Santos deram medida de modéstia e pudor no falar, como o jeito ou falar inadequado, como palavrões, chocarrice, etc ?

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A Escritura dá medida de modéstia e pudor no falar, como o jeito ou falar inadequado, como palavrões, chocarrice, etc ?

Santos deram medida de modéstia e pudor no falar, como o jeito ou falar inadequado, como palavrões, chocarrice, etc ?

 
Obj.3: São Thomas More [1] fez uso de palavras obscenas.

Ele foi canonizado por causa da virtude heroica do martírio, e não por causa da vida toda.

Obj.4: São Francisco de Assis recomendou dizer ao Frei Rufino que era tentado por uma visita do demônio: “Abre a boca para eu te cagar aí” [2]

O que é recomendado a dizer para o demônio deve ser diferente do que é para os homens, pois o homem não é nem demônio nem totalmente do demônio, que é um obstinado. Aqui é um caso quase idêntico ao caso do Salmo 74 no artigo anterior, ao qual referimos.

Obj.5: O fundador da Opus Dei falava em “apostolado dos palavrões” [3], e ele foi canonizado no novo processo criado por João Paulo II.

Sobre as novas canonizações, daremos futuramente nossa opinião. De qualquer forma, a pessoa de bom senso vê nesse artigo como é contraditória a posição dos santos antigos com este e reflete adequadamente sobre a infalibilidade dos novos processos.

São João Crisóstomo

“(...) [o apóstolo] coloca as conversas obscenas e gracejos como veículos da luxúria, porque ele procede, ‘Nada de obscenidades, de conversas tolas ou levianas, que são coisas inconvenientes, mas antes prefiram ações de graças a Deus’.

Com nenhuma leviandade, nem obscenidade, seja em palavras ou em ações, e vocês irão apagar a chama – deixe que elas nem sejam nomeadas, disse ele, entre vós, isto é, não deixe que sequer apareçam. Isso ele diz escrevendo aos Coríntios. ‘Sei que atualmente há fornicadores dentre vós’ 1 Cor 5:1, o que é dizer: sejam todos puros. Porque palavras são uma via para a ação. Então, para que ele não pareça uma pessoa austera e autoritária, e destruidora das ludicidades, São Paulo adiciona a razão, dizendo que elas são inconvenientes, porque nada tem a ver conosco – melhor são ações de graças a Deus.” [4]

Santo Ambrósio

Não aprovo nas palavras ou gestos nada afetado, nem tampouco nada selvagem ou rústico. imitemos a natureza, que é exemplo de disciplina e modelo de honestidade. [5]

Santo Tomás de Aquino


Falando sobre os divertimentos excessivos, Santo Tomás fala do “caso da brincadeira chamada por Túlio de “grosseira, insolente, indecente e obscena”: que acontece quando se empregam, por divertimento, palavras ou atos vergonhosos ou prejudiciais ao próximo e são, em si mesmos, pecados mortais. E assim, o excesso nos jogos é pecado mortal” [6]

“Objeção 1: O Apóstolo diz em Efésios 5, 3: Nem sequer se nomeie entre vós a fornicação ou qualquer impureza ou avareza, como convém a santos. E adiciona (v.4): nada de obscenidades, de conversas tolas ou levianas. Tudo isto interpreta a Glosa, obscenidades (beijos e abraços), conversas tolas (conversa mole e obscena), e levianas ( jocosidade, o que os néscios chamam chocarrice). E depois ele continua (Ef.5,5): “Porque sabei-o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento - verdadeiros idólatras! - terá herança no Reino de Cristo e de Deus.”. Isto é, não fazer menção nesse versículo à obscenidades, à conversa tolas, e à conversas levianas, anteriormente citadas, é dizer que estas não são pecados mortais.

Quanto ao 1, o apóstolo não menciona os três últimos atos porque não são graves senão enquanto direcionados aos anteriores mencionados.” [7]

São Francisco de Sales

“Se alguém não peca por palavras, é um homem perfeito, diz São Tiago
Tem todo o cuidado em não deixar sair de teus lábios alguma palavra desonesta, porque, embora não proceda de uma má intenção, os que a escutam a podem interpretar de outra forma. Uma palavra desonesta que penetra num coração frágil estende-se como uma gota de azeite e às vezes toma posse de tal modo dele que o enche de mil pensamentos e tentações sensuais. É ela um veneno do coração, que entra pelo ouvido; e a língua que serve de instrumento a esse fim é culpada de todo o mal que o coração pode vir a sofrer, porque, ainda que neste se achem disposições tão boas que frustrem os efeitos do veneno, a língua desonesta, quanto dela dependia, procurou levar esta alma à perdição. Nem se diga que não se prestou atenção, porque Nosso Senhor disse que a boca fala da abundância do coração. E, mesmo que não se pensasse nada de mal, o espírito maligno o pensa, e por meio dessas palavras suscita o sentimento mau nos corações das pessoas que as ouvem.

Diz-se que quem comeu a raiz denominada angélica fica com um hálito doce e agradável, e os que possuem no coração o amor à castidade, que torna os homens em anjos na terra, só tem palavras castas e respeitosas. Quanto às coisas indecentes e desonestas, o apóstolo nem quer que se nomeiem nas conversas, afirmando que nada corrompe tanto os bons costumes como as más conversas. (...) Assim, se um louco te disser palavras indecentes, testemunha-lhe logo a tua indignação, voltando-se para falar com uma outra pessoa ou de algum outro modo que sugerir a prudência.

Muito má qualidade é ter um espírito motejador. Deus odeia extremamente este vício e puniu-o, como se lê no Antigo Testamento, com muita severidade. Nada é mais contrário à caridade e máxime à devoção que o desprezo do próximo, mas a irrisão e mofa trazem forçosamente consigo este desprezo; é, pois, um pecado muito grave e dizem os moralistas que, entre todos os modos de ofender o próximo por palavras, este é o pior, porque tem sempre unido o desprezo, ao passo que nos outros a estima ainda pode subsistir. Mas, quanto a esses jogos de palavras espirituosas com que pessoas honestas costumam divertir-se, com uma certa animação, sem pecar contra a caridade ou a modéstia, são até uma virtude, que os gregos chamam eutrapelia ou arte de sustentar uma conversa agradável; servem-se para recrear o espírito das ocasiões insignificantes que as imperfeições humanas gerais fornecem ao divertimento. Somente deve-se tomar o cuidado que essa alegria inocente não se vá tornando em mofa (...)” [8]

“Dois extremos me parece que devem ser evitados cuidadosamente.
O primeiro consiste em assumir, nas conversas de que se participa, um ar orgulhoso e austero, de um silêncio afetado, manifestando desconfiança ou desprezo.
O segundo consiste em falar demais, se deixar ao interlocutor nem tempo nem ocasião de dizer algumas palavras, o que deixa transparecer um espírito presunçoso e leviano.” [9]


Santo Afonso de Ligório citando São Bernardino de Siena, São Bernardo e Santo Agostinho

“Explicando o Salmo 140, Santo Agostinho chama aqueles que falam obscenidades de mediadores de satanás, ministros de Lúcifer, porque, pela sua linguagem obscena, o demônio da impureza ganha acesso às almas (...). A língua obscena pode se dizer que é a língua da terceira pessoa, da qual o Eclesiástico 28:16 diz “A má língua de um terceiro inquietou a muitos, e dispersou-os de povo em povo.” A língua espiritual fala de Deus, a língua mundana fala das cosias mundanas, mas a língua da terceira pessoa é uma língua do inferno, que fala da impurezas da carne, e essa é a língua que perverte a muitos, levando-os à perdição. (...)

São Bernardino de Siena relata que uma virgem, que levava uma vida santa, ouvindo uma palavra obscena de um jovem, começou a ter maus pensamentos, e depois caiu no vício da impureza de tal modo, que se o demônio tomasse corpo humano, ele não seria capaz de cometer tantos pecados desse gênero quanto ela. (...)

Palavras imodestas, faladas na frente de pessoas do sexo diferente, são sempre acompanhadas com complacência pecaminosa. E não é o escândalo que você faz aos outros criminoso ? Solte uma só palavra obscena, e levará ao pecado todos aqueles que o ouvem. Tal é doutrina de São Bernardo.” [10]

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Fontes:
[1] The Complete Works of St. Thomas More, ed. John M. Headley, vol. V, New Haven: Yale University Press, 1969, Responsio ad Lutherum, pp. 181 ss.
[2] I Fioretti, cap.29.
[3] Josemaría Escrivá, O Caminho, cap.40
[4] João Crisóstomo, Comentários em Efésios 5. Translated by Gross Alexander. From Nicene and Post-Nicene Fathers, First Series, Vol. 13. Edited by Philip Schaff, Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1889.
[5] I De Offic C. 19, n. 84: ML 16, 49 A.
[6] Suma Teológica, II-II, q. 168, a.3, Ed.Loyola
[7] Idem, II-II, q. 154, a.4
[8] Filotéia, Parte III, Cap. 27, Ed.Vozes
[9] Idem, Parte III, Cap.30

[10] The Sermons of St.Alphonsus Liguori for All Sundays of the year, Sermon XL, pg. 300