Citações do Papa Francisco o define: só Papas pós-Conciliares, comissão de bispos, reformistas, e "mestre espirituais" não católicos

A Encíclica Laudato Si' [1] possui citações que revelam muito do pensamento do Papa Francisco, as quais indicam uma nova mentalidade. Destacamos algumas:

- Citações com aspecto de que a Igreja e o mundo são a mesma coisa

O começo da Encíclica, em ruptura com a tradição anterior, não se direciona à todos os que estão em comunhão com a Sé Apóstolica (Roma), o que marcava, logo no começo da Encíclica, que a verdadeira Igreja falava. Anteriormente, estas seguiam o formato:

"Carta Encíclica (Y) de Sua Santidade Papa (X) aos veneráveis irmãos, Patriarcas, Primazes, Arcebispos, Bispos e demais ordinários em Paz e Comunhão com a Sé Apóstolica, bem como a todos os fiéis do orbe católico".

Com o Papa Bergoglio ficou simplesmente: "Carta Encíclica Laudato Si' do Santo Padre Francisco Sobre o cuidado da casa comum".

Além disso, escrever uma Encíclica em língua italiana, sem ter sido dirigida particularmente aos italianos, como eram os documentos em língua vulgar do passado, torna o documento inédito como desprezador do latim, língua própria da Santa Igreja. Uma mundanização da Igreja. Podemos falar do nosso testemunho que pelo menos até dois meses depois da publicação, a versão em latim não foi disponibilizada, se é que foi traduzida oficialmente para tal língua.

- Citações que dão a impressão de anti-hierarquia

As Conferências Episcopais são citadas 20 vezes, de mais de 14 países diferentes. Indica claramente um apelo e uma bênção à colegialidade e à "inspiração" dessas conferências, que em geral promovem os desígnios da "esquerda católica" em suas respectivas regiões (com destaque para Conferência Nacional dos Bispos dos Brasil, também citada).

- Citações com ar de reformismo e de que a Igreja nasceu no Concílio Vaticano II

O Pe. Romano Guardini é citado sete vezes. Ele é um dos principais nomes no movimento litúrgico reformista, o qual já introduzia elementos da missa nova na missa tridentina, fazendo a "missa comunitária" da abadia alemã Maria Laach, a qual Guardini frequentava. Esta abadia, conforme cita o professor Roberto de Mattei (O Concílio Vaticano II: uma história nunca escrita, Parte I, n.4), era criticada pelo Cardeal Eugenio Pacelli, futuro Pio XII. Guardini fez parte da Comissão Litúrgica no Concílio.

Nenhum Papa anterior à João XXIII é citado. Depois deste todos são citados abundantemente.
Pe. Guardini, citado na Encíclica, sem batina antes mesmo do Concílio Vaticano II
-Citações que indicam que se pode ter como fonte espiritual os não católicos

No número 7 da Encíclica, vemos um exemplo de citação nesse sentido ao vermos palavras do Patriarca Bartolomeu I da Igreja greco-cismática de Constantinopla, citado algumas vezes no tópico. Mas mais importante do que isso são as palavras anteriores que indicam que poderia ser citado qualquer outro "cristão", sendo o Patricarca somente um exemplo, segundo o Papa Francisco:

"Mas não podemos ignorar que, também fora da Igreja Católica, noutras Igrejas e Comunidades cristãs – bem como noutras religiões – se tem desenvolvido uma profunda preocupação e uma reflexão valiosa sobre estes temas que a todos nos estão a peito. Apenas para dar um exemplo particularmente significativo, quero retomar brevemente parte da contribuição do amado Patriarca Ecumênico Bartolomeu, com quem partilhamos a esperança da plena comunhão eclesial".

A questão da plena comunhão também é controversa, pois, seguindo um raciocínio, como uma pessoa pode estar em comunhão eclesial mas não plena? Essa linguagem dá lugar à interpretações de que os cismáticos não são tão cismáticos assim.

Ao falar da contemplação das criaturas para se chegar a Deus, no número 233 da Encíclica, é citado um sufi islâmico que Sua Santidade chama de "mestre espiritual" na nota 159:

"Um mestre espiritual, Ali Al-Khawwas, partindo da sua própria experiência, assinalava a necessidade de não separar demasiado as criaturas do mundo e a experiência de Deus na interioridade. Dizia ele: "Não é preciso criticar preconceituosamente aqueles que procuram o êxtase na música ou na poesia. Há um “segredo” subtil em cada um dos movimentos e dos sons deste mundo. Os iniciados chegam a captar o que dizem o vento que sopra, as árvores que se curvam, a água que corre, as moscas que zunem, as portas que rangem, o canto dos pássaros, o dedilhar de cordas, o silvo da flauta, o suspiro dos enfermos, o gemido dos aflitos (...) " [Eva De Vitray-Meyerovitch (ed.), Anthologie du soufisme (Paris 1978), 200]".

É interessante reparar a citação sobre os iniciados: eles não são místicos católicos com tamanha intimidade com Deus que passam a ver muitas coisas do universo e ao redor como Deus as vê, mas sim iniciados no sufismo. Assim, fica claro que para o Papa esses muçulmanos também podem ter este grau de união com Deus.

Salmo em reparação (Salmo 129)

"Desde o mais profundo clamei a Ti, Senhor. Senhor, ouve a minha voz. Estejam atentos os teus ouvidos à voz da minha súplica. Se examinares, Senhor, as nossas maldades, quem, Senhor, poderá subsistir?

Mas em Ti se acha a clemência, e por causa da tua lei pus em Ti, Senhor, a minha confiança. A minha alma está confiada na sua palavra, a minha alma esperou no Senhor.

Desde a vigília da manhã até a noite, espere Israel no Senhor. Porque no Senhor está a misericórdia, e há nele copiosa redenção. E Ele mesmo redimirá Israel de todas as suas iniquidades".

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[1] Laudato si' (24 de maio de 2015) | Francisco. Link: http://www.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html