Tradição Católica contra a espiritualidade do estender os braços, fazer caras e bocas. Refutando a Espiritualidade Tribalista e suas objeções

Do livro "O Príncipe dos Cruzados" (compilação doutrinária inédita).

Já refutamos a faceta da espiritualidade tribalista na liturgia: Papas, prelados e santos sobre dança, palmas e gritos na missa

Sagrada Escritura 

No Evangelho de São Mateus (Cap.16, 6-7) lemos: "Quando jejuardes, não vos mostreis com aspecto triste como os hipócritas, que desfiguram seus rostros, para mostrar aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam sua recompensa. Tu, ao contrário, quando jejues, perfuma tua cabeça e lava tua cara, para que não conheçam os homens que jejuas, senão unicamente teu Pai".

O que pode ser aplicado àqueles que fazem caras e bocas para mostrar os "dons espirituais" que supostamente recebem, ou mesmo para mostrar que estão glorificando a Deus, como acham que estão. Nestes versículos, Nosso Senhor fala contra estes que querem mostrar o que fazem para Deus, não para Ele, mas para os homens, e mesmo sem intenção, o que fazem tem esta aparência, e o que tem aparência de pecado é pecado.

- Objeções

1 - Leigos levantarem as mãos para rezar é tradição, desde os judeus até os cristãos: "Quero que os homens orem em todo lugar, levantando as mãos limpas", 1 Tm 2:8. Em outra passagem (2 Mac 3:19-20), as pessoas, "levantando as mãos aos céus, dirigiam para aí suas orações".

R: Na segunda citação, o contexto do capítulo indica que as pessoas estavam pedindo ardentemente a intervenção Divina contra as profanações que estavam para serem feitas, e o povo estava todo contrito, diferente de uma atitude normal de oração, era um momento de agonia ao povo escolhido, e a exclamação a Deus cabia perfeitamente.

Sobre as frases de São Paulo a Timóteo, respondemos primeiro que o Apóstolo não deu uma regra, caso contrário estaria a Igreja errada e faltando com o Evangelho por muito tempo ao não obrigar o povo a rezar assim, o que é absurdo.

E segundo, citamos ao Padre Antônio Vieira citando a Santo Agostinho, indicando uma faceta simbólica do versículo quanto ao levantar de mãos:

"E que mãos levantadas são estas, de que tanto depende a oração? Santo Agostinho o disse e em três lugares: basta que refiramos um: Per manus debemus opera accipere. Et quis bene manus levat? Ille utique qui implet illud Apostoli: levantes manus puras ("Por mãos devemos entender as obras..."). Assim como no coração dissemos que se entendem os afetos, assim nas mãos, diz o santo, se entendem as obras. E que obras? Aquelas das quais diz o apóstolo S. Paulo, que, quando oramos a Deus, levantemos as mãos puras (1 Tim 2:8)" [1].

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[1] Sermões Escolhidos, vol. III, "Sermões sobre o Rosário: Sermão X, Maria Rosa Mística", Edameris, São Paulo, 1965