Papas, Santos e Teólogos falaram contra a comunhão na mão ? Refutação do pseudo apoio de São Cirilo de Jerusalém

S.Basílio de Cesaréia
A Sagrada Comunhão deve ser recebida na boca e de joelhos nos casos ordinários, as exceções sempre existiram, mas somente para os casos de urgência devem ser postas a mão não consagrada na Eucaristia, como em casos de perseguição, evitamento de um sacrilégio, etc. As citações a seguir provam isso.

O falso apoio de São Cirilo de Jerusalém

"Dirigindo-se, pois (à Comunhão) aproximai-vos com as palmas da mão abertas, nem com os dedos disjuntos, mas tendo a esquerda em forma de um trono sob aquela mão que está por acolher o Rei e com a direita côncava, recebei o corpo de Cristo, respondendo Amém. Depois que tu, com cautela tiver santificado os teus olhos pondo-te em contacto com o corpo de Cristo, aproximai também do cálice do sangue: não tendo as mãos estendidas, mas genuflexo de modo a expressar senso de adoração e veneração. Dizendo Amém, te santificarás, tomando também o sangue de Cristo. E tendo ainda os lábios úmidos, tocai-o com as mãos e depois com esse santificarás os teus olhos, a fronte e os outros sentidos. Da Comunhão jamais vos afastai, nem vos privai destes sagrados e espirituais mistérios, ainda que estejais manchados pelo pecado" [1].

Óbviamente é um sacrilégio, um pecado grave aproximar-se da comunhão em pecado, coisa que um santo não apoiaria como aparece na última parte. Também é um tanto ridículo todo o ritual supersticioso recomendado depois, com a sugestão de tocar nos lábios, depois nos olhos, etc. 
A descrição desse rito extravagante, em boa parte sacrílego, entrou na Catequese Mistagógica por obra de um sucessor de São Cirilo, que segundo alguns seria o bispo João, um cripto-ariano, origeniano e pelagiano, que mais tarde foi contestado por Santo Epifânio, São Jerônimo e Santo Agostinho.

S. Justino Mártir (100-166)

Testificando que a eucaristia era distribuída até aos doentes somente pelos consagrados (diáconos e ministros): “Depois que o presidente deu ação de graças e todo o povo aclamou, os que entre nós se chamam ministros ou diáconos dão a cada um dos presentes parte do pão, do vinho e da água sobre os quais se pronunciou a ação de graças, e são também enviados aos ausentes por meio dos diáconos” [2]


S.Basílio Magno (330-379)

"É desnecessário notar que qualquer um em tempos de perseguição compelido a comungar com as próprias mãos sem a presença de um padre ou ministro não faz uma ofensa séria, como o longo costume sanciona a prática dos fatos. Todos os solitários no deserto, quando não há padres, tomam a comunhão eles mesmos, guardando-A em casa" [3].

Papa S. Leão Magno (400-461)

No capítulo sobre "A verdade da Encarnação é provada tanto pela festa da Eucaristia quanto pela divina Instituição das esmolas": "A pessoa recebe na boca o que ela acredita pela fé" [4]. 

Papa S.Gregório Magno (540-604) comentando o Papa S.Agapito I

Conta S.Gregório Magno que o Papa reinante de 535 a 536, durante os poucos meses do seu pontificado, dirigindo-se a Constantinopla, curou um surdo-mudo durante o ato de "ei dominicum Corpus in os mitteret (colocou em sua boca o Corpo do Senhor) " [5]. 

S.Tomás de Aquino (1225-1274)

"A distribuição do Corpo de Cristo pertence ao sacerdote por três razões.

Primeira, porque consagra na pessoa de Cristo. E assim como Cristo consagrou o Seu Corpo na (Última) Ceia e O deu também a partilhar aos outros, do mesmo modo tal como a consagração do Corpo de Cristo pertence ao sacerdote, assim também a Sua distribuição lhe pertence.

Segunda, porque o sacerdote foi nomeado intermediário entre Deus e o povo. Portanto, assim como lhe compete oferecer a Deus as oferendas do povo, assim também lhe compete entregar ao povo as oferendas consagradas.

Terceira, porque, por respeito para com este Sacramento, nada Lhe toca a não ser o que é consagrado; eis porque o corporal e o cálice são consagrados, e da mesma maneira as mãos do sacerdote, para que toquem este Sacramento. E assim, não é licito que qualquer outra pessoa Lhe toque, excepto em caso de necessidade, por exemplo, se caísse ao chão ou em qualquer outro caso de urgência" [6]

Concílio de Trento (1545-1563)


"Na comunhão sacramental sempre foi costume na Igreja de Deus receberem os leigos a comunhão das mãos do sacerdote... . Com razão e justiça se deve conservar este costume como proveniente da Tradição apostólica" [7].

São Pio X (1835-1914)


"640) Como devemos apresentar-nos no ato de receber a sagrada Comunhão? 

No ato de receber a sagrada Comunhão devemos estar de joelhos, com a cabeça medianamente levantada, com os olhos modestos e voltados para a sagrada Hóstia, com a boca suficientemente aberta e com a língua um pouco estendida sobre o lábio inferior. Senhoras e meninas devem estar com a cabeça coberta.

642) Quando se deve engolir a sagrada Hóstia? 
Devemos procurar engolir a sagrada Hóstia o mais depressa possível, e convém abster-nos de cuspir algum tempo.


643) Se a sagrada Hóstia se pegar ao céu da boca, que se deve fazer? 
Se a sagrada Hóstia se pegar ao céu da boca, é preciso despegá-la com a língua, nunca porém com os dedos" [8].

D. Athanasius Schneider (1961-)

Expert em Patrística, autor do livro "A Sagrada Comunhão e a Renovação da Igreja", e Bispo auxiliar no Cazaquistão, sustenta que "a prática que hoje conhecemos da comunhão na mão nasceu no século XVII entre os calvinistas, que não acreditavam na presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia. "Nem Lutero", que se cria nela ainda que não na transubstanciação, "o havia feito", disse o Bispo do Cazaquistão: "De fato, há relativamente pouco tempo os luteranos comungavam de joelhos e na boca, e todavia hoje alguns o fazem nos países escandinavos" [9].

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Fontes:
[1] Catequese Mistagógica V 21 s
[2] I Apologia, 66
[3] Carta 93, Sobre a Comunhão, Nicene and Post-Nicene Fathers, Second Series, Vol. 8, 1895. Disponível em newadvent.org
[4] Serm. 91.3, III, Comentários ao Evangelho de S.João, capítulo 6 
[5] Diálogos, III, 3
[6] Summa Theologica, Pars III, Q.82, Art. 13
[7] Sessão XIII, de 11-10-1551 – Decreto sobre a Santíssima Eucaristia – capítulo 8
[8] Catecismo de S.Pio X, números indicados
[9] Religion en Libertad 13 agosto 2011. Disponível em http://www.religionenlibertad.com/articulo.asp?idarticulo=17082