Dr.Plinio se oferece como vítima expiatória pela Igreja e a TFP. A aceitação vem com o acidente que o deixou chagado a vida toda

Assim escreve o historiador Roberto de Mattei:

"Na noite de 1 de Fevereiro de 1975, durante uma reunião com sócios da entidade, Plínio Corrêa de Oliveira ofereceu-se heroicamente a Nossa Senhora para sofrer pela TFP em ordem ao serviço da Santa Igreja. Apenas 36 horas depois, sofreu um grave acidente automobilístico, nas proximidades de Jundiaí. As graves consequências deste acidente perduraram até ao fim da sua vida. Foram vinte anos de cruzes suportadas com ânimo resoluto e varonil." [1]


Este acidente e as consequências posteriores como a dificuldade de locomoção de Dr.Plinio, além das inúmeras cirurgias e o tempo passado no hospital, foram o modo como Deus aceitou o sacrifício deste varão católico. Não por acaso morreu ele no dia de Santa Teresinha [2], que se ofereceu como vítima do amor misericordioso de Deus no Carmelo em 1895, onde decidiu seguir vida como freira a rezar pelos pecadores e pelos padres. A Santa teve a confirmação da aceitação de seu sacrifício depois de ter cuspido sangue (sinal da tuberculose) na semana de 1896, e com isso ela se sentiu extremamente feliz, vindo a morrer da doença no ano seguinte. 

Citamos esse exemplo para mostrar que são as vezes estes sinais banais da vida que confirmam a missão profética de um santo. Para Dr.Plinio, no entanto, esse sacrifício era necessário para completar sua missão mas era o menor, porque como devoto de Nossa Senhora, o padecimento de alma e os ataques à sua obra lhe deixavam mais apreensivo.

"Se o fundador desta obra contra-revolucionária devesse desempenhar o seu papel de fundador em todos os aspectos possíveis, era preciso que ele também contribuísse com o sacrifício. O sacrifício maior não é o sacrifício físico. O que eu sofri por ocasião do desastre foi uma coisa insignificante em relação ao que eu sofri com o estrondo depois do desastre.

Por uma razão muito simples. Depois do desastre eu tive o que todo o mundo pode imaginar, imobilidade, dor, etc. Mas acontece que Nossa Senhora me deu um modo de ser muito tranqüilo e essas dores, essas imobilidades doeram pouco, o geral de minha saúde eu sentia bem, de maneira que eu suportava.

O que foi terrível verdadeiramente foi o sacrifício posterior. O sacrifício de alma vendo a TFP às voltas com uma campanha tão terrível contra ela, que um jornal chegou a escrever que era uma campanha capaz de derrubar um governo, e que, entretanto, a TFP venceu calmamente, navegando calmamente no meio dos mares, e atingindo o litoral do ponto diverso.

Eu tenho mais medo do fechamento da TFP, porque estávamos em regime militar, em que em última análise o presidente da república podia o que quisesse, e que, portanto, daí saísse o fechamento da TFP, eu tinha mais medo disso do que de qualquer outra coisa que me pudesse acontecer com o corpo. É natural, essa deve ser a disposição de espírito permanente nossa.

Se me perguntarem, mas também se perguntarem a qualquer um dos senhores, o que é que lhe fará sofrer mais, o fechamento da TFP ou a amputação de um braço, é responder sem discutir que é o fechamento da TFP que faz sofrer mais.

Essa perspectiva realmente me fez sofrer enormemente.

Entretanto, pelos dois modos eu derramei meu sangue. Mas o lado mais impressionante não foi o sangue de corpo que eu derramei e que verdadeiramente tem seu valor.

O sangue infinitamente precioso de Nosso Senhor Jesus Cristo foi o sangue que Ele quis derramar, apesar de sofrimentos de alma que Ele tinha padecido antes por ocasião da agonia no Horto de um modo terrível. Eu estou certo que os sofrimentos de alma dEle foram maiores do que todos os padecimentos físicos que ele teve, mas a Providência quis dEle uma coisa e outra" [3]
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CLIQUE: Plinio Corrêa de Oliveira e suas Profecias

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Fontes:
 
[1] De Mattei, Roberto, O Cruzado do Século XX, cap.VI, pg.320, Ed.Civilização 
[2] Em 1995, no dia 3 de Outubro segundo o antigo calendário
[3] Chá, Sede do Reino de Maria, São Paulo, 5 de Fevereiro de 1995