sexta fase. Logo, a história do mundo, que necessita do homem, está inclusa na sexta fase, isto é, sete fases dentro da sexta.

Na ordem da criação é feito o homem imortal no sexto dia. Na ordem da história do mundo o homem imortal, em sentido pleno, Se incarna na sexta Era.

Ora, se na ordem da criação o homem é feito na sexta fase, na ordem da história do mundo, que possui a mesma perfeição ordenativa, o homem, em sentido pleno, haveria de aparecer na sexta fase dela. O que se deu com o nascimento do Salvador.

O homem, em sentido pleno, continua na terra: na Eucaristia e misticamente, pois a Santa Igreja é o corpo místico de Cristo.

A história do homem é centrada teologicamente na vinda do Reino do Messias à terra que culminou na fundação da Igreja, que luta para dar a maior glória a Deus aqui, preparando os homens ao Céu, verdadeira morada deles. Não podemos dizer que Deus faz as coisas arbitrariamente, pois Ele faz pelo princípio de beleza, isto é, faz as coisas com a maior beleza, verdade e bondade possível, ato próprio da essência de Deus. Baseado nisso, se Deus criou o mundo com Cristo no centro, colocando todos os pré-requisitos para a vinda Dele na ordem de sete, Ele também o faria para a história do homem, enquanto estava no paraíso, mas o homem caiu. Então o simbolismo se manteve para a história do homem até o cumprimento da missão do Messias. E também, obviamente, para a segunda vinda Dele. Portanto, existem sete Eras até a morte de Cristo, e depois mais sete, até Ele de novo.

Ao princípio de beleza outro motivo concorre: há mais beleza quando Deus quer apontar, pelos dias da criação, as Eras até a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, do que se não quisesse. E isso vale igualmente para a segunda vinda.

- Apreciação das divisões e conceitos apresentados por S. Agostinho, S. Boaventura e outros autores antigos


S. Agostinho

Santo Agostinho [1] trata as Eras do mundo como um corpo, indo da puerícia até a velhice. Também tira sua divisão do primeiro capítulo do Evangelho de S. Mateus, que trata da questão das gerações até o Messias e o sentido disso. São Boaventura [2] é a favor dessa divisão de S. Agostinho.


A nossa concepção é baseada na de Agostinho em relação ao corpo, e a exegese que trata a criação do mundo como analogia das Eras [3]. Mas não é Agostiniana quanto às gerações, porque a vinda do Messias estava prometida para a linhagem de Davi e por isso a ordem das gerações por São Mateus. A ordem que o Evangelista dá é uma ordem em torno da promessa Messiânica ao povo Judeu, por isso não se trata de Era, que deve versar sobre a relação entre a esfera temporal e a espiritual. A missão de Abraão muda os protagonistas da história da Salvação dali para frente, mas não ainda a história, a esfera temporal, de modo suficiente. A missão de Moisés muda os protagonistas (não excluindo a missão de Abraão) e muda a história presente, com o fim do exílio egípcio. A diferença no caso de Moisés é a mudança na estrutura externa da sociedade, que sempre vem acompanhada com a mudança interna, a qual não requer mudança externa para acontecer.

Também não concordamos totalmente nas colocações das Eras do mundo até a vinda de Cristo, segundo Santo Agostinho [4], pelos motivos seguintes: a história do homem no mundo tem que começar com o pecado original, e não com o começo da raça humana, porque a história do mundo seria bem diferente se não houvesse pecado, antes não seria a história da encarnação do Verbo para a Salvação, mas da Encarnação do Verbo somente (tese que não tentaremos justificar aqui), pois os homens sem pecado já estariam em condições para o céu. Portanto, a queda de Adão é o começo da primeira era antiga.

A segunda começa com Noé, nisso concordamos com S. Agostinho, mas não termina com Abraão, e sim com Moisés, quando começa o povo judeu a ter o domínio temporal, além do espiritual, chegando à terra prometida, assim como na terceira Era começa a conversão dos povos: Constantino, os Francos, etc. O Concílio de Nicéia e os padres da Igreja colocam os primeiros pilares da Doutrina tradicional e a interpretação correta da Escritura.

De fato, Abraão é pai de muitas nações e nele começa a promessa, mas a lei começa com Moisés. Do mesmo modo acontece depois da destruição de Jerusalém: começa não a promessa, mas o cumprimento dela. E também as pragas simbolizam os sete grandes castigos das Eras seguintes até a última Era cristã, como mostraremos a seguir. Já o
terceiro dia, quando apareceu a terra e produziu erva vivente, está mais de acordo com a época de Moisés e não a de Abraão, por causa da terra prometida que deu fruto, isto é, Cristo, simbolizado pelo terceiro dia, a glorificação da Trindade e da Ressurreição.

A quarta, acreditamos que começa no tempo dos Reis, tendo seu auge com Davi. Não cremos com S. Agostinho que ela termina no cativeiro, mas com a decadência no tempo de Salomão que trouxe revoltas já dentro do povo de Deus, pois o filho do rei já tinha o Reino de Israel dividido, sendo ele rei somente do Sul. Ali começa a quinta Era, ali a decadência vai aumentando até o exílio, então o povo sofre, as dez tribos se perdem, e o retorno do exílio é uma restauração, mas não ainda completa, visto a perda das outras tribos, e a ainda desejada vinda do Messias. S. Agostinho diz que as Eras são divididas em manhã e tarde, como na obra dos seis dias do Gênesis, onde elas são prefiguradas. Para a quarta, ele admite, como nós, a tarde ser a decadência dos reis [5].

A sexta seria a vinda do esperado Salvador, então é o esplendor das Eras antigas, embora a esfera temporal não O tenha recebido, apesar de boa parte do povo ter acreditado em Nosso Senhor, como boa parte já acreditava no batismo de S. João. Essa recepção se dará, na esfera temporal, no Reino de Maria, sexta idade cristã. Apesar das discordâncias, todas as interpretações simbólicas de S. Agostinho do Gênesis em relação às Eras, que estão conformes nossas interpretações, nós concordamos.

Dentro do sistema Agostiniano adicionamos à sétima Era outras sete Eras. O que totalizam treze, se contamos essa sétima como não uma Era propriamente, mas um conjunto delas. Essa interpretação é parecida com a de S. Boaventura [6], que diz que a sexta idade corre com a sétima. S. Agostinho indica pensamento análogo quando diz que a tarde da sexta Era é a sétima [7].

Outros autores antigos

O sistema de sete Eras do novo testamento não é novidade, sendo já uma interpretação de Anselmo de Havelberg (1100-1158), pupilo de S. Norberto (fundador dos Premonstratenses), do Beato Holzhauser (1613-1658) e de Plinio Corrêa de Oliveira (1908-1995), que não conhecia os outros quando expôs sua exegese do Apocalipse, tendo depois conhecido e admirado o trabalho do Beato Holzhauser. Também acreditamos que o livro "Pastor de Hermas", que contêm visões de S. Hermas de Filipópolis, tem a mesma idéia das seis idades, sendo a sexta a plenitude da Igreja.

Anselmo de Havelberg não foi o primeiro a fazer uma Teologia da História segundo a noção Agostiniana do tempo secular como espelho da providência, porque ele compartilhava "com outros pensadores do século XII, notavelmente seu próprio professor Rupert de Deutz (1075-1129), o cisterciano Otto de Freising (1114-1158), o visionário calabriense Joaquim de Fiore (1132-1202), e o grande Hugo de São Vítor (1096-1141), um vívido interesse em empregar a história da Igreja de acordo com estágios exegeticamente estruturados de desenvolvimento temporal" [8].

A divisão das sete idades depois de Cristo, com os quatro cavalos e os três selos, não é original de Anselmo [9], nem nos é interessante avalia-lá aqui, pois concordamos com a interpretação de que são idades da Igreja, mas não o que cada uma significa, visto que Anselmo se aprofunda pouco na questão, sem fazer relação com as Eras antigas ou dar motivos para sua divisão.

S. Boaventura

Já São Boaventura se dá um trabalho maior para justificar suas opiniões. De fato, ele segue S. Agostinho na análise da Era antiga e do dia da criação de número igual ao da Era nova e estabelece um paralelo. Ele diz, com razão, que nos tempos do Anti-Cristo será preciso uma graça como nunca antes vista a
os que sobrarem. O Santo separa o tempo dos profetas antigos em duas Idades, antes e depois do exílio. Mas a reconstrução do templo, depois do exílio, foi só uma restauração parcial, pois todas as tribos nunca voltaram para Israel, como mostramos em outros artigos. Na quinta Era antiga figura também o "exílio" romano, quando nasce o Salvador. Assim, essa idéia Bonaventuriana não se sutenta. 

"No sétimo tempo nós sabemos que estas três coisas tiveram lugar: a reconstrução do templo, a restauração da cidade e o dom da paz. Paralelamente, no sétimo tempo vindouro, terá lugar a reparação do culto Divino e a reconstrução da cidade. Então estará cumprida a profecia de Ezequiel, quando a cidade descerá do Céu, não aquela que é do alto (Ez. 40 ss), mas aquela que é de baixo, isto é, a Igreja militante, quando ela será conforme com a Igreja triunfante, tanto quanto é possível nesta vida. Então, isso será a edificação da cidade e a restauração [de todas as coisas], como no princípio. Então, será a paz. Mas quanto tempo durará esta paz, Deus sabe" [10]. Disso, discordamos da identificação do tempo antigo e do número da Idade Cristã, que deveria ser a sexta. Mas é uma idéia clara e lindíssima do Reino de Maria conforme defendemos. 
  
A sétima idade cristã global abrange desde o Calvário de Nosso Senhor até o fim do mundo, porque Ele, sua vinda e evangelização, simbolizam todas as Eras, dado que Ele é a perfeição da Igreja, é a plenitude dos Santos, etc. Mas a sexta Era acaba no calvário porque a sexta Era cristã precisa acabar com o anti-Cristo, porque o calvário é o tempo em que Cristo mais está marginalizado da esfera temporal, e logo depois dali reinará espiritualmente com a ressurreição (prefigura da geral).

A sexta Era cristã tem o significado de que, apesar da vinda da restauração (na sexta Era antiga era a vinda de Cristo), ainda haverá um Grande Castigo (novamente, com Cristo foram os sinais, terremotos, a destruição parcial do templo). À objeção de que a ressurreição geral deveria figurar nessa sexta Era, então a sexta Era deveria acabar na ressurreição Dele para compor a harmonia entre Eras, respondemos que Sua ressurreição simboliza a ressurreição geral, a qual virá só na oitava (Era sem fim), por isso é mais conveniente que ela figure só na sétima antiga Era, que na verdade engloba todas as Eras cristãs.


Outro razão para a divisão é Pentecostes, o começo da primeira Era Cristã porque foi o começo da Era apostólica. O evento representa o intervalo de tempo depois de completos 49 dias, isto é, 7 vezes 7 dias, ou 7 ao quadrado, indicando esta virada da Era antiga para a cristã neste intervalo, que foi o único tempo em que a sétima Era não continha uma Era Cristã em seu tempo. Portanto, concorda com simbologia numérica.

- Resumo de onde são encontradas a divisão das Eras

1. Onde a divisão das Eras são encontradas:
1.1. Gênesis conforme a simbologia da Criação
1.2. Livros Legais e Históricos segundo a simbologia da história e da ação dos profetas (no caso, identificamos em S. Elias e em Moisés)
1.3. Livros proféticos segundo a interpretação das profecias
1.4. Livros Sapienciais conforme a correta análise da ordem de toda a exposição sapiencial 1.5. Na paixão de Nosso Senhor, ápice do centro da história
1.6. Livros Legais e Históricos segundo a simbologia da história e das ações dos apóstolos e de Nosso Senhor
1.7. No Apocalipse segundo a interpretação das profecias
1.8. Livros Sapienciais ou Cartas conforme a correta análise da ordem de toda a exposição sapiencialPelo mesmo princípio de beleza, adicionamos outras exegeses que cremos não precisar de maior explicação além do que já mostramos em outros artigos nesse volume, ou que não iremos nos adentrar, por já termos deixado esse volume por demais extenso.

Divisão das Eras e uma das analogias delas com as Eras do Antigo Testamento

Observação:
Conforme mostramos em outros artigos, expomos nas diversas profecias, etc, são vindouros o Castigo Mundial e o Reino de Maria, o ápice da Civilização Cristã.

1. Pentecostes - Destruição de Jerusalém

Adão - Dilúvio

2. Destruição de Jerusalém - Concílio de Nicéia

Dilúvio - Moisés
  
3. Concílio de Nicéia - Idade Média

Moisés - Florescimento com os Reis
  
4. Idade média - Revolução ou decadência que culmina no Castigo Mundial

Florescimento com os Reis - Decadência com Salomão 

5. Revolução ou decadência que culmina no Castigo Mundial - Reino de Maria

Decadência com Salomão - Cristo

6. Reino de Maria - Anti-Cristo

Cristo - Cristo no calvário 

7. Anti-Cristo - Fim do mundo

Cristo no calvário - Fim do mundo

Eras definidas por tragédia ou graça enorme

É importante ressaltar duas coisas: tragédia ou graça enorme na sociedade, e a sétima Era antiga, como já dito, não é uma Era propriamente, mas um conjunto de Eras, o que leva o total de Eras particulares a 13.

1. Adão - Dilúvio 

2. Dilúvio - Moisés

3. Moisés - Florescimento com os Reis
  
4. Florescimento com os Reis - Decadência com Salomão

5. Decadência com Salomão - Cristo 

6. Cristo - Cristo no calvário

7. Cristo morto - Fim do mundo
  
(7) 7.1. Pentecostes - Destruição de Jerusalém

(8) 7.2. Destruição de Jerusalém - Concílio de Nicéia 

(9) 7.3. Concílio de Nicéia - Idade Média

(10) 7.4. Idade média - Revolução ou decadência que culmina no Castigo Mundial

(11) 7.5. Revolução ou decadência que culmina no Castigo Mundial - Restauração

(12) 7.6. Restauração - Anti-Cristo 

(13) 7.7. Anti-Cristo - Fim do mundo

8. Fim do mundo - Juízo Final

A vinda da restauração na Era cristã tem semelhança com a vinda de Cristo na outra sexta Era, pois sua vinda por si só não acabará com a iniquidade, como Cristo não acabou com a iniquidade, mas sofreu pelos pecados do mundo. Por isso acreditamos que quaisquer restauradores sofrerão igualmente.

É preciso, para a restauração completa, terminar definitivamente o Castigo que antes já vinha ocorrendo em escala menor (crise moral, espiritual, etc), o que ocorre com os dias de trevas que em seguida mostraremos como se dará pela análise das pragas do Egito, com Moisés. Apesar da restauração, o calvário da Igreja ainda existirá como prefigura do calvário de Cristo. Em sentido pleno, essa prefigura só estará completa no tempo do anti-Cristo, quando acaba o mundo.


Eras segundo a simbologia das 10 pragas de Moisés

Como dissemos acima em 1.2. as Eras são definidas nos "Livros Legais e Históricos segundo a simbologia da história e das ações dos profetas". Isso inclui as pragas do Egito (Capítulos 7 ao 15 do livro do Êxodo), à qual já damos uma interpretação para as última acima, mas o mesmo poderia ser feito para as outras pragas.

A penitência do mundo é simbolizada pela dureza do coração do Faraó (representante do mundo), que depois de algumas pragas tenta se desculpar com Moisés, mas acaba voltando atrás.


Praga - Era desde Moisés - Maior Castigo - Penitência do mundo ou não

1 - Águas em sangue - 3 - Moisés na travessia do mar vermelho - Não
2 - Rãs - 4 - Decadência de Salomão - Sim
3 - Piolhos - 5 - Exílio - Não
4 - Moscas - 6.1 - Rompimento do véu do templo - Sim
5 - Doenças nos animais - 6.2 - Destruição de Jerusalém - Não
6 - Sarna que rebentava em úlceras - 6.3 - Queda de Roma - Não
7 - Granizo - 6.4 - Invasões bárbaras e islâmicas na Idade média - Sim
8 - Gafanhotos - 6.5 - Decadência - Sim
9 - Trevas - 6.6 - Castigo dos dias de trevas - Não
10 - Morte dos primogênitos - 6.7 - Anti-Cristo - Não

A penitência, no caso, representa não só a penitência dos homens na história, mas também um recuo do mundo diante do Castigo Divino. Portanto, mesmo a penitência do mundo gera a necessidade de pagar o mal nesta vida. Isto porque, segundo S. Agostinho, as nações são terrenas e precisam ser punidas neste mundo: não há purgatório para elas.

É fácil dizer o porquê de após a última praga não haver penitência: o faraó acabou submergido pelas águas, assim como o anti-Cristo será derrotado no fim do mundo. Já na "decadência com Salomão" houve penitência se lembrarmos que acabaram suas iniquidades, mas Israel foi castigada até o Exílio, o que levou à destruição do primeiro Templo, por isso afirmamos que o mundo não se reconstituiu dessa "praga", isto é, pagou nessa vida. De fato, houve penitência, o que trouxe a reconstrução do templo e fim do exílio, mas não era igual antes, pois a decadência moral ainda existia, daí os profetas bíblicos falarem tanto dela, principalmente em relação aos sacerdotes (por exemplo, Malaquias, profeta do pós-exilio). Assim, o povo judeu acabou em mãos romanas
nos tempos do Salvador, sob um Rei estrangeiro e um sacerdote sem linhagem sacerdotal (como conta o historiador antigo Euclides de Cesaréia).

Com o "
rompimento do véu do templo" houve penitência? Sim, principalmente com os Apóstolos. Ademais, o templo ainda não havia sido destruído, e os judeus dispersos, por isso a religião judaica não tinha acabado por completo. Isso acontece depois, daí o "não" estar ligado a destruição de Jerusalém.

Roma também tem o seu "não" depois de destruída, pois nunca volta, mas segue em pé só o Império Romano espiritual: a Igreja. As
cruzadas e a evangelização freiam as invasões bárbaras e islâmicas, o que se deu na Europa medieval Cristã de Carlos Magno, São Domingos e outros. Por fim, podemos dizer que há penitência em 6.5, tempo da decadência, pois esta acabará, mas para quem sofre com o castigo posterior, dos dias de trevas, não haverá penitência, pois ali será o fim do castigo.

As Eras como corpo humano

A análise das Eras como corpo é original de Santo Agostinho. Aqui a estendemos às Eras da Era cristã. A sexta Era antiga acaba no calvário, já a sexta Cristã acaba no tempo do Anti-Cristo (ou nascimento dele, segundo alguns). Cremos ser mais plausível que ela acabe só com a destruição do espírito da Igreja que impregnará toda a sociedade até o Anti-Cristo, que tentará destruir a Igreja também, quando acabará o mundo. Isso tudo tem analogia simbólica com a Paixão de Nosso Senhor.

Era do corpo - característica dela - Era cristã - analogia com a Era antiga

1 - Infância - apagada pelo esquecimento - O símbolo do judaísmo é apagado, simbolizando que aquela época já passou, pois o Messias veio - As águas do dilúvio apagaram os vestígios daquele tempo.
2 - Puerícia - distinção das línguas, separação dos conceitos - A destruição de Jerusalém deixou mais evidente a distinção entre judeus e cristãos - A torre de Babel.
3 - Adolescência - o poder gerador começa a manifestar-se - O Concílio de Nicéia e Padres da Igreja começam a construir uma Civilização Cristã - Moisés leva o povo para a terra prometida, ou a civilização prometida.
4 - Juventude - florescimento - Glória da Idade Média - Glória dos reis de Israel.
5 - Senectude - forças diminuem - Decadência e Revoluções - Decadência dos reis culminando com a dispersão das dez tribos e o exílio. No entanto, como na Era cristã, há resistências e parte de Israel volta do exílio.

6 - Velhice - grande luz de sabedoria que se encerra com a morte - Grande sabedoria no Reino de Maria, ápice de toda Civilização anterior, pois é a que mais dá glória a Deus. Termina com o Anti-Cristo - A Sabedoria eterna Se encarna, ápice de toda história humana, pois é o Filho de Deus que vem para dar glória a Deus. Termina Seu ministério com Sua paixão e morte.

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[1] Gênesis contra Maniqueus, I, 23, 24
[2] São Boaventura, Brevilóquio, Prólogo, 2
[3] Idem 
[4] A divisão de S. Agostinho está no livro Instrução dos catecúmenos, cap.22
[5] Gênesis contra Maniqueus, I, 23, n.38
[6] Les Six Jours de la Création ou Les Illuminations de L'Eglise, Saint Bonaventure, 1273, Seizième Conferénce, 2. Link: https://web.archive.org/web/20100704032626/http://overkott.dyndns.org/bonaventura/bonaventure_les_six_jours_de_la_creation.html
[7] Idem, 23, no.41
[8] Anticimenon, Anselm of Havelberg, Cistercians publications, pg.24
[9] Anselm of Havelberg: Deeds into Words in the Twelfth Century. Jay T. Lees, pgs.177-191
[10] "Les Six Jours...", Seizième Conferénce, 30