A vinda do Reino de Maria provada pelo livro do Apocalipse, baseada em parte nas indicações do Pe. Antônio Vieira

Para entender melhor o artigo, recomendamos:

A vinda do Reino de Maria provada pelos profetas do Antigo Testamento, baseada em parte nas indicações do Pe. Antônio Vieira

A Teologia da História prova a vinda do Reino de Maria, por Plinio Corrêa de Oliveira em 1971.

A vinda do Reino de Maria provada pelos Salmos, baseada em parte nas indicações do Pe. Antônio Vieira
 
Clique aqui para ler mais sobre o Reino de Maria 

"Vi que o Cordeiro tinha aberto um dos sete selos, e ouvi que um dos quatro animais dizia, como em voz de trovão: Vem. Olhei e vi um cavalo branco. O que estava montado sobre ele tinha um arco; foi-lhe dada uma coroa, e saiu como vitorioso e para vencer.

Tendo aberto o segundo selo, ouvi o segundo animal, que dizia: Vem. Saiu outro cavalo vermelho. Ao que estava montado sobre ele foi dado o poder de tirar a paz da terra a fim de que os homens se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada.

Tendo aberto o terceiro selo, ouvi um terceiro animal, que dizia: Vem. Olhei e vi um cavalo negro. O que estava montado sobre ele tinha na sua mão uma balança. Ouvi como que uma voz no meio dos quatro animais, que dizia: uma medida de trigo por um denário e três medidas de cevada por um denário, mas não causes dano ao vinho nem ao azeite.

Tendo aberto o quarto selo, ouvi a voz do quarto animal, que dizia: Vem. Olhei e vi um cavalo pálido. O que estava montado sobre ele tinha por nome Morte e seguia-o Inferno. Foi-lhe dado poder sobre as quatro partes da terra, para matar à espada, à fome, com a peste e por meio das feras da terra" Ap 6, 1-8.

Pe.Antônio Vieira entende [1], junto com Cornelio A Lapide e outros autores, os cavalos como as principais seitas do mundo que são aniquiladas por Cristo vitorioso no primeiro cavalo. O pálido são os mouros e turcos pela coloração da pele, e que possuem todo o tipo de tirania e crueldade. Adicionamos: são os árabes do Islam, que se espalharam pelos quatro cantos do mundo atualmente, principalmente na Europa, não tendo o poder, mas tendo a influência sobre os governantes de esquerda que tem o poder na maior parte do ocidente e no oriente, que em geral se aliam com estes muçulmanos. É o quarto cavalo porque é na quarta era cristã, no começo do século VII, que começa esta abominável seita de Maomé.

O negro são os gentios, cuja cor "ou é ou se inclina para negro, como os da África, Ásia e América" [2]. Adicionamos: Muitos foram cristianizados, mas originalmente era assim, e cultos anímicos pagãos como macumba, candomblé, e uso de entorpecentes para contato com os espíritos da floresta vem dos homens que possuíam esta coloração. Os pagãos da Ásia que são brancos normalmente possuem um traço negro característico, que é a coloração fortemente negra do cabelo. Pe.Antônio diz que a balança neste contexto significa o comércio que os católicos tinham com eles, e isto tem base atual também por duas razões: as nações pagãs atuais possuem grande participação no comércio, como a maioria dos produtos de tecnologia que são feitos no oriente, em países como China, Tailândia, Taiwan, etc. E o mundo atual vive imerso no neo-paganismo, que tem o comércio, a esfera econômica, como sentido da vida. Representa o terceiro cavalo porque a catequização deste povo começou fortemente a partir da terceira era cristã, do que podemos destacar a conversão ao cristianismo do Império de Axum, que chegou a conquistar grande parte da África habitada.

O cavalo ruivo são os hereges, cor mais própria da gente do Norte e Setentrionais, onde reina a heresia (tanto na época do Pe.Vieira como atualmente). A insígnia dada enquadra por ser este cavalo a origem de tantas guerras, por ele ter uma grande espada, isto é, um grande poder que é o poder ideológico nestas regiões. Adicionamos: representa o segundo cavalo porque as heresias várias só começam depois que termina definitivamente o judaísmo com a destruição do templo, o começo da segunda era, pois antes disso eram alguns judeus os que fomentavam as heresias, e por causa deles é que se convoca o Concílio de Jerusalém nos Atos dos Apóstolos. As primeiras heresias cristológicas e gnósticas apareceram neste tempo. É bom notar que a destruição do templo simboliza a ruptura entre aqueles que tinham a fé verdadeira, os judeus que se tornaram cristãos, e os que traíram a sua fé: os judeus que recusaram Cristo.

Os quatro animais representam os quatro evangelhos, segundo o Beato Holzhauser e outros, embora este Beato tenha uma interpretação diferente da nossa. De fato, cada evangelho tinha um público específico, seja aos judeus, aos pagãos, aos hereges (aqueles que tem objeções várias), aos árabes (não os muçulmanos, pois estes são hereges também). Acreditamos que respectivamente correspondem ao Evangelho de S.João, de S. Marcos, de S. Mateus e de S. Lucas. O primeiro porque é a "voz de trovão" do "filho do trovão", o filho de Zebedeu, irmão de S.Tiago. O segundo porque S.Marcos estava junto a S.Pedro na Roma pagã e escrevia àquele povo. O terceiro porque S.Mateus era cobrador de impostos, profissão considerada de homens pecadores contra a lei mosaica e tudo o mais, o que seria equivalente ao herege, não que ele tenha sido um, mas sua posição antes de ser apóstolo simboliza uma missão apostólica em relação a todos aqueles. E o quarto, tanto porque sobra, tanto porque tem uma sublime mariologia,
fala de mistérios os quais os orientais cristãos antigos eram bem iniciados, e mostra a verdadeira aparição do Anjo Gabriel, que os muçulmanos atribuem também ao falso profeta Maomé.

Assim, a ordem em que aparece os cavalos é, nesta atribuição aos Evangelistas, não por acaso, a ordem inversa em que aparecem os Evangelhos na Sagrada Escritura, significando tais cavalos uma oposição ao Espírito de Cristo. No entanto, Cristo domina o primeiro cavalo porque vence a carne, e aquele carne, a carne judaica, fica sem um dominador ruim característico, como vimos com os outros cavalos, representantes das outras três das quatro raças principais do mundo, a do norte (ruiva), a do sul (negra), a do oriente (pálida). Por isso, a raça judia fica como que vagando por entre todas as raças, sem um espírito específico para dominá-la porque não a domina Cristo. Então fica suscetível de ser dominada por qualquer um dos dominadores dos outros cavalos, como a maçonaria, que é dominada por qualquer espírito que seja contrário a Cristo no momento, e por isso a relação entre o espírito maçônico e do judeu de sangue (que rejeita Nosso Senhor Jesus Cristo). Um dos motivos pelo qual em todas as revoluções viu-se gente desta raça entre os comandantes.

Esta analogia das quatro raças esclarece porque Nosso Senhor tinha um arco na mão: ele representava estas três outras direções, e é por isso que vieram os três Reis Magos adorar o menino Jesus, já que o outro canto do mundo era representado por São José, varão de estirpe real, e Nossa Senhora representava o centro do mundo, da onde veio o Salvador. Estes dois eventos são interligados e mostram que destes quatro cantos, Cristo é o vencedor, Ele dominará não só o que veio dominar, como dominará os outros três cantos significado pelo seu arco, será servido pelos outros três cantos significados pelos três Reis Magos. Ele, desses três cavalos, "saiu como vitorioso", porque já tinha cumprido sua missão salvífica, "e para vencer", porque irá conquistar os quatro cantos da terra. Que ele já tinha aberto as sete eras Cristãs com a sua missão salvadora no Calvário mostra o capítulo cinco do mesmo livro Sagrado, onde o Cordeiro imolado é aquele digno de abrir o livro e romper os seus selos.

"Depois disto, vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, os quais estavam em pé diante do trono e diante do Cordeiro revestidos de vestiduras brancas e com palmas nas suas mãos. Clamavam em voz alta, dizendo: a salvação ao nosso Deus, que está sentado sobre o trono, e ao Cordeiro. Todos os anjos estavam de pé em volta do trono, dos anciãos e dos quatro animais, e prostraram-se sobre os seus rostos, ante o trono, e adoraram a Deus, dizendo: Amén. Bênção, claridade, sabedoria, ação de graças, honra, virtude e fortaleza, ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amén (...). E ele disse-me: Estes são aqueles que vieram da grande tribulação, lavaram os seus vestidos e os embranqueceram no sangue do Cordeiro. Por isso estão diante do trino de Deus e o servem de dia e de noite no seu templo; e o que está sentado sobre o trono os abrigará sob o seu tabernáculo; não terão mais fome nem sede, nem cairá sobre eles o sol, ou calor algum" Ap 7, 9-12 e 14-16.

Esta parte vem após a abertura do sexto selo, representante da sexta era cristã, o Reino de Maria, e por isso simboliza o Quinto Império segundo o Pe.Antônio Vieira. É interessante notar que isto acontece depois de um grande castigo na terra, depois de assinalados nas frontes os "que vieram da grande tribulação", quando "os reis da terra, os príncipes e os tribunos, os ricos e poderosos, todo o servo e livre, se esconderam nas e cavernas e entre os penhascos dos montes", porque tiveram medo de tudo aquilo, que era o Castigo Mundial, a chamada Bagarre.

"Vi descer do céu um anjo que tinha na sua mão a chave do abismo e uma grande corrente. Prendeu o dragão, a serpente antiga, que é o demônio e satanás, e amarrou-o por mil anos; meteu-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não seduza mais as nações até se completarem os mil anos. Depois disto, deve ser solto por um pouco de tempo" Ap 20, 1-3.

O Pe.Antônio Vieira entende os "mil anos" por um largo espaço de tempo, não estritamente mil anos [3]. E relaciona os homens que, nesta parte do Apocalipse, viveram com Cristo durante mil anos, com os habitantes do Quinto Império. Essa visão está correta em sua dimensão de interpretação, pois a Escritura pode comportar outros sentidos contanto que não sejam contraditórios. Estes mil anos não foram os da Idade Média, a maior glória da Igreja na esfera temporal até hoje. Isto porque sabemos que os martírios, e o poder das nações só cessam completamente lá pelo século VIII, IX, e começam a voltar, caindo no sentido de que Satanás voltou a seduzir as nações, no começo século XIV. Nenhum historiador é da opinião de que a Idade Média durou mil anos. De qualquer forma, este tempo não cumpriu outras características do Reino de Maria que o Padre bem soube definir. Também sabemos que depois da Idade Média as heresias, o prestígio da Igreja, os cismas e tudo o mais só aumentaram, e na esfera temporal a Doutrina da Igreja foi sendo cada vez mais desobedecida, tanto que até hoje nem os mais altos prelados a seguem.

O anjo coloca um selo sobre o abismo, para que quando for aberto, o demônio saia de lá. É um dos sete selos que S.João menciona, e nós definimos como o sétimo, pois o tempo que o chifrudo não vai seduzir as nações é o tempo do Reino de Maria, e depois dele só poderia vir o anti-Cristo, e então o fim do mundo, e por isso "por um pouco tempo", pois o anti-Cristo faria muito em pouco tempo, destruiria muito em pouco tempo, ultrapassando tudo que de mau já foi feito.

"Vi tronos e (vários personagens) que se sentaram sobre eles e lhes foi dado o poder de julgar; vi também as almas daqueles que foram degolados por causa do testemunho de Jesus e por causa da palavra de Deus, e aqueles que não adoraram a besta nem a sua imagem, nem receberam o seu caráter sobre a fronte ou sobre as suas mãos e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Os outros mortos não tornaram à vida até se completarem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; a segunda morte não tem poder sobre estes, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele durante mil anos" Ap 20, 4-6.

Os tronos e personagens são, segundo o Padre, os inúmeros tronos que farão a glória do império consumado de Cristo na terra. Eles não adoraram a besta porque não tomaram o partido dela, e os que não receberam o caráter dela na fronte e na mão são os que não adoraram, mas se colocaram em uma posição confortável, sendo os homens com a marca na fronte os marcados não pelo sinal da santa cruz, que é de martírio, mas pelo sinal da perdição. Os que tem a marca na mão são aqueles que movem a mão para o mal mas dizem fazer o bem, ou seja, aquele que aceitam na prática a besta. A interpretação tanto é assim que S.João começa mencionando os que morreram pelo testemunho e pela palavras, isto é, os que tiveram martírio físico e espiritual ao contrário destes.

Estes outros mortos, são os mortos em outras eras, e são também os mortos de verdade da era, quer dizer, não pelo martírio espiritual. Por isso eles só voltarão depois do fim do mundo, depois de aberto o último selo e solto satanás do abismo. A primeira ressurreição é a restauração da Igreja, quando ela parecer morta, então quem sobrevive neste tempo é bem-aventurado, pois foi escolhido para não se perder como os que não passaram deste tempo: a segunda morte, a física, já não tem poder sobre eles, o Reino de Maria começou e os homens agora não se perdem como antes, pois são servidores de Deus, sacerdotes no duplo aspecto, de "Deus e de Cristo", como dá a entender S.João, porque o apóstolo quer significar quem não é padre e quem é padre, mas verdadeiramente, diferente dos padres que fomentaram a crise na Igreja.

Após esta visão, o Evangelista conta como Satanás sai do abismo depois destes mil anos, seduz as nações, cerca a cidade querida (o templo de Deus), mas Deus manda fogo do céu e o coloca no inferno junto com o falso-profeta, e então aparece os mortos, grandes e pequenos de pé, diante do trono de Cristo, e o livro da vida é aberto, ou seja, tudo isso é o evento do juízo final e da vinda do anti-Cristo, segundo nós pensamos e também o Pe.Vieira [4].

-----------------------------------------
Fontes:
[1] Defesa Perante o Tribunal do Santo Ofício, tomo II, repr.2, q.14, n.197. Ed. Progresso
[2] Idem.
[3] Idem pg.221-222, no.513-514.
[4] Idem, pg.233-235 no.531-532.