Nossa Senhora dos Prazeres, a primeira pessoa que Jesus Cristo ressuscitado apareceu. Provas pela Escritura, Santos e tradições litúrgicas

Tirado livro "O Príncipe dos Cruzados" de autoria deste site. Maria, a Mãe de Jesus, ou no seu título próprio, Nossa Senhora dos Prazeres, foi a primeira pessoa que Jesus Cristo ressuscitado apareceu.

Sagrada Escritura

Interpretaremos aqui cronologicamente os quatro evangelhos.

"Passado o sábado, ao amanhecer do primeiro dia da semana" (Mt 28), nos primeiros despontar dos raios de sol, "muito cedo" (Lc 24), de modo que era "ainda escuro" (Jo 20).

Tendo as mulheres, "que tinham ido da Galiléia com Jesus, indo atrás de José, observado "o sepulcro e de que modo o corpo de Jesus fora nele depositado", voltaram, "prepararam aromas e bálsamos" (Lc 23). Eram as que estavam na cruz junto de Jesus, "sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cleófas e Maria Madalena" (Jo 19), "e Salomé, as quais já o seguiam e serviam quando ele estava na Galiléia, e muitas outras, que, juntamente com ele, tinham subido a Jerusalém" (Mc 15).

Então, "Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para irem embalsamar Jesus" (Mc 16). Compraram e preparam, porque algumas podem ter comprado, outras preparado, ou ainda ter comprado e achado que não era o suficiente e preparado algo de si também, de modo a ter o melhor para Nosso Senhor.

Agora o Evangelista diz: "foi Maria Madalena e a outra Maria visitar o sepulcro" (Mt 28). Ora, por que não foram citadas as outras ? Porque já estavam inclusas no contexto, e por causa do seguinte sentido místico: a outra Maria, não identificada, poderia ser Maria, mãe de Tiago menor ou como alguns dizem Maria de Betânia, irmã de Marta, Maria, mãe de Jesus Cristo, ou até mesmo uma outra Maria que estava entre as mulheres. No entanto, não poderia ser Nossa Senhora, porque o tratamento da Escritura possui um tom de tratamento que mostra uma menor importância desta outra pessoa, e é assim pelos seguintes motivos: Nosso Senhor apareceu especificamente e privadamente para Maria Madalena, e a "outra Maria" representava as outras Marias ali, que, embora não tenham sido referidas no plural, estavam junto. Assim, Maria Madalena merecia ser mencionada primeiro e nominalmente. Também corrobora o fato da Escritura tratar de "a outra", visto que realmente não fazia diferença qual era, e elas, designadas por "outra", mereciam esse tratamento menos digno, pelo menos naquele momento, por não terem testemunhado as palavras do anjo no caminho, como veremos mais para frente. Não poderia ser Nossa Senhora pelo simples fato de sua dignidade não poder ser tratada como "a outra", e não ter sido mencionada primeiro, como foi no caso dos momentos finais de Nosso Senhor na Cruz narrado S.João. Aqui entra também a conveniência desta ordem: dado que Nossa Senhora não poderia ter sido nela "assaltado o temor e o pavor" de modo a não dizer "nada a ninguém pelo caminho" (Mc 16), fica conveniente ela não ser mencionada.

No mesmo raciocínio também é respondida aqui a pergunta "Por que Nossa Senhora não é mencionada nenhuma vez entre as testemunhas da ressurreição ?": Quando as mulhres anunciaram aos apóstolos a mensagem do anjo sobre a ressurreição, "estas palavras pareciam-lhes como que um delírio. Não lhes deram crédito" (Lc 24). Ora, Nossa Senhora, pelo seu título, ser ignorada em suas palavras é algo improvável, então é por isso que ela não é mencionada, talvez porque ela não disse nada mesmo, ou porque realmente, não podendo discordar de Nossa Senhora, os apóstolos limitaram-se a desacreditar só as outras mulheres.

Maria Santíssima mantinha a fé das mulheres, dizia que o Filho dela estava ressuscitado, mas não repreendia os aromas que elas traziam para embalsamar o Corpo Dele, por considerar aquilo um ato de piedade, apesar de saber que nenhum aroma era melhor do que o de Nosso Senhor ressuscitado. Apesar de garantidas por Nossa Senhora que encontrariam Nosso Senhor "diziam entre si: Quem nos há de revolver a pedra da boca do sepulcro ?" (Mc 16). E esta é mais um motivo pelo qual Nossa Senhora não é mencionada entre as mulheres: ela já sabia como se daria, e não podia estar entre as mulheres que se perguntavam.

"Eis que se deu um grande terremoto. Porque um anjo do Senhor desceu do céu, e, aproximando-se, revolveu a pedra e sentou-se sobre ela. O seu aspecto era como um relâmpago. A sua veste branca como a neve. Pelo temor dele, aterraram-se os guardas e ficaram como mortos" (Mt 28).

Este anjo mais provavelmente era o Arcanjo S.Miguel, por ter vindo em grande força, por ter removido o obstáculo para que a glória de Deus aparecesse, por ter aterrorizado os guardas, que eram militares, mas não da milícia celeste como S.Miguel. É este Arcanjo que abre o caminho para os outros verem a ressurreição, como também se fará no fim do mundo, no qual jogará ele novamente Satanás e o anti-Cristo no inferno, abrindo o caminho para a ressurreição geral.

A Escritura diz que, logo ao saírem as mulheres para o sepulcro, "eis que se deu um grande terremoto", porque foi logo em seguida à saída das mulheres, e não ao estarem elas de frente ao sepulcro, pois ao chegar lá "encontram revolvida a pedra do sepulcro" (Lc 24 e Mc 16), "a qual era muito grande" (Mc 16)Talvez o terremoto na saída delas tenha tranquilizado sobre como conseguiriam encontrar o Corpo do Senhor conforme Nossa Senhora dizia.

Ora, Maria Madalena "viu a pedra tirada do sepulcro. Correu, pois, foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram" (Jo 20). Não sabia, porque não tinha ouvido o anjo dentro do sepulcro, visto que nem ela nem as outras mulheres (exceto Nossa Senhora) reconheceram o anjo sentado na pedra. Maria Madelena, ao ver a pedra removida, sem entrar no sepulcro, foi precipitadamente contar aos discípulos que "levaram o Senhor", embora tenha feito isto por zelo, e Nossa Senhora, sabendo disso, deixou-a ir.

As mulheres, "entrando, não encontraram o corpo do Senhor Jesus. Aconteceu que, estando consternadas por isso, eis que apareceram junto delas dois homens com vestidos resplandecentes" (Lc 24), mas só "viram um jovem sentado do lado direito, vestido de uma túnica branca, e ficaram assustadas" (Mc 16), e "estando elas medrosas e com os olhos no chão" (Lc 24), talvez porque acharam que eles O tinham levado e a aparência deles era "como um relâmpago" (Mt 28), assustando quem os encontrasse. Aqui temos mais um motivo para a não citação de Nossa Senhora, pois ela, por ser quem é, não estava aflita por estas coisas. 

S.Marcos diz que elas viram o jovem sentado do lado direito porque elas não reconheceram como anjo, se assustaram, e não se inclinaram, portanto só viram o anjo do lado direito, isto é, aquele que estava aonde ficava os pés de Nosso Senhor no sepulcro, primeiro campo de visão aberto para quem entra no sepulcro. Já Maria Madalena, quando voltou, "inclinou-se e olhou para o sepulcro" (Jo 20), e por isso "viu dois anjos vestidos de branco, sentados no lugar onde fora posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés" (Jo 20).

Então "disseram-lhes:" (Lc 24), e os que disseram eram os dois anjos, embora S.Mateus diga que foi o que removeu a pedra, e S.Marcos, o que estava sentado do lado direito do sepulcro. Estes Evangelistas colocam assim, de modo que na harmonia deles, sabe-se quais eram os dois. No entanto, elas ouviram como se fosse de um só, porque ambos tinham a voz com caráter angélico idêntico (embora não se possa se dizer absolutamente igual), e disso tira-se mais espanto por parte delas. Também é S.Marcos que conta o anjo que elas viram, e o que elas viram, ou seja, prestaram atenção, representa o sensível, e assim S.Marcos coloca o medo delas em foco: "não disseram nada a ninguém pelo caminho, tal era o medo que tinham" (Mc 16). Já S.Mateus diz "foram correndo dar a nova aos discípulos" (Mt 28), porque ele se foca no que não foi visto, mas ouvido, isto é, o testemunho daquele anjo, crido com fé. Este é o sentido místico da ordem destes versículos, conforme acreditamos.

Então disseram-lhes: "Vós não temais" (Mt 28 e Mc 16), "buscais a Jesus Nazareno que foi crucificado" (Mt 28 e Mc 16). "Por que buscais entre os mortos o que está vivo ?" (Lc 24). "Ele não está aqui, ressuscitou" (Lc 24), "como tinha dito" (Mt 28): "Lembrai-vos do que ele vos disse, quando estava na Galiléia: Importa que o Filho do homem seja entregue nas mãos dos homens pecadores, seja crucificado, ressuscite ao terceiro dia" (Lc 24). "Vinde e vede o lugar, onde o Senhor esteve depositado" (Mt 28 e Mc 16). "Mas ide, dizei a seus discípulos" (Mt 28 e Mc 16) "e a Pedro" (Mc 16), "que ele ressuscitou" (Mt 28), "que ele vai adiante de vós para a Galiléia" (Mt 28 e Mc 16), "lá o vereis, como ele vos disse" (Mc 16). "Eis que eu vo-lo disse antes" (Mt 28). Nossa Senhora não era também uma mulher para estar inclusa dentre o grupo de mulheres que precisavam ouvir isto no sentido de consolo, porque ela já sabia, embora ela tenha ouvido, por estar junto delas. Este é mais um motivo para a não menção dela nisso tudo.

Acreditamos que Nossa Senhora não tenha preciso entrar no sepulcro para confirmar a ausência do Corpo do Senhor lá. Prova-se isto pela menção das mulheres aflitas e medrosas ao ouvir o anjo lá dentro: Nossa Senhora, por ser quem é, não poderia ser uma delas. Prova-se pela piedade angélica do anjo sentado na pedra: vendo aquela mulher que é a Rainha dos anjos, que está acima dele, este anjo não poderia deixar de fazer uma genuflexão perto dela, e para isto ela deveria estar por último entre as mulheres mais próximas do sepulcro, porque haveria confusão na direção na direção do ato (que ela estava por último prova-se por ser ela quem estava confirmando na fé, portanto quem estava empurrando as outras para dentro do sepulcro). Prova-se pela fé inabalável de Nossa Senhora: não era ela quem precisava ouvir aquelas palavras dos anjos no sepulcro, porque, por ser quem é, ela já sabia destas coisas e acreditava.

Cremos também, que foi ali, na entrada do sepulcro, que Nosso Senhor apareceu ressuscitado para Nossa Senhora, no momento em que aquele anjo, o Arcanjo S.Miguel, fez uma genuflexão para ela, e assim apareceram os patriarcas e profetas e todos os santos de outrora, os outro dois anjos que estavam ali (os quais provavelmente eram S.Gabriel na direita e S.Rafael na outra ponta. Eles viriam por bilocação), o querubim com a espada guardião da entrada do paraíso, outros possíveis anjos, e todos ajoelharam-se diante dela, e Nosso Senhor só ficou de pé, e a Virgem Santíssima ajoelhou-se diante Dele, adorou-O. Nosso Senhor a levantou e trocaram um olhar indiscritível, e nesse momento a Mãe de Deus já estava com "grande gáudio" (Mt 28), querendo anunciar isto às mulheres e aos apóstolos, e ficou em uma espécie de impasse, porque diante dela estava Deus, mais importante, e logo ali as mulheres que Nossa Senhora queria consolar. Sabendo disso, Nosso Senhor desapareceu, e Maria Santíssima entrou no sepulcro, bem na hora em que acaba o anúncio dos anjos.

"Saíram logo do sepulcro com medo e grande gáudio e foram correndo dar a nova aos discípulos" (Mt 28). O "grande gáudio" era o de Maria, que tinha mais motivos para afirmar a ressurreição do Senhor, e o "medo" era das mulheres, por isso a distinção do Evangelista. A "nova" aqui também tem vários sentidos, dependendo de qual mulher falamos.

Mas, por causa do medo, e por não terem visto o que Nossa Senhora viu, "fugiram; porque as tinha assaltado o temor e o pavor, e não disseram nada a ninguém pelo caminho, tal era o medo que tinham" (Mc 16). Ora, para quem não falaram nada ? Para S.Pedro que corria para o sepulcro, citado nominalmente, para S.João, que "corria mais do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro" (Jo 20), e para Maria Madalena, que vinha atrás. Por isso S.Marcos cita que não disseram nada a ninguém pelo caminho, quando deveriam ter dito.

Como as mulheres corriam, e corriam os dois apóstolos, o encontro entre ambos foi rápido ou pelo menos o avistamento de um para o outro. E provavelmente Nossa Senhora estava mais para trás, porque as mulheres "fugiram" (Mc 16), no sentido de que fugiram também de Nossa Senhora. É mais provável que as mulheres viram os apóstolos, e os apóstolos, ao virem elas correrem, acharam que era melhor ir direto ao sepulcro porque lá acontecia algo de perigoso ou urgente. Também eles, vendo Nossa Senhora, não pararam também, porque ela provavelmente estava indo atrás das mulheres, tentando acalmá-las, e eles devem ter entendido mais ainda a necessidade de ir direto para o sepulcro. 

No momento em que ambos se cruzaram, e esse entendimento se deu, e as mulheres não cumpriram o pedido do anjo, e Nossa Senhora não pode dizer aos apóstolos por estar ali tentando acalmar as mulheres. Portanto, há um sentido místico nisso tudo: Maria Santíssima esgota suas forças para alcançar a ressurreição (representado pela aparição de Cristo) para os homens (representado pelas mulheres), do mesmo modo em que se esgotará todo conhecimento que se tem sobre ela no fim dos tempos, e então virá a ressurreição. Assim, nesse momento, "eis que Jesus lhe saiu ao encontro, dizendo: Deus vos salve. Elas aproximaram-se, abraçaram os seus pés e prostaram-se diante dele. Então disse-lhes Jesus: Não temais; ide, avisai meus irmãos, para que vão à Galiléia, lá me verão" (Mt 28). "Então lembraram-se elas das suas palavras" (Lc 24).

Enquanto isso, S.Pedro e S.João examinavam o sepulcro, tendo Maria Madalena chegado um pouco atrás deles. Mas não viram ninguém, nem os anjos, nem Nosso Senhor."Com efeito, ainda não entendiam a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos. Voltaram, pois, outra vez os discípulos para sua casa" (Jo 20).

Saíram, mas "Maria Madalena conservava-se da parte de fora do sepulcro, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se e olhou para o sepulcro, e viu dois anjos vestidos de branco, sentados no lugar onde fora posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. Eles disseram-lhe: Mulher, por que choras ? Respondeu-lhes: Porque levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram. Ditas estas palavras, voltou-se para trás e viu Jesus: de pé, mas não sabia que era Jesus. Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras ? A quem procuras ? Ela julgando que era o hortelão, disse-lhe: Se tu o levaste, dize-me onde o puseste: eu irei buscá-lo. Disse-he Jesus: Maria ! Ela, voltando-se, disse-lhe em hebraico: Rabouni! (que quer dizer Mestre). Disse-lhe Jesus: Não me toques, porque ainda não subi para meu Pai; mas vai a meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus. Foi Maria Madalena dar a nova aos discípulos" (Jo 20).

Mas chegou depois das outras mulheres, e depois de S.Pedro e S.João, que há pouco tempo estavam com ela. Ora, as outras "tendo voltado do sepulcro, contaram todas estas coisas aos onze e a todos os outros. As que referiam aos apóstolos estas coisas eram Maria Madalena, Joana, Maria mãe de Tiago, e as outras, que estavam com elas. Mas estas palavras pareciam-lhes como que um delírio. Não lhes deram crédito" (Lc 24). Não lhe deram crédito porque há pouco ouviram que o Corpo de Cristo havia sido levado, não lhe deram crédito, porque chegando o Chefe deles, S.Pedro, disse que não havia ninguém por lá, nem o Corpo de Nosso Senhor, e tinha passado pelas mulheres no caminho ao sepulcro e elas nada disseram, e não lhe deram crédito porque, eles, "os quais estavam aflitos e chorosos" (Mt 28), tinham pouca fé. Ora, se Nossa Senhora estava entre estas mulheres, como eles não puderam dar crédito ? É possível que tenham rejeitado o testemunho dela, mas é possível que tenham só rejeitado o das mulheres, e de Maria Madalena, por ter sido pecadora no passado, por isso "tendo eles ouvido que ele estava vivo, e que fora visto por ela, não acreditaram" (Mt 28)ou simplesmente porque elas eram todas mulheres. De fato, quando chegaram os discípulos de Emaús testemunhando a ressurreição, eles, "que nem a estes deram crédito" (Mc 16) disseram após S.Pedro dar seu testemunho: "na verdade o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão" (Lc 24), o que mostra que só creram por causa de S.Pedro: aqui mais vale o sentido místico dele ser o Chefe, e aquele que Nosso Senhor falou: "uma vez convertido, confirma teus irmãos" (Lc 22).

"Todavia Pedro, levantando-se" (Lc 24), porque provavelmente estava cansado por ter corrido até lá e voltado, "correu ao sepulcro, e, inclinando-se, viu só os lençois por terra" (Lc 24). Aqui se prova que ele foi sozinho desta vez, visto que da primeira vez, naõ viu só os lençois, mas "viu os lençois postos no chão, e o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus, o qual não estava com os lençois, mas dobrado num lugar à parte" (Jo 20). Foi assim que passou a ter fé, "e retirou-se, admirando consigo mesmo o que sucedera" (Lc 24). Ora, que ele teve fé nesse momento é provado por essa frase em contraste ao Evangelho de S.João: "Com efeito, ainda não entendiam a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos". Nesse momento, ao se retirar, no mesmo lugar onde apareceu primeiro para Nossa Senhora, depois para Maria Madalena, apareceu Nosso Senhor para ele. Talvez ali tenha ouvido as mesmas palavras divinas antes ouvidas: "confirma teus irmãos" (Lc 22).

Pode se fazer a objeção: visto que o Espírito Santo diz no Evangelho: "Jesus, tendo ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios" (Mc 16), como dizer que foi Nossa Senhora a primeira que Ele apareceu tendo em vista este versículo ?

Porque foi a primeira, mas entre os pecadores, a ver Nosso Senhor. Não contaria as mulheres, porque dentre elas estava uma que não tinha pecado, a Imaculada Mãe de Deus. São Beda adiciona que era preciso citá-la primeiro por causa que foi pela mulher a primeira transgressão, o primeiro pecado, e Maria Madelena, sendo citada como pecadora da qual saiu sete demônios (sete pecados segundo os exegetas, ou um grande número deles), representava a mulher em geral, que vendo Nosso Senhor primeiramente ressuscitado, não carregaria mais o fardo perpétuo da culpa da transgressão entre os homens. Este sentido de não carregar o fardo tem relação óbvia também com a Mãe de Deus.

S. Ambrósio, S.Anselmo e outros citados pelo Pe.Cornélio A Lapide, S.J.

"Primeiro, Ele apareceu para Sua mãe, segundo S.Ambrósio, S.Anselmo, e outros ensinam, e esta é a opinião comum dos Doutores e dos fiéis" [1].

Santo Afonso Maria de Ligório

"Era de justiça que Maria Santíssima, que mais do que qualquer outro tomou parte na Paixão de Jesus Cristo, fosse também a primeira a gozar da alegria da sua ressurreição. Imaginemos vê-la no momento em que lhe aparece o divino Redentor glorificado, acompanhado de grande multidão de Santos, entre os quais São José, São Joaquim e Santa Ana. Oh! Que ternos abraços! Que doces colóquios! Alegremo-nos com a nossa querida Mãe e digamos-lhe: Regina coeli, laetare, alleluia. “Rainha dos céus, alegrai-vos, aleluia!”.

I. Entre as muitas coisas que Jesus Cristo fez e os Evangelistas passaram em silêncio, deve, com certeza, ser contada a sua aparição a Maria Santíssima logo em seguida à sua ressurreição. Nem necessidade havia de referi-la, porquanto é evidente que o Senhor, que mandou honrar pais e mães, foi o primeiro a dar o exemplo, honrando sua Mãe com a sua presença visível. Demais, era de inteira justiça que o divino Redentor glorificado fosse, antes de mais ninguém, visitar a Santíssima Virgem; a fim de que, antes dos outros e mais do que estes, participasse da alegria da ressurreição quem mais do que os outros participara da paixão" [2].

Liturgias Orientais

Entre os tropários da Ressurreição que a Liturgia Bizantina canta todos os domingos, o  do sexto tom, conservou também uma breve recordação do encontro de Jesus com sua Mãe:

"Enquanto Maria estava diante do sepulcro
a procura de teu imaculado corpo,
os anjos apareceram em teu túmulo
e as sentinelas desfaleceram.
Sem ser vencido pela morte,
submeteste ao teu domínio o reino dos mortos,
e vieste ao encontro da Virgem revelando a Vida.
Senhor, que ressurgiste dos mortos, glória a Ti! "

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Fontes:
[1] Comentário nas Escrituras, Evangelho de S.Mateus, Cap.28, 10
[2] Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 17-19.