Papas, santos e teólogos contra o liturgicismo do uso da língua vernácula

Gregório XVI
Do livro "O Príncipe dos Cruzados" (compilação doutrinária inédita).

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Papas, Santos e teólogos contra a participação ativa liturgicista na missa em desprezo do terço e piedades não-litúrgicas. Resposta a objeções

Papas e tradição contra o liturgicismo pró altar-mesa, altar único, padre voltado ao povo, e oposto a imagens sagradas. Resposta a objeções

Tese liturgicista

- Quando o Rito Romano é celebrado em vernáculo (língua vulgar), o povo obtêm mais frutos espirituais do que quando o latim é usado, pois o uso do vernáculo é um sinal de unidade e entendimento doutrinário. Daí a necessidade da missa ser dita sempre, ou na maior parte dela, em língua vulgar. Ou pelo menos a maior parte das missas no mundo serem celebradas assim.

-> Tradição contra esta tese

Concílio de Trento (1545-1563)

"Cân. IX - Se alguém disser que deve ser condenado o ritual da Igreja Romana devido ao fato que algumas palavras do Cânon, e as palavras da consagração são ditas em voz baixa, ou que a Missa deve ser dita sempre em língua vulgar, ou que não se deve misturar água ao vinho do cálice que será oferecido, porque isto é contra a instituição de Cristo, seja excomungado" (Sessão XXII).

Alexandre VII (1655-1667)

"Alguns filhos da perdição, ansiosos por novidades para a perda das almas, chegaram a este cúmulo de audácia, de traduzir o Missal romano para o francês, originalmente escrito em latim, seguindo o costume aprovado pela Igreja há tantos séculos... Assim fazendo, eles tentaram, com temerário esforço, degradar os mais sagrados ritos, rebaixando a magestade que a língua latina os reveste, e expondo de forma vulgar a dignidade dos mistérios divinos" [1].

Pio VI (1775-1799) condenando proposições do Sínodo jansenista de Pistóia

PROP. 66: “A proposição que assevera que se irá contra a praxe apostólica, e os concílios de Deus, se não se preparar os meios mais fáceis a fim de que o povo junte sua voz à voz de toda a Igreja; entendida do uso da língua vulgar a ser introduzida nas preces litúrgicas — FALSA, TEMERÁRIA, PERTURBADORA DA ORDENAÇÃO PRESCRITA PARA A CELEBRAÇÃO DOS MISTÉRIOS, E FACILMENTE FAUTORA DE MUITOS MALES”.

Gregório XVI (1831-1846)

"11. Seria demasiado longo, Veneráveis irmãos, prosseguir enumerando as demais opiniões errôneas dos inovadores, seja acerca do estipêndio das missas que afirmam dever suprimir-se, como do costume de oferecer muitas missas pelo mesmo defunto, que dizem ser contrário à doutrina da Igreja acerca da infinita virtude do sacrifício da nova lei, ou seja acerca de um novo ritual escrito em língua vulgar que desejam mais adaptado à índole de nossos tempos ou em fim acerca das congregações piedosas, as orações públicas e peregrinações sagradas, que de diversa maneira reprovam. É suficiente advertir que semelhantes opiniões não procedem de outra corruptíssima fonte nem emanam de outros princípios que os que faz tempo condenou com solene juízo a Igreja nas várias vezes mencionada Constituição Auctorem fidei, sobretudo nas proposições 30, 33, 66 e 78" [2].

São Pio X (1903-1914)

"7. A língua própria da Igreja Romana é a latina. Por isso é proibido cantar em língua vulgar, nas funções litúrgicas solenes, seja o que for, e muito particularmente, tratando-se das partes variáveis ou comuns da Missa e do Ofício" [3].

Pio XII (1939-1958)

"52 (...) Assim, não sem grande pesar, sabemos que isso acontece não somente em coisas de pouca monta, mas ainda de gravíssima importância; não falta, com efeito, quem use a língua vulgar na celebração do sacrifício eucarístico (...).

53. O uso da língua latina vigente em grande parte da Igreja, é um caro e nobre sinal de unidade e um eficaz remédio contra toda corruptela da pura doutrina. Em muitos ritos o uso da língua vulgar pode ser assaz útil para o povo, mas somente a Sé Apostólica tem o poder de concedê-lo, e por isso, neste campo, nada é lícito fazer sem o seu juízo e a sua aprovação, porque, como havíamos dito, a regulamentação da sagrada liturgia é de sua exclusiva competência" [4].

João XXIII (1958-1963) citando Leão XIII, Pio XI e Pio XII

"O pleno conhecimento e uso dessa língua, tão ligada à vida da Igreja, não interessa tanto à cultura e às letras quanto à Religião" (Pio XI, Epist. Ap. Officiorum omnium, 1 de Agosto de 1922), como disse nosso Predecessor...; o qual, ocupando-se cientificamente do assunto, reuniu três dons desta língua, de modo admirável conforme a própria natureza da Igreja: "De fato, a Igreja, como mantém unidos na sua amplitude todos os povos e durará até a consumação dos séculos... requer, pela sua natureza, uma língua universal, imutável, não vulgar" (Ibidem).

(...) É necessário que a Igreja utilize uma língua não só universal, mas também imutável. Se, de fato, a verdade da Igreja Católica fosse confiada a algumas ou a muitas das línguas modernas, sujeitas a uma contínua mudança, as quais nenhuma tem maior autoridade e prestígio sobre as outras, resultaria sem dúvida que, devido à sua variedade, não ficaria manifesto para muitos com suficiente precisão e clareza o sentido de tais verdades, nem, por outro lado, se disporia de alguma língua comum e estável, para confrontar o sentido das outras.

(...) Em fim, visto que a Igreja Católica, por ter sido fundada por Cristo Nosso Senhor, excede sem medida em dignidade sobre todas as sociedades humanas, é sumamente conveniente que ela use uma língua não popular, mas rica de majestade e de nobreza.

Além disso, a língua latina, que "justamente podemos chamar de católica" (ibidem), pois que é própria da Sede Apostólica, mãe e mestra de todas as Igrejas, e consagrada pelo uso perene, deve ser mantida como "tesouro de incomparável valor" (Pio XII, Alloc. Magis quam, 23 de novembro de 1951) e como porta pela qual se abre a todos o acesso às mesmas verdades cristãs, vindas dos tempos antigos, para interpretar o testemunho da doutrina da Igreja (Leão XIII, Epist. Encicl. Depuis le jour, 08 de Setembro de 1899) e, finalmente, como vínculo mais que idôneo, mediante o qual a época atual da Igreja se mantem unida com os tempos passados e com os tempos futuros de modo admirável.

(...) Em nossos dias, o uso do latim é objeto de controvérsia em muitos lugares e, conseqüentemente, muitos perguntam qual é o pensamento da Sé apostólica sobre este ponto. Por isso nós decidimos tomar medidas oportunas, enunciadas neste solene documento, para que o uso antigo e ininterrupto do latim seja plenamente mantido e restabelecido onde ele quase caiu em desuso" [5]

São Francisco de Sales (1667-1722)

"De modo algum nós devemos simplificar nossos ofícios sagrados em linguajar particular, pois, como nossa Igreja é universal no tempo e no espaço, ela deve também celebrar os ofícios públicos em língua também universal no tempo e no espaço" [6].

Pe. João Batista Reus citando Alexandre VII (1655-1667)

"82. A língua litúrgica latina é:

1. Uma língua venerável. Pois é o produto do desenvolvimento histórico e secular, consagrada pelo uso multissecular.

2. Uma língua estável. A Igreja conserva-a por saber que as suas palavras são a expressão fiel da fé católica. Tal certeza não teria com traduções continuamente reformadas e adaptadas à língua viva. Os gregos, apesar de separados da Igreja romana, guardaram a sua fé quase completamente devido em grande parte à sua Liturgia antiga.

3. Língua fixa. A língua latina é muito aperfeiçoada, com termos próprios, formados pela legislação romana.

4. Língua misteriosa e santa. É convicção geral que, para um ato tão santo como a missa, a língua quotidiana é menos conveniente. Os hereges, faltos de respeito de Deus, introduzem logo a língua vulgar na Liturgia. Seguindo o exemplo do Concílio Tridentino, Alexandre VII (1661) nem sequer permitiu a tradução do missal em francês. Hoje isto se concede; mas nega-se a licença de usar a língua vulgar na Liturgia, principalmente da missa. Existe o perigo de serem abusadas pelo povo baixo as palavras que contêm os divinos mistérios.

5. Língua unitiva. A diversidade das línguas separa os homens, a língua comum une-os. A língua latina une as igrejas particulares entre si e com Roma.

6. Língua civilizadora. Todos os membros do clero devem aprender latim, e por isso podem aproveitar para a sua formação esmerada os autores clássicos antigos e a doutrina profunda dos santos padres da Igreja.

7. Língua internacional. Não só o clero entende a língua latina, mas também leigos a cultivam e empregam, p. ex., na ciência médica, física e mesmo no comércio (catálogo) e a preferem às línguas artificiais (esperanto).

83.     8. Mas, dizem, o povo não entende nada da missa. Responde-se: A missa é uma ação, não um curso de instrução religiosa. No Calvário não havia explicações. O altar é um Calvário. Todo cristão sabe o que significa: imolar-se. Além disso, o Concílio Tridentino (sess. 22) encarrega os sacerdotes "que frequentemente expliquem alguma coisa do que se lê na missa". Mas "Ainda que a Missa inclua muita instrução para o povo fiel, sem dúvida não pareceu conveniente aos Padres que ela seja celebrada em todas as partes em língua vulgar" [7].

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[1] Yves Daoudal, La liturgie enseignement sacré - Itinéraires, n° 263, mai 82.
[2] Encíclica "Quo Graviora" 4 de outubro de 1833.
[3] Motu proprio Tra le Sollecitudine, 22 de novembro de 1903.
[4] Encíclica Mediator Dei, 20 de Novembro de 1947.
[5] Constituição Veterum Sapientiae, 22 de fevereiro de 1962.
[6] Controverses, Segunda Parte, discurso 25.
[7] Curso de Liturgia, 1944, I Parte § 24. A vantagem da Língua Latina na Liturgia.