A vinda do Reino de Maria provada pelos profetas do Antigo Testamento, baseada em parte nas indicações do Pe. Antônio Vieira

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A vinda do Reino de Maria provada pelos Salmos, baseada em parte nas indicações do Pe. Antônio Vieira
 
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"Façamos o homem à nossa imagem e semelhança e que domine sobre os peixes do mar e as aves do céu e da Terra inteira" Gn 1, 26.

Nossa interpretação juntada com a do Pe.Vieira [1] podemos dizer que, conforme São Paulo e todos os santos da Igreja, Adão é a prefigura do novo Adão, Cristo. Adão é colocado como príncipe e pai de toda a raça humana (pois aos pais os filhos devem tributo), de todos os animais, etc. Já que a prefigura é sempre menor que o prefigurado, Cristo tem um domínio maior, ele tem o poder espiritual e o temporal igualmente. E como estipulamos que os sete primeiros dias da criação são prefiguras das sete eras da Igreja, com a sexta representando o Reino de Maria, naturalmente entraria alguma menção ao futuro império de Cristo sobre a terra e em Adão ela é feita.


"Azarias, filho de Obed, movido pelo espírito de Deus, foi ao encontro de Asa e disse-lhe: Ouvi-me, Asa e todos vós, povo de Judá e de Benjamim: O Senhor foi convosco porque vós fostes com ele. Se o buscardes, achá-lo-eis, mas, se o abandonardes, ele vos abandonará. Muito tempo passará Israel sem o verdadeiro Deus, sem sacerdote que instrua e sem lei. E, se eles na  sua angústia se converterem para o Senhor Deus de Israel e o buscarem, achá-lo-ão. Nesse tempo não haverá paz para o que sai nem para o que entra, mas de todas as partes haverá terror em todos os habitantes da terra, porque se levantará nação contra outra nação, e uma cidade contra outra cidade, porque o Senhor os conturbará com toda sorte de aflições. Vós porém, ganhai coragem, não se enfraqueçam as vossas mãos, porque a vossa obra será recompensada". II Cr 15, 1-7.

Este profeta, com tanta antecedência, profetizou a ruína de Jerusalém ao mesmo tempo que o Castigo Mundial, quando "de todas as partes haverá terror em todos os habitantes da terra", coisa que só pode ser atribuída a este evento. Então, acabando este Grande Castigo, convertendo-se o povo judeu, cumprir-se-á a profecia.


"Porque os que são retos, habitarão na terra, e nela permanecerão os simples. Porém os ímpios serão exterminados da terra, e os que procedem iniquamente serão arrancados dela" Prov 2, 21-22. Não é o juízo final, porque então será o céu.

"Visão que teve Isaías, filho de Amós, sobre Judá e Jerusalém. E acontecerá nos últimos dias que o monte da casa do Senhor terá o seus fundamentos no cume dos montes, elevar-se-á sobre os outeiros e concorrerão a ele todas as gentes. Irão muitos povos e dirão: Vinde, subamos ao monte do Senhor e à casa do Deus de Jacó, e ele nos ensinará os seus caminhos, e nós andaremos pelas suas veredas, porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor. Julgará as nações e convencerá de erro a muitos povos; os quais das suas espadas forjarão relhas de arados e das sua slanças foices; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem daí por diante se adestrarão mais para a guerra". Is 2, 1-4.

"Todo mundo há de ser cristão, porque todo há de ser batizado. No Salmo 71, diz David: "Nos seus dias aparecerá a justiça e a abundância da paz, até que a lua deixe de existir. E dominará de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da terra (Et dominabitur a mari usque ad mare, et a flumine usque ad terminos orbis terrarum)". E no Eclesiástico, cap.44, pelos mesmos termos: "que lhes daria por herança de mar a mar, e desde o rio até as extremidades da terra (hereditare illos a mari usque ad mare et a flumine usque ad terminos orbis terrarum)" (...).

Só pode fazer dúvida que rio seja este do qual há de começar o domínio de Cristo, e estender-se dali até os fins da terra: et a flumine usque ad terminos orbis terrarum ? Ao que se responde, com S. Basílio Magno, e outros muitos Padres e Doutores, que é o rio Jordão, onde se batizou Cristo, porque deste rio e deste sacramento começa o Reino e Império, no qual nenhum homem pode entrar, senão por esta porta: "Aquele que não renascer da água e do espírito Santo não pode entrar no Reino de Deus (João 3, 5)". A qual porta se há de dilatar tanto, que entre por ela todo o Mundo, quando todo ele se lavar nestas sagradas águas do Jordão, isto é, quando todos seus habitantes se batizarem e forem cristãos. Por isso diz David e o Eclesiástico que o domínio e herança universal de Cristo, começando no Jordão, se estenderá a todos os fins do mundo: et a flumine usque ad terminos orbis terrarum" [2].


"Não temas, porque não serás confundida nem envergonhada; porquanto não terás de que te envergonhar, pois te esquecerás da confusão da tua mocidade, e não te lembrarás mais do opróprio da tua viuvez. Porque dominará em ti o que te criou, o seu nome é o Senhor dos exércitos; o teu redentor, o Santo de Israel, será chamado o Deus de toda a terra". Is 54, 4-5. A conversão universal dos judeus com o advento do Quinto Império segundo o Pe.Antônio Vieira.


Cabe mencionar a parte do livro de Daniel (Dn 2, 28-45) da onde o Pe.Vieira tira o nome de Quinto Império. De fato, a interpretação que dá o profeta ao sonho do Rei é correta, mas não especifica os quatro reinos. Mesmo assim, sabe-se que falam dos antigos grandes impérios, e o último era o Romano, até a vinda do império eterno, o reino representado pela pedra, o quinto reino, o de Cristo, a Igreja. No entanto o padre dá uma interpretação material para esse império também, o que parece contraditória com: "No tempo, porém, daqueles reinos suscitará o Deus do céu um reino que não será jamais destruído" (Dn 2, 44). A contradição se resolve em dizer que antes o Reino é espiritual, e assim é eterno, não falhará, mas materialmente pode falhar, como também pode vencer. Dado que a Escritura possui várias dimensões interpretativas, e o sonho fala de reinos de modo geral, e de modo específico de reinos materiais, a chave para entender a profecia é saber que sentido ela tem nestas duas dimensões, e na primeira é o reino eterno, a segunda é o reino que esmagará estes outros, não porque fará guerra, visto que a Igreja aparece quando só existe o império romano, mas sim porque será mais poderoso, e esmagará todos os erros materiais daqueles outros de uma vez, como que todos eles existissem de certa maneira no momento deste esmagamento (interpretado aqui no sentido geral reino, e específico de reino material). De fato, quando o Reino de Maria estiver instalado ele haverá vencido um império espiritual do demônio, maior que o império que o demônio tinha naqueles quatro reinos juntos, embora não seja só um governante o governante deste império que o Reino de Maria esmagará. 

"E acontecerá que, nos últimos tempos, o monte da casa do Senhor será fundado sobre o alto dos (outros) montes e ele se elevará sobre os outeiros; e os povos concorrerão a ele. As nações hão de correr (para lá) em multidão, dizendo: Vinde, subamos ao monte do Senhor e à casa do Deus de Jacó, e ele nos ensinará os seus caminhos, e nós andaremos nas suas veredas, porque a lei sairá de Sião, e a palavra do Senhor de Jerusalém. E (o Senhor) será árbitro de numerosos povos e castigará nações poderosas, até aos lugares mais remotos; e eles converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças em enxadões; um povo tirará mais da espada contra outro povo; e não aprenderão mais a pelejar. Cada um repousará debaixo da sua parreira e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os intimide; porque assim o disse pela sua boca o Senhor dos exércitos. Porque todos os povos andarão cada um em nome do seu deus; nós, porém, andaremos em nome do Senhor nosso Deus, por todos os séculos dos séculos. Naquele dia, diz o Senhor, congregarei a que coxeava e recolherei a que eu tinha expulsado a que eu tinha afligido; salvarei os restos da que coxeava e formarei um povo possante daquela (mesma nação) que tinha sido afligida; o Senhor reinará sobre eles no monte de Sião, desde então e para sempre" Mq 4, 1-7.

Essa parte da Escritura diz claramente de um Castigo Mundial e então de uma paz universal, a qual nota o Pe.Vieira. 

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Fontes:
[1] A chave dos profetas, livro primeiro, cap.I, pg.158, Ed.Loyola
[2] Defesa Perante o Tribunal do Santo Ofício, tomo I, q.10, 4. pg.306-307, Ed.Progresso