Citações do Papa Francisco o define: só Papas pós-Conciliares, comissão de bispos, reformistas, e "mestre espirituais" não católicos

A Encíclica Laudato Si' possui citações que revelam muito do pensamento do Papa Francisco, as quais indicam uma nova Igreja. Destacamos algumas:

-Citações com ar de que a Igreja e o mundo são a mesma coisa

O começo da Encíclica, em ruptura com a tradição anterior, não se direciona à todos os que estão em comunhão com a Sé Apóstolica (Roma), sinalizando que a Igreja e o mundo parecem ser o mesmo, incluso a Igreja e os cismáticos e hereges. Anteriormente, as Encíclicas seguiam o formato:

"Carta Encíclica (Y) de Sua Santidade Papa (X) aos veneráveis irmãos, Patriarcas, Primazes, Arcebispos, Bispos e demais ordinários em Paz e Comunhão com a Sé Apóstolica, bem como a todos os fiéis do orbe católico".

Com o Papa Bergoglio ficou simplesmente: "Carta Encíclica Laudato Si' do Santo Padre Francisco Sobre o cuidado da casa comum".

Além disso, a feitura da Encíclica em língua italiana, sem ter sido dirigida particularmente aos italianos, como foram encíclicas do passado, faz esse documento ser inédito no seu aspecto de desprezo do latim, língua própria da Santa Igreja, em favor de uma língua do mundo. Uma mundanização da Igreja. Podemos falar do nosso testemunho que pelo menos até dois meses depois da publicação, a versão em latim não foi disponibilizada, se é que foi traduzida oficialmente para tal língua.

-Citações com ar de colegialidade que é anti-hierárquica

As Conferências Episcopais são citadas 20 vezes, de mais de 14 países diferentes. Indica claramente um apelo e uma bênção da colegialidade e da "inspiração" destas conferências, que em geral promovem os desígnos da "esquerda católica" em suas respectivas regiões (com destaque para Conferência Nacional dos Bispos dos Brasil, também citada).

-Citações com ar de reformismo e de que a Igreja nasceu no Concílio Vaticano II

O Pe.Romano Guardini é citado sete vezes. Ele é um dos principais nomes no movimento litúrgico reformista, o qual já introduzia elementos da missa nova na missa tridentina, fazendo a "missa comunitária" da abadia alemã Maria Laach, a qual Guardini frequentava. Esta abadia, conforme cita o professor Roberto de Mattei (O Concílio Vaticano II: uma história nunca escrita, Parte I, n.4), era criticada pelo Cardeal Eugenio Pacelli, futuro Pio XII. Guardini fez parte da Comissão Litúrgica no Concílio.

Nenhum Papa anterior à João XXIII é citado, a partir dele todos são citados abundantemente.
Pe.Guardini, citado na Encíclica, sem batina antes mesmo do Concílio Vaticano II
-Citações claramente mostrando que se pode ter como fonte espiritual os não católicos

No número 7 da Encíclica, vemos um exemplo de citação nesse sentido ao vermos palavras do Patriarca Bartolomeu I da Igreja greco-cismática de Constantinopla, citado algumas vezes no tópico. Mas mais importante do que isso são as palavras anteriores que indicam que poderia ser citado qualquer outro "cristão", sendo o Patricarca somente um exemplo, segundo o Papa Francisco:

"Mas não podemos ignorar que, também fora da Igreja Católica, noutras Igrejas e Comunidades cristãs – bem como noutras religiões – se tem desenvolvido uma profunda preocupação e uma reflexão valiosa sobre estes temas que a todos nos estão a peito. Apenas para dar um exemplo particularmente significativo, quero retomar brevemente parte da contribuição do amado Patriarca Ecumênico Bartolomeu, com quem partilhamos a esperança da plena comunhão eclesial".

A questão da plena comunhão também é controversa, pois, seguindo um raciocínio, como uma pessoa pode estar em comunhão eclesial mas não plena ? Esta linguagem dá lugar a interpretações de que os cismáticos não são tão cismáticos assim.

Ao falar da contemplação das criaturas, para se chegar a Deus, no número 233 da Encíclica, é citado um sufi islâmico que ele chama de "mestre espiritual" na nota 159:

"Um mestre espiritual, Ali Al-Khawwas, partindo da sua própria experiência, assinalava a necessidade de não separar demasiado as criaturas do mundo e a experiência de Deus na interioridade. Dizia ele: "Não é preciso criticar preconceituosamente aqueles que procuram o êxtase na música ou na poesia. Há um “segredo” subtil em cada um dos movimentos e dos sons deste mundo. Os iniciados chegam a captar o que dizem o vento que sopra, as árvores que se curvam, a água que corre, as moscas que zunem, as portas que rangem, o canto dos pássaros, o dedilhar de cordas, o silvo da flauta, o suspiro dos enfermos, o gemido dos aflitos (...) " [Eva De Vitray-Meyerovitch (ed.), Anthologie du soufisme (Paris 1978), 200]".

É interessante reparar na citação sobre os iniciados: eles não são místicos católicos com tamanha intimidade com Deus que passam a ver muitas coisas do universo e ao redor como Deus as vê, mas sim iniciados no sufismo. Assim, fica claro que para o Papa estes muçulmanos também podem ter este grau de união com Deus.

Salmo em reparação (Salmo 129)

"Desde o mais profundo clamei a Ti, Senhor. Senhor, ouve a minha voz. Estejam atentos os teus ouvidos à voz da minha súplica. Se examinares, Senhor, as nossas maldades, quem, Senhor, poderá subsistir ?

Mas em Ti se acha a clemência, e por causa da tua lei pus em Ti, Senhor, a minha confiança. A minha alma está confiada na sua palavra, a minha alma esperou no Senhor.

Desde a vigília da manhã até a noite, espere Israel no Senhor. Porque no Senhor está a misericórdia, e há nele copiosa redenção. E Ele mesmo redimirá Israel de todas as suas iniquidades".

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