O profeta Zacarias fala do extermínio das nações e da restauração, quando o resto delas virão para adorar o Senhor

Santo profeta Zacarias, rogai por nós!

Anterior deste capítulo: O profeta Baruc fala da conversão da China e do mundo, da reunião das tribos de Israel, e do castigo dos ímpios

Outras leituras prévias:

A vinda do Reino de Maria provada pelos profetas do Antigo Testamento, baseada em parte nas indicações do Pe. Antônio Vieira

A Teologia da História prova a vinda do Reino de Maria, por Plinio Corrêa de Oliveira em 1971.

A vinda do Reino de Maria provada pelos Salmos, baseada em parte nas indicações do Pe. Antônio Vieira
 
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Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados (Vol. I, parte I, 3a edição, Cap. IV)".


Cap. XII, 1-4 - Duro oráculo do Senhor contra Israel. O Senhor, que estendeu os céus, firmou a terra e formou o sopro (espírito) que o homem tem dentro de si. Eis o que farei de Jerusalém: um lugar de embriaguez para todos os povos circunvizinhos; também Judá será cercado pelo inimigo com Jerusalém. Naquele dia farei de Jerusalém uma pedra pesada para todas as nações: todo o que se esforçar por levantá-la, sairá ferido; todos os povos da terra se juntarão contra ela. Naquele dia, diz o Senhor, ferirei de espanto todos os cavalos, e de delírio os que montam neles. Abrirei os meus olhos sobre a casa de Judá, e cegarei a os cavalos de todos os povos.

"Duro oráculo do Senhor contra Israel": Israel representa a Igreja e todo país que se quer católico, porque antigamente as duas coisas eram bem ligadas, embora tenha existido a separação do poder temporal e do espiritual. "Judá", como é comum nas profecias, representa a casa fiel ao Senhor, a que não foi dispersa pela tirania dos pagãos, e não se perdeu como as outras dez tribos.
 

"Eis o que farei de Jerusalém: um lugar de embriaguez para todos os povos circunvizinhos": é a crise da Igreja, que faz os homens caírem nesta infelicidade. Afinal, a Santa Igreja só poderia ser lugar de embriaguez aos povos vizinhos se fosse paganizada, isto é, não fosse mais um povo unido pela caridade em torno da mesma fé. Naquele tempo também era assim, pois o povo judeu concentrava-se em Judá, esperançoso da vinda do Messias à terra prometida, como de fato veio.

"Todos os povos da terra se juntarão contra ela". Por quê? Por causa que estão embriagados, como foi dito, mas também porque Deus salvará a Igreja disto, "abrirei os meus olhos sobre a casa de Judá", a casa fiel, então, haverá o ódio do embriagado revoltado contra quem o condena pelo exemplo. 

"Ferirei de espanto todos os cavalos, e de delírio os que montam neles", porque muitos cairão do cavalo, isto é, verão como Deus interveio na história, o que eles acreditavam que não ia acontecer. O cavalo representa também o corpo material, que estará confundido por uma alma perturbada com a situação. 

5-10 - "Então dirão os chefes de Judá em seu coração: ponham os habitantes de Jerusalém a sua confiança no Senhor. Naquele dia, farei dos chefes de Judá como que um braseiro ardente sobre um monte de lenha, uma tocha acesa no meio dos feixes: devorarão à direita e à esquerda todos os povos da vizinhança; Jerusalém será outra vez habitada no seu mesmo lugar (em que) foi fundada Jerusalém. O Senhor libertará primeiramente as tendas de Judá, para que a casa de Davi não se glorie com soberba e os habitantes de Jerusalém não se elevem contra Judá. Naquele dia, o Senhor protegerá os habitantes de Jerusalém; o mais fraco dentre eles será como Davi, e a casa de Davi parecerá como Deus, como um anjo do Senhor. Naquele dia, procurarei exterminar todas as nações que vierem contra Jerusalém. Suscitarei sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de graça e de prece, e eles voltarão os seus olhos para mim, a quem transpassaram".

"Ponham os habitantes de Jerusalém a sua confiança no Senhor: nesse mundo em confusão, que cremos ser parte da Bagarre, a solução é confiar no Senhor.  

"Farei dos chefes de Judá como que um braseiro ardente sobre um monte de lenha, uma tocha acesa no meio dos feixes
": os chefes de Judá, isto é, os que possuem o leão de Judá no seu brasão. "D
evorarão à direita e à esquerda todos os povos da vizinhança": acabarão com os inimigos ou os converterão. A Igreja será restituída no seu prestígio original.

O Senhor libertará primeiro as "tendas de Judá", porque a casa de Davi, quer dizer, o Grande Monarca (que tratamos desde o capítulo II) não tomarão imediatamente o que lhe é de direito, para que não haja uma revolta desde já, porque o homem, com a surpresa da vinda do Papa Santo e a restituição da Doutrina, não estará imediatamente preparado para aceitar o governo da casa de Davi, isto é, o Grande Monarca, pois lembramos que há autores que possuem a tese de que os reis da Europa descendem realmente de Davi.

"O Senhor protegerá os habitantes
de Jerusalém", a Igreja, e os fará forte para lutar contra Golias, representante do império de Satanás instalado. Por isso, "o mais fraco dentre eles será como Davi". "E a casa de Davi parecerá como Deus, como o anjo do Senhor": um paralelo com o homem sentado na nuvem no livro do Apocalipse que tratamos neste capítulo. Este era parecido como "um filho do homem": o Pe. Holzhauser, visto no capítulo V, interpretou-o como o Grande Monarca.


"Naquele dia, procurarei exterminar todas as nações que vierem contra Jerusalém", isto é, serão exterminadas as nações que se opuserem ao movimento Contra-Revolucionário de Restauração. "Suscitarei sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de graça e de prece, e eles voltarão os seus olhos para mim, a quem transpassaram": os governantes converter-se-ão, e agora lutarão pelos desígnios Dela. É claro, nem todos.

10-14 - Chorá-lo-ão com pranto, como se fosse um filho único; chorá-lo-ão amargamente como se chora um primogênito! Naquele dia haverá um grande luto em Jerusalém, como o luto de Adadremon no vale de Magedon. A terra inteira celebrará esse luto, família por família; a família da casa de Davi à parte, com suas mulheres separadamente; a família da casa de Natan à parte, com suas mulheres separadamente; a família da casa de Levi à parte, com suas mulheres separadamente; a família de Semei à parte, e suas mulheres separadamente; todas as outras famílias, cada uma à parte, e suas mulheres à parte.

Cap. XIII, 1-2 - Naquele dia haverá uma fonte aberta para a casa de Davi e para os habitantes de Jerusalém, para se lavarem as manchas do pecador e da mulher impura. Naquele dia, diz o Senhor dos exércitos, exterminarei da terra até os nomes dos ídolos: não se falará mais deles; expulsarei os falsos profetas e todo espírito impuro.


Todos os pecados poderão abertamente ser eliminados, diferente do que antes acontecia, por causa da crise da Igreja. Os "ídolos", as falsas religiões serão exterminadas, e
"não se falará mais" destas. Já é um preparo para o Reino de Maria.

3-5 - Se alguém intentar ainda dar um oráculo, seu pai e sua mãe que o geraram repreendê-lo-ão: Vais morrer, porque dizes mentiras em nome do Senhor. E quando ele proferir os seus oráculos, eles mesmos, seu pai e sua mãe que o geraram, o transpassarão. Naquele dia os profetas terão vergonha de suas visões proféticas, e não mais se cobrirão com o manto de peles para mentir. Cada um dirá: Não sou profeta, mas lavrador, e possuo terras desde a minha juventude, a exemplo de Adão.

Esta parte, que parece indicar que não haverá mais profetas, resolve-se dizendo que com a vinda do Papa Santo haverá já um profeta instalado como oficial, o mesmo Papa, e outros dois: o General e o Grande Monarca. Quando acontecer tais eventos escatológicos o mundo precisará de profetas líderes e estes já o serão, como mostramos nos capítulos precedentes. 


"E quando ele proferir os seus oráculos" dizendo que acontecerá isto ou aquilo, o próprio Papa Santo profeta o repreenderá, e "seu pai e sua mãe que o geraram, o transpassarão", tanto do modo espiritual como do material, isto é, os mestres e pais biológicos farão resistências a estes falsos-profetas, porque mesmo quem era cúmplice da crise da Igreja se converterá (mas nem todos, é claro).

"Cada um dirá: Não sou profeta, mas lavrador, e possuo terras desde a minha juventude, a exemplo de Adão": assim,
muitos admitirão o erro, e pôr-se-ão no seu lugar, "cada um dirá" ser um humilde servo. Será o momento da plenitude da profecia.


6-9 - Se alguém lhe disser: Que ferimentos são esses no meio de tuas mãos? São ferimentos que recebi na casa daqueles que me amavam, responderá ele. Ó lança, levanta-te contra o meu pastor, (contra o meu companheiro, diz Senhor dos exércitos). Fere o pastor, e as ovelhas serão dispersas e eu voltarei a minha mão para os pequenos. Em toda a terra, diz o Senhor, dois terços dos habitantes serão exterminados e um terço subsistirá. Mas farei passar este terço pelo fogo; purificá-lo-ei como se purifica a prata, prová-lo-ei como se prova o ouro. Então ele invocará o meu nome, eu o ouvirei, e direi: Este é o meu povo; e ele responderá: O Senhor é o meu Deus.

"Se alguém lhe disser: Que ferimentos são esses no meio de tuas mãos? São ferimentos que recebi na casa daqueles que me amavam, responderá ele": os homens serão gratos aos castigos que receberão, e saberão que por amor as receberam. Verão o erro em que estavam, a espécie de marca da besta na mão que tinham.

"Ó lança, levanta-te contra o meu pastor, (contra o meu companheiro, diz Senhor dos exércitos)": punição aos sacerdotes, os falsos doutores e falsos pastores serão atacados. "Fere o pastor, e as ovelhas serão dispersas e eu voltarei a minha mão para os pequenos": aqueles que caminhavam à perdição não estarão sob a direção destes, e os pequeninos, os inocentes, serão de Deus.

"Em toda a terra, diz o Senhor, dois terços dos habitantes serão exterminados e um terço subsistirá": assim como o livro do Apocalipse também menciona em uma das pragas. No entanto, diz de modo magnífico o profeta, "farei passar este terço pelo fogo; purificá-lo-ei como se purifica a prata, prová-lo-ei como se prova o ouro", isto é, este terço passará pela Bagarre, porque a punição purifica. "Então ele invocará o meu nome, eu o ouvirei, e direi: Este é o meu povo": figura do Reino de Maria, pois quem sobreviver invocará o Senhor, e Deus reconhecerá este povo como Seu.

Nosso Senhor citou esta parte também: "Então disse-lhes Jesus: Todos vós escandalizareis, pois está escrito: "Ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersarão". Mas depois que eu ressuscitar, preceder-vos-ei na Galiléia" (S. Marcos XIV). Hoje podemos ver um dos aspectos proféticos desta passagem. O Castigo é prefigura do Fim do mundo, assim como a Paixão de Cristo é prefigura do fim do mundo, paixão final da Igreja, assim como a ressurreição Dele é prefigura da ressurreição geral. Então, podemos dizer que no tempo do Castigo, todos os apóstolos, enquanto signifiquem sacerdotes, escandalizar-se-ão, isto é, não acompanharão Nosso Senhor na Sua crucificação. Assim, parece um modo de indicar como a grossa maioria dos padres nesta Era, a Era de uma parte do Grande Castigo, escandalizou-se, quer dizer, aderiram à crise na Igreja.


Cap. XIV, 1-7 - Eis que vem o dia do Senhor, em que os teus despojos serão divididos no meio de ti. Juntarei todas as nações para darem batalha contra Jerusalém: a cidade será atacada e tomada, as casas serão destruídas, as mulheres, violadas; metade da cidade irá para o cativeiro, mas o resto do povo não será expulso. Então sairá o Senhor e pelejará contra aquelas nações, como pelejou no dia do combate (à saída do Egito). Naquele dia os seus pés se pousarão no monte das Oliveiras, defronte de Jerusalém, para o lado do oriente, e o monte dividir-se-á em dois pelo meio, ao oriente e ao ocidente, formando assim um grande vale. Uma metade do monte se afastará para o norte, a outra para o meio-dia [meridiem]. E vós fugireis para o vale daqueles montes, porque este vale estará contíguo ao monte vizinho; e fugireis como fugistes do terremoto no tempo de Ozias, rei de Judá. Então aparecerá o Senhor meu Deus, e todos os seus santos com ele. Naquele dia não haverá luz, mas sim frio e gelo. Será um dia conhecido do Senhor, que não será nem dia nem noite, e na tarde aparecerá a luz.

Analisemos esses versículos na dimensão interpretativa em que estamos, conforme falamos nas regras de interpretação no capítulo I.


"Juntarei todas as nações para darem batalha contra Jerusalém". A Jerusalém da profecia, a Igreja, "metade da cidade irá para o cativeiro, mas o resto do povo não será expulso, isto é, a Igreja ficará sob a tirania das nações, mas a outra parte não. Então, começará a guerra mundial, que espiritualmente já iniciou com a restauração engendrada pelo Papa Santo. "Então sairá o Senhor e pelejará contra aquelas nações, como pelejou no dia do combate (à saída do Egito)": será como nos dias do Egito, pois haverão milagres na natureza a favor do povo de Deus.

"Naquele dia os seus pés se pousarão no monte das Oliveiras, defronte de Jerusalém, para o lado do oriente, e o monte dividir-se-á em dois pelo meio, ao oriente e ao ocidente, formando assim um grande vale...". Este monte, o da agonia de Nosso Senhor, significa a divisão entre os maus e os bons. "E fugireis como fugistes do terremoto no tempo de Ozias, rei de Judá", por causa das catástrofes naturais.

"Então aparecerá o Senhor meu Deus, e todos os seus santos com ele":
será o fim do Castigo Mundial com os santos restauradores, pois aqui fala-se dos três dias de escuridão também. Afinal: "Não haverá luz, mas sim frio e gelo", "não será nem dia nem noite".

8-11 - Naquele dia sairão de Jerusalém águas vivas, metade das quais correrá para o mar do oriente e metade para o mar do ocidente; jorrará tanto no verão como no inverno. O Senhor reinará sobre toda a terra. Naquele dia o Senhor será o único Deus e o seu nome será único. Toda a terra voltará a ser habitada até o deserto, desde a colina de Remon, até o meio-dia de Jerusalém; será exaltada e ocupará o seu lugar, e dominará desde a porta de Benjamim até o lugar da Primeira Porta, até a Porta do Ângulo, e desde a torre de Hananeel até os lagares do rei. Habitarão nela e não tornará a ser ferida de anátema: mas Jerusalém estará segura.

 
"Naquele dia sairão de Jerusalém águas vivas, metade das quais correrá para o mar do oriente e metade para o mar do ocidente": depois da restauração haverá graças da Santa Igreja para o oriente e para o ocidente, o "Senhor reinará sobre toda a terra. Naquele dia o Senhor será o único Deus e o seu nome será único", todos serão católicos e a Igreja será a única verdadeira religião. "Toda a terra voltará a ser habitada até o deserto": a terra voltará a ser povoada como era antes do Castigo Mundial, mas agora todos serão de Cristo.

"Não tornará a ser ferida de anátema", isto é, quando vier o anticristo já não haverá inteiramente um castigo terreno, mas novos céus e nova terra, ou seja, não se pode falar de um castigo no sentido terreno, pois não haverá muito tempo para penitência, mas só para lamentação. Por isso, a terra que é do Senhor, chamada pelo profeta de Jerusalém, não será mais ferida, pois até a vinda do anticristo haverá paz e, então, o fim.

12-21 - A praga com que o Senhor vai ferir todos os povos que atacaram Jerusalém: apodrecerá sua carne, estando eles ainda de pé; seus olhos apodrecerão dentro de suas órbitas, e apodrecer-lhes-á a língua dentro da boca. Naquele dia o Senhor semeará o pânico no meio deles, cada um pegará na mão do seu próximo e apertará a sua mão sobre a mão do seu próximo. Também Judá combaterá contra Jerusalém; juntar-se-ão as riquezas de todas as nações vizinhas: ouro, prata e vestes em grande quantidade. Cavalos, mulos, camelos, jumentos, e todo animal que se encontrar nos campos, serão feridos com a mesma ruína.

Os que restarem de todas as nações que tiverem atacado Jerusalém virão todos os anos adorar o rei, o Senhor dos exércitos, e celebrar a festa dos Tabernáculos. Toda e qualquer família da terra que não subir a Jerusalém para adorar o rei, o Senhor dos exércitos, não receberá chuva. Se a família do Egito não subir nem vier, não haverá chuva para ela, mas será ferida da ruína, com que o Senhor ferirá todas as nações que não subirem a Jerusalém para celebrar a festa dos Tabernáculos. Este será o castigo do pecado do Egito, como também de toda nação que não subir para celebrar a festa dos Tabernáculos. Naquele dia todos os ornatos dos cavalos serão consagrados ao Senhor. Os caldeirões na casa do Senhor serão consagrados como as taças do altar. Todo caldeirão, tanto em Jerusalém como em Judá, será consagrado ao Senhor dos exércitos; todo aquele que vier oferecer sacrifício poderá servir-se deles para cozinhar; e não haverá mais mercadores na casa do Senhor dos exércitos.



Esta parte não podia ser mais clara em detalhes sobre o Grande Castigo e o Reino de Maria, pois falam em vir a Jerusalém para celebrar festas, a ausência de mercadores na casa do Senhor, etc, ou seja, em primeiro plano a profecia fala de algo antes do fim do mundo.

Próximo deste capítulo: O profeta Ezequiel fala da corrupção sacerdotal, da restauração da Igreja e da vinda de um Rei, um "novo Davi"