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Bíblia, Papas, Santos, prelados e teólogos deram medida de modéstia e pudor?

S. Padre Pio, rogai por nós!

Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados" (volume II, 2a edição).

Artigo ordenado, melhorado e unido de dois antigos sobre o mesmo tema que continham compilados da Bíblia, Papas e de Santos e prelados.

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Por falta de texto mais autorizado sobre a Sagrada Escritura e sobre objeções, incluímos o que nos parece razoável sobre, tendo em vista os compilados.


Sumário deste artigo:

- Sagrada Escritura
- Papas
- Santos
- Objeções e Respostas 


- Sagrada Escritura

O Gênesis III indica que, depois do pecado original, apesar de estarem sós e serem casados, Deus vestiu Adão e Eva.

"Feliz aquele que vigia e guarda as suas vestes para que não andes nu, ostentando a sua vergonha", Apocalipse XVI.

"
Os soldados, depois de terem crucificado Jesus, tomaram  as suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado. Tomaram também a túnica. Quanto à túnica, que não tinha costura, toda tecida de alto a baixo, disseram uns para os outros: Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela, para ver a quem tocará. Cumpriu-se deste modo a Escritura, que diz: Repartiram as minhas vestes entre si, e lançaram sortes sobre a minha túnica (Sl. 22,19). Os soldados assim fizeram." S. João XIX. Sendo Deus Encarnado o modelo de modéstia, e a noção histórica de que o “alto” não acabava nos cotovelos, nem o “baixo” nos joelhos, temos aqui a medida de modéstia mais perfeita, dada pelo próprio Deus. Por isso, nas imagens religiosas, Nosso Senhor Jesus Cristo só foi representado com pouca roupa na hora ignominiosa da Paixão e Crucifixão.

Em recinto sagrado, no Novo Testamento os trajes femininos e masculinos deverão ser diferentes: "Julgai vós mesmos: é decente que uma mulher faça oração a Deus, com a cabeça descoberta? E não vos ensina a própria natureza que é desonroso para o homem deixar crescer os cabelos? Pelo contrário, é glória para a mulher deixá-los crescer, porque os cabelos foram-lhe dados como véu (para se cobrir). Se alguém quiser contestar (o que digo), (fique sabendo que) nós não temos tal costume, nem as Igrejas de Deus." I Cor XI. A mulher é exortada a se vestir com modéstia em I Tim 2. De fato, Nossa Senhora sempre foi representada muito recatada nas imagens.

Em qualquer tempo, no Antigo Testamento os trajes femininos e masculinos deverão ser sempre diferentes: "Não haverá traje de homem na mulher, e nem vestirá o homem roupa de mulher; porque, qualquer que faz isto, abominação é ao Senhor teu Deus", Dt XXII.

- Papas
 

Pio XII contra as roupas que oferecem perigo de pecado ao próximo, contra as roupas que exibem as coxas, etc

“(...) a modéstia – a própria palavra “modéstia” vem de modus, uma medida ou limite – provavelmente expressa melhor a função de governar e dominar as paixões, especialmente as paixões sensuais. Ela é o baluarte natural da castidade. É seu baluarte natural porque ela modera os atos que estão estreitamente conectados com o próprio objeto da castidade (...)

Mas, não importa quão ampla e variável seja a moral relativa das modas, sempre haverá uma norma absoluta para guardar depois de ter escutado a admoestação da consciência advertindo ao se aproximar do perigo: um estilo jamais deve ser uma ocasião próxima de pecado.” [1].

“Lemos na “Passio SS. Perpetuae et Felicitatis” – com justiça considerada uma das jóias mais preciosas da literatura cristã primitiva – que, no anfiteatro de Cartago, quando a mártir Vibia Perpétua, jogada para o alto por uma vaca selvagem, caiu no chão, seu primeiro pensamento e ação foi arrumar o vestido de modo a cobrir sua coxa, porque ela estava mais preocupada com a modéstia do que com a dor.” [2]

Bento XV

“Desde este ponto de vista não podemos deixar de condenar a cegueira de quantas mulheres de todas as idades e condição; feitas tontas pelo desejo de agradar, elas não vêem a que nível a indecência de suas vestes chocam a todo homem honesto, e ofendem a Deus. A maioria delas teriam, em outras épocas, se envergonhado com esses estilos por grave falta contra a modéstia Cristã; e já não é suficiente que elas se exibam na via pública; elas não tem medo de cruzar as portas da Igreja, a assistir o Santo Sacrifício da Missa, e até de levar a comida sedutora das suas paixões vergonhosas até o Altar da Eucaristia onde recebemos o Autor celeste da pureza.”. [3]

Pio XI contra as roupas indecentes, incluso as de ginástica

I. O padre da paróquia e, especialmente, o pregador, quando a oportunidade surgir, deverá, segundo as palavras do Apóstolo Paulo (I Tim 2,9), insistir, argumentar, exortar e ordenar que o traje feminino seja baseado na modéstia e que o adorno feminino seja uma defesa da virtude. Deixá-los igualmente advertir aos pais para fazer com que suas filhas deixem de vestir trajes indecorosos (...).


"III. Que os pais mantenham suas filhas longe do público de jogos e competições de ginástica, mas se as suas filhas são obrigadas a frequentar essas exposições, deixá-los ver que elas estejam totalmente e modestamente vestidas. Que eles nunca permitam que suas filhas usem trajes indecentes. (...)

V. As Superioras mencionadas e professores não devem receber em suas faculdades e escolas meninas vestidas indecentemente, e não devem nem mesmo abrir uma exceção no caso das mães dos alunos. Se, após a admissão, as meninas insistirem em vestir-se indecentemente, as alunas devem ser rejeitadas. (...)

IX. Donzelas e mulheres vestidas indecentemente devem ser impedidas de receber a Comunhão e de atuar como madrinhas dos sacramentos do Batismo e da Confirmação, e, além disso, se o delito for extremo, podem mesmo ser proibidas de entrar na Igreja" [4]..

- Santos
 

São Leonardo de Porto Maurício (1676-1751) contra o traje que rouba de Deus os olhares (vale tanto para o exagerado, quanto para o imodesto)

"Uma mulher, que entra na Igreja com um traje espaventoso, atrai todos os olhares, e queira Deus não atraia também os corações, arrebatando ao Senhor as devidas adorações. (...) quanto me escandalizam certas pretensiosas que, com seus penteados ridículos e ares de atrizes, assumem poses de deusas no lugar santo. (...)

Se, entretanto, ides à Igreja com certos trajes escandalosos, mereceis todas as censuras. Transformeis o templo sagrado em covil de ladrões, pois roubais a Deus a honra, pelas distrações que provocais aos sacerdotes, aos ministros, a todo o povo". [5]

São Tomás de Aquino (1225-1274) com citação de Santo Agostinho (354-430)

“ (...) o mau uso dessas coisas da aparência exterior pode vir também de uma descontrolada afeição a elas e parte do usuário, levando-o, por vezes, a utilizá-las de modo sensual demais, esteja ele de acordo ou em desacordo com os costumes locais. Por isso, recomenda Agostinho: ‘Não se deve usar nada com paixão, pois esta não só ofende, perversamente, o costume daqueles entre os quais se vive, como também, ultrapassando-lhes, muita vez, os limites, manifesta, com rompantes escandalosos, um descaramento antes escondido sob o véu de costumes públicos’.

Ora, essa afeição desordenada pode manifestar seu exagero de três formas (...). Outra manifestação dessa exagerada preocupação com a roupa acontece quando nisso se buscam os prazeres do corpo, vendo na roupa um atrativo para tais prazeres". [6]
Imagem não original nossa

"Os adornos das mulheres estão isentos de pecado mortal? (...)

RESPONDO. Em relação aos adornos das mulheres, devem-se fazer as mesmas observações antes feitas, em geral, sobre a apresentação exterior, destacando, porém, algo especial, ou seja, que os adornos femininos despertam a lascívia nos homens, segundo o livro dos Provérbios, 7: ‘Eis que essa mulher lhe vem ao encontro, trajada qual prostituta, toda insinuação’. No entanto, pode a mulher, licitamente, empenhar-se por agradar ao marido, para evitar que ele, desdenhando-a, venha a cair em adultério. Por essa razão, se diz na primeira Carta aos Coríntios, 7: ‘A mulher casada preocupa-se com as coisas do mundo: ela procura como agradar o marido’. Portanto, se a mulher casada se enfeita para agradar ao marido, pode fazê-lo sem pecado. Mas as que não têm marido nem os querem ter e vivem em celibato, não podem, sem pecado, querer agradar aos olhos dos homens, para lhes excitar a concupiscência, porque isso seria incentivá-los a pecar. Se, pois, se enfeitarem com essa intenção de provocar os outros à concupiscência, pecam mortalmente. Se o fizerem, porém, por leviandade, ou mesmo por um desejo vaidoso de aparecer, nem sempre será pecado mortal, mas às vezes venial. Diga-se o mesmo, aliás, a respeito dos homens. Por isso, escreve Agostinho: ‘Sugiro-te que não te precipites em proibir enfeites de outro ou vestes preciosas, a não ser aos que, não sendo casados nem querendo sê-lo, deveriam pensar em como agradar a Deus. Quanto aos outros, eles pensam nas coisas do mundo: os maridos, como agradarão às esposas; as mulheres, como agradarão aos maridos, sempre com a ressalva feita pelo Apóstolo, a saber, nem às mulheres casadas convém trazer os cabelos descobertos’. Nesse caso, porém, ainda é possível que algumas mulheres fiquem isentas de pecado, se não agirem por vaidade, mas por um costume contrário, embora não recomendável" [7].

São Padre Pio (1887-1968)

"Padre Pio não tolerava vestidos curtos ou com decotes baixos, saias justas, e ele proibiu suas filhas espirituais de vestir meias-calças transparentes. A cada ano a sua severidade aumentava. Ele teimosamente mandava embora do seu confessionário, mesmo antes de pôr o pé dentro, quem ele julgasse estar indevidamente vestidas. Em algumas manhãs, ele expulsou uma após a outra, até que ele acabou por ouvir muito poucas confissões. Seus irmãos observaram estes drásticos expurgos com certo mal-estar e decidiram pregar uma placa na porta da igreja: “Por desejo explícito do Padre Pio, a mulher deve entrar no confessionário vestindo saias PELO MENOS 20 CENTÍMETROS ABAIXO DO JOELHO. É PROIBIDO EMPRESTAR UM VESTIDO LONGO NA IGREJA PARA USÁ-LO PARA A CONFISSÃO“ "[8].

"Uma vendedora de calças dona de uma loja de varejo em Vancouver foi se confessar na Itália com Padre Pio e teve sua absolvição foi recusada:

“Ele ordenou que ela voltasse para casa no Canadá e se livrasse de todo seu estoque, e não desse qualquer um dos itens para as pessoas que poderiam usá-los, e se ela quisesse sua absolvição, poderia voltar à Itália e recebê-la, só depois que ela realizasse impiedosamente suas ordens” "[9].

"Shorts e mangas curtas, até em crianças não era aceito pelo Padre Pio. Para um homem indo para a confissão de maga curta ele disse: “ou alongue as suas mangas ou encurte seus braços” "[10].

"Uma garota de mini-saia foi informada que era preciso de um vestido maior para se confessar com o Padre Pio. Ela foi na loja com a mãe comprar as roupas apropriadas. Olhando a si mesma no espelho com o novo vestido ela disse: “Se eu o meu namorado me vesse assim ele iria pensar que eu sou um palhaço”. Quando sua vez de se confessar chegou e a portinhola abriu, ela ouviu “Vai embora! Eu não confesso palhaços“ "[11]

São Francisco de Sales (1567-1622)

"São Paulo quer que as mulheres cristãs (o que há de entender-se também dos homens) se vistam segundo as regras da decência, deixando de todo excesso e imodéstia em seus ornatos. Ora, a decência dos vestidos e ornatos depende da matéria, da forma e do asseio" [12].

Cardeal Siri (1906-1989)

“ (...) para uma roupa ser modesta, no entanto, ela não deve somente cobrir o corpo, mas também não ficar apertada demais no corpo. É verdade que muitas roupas femininas colam mais do que muitas calças, mas as calças podem ser feitas para apertarem mais, e de fato geralmente apertam. Por isso, este tipo de roupa, colada ao corpo, nos dão a mesma preocupação quanto às roupas que expõem o corpo. Então a imodéstia das calças masculinas no corpo feminino é um aspecto do problema que não pode ser deixado sem uma observação geral sobre elas, ainda que não deva ser superficialmente exagerado também”. [13]

Cardeal Pompili (1858-1931)

"Para que a uniformidade no entendimento (a respeito da modéstia) prevaleça (…) recordamos que um vestido não pode ser chamado de decente se é cortado mais que a largura de dois dedos sob a cova da garganta, se não cobre os braços pelo menos até os cotovelos, e se mal chega até um pouco abaixo dos joelhos. Além disso, os vestidos de materiais transparentes são impróprios" [14].

- Objeções e Respostas 

Objeção 1: 
os hábitos de vestimenta mudam. 

Resposta à 1: os hábitos mudam, as cores, os tecidos, os bordados e cortes das roupas mudam. Porém, o recato e o pudor não mudam, pois se pautam no corpo humano, que é idêntico em todo mundo. Embora a percepção de cada povo com relação à modéstia varie, certas partes do corpo feminino, se visíveis ao homem, seja por roupa colada ou por nudez, são evidentemente uma tentação à pureza. Quem faz o trabalho do tentador colabora com o maligno.

Objeção 2: 
mulheres búlgaras enviaram ao Papa S. Nicolau suas preocupações com o uso de calças [femoralia] por elas, o que foi desconsiderado por aquele Pontífice.

Resposta à 2: as roupas das mulheres búlgaras daquele tempo, como as de todas as épocas no passado com exceção do século XX e XXI, em nada se assemelhavam exteriormente às dos homens daquela época. Antes usavam a referida calça abaixo de outros trajes tipicamente femininos como a saia. Quem sustenta o contrário, deve mostrar imagens de que aquelas mulheres portavam uma roupa com forma exterior idêntica à masculina, e não criar hipóteses sobre o que tem resposta histórica correta.

No áudio abaixo, o prof. Plinio conta como os moralistas ensinavam questões relativas às vestimentas no passado recente em relação ao áudio (dos anos 70)


Papas e Teólogos contra a piscina mista e a praia moderna. A fuga da ocasião de pecado próximo

A Escritura, os Papas e os Santos falaram sobre beleza e adequação nas vestes?

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[1] S.S. Pio XII, 8 de novembro de 1957, The Pope Speaks Vol. IV, No. 3, págs. 273-285.
[2] Ed Franci de Cavalieri, 1896, p. 142-144 Op. Cit. S.S. Pio XII - Alocução às meninas da Ação Católica, 6 de outubro de 1940 em Papal Teaching, The Woman in the Modern Word, St. Paul Editions (1958)
[3] Bento XV, Encíclica Sacra Propediem, 1922.
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xv/encyclicals/documents/hf_ben-xv_enc_06011921_sacra-propediem_en.html
[4] Cardeal Donato Sbaretti, Prefeito, Sagrada Congregação do Concílio, Roma, 12 de janeiro de 1930. Aprovado por Pio XI.
[5] Exemplos para as pessoas de categoria, no livro Excelências da Santa Missa do Santo
[6] Suma Teológica, Segunda Parte da Segunda Parte, Questão 169, Artigo 1, Ed.Loyola
[7] Suma Teológica, Segunda Parte da Segunda Parte, Questão 169, Artigo 2, Ed.Loyola
[8] Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, pp. 191-2.
[9] Anne McGinn Cillis, Arrivederci, Padre Pio, A Spiritual Daughter Remembers.
[10] Io...testimone del padre, Pág. 54, Modestino da Pietrelcina
[11] Pg.152 Iasenzeniro, F. M. (2006). The "Padre" saint Pio of Pietrelcina. His mission to save souls. Testimonies. San Giovanni Rotondo: Edizioni Padre Pio
[12] São Francisco Sales, Filotéia, parte III, cap. 25.
[13] Notificação concernente às mulheres que vestem roupas de homem, pelo Cardeal Giuseppe Siri, Genova, 12 Junho de 1960. Traduzido do website El Cruzado.
[14] 24 de setembro de 1928, Instrução sobre a modéstia do Cardeal Basilio Pompili, Op.Cit. Dressing with Dignity, Collen Hallmond.

Santos e Teólogos sobre a música que deve ser evitada


São Basílio, rogai por nós!

Veja também o artigo anterior: Modéstia nos bailes e danças em livro elogiado por Pio XII e Paulo VI, prefaciado pelo Núncio D. Bento Masela

Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados: manual do tradicionalista contra-revolucionário: Bíblia, Papas, Santos e Teólogos (Volume II, 2a edição)".

Teólogos

Certas danças foram enumeradas como imodestas por teólogos de renome (algumas vezes com aprovação do Pontífice Reinante) ainda na primeira metade do século XX.

Se algumas danças foram proibidas como opostas à moral católica, logo, os ritmos que levavam as pessoas para aquelas danças são, no mínimo, suspeitos.

Por isso, segue a transcrição da tese compilada do artigo anterior: "são proibidas as seguintes danças: cordões carnavalescos, conga, tango, o fox-tro, bailes infantis, foxtrote, turkey-trot, o kamel-trot, o schymmy, o check-to-check, o one-step, o two-spep, o Boston, o blues, o samba, o charleston, o jazz, o boogy-woogey, o chachachá, o calipso, o twist, o rock-and-roll, o guapachá, o kanndidance.  

Outras danças que ordinariamente são más pelas circunstâncias são: valsa, a polca, a mazurca, o xote, a redowa, a habanera".


São Basílio Magno (330-379)

"Ora, é preciso que purifiqueis vossas almas, para dizer o mínimo, ainda que em poucas palavras, desprezando os prazeres dos sentidos, não alimentando os olhos com espetáculos vãos que levam todos a se perder em ilusões, evitando, enfim, coisas e pessoas que acendam o fogo da concupiscência, e também jamais admitindo que, pelos ouvidos, entrem na lama os sons que a corrompem, pois uma música efeminada faz nascer os vícios mais vergonhosos e baixos. Devemos procurar uma música mais útil, que nos inspire sentimentos virtuosos, tal como Davi, que com sua harpa tocava divinamente as músicas sacras e fazia acalmar a fúria de Saul (1 Sm 16, 23). Dizem que um dia Pitágoras encontrou homens bêbados bastante animados, vindos de um banquete onde se haviam entregado a copiosas libações, e pediu ao músico que marchava à frente para mudar o tom e cantar somente no modo dórico. Isso os acalmou de tal modo que jogaram suas coroas no chão e deram meia volta, dirigindo-se para suas casas bastante confusos.

Podem-se se ver outros que se agitam ao som de flautas como coribantes ou bacantes (*coribantes, sacerdotes de cibele, celebravam as festas dessa deusa batendo tambores, pulando, dançando e correndo para todos os lados como dementes. E sabe-se com quais loucuras as mulheres, chamadas bacantes, celebravam as festas de Baco), tanto que há diferença entre uma música honesta e uma música licenciosa. Devemos, então, evitar aquelas que dominam os nossos dias, da mesma forma que se evitam os vícios mais vergonhosos.

Constrange-me ter de advertir que não se deve espalhar no ar fragrâncias de todas as espécies apenas para agradar o olfato, e ainda menos esfregar essências no corpo. O que dizer, então, dos prazeres do toque e do gosto, senão que aqueles que os procuram são escravos que vivem como animais a satisfazer seus ventres e os apetites mais grosseiros?

Em suma, é preciso desprezar o corpo se não quisermos nos afundar nas volúpias, assim como se afunda no lamaçal. Seu cuidado não deve exceder além daquilo que pode ser útil à sabedoria. É o que dizia Platão [1] e está de acordo com o que o Apóstolo Paulo nos advertiu sobre não satisfazer os desejos da carne, no temor de acender em nós os maus desejos. Os que têm cuidado excessivo com o corpo e negligenciam, como não tendo valor, a alma, assemelham-se àqueles que muito amam os instrumentos de uma arte, sem ao menos se dedicar à arte a qual eles servem. É preciso o quanto antes castigar o corpo e domá-lo como a um animal feroz. E a razão nos serve de freio para conter os movimentos tumultuosos que se agitam na alma. Não deixemos as rédeas soltas, para que o espírito não seja impulsionado pelas paixões, assim como um cocheiro é arrastado por cavalos indóceis.

Lembremos das palavras de Pitágoras que, vendo um de seus discípulos entregando-se à boa mesa e ganhando muito peso, disse-lhe: "Quando deixará de preparar a si mesmo uma prisão tão severa?". Também de Platão, que sabia o quanto o corpo pode prejudicar a alma: dizem ter ele escolhido propositalmente um lugar insalubre para a sua Academia para podar os confortos do corpo [2], assim como se poda uma videira quando ela tem folhas em excesso. Eu mesmo já ouvi um médico dizer que o excesso de saúde é perigoso" [3].

São João Crisóstomo (347-407)

"Eu preferiria que amasses o silêncio mais que tudo, mas se tu gostas de canções, escolhe as edificantes, não as satânicas. Em vez de dançarinas, convida o coro dos anjos para teu casamento. "Mas como podemos vê-los?", perguntas. Se rechaçares todas as outras coisas, o próprio Cristo virá para teu casamento, e onde Cristo vai, o coro de anjos o segue. Se tu pedires a Ele, Ele realizará para ti um milagre ainda maior que o de Caná: Ele transformará a água das tuas paixões instáveis no vinho da unidade espiritual, mas lembra: se Ele aparecer e encontrar os músicos e os convidados fazendo tumulto, Ele expulsará a todos antes de operar Seus milagres (S. Mateus IX, 23). O que é mais desagradável que essas pompas demoníacas? É tanto barulho que nem se consegue ouvir nada. Quando dá para ouvir alguma palavra, é coisa sem sentido, vergonhosa e nojenta.

Nada há de mais prazeroso que a virtude, nada mais doce que a ordem (...)" [4].

"Na verdade, nunca foi um costume celebrar casamento de forma desonrada; isso é uma novidade. Considera como Isaac se casou com Rebeca, como Jacó se casou com Raquel. A Escritura nos fala desses casamentos, e do modo como essas noivas entraram nos lares de seus noivos. Nada é dito sobre esses costumes. Eles deram banquetes e jantares mais luxuosos que o normal e convidaram seus parentes para o casamento. Flautas, tamborins, pratos, bagunça e bebedeira e todo o resto de nossos costumes impróprios eram evitados. Hoje, em dia de casamento, as pessoas dançam e cantam hinos a Afrodite, canções repletas de referência a adultério, corrupção do casamento, amores ilícitos, uniões proscritas e muitos outros temas vergonhosos e ímpios. Eles acompanham a noiva em público com vevedeira abjeta e discursos vergonhosos. Diz, como é possível esperar castidade da noiva se a acostumas a tal comportamento despudorado desde o primeiro dia (...) [5].

"Por que tu convidas o clero, se planejas celebrar tais ritos no dia seguinte? Queres demonstrar generosidade, bondade? Então convida os coros dos pobres. Tens vergonha dessa idéia? Estás corando? O que pode ser mais irracional que isso? Quando arrastas o diabo para tua casa, não pensas que estás fazendo nada vergonhoso, mas quando pensas em trazer Cristo para tua casa, tu coras? Assim como Cristo está presente quando os pobres entram, da mesma forma, quando os efeminados e os saltimbancos dançam na tua casa, o diabo saracoteia entre eles. Não há benefício nesse tipo de extravagância, mas sim um grande prejuízo. Mas do outro tipo de gasto, poderás esperar rapidamente uma grande recompensa.

Mas ninguém mais na cidade fez isso, é o que me dizes? Ora, por que não te apressas a ser o criador desse bom costume, para que a posteridade o atribua a ti? Se alguém invejar ou imitar esse costume, teus descendentes poderão dizer para quem perguntar que foste tu quem introduziste a prática. Nas competições dos descrentes, nos banquetes, muitos cantam louvores aos que introduziram melhorias em tais ritos, que eram pouco edificantes. Assim, nos ritos espirituais, todos louvarão e darão graças a quem trouxer essa inovação maravilhosa. Isso trará honra e benefícios a quem o fizer. Quando outros continuarem desse costume, ele te dará a recompensa de seus frutos, pois tu foste o primeiro a realizá-lo (...). Assim como Deus ameaça os pecadores continuamente dizendo: as vossas mulheres ficarão viúvas, e os vossos filhos órfãos (Ex 22, 24), da mesma forma Ele promete àqueles que são sempre obedientes uma idade avançada aprazível, acrescida de todas as boas dádivas" [6].

São Clemente de Alexandria (150-215)

"É preciso não olhar nada, nem escutar nada de vergonhoso, e para dizer tudo em uma palavra: fechemos nossas almas a todo acesso à intemperança, guardemos nossos olhos, nossas orelhas, pelo medo que a voluptuosidade os atice, fujamos das canções lascivas ou moles, e esta arte impura de uma música degenerada, que corrompe os costumes e redobra o ardor da libertinagem. Devemos empregar os instrumentos de música para cantar os louvores de Deus.

(...) Então, admitamos uma harmonia modesta e casta; mas tenhamos tão longe quanto possível, de nossos pensamentos fortes e generosos, uma música suave e irritante cujos concertos, estudados e artificiais, logo nos levariam à vergonha de uma vida suave e desordenada. Os sons graves e severos banem a imprudência e a embriaguez. Deixemos os sons irritantes da música cromática para os devassos que se cobrem de flores e se chafurdam na insolência e no vinho" [7].

Plinio Corrêa de Oliveira denunciando o Jazz e o Rock-and-Roll. Subtítulos deste artigo

1935 - O repouso, a diversão, a arte, não comportam a excitação

"Ora, não é possível admitir-se como meio de repouso um gênero de divertimentos como estes, que esgotam, em lugar de refazer, que excitam, em lugar de repousar, e que exaltam, em lugar de acalmar."

A "verdadeira arte não afasta, mas conduz a Deus a alma"

"(...) a verdadeira arte não afasta, mas conduz a Deus a alma; e a verdadeira piedade não fecha, mas abre a alma aos encantos da verdadeira arte (exclusão feita, portanto, da arte que não é verdadeira, e de que é expressão característica o shimmy tocado por um jazz-band)." [8]
 
1955 - Os adeptos do Jazz como viciados na excitação e na intemperança


"A distensão dos prazeres castos e calmos do lar, ou de uma vida razoável, temperante, tranqüila, parecem aos viciados em excitações, das megalópoles, de um tédio insuportável.

E, assim, só a intemperança, a excitação e o vício divertem. É de admirar que nesse ambiente sejam tantos os pecados, tão terríveis as psicoses?

Nossa fotografia apresenta um dos mil, ou antes dos milhões de aspectos que essa excitação apresenta. Lado a lado, um jovem robusto urra num rictus que tem um que de entusiasmo, um que de gemido, um que de imprecação, uma jovem sorri deliciada, enlevada, como que sentindo escorrer um deleite interior em todos os seus nervos, e outro jovem, sumamente atento, utiliza uma revista como corneta. São três jovens que "descansam" divertindo-se. Com o que? Um match? Um torneio? Não... ouvem um jazz!"

Tais hábitos acabam por levam à psicose


"Aí está uma manifestação extrema de um fato psicológico que em proporções mais discretas é comum. Se assim se vibra com um jazz, que dizer das vibrações provocadas pelo cinema, pelo rádio, pelo esporte? Não é precisamente assim, que as almas acabam por perder o gosto do lar e do trabalho, ou por cair na psicose?" [9]


1960 - Uma sociedade assim só "
encontrará a verdadeira paz quando tiver reencontrado o verdadeiro Deus"
 
"Mas os sons típicos das imensas babéis modernas, o ruído das máquinas, o tropel e as vozes dos homens que se afanam em pós do ouro e dos prazeres; que não sabem mais andar, mas correr; que não sabem trabalhar sem se extenuar; que não conseguem dormir sem calmantes nem se divertir sem excitantes; cuja gargalhada é um ricto frenético e triste; que não sabem mais apreciar as harmonias da verdadeira música, mas só cacofonias do jazz; tudo isto é a excitação na desordem, de uma sociedade que só encontrará a verdadeira paz quando tiver reencontrado o verdadeiro Deus." [10]


O Rock 

1956 - O Rei do Rock recém-coroado, e Dr. Plinio lá estava novamente para denunciar, em meio ao caos do século XX

"Com o o violão a tiracolo, e o microfone na mão, o "artista" campeão mundial do frenesi, que está pondo em delírio milhões de pessoas. Elvis Presley, canta e dança em meio de instrumentos de orquestra, diante de um público alucinado.

No homem a inteligência deve dirigir a vontade, e ambas devem, por sua vez esclarecer a sensibilidade, guiá-la, e ampará-la contra a fraqueza que lhe é própria. Pois, das faculdades humanas, todas nobres si mesmas, mas todas atingidas pelo pecado original, aquela por onde mais freqüentemente começam as desordens, as crises, os desmandos, é precisamente a sensibilidade."

O ritmo do rock tem como efeito a desordem na sensibilidade


"Pelo contrário, no porte, no gesto, na fisionomia deste pobre jovem, tudo indica o desencadeamento total da sensibilidade, subjugando inteiramente a vontade, e determinando movimentos em que absolutamente não se notam o equilíbrio, o bom senso, a compostura inerentes, ação rectrix da inteligência.

E, ainda, no caso presente nem sequer se trata precisamente da hipertrofia da sensibilidade, à maneira dos românticos. Censurável nestes era o excesso de emotividade em relação a determinados assuntos políticos, sociais, artísticos ou literários, ou em face de certas situações pessoais como a orfandade, a viuvez, a solidão afetiva, etc. De um certo ângulo, o erro do romântico consistia em fazer do sentimento o ápice e o termo de toda a vida mental. Erro, sem dúvida, e erro grave, que produziu na história da cultura ocidental funestas conseqüências. Mas erro que, pelo menos, ainda pressupunha uma verdade, ou seja, que o sentimento é um dos elementos integrantes do processus intelectual."


Essa desordem na sensibilidade vem do desejo mórbido de vibrar

"No caso concreto, há um mero vibrar de nervos. De nervos doentios e superexcitados, que vibram sem outra razão, sem outro ponto de partida e sem outro objetivo senão o prazer mórbido de vibrar, e cujo frenesi pede por sua vez vibrações sempre maiores. Por onde se chega rapidamente às manifestações extremas: ritmos delirantes, gestos desordenados, expressões fisionômicas contorcidas, um conjunto de desmandos, enfim, típicos dos que, segundo a expressão incisiva de Dante, "perderam a luz do intelecto".

Em uma palavra, e baixando o nível destas considerações, se um bêbado cantasse e dançasse, fá-lo-ia estertorando assim. Embriaguez contagiosa, pois se estende como uma nova "dança de São Guido" a milhões de pessoas. Embriaguez muito mais perigosa do que a do álcool, porque indica uma desordem fundamental da alma, que não passa como os efeitos do vinho.(...)


Neste clichê, tudo faz pensar na grande verdade enunciada por Claudel: a mocidade não foi feita para o prazer, mas para o heroísmo. Ao passo que na primeira gravura tudo parece dizer-nos que a mocidade não foi feita para o heroísmo, mas para o prazer. Ou pior ainda, para o gozo." [11]
 

1959 - Tratando dos valores metafísicos da revolução no seu livro principal, uma denúncia de uma geração inteira como exemplo de manifestação do sensualismo

"d. A geração do “rock and roll”: o processo revolucionário nas almas, assim descrito, produziu nas gerações mais recentes, e especialmente nos adolescentes atuais que se hipnotizam com o “rock and roll”, um feitio de espírito que se caracteriza pela espontaneidade das reações primárias, sem o controle da inteligência nem a participação efetiva da vontade; pelo predomínio da fantasia e das “vivências” sobre a análise metódica da realidade: fruto, tudo, em larga medida, de uma pedagogia que reduz a quase nada o papel da lógica e da verdadeira formação da vontade." [12].

Pe. Chad Ripperger, FSSP (2007) em consonância com S. Boécio, mártir (480-525)

Em artigo para o louvável Instituto "Claritas Pulchri", que se especializa em música e seus princípios segundo a Santa Tradição Católica [13], o professor Thiago Plaça Teixeira cita um trecho do teólogo americano, já usado em outro tema aqui. Melissa Bergonso, outra articulista do site do Instituto, em tese de mestrado nota como o Pe. Chad, nesta mesma obra, "aproxima-se bastante das ideias expostas por Boécio" [14].

“Uma vez que a masculinidade e a feminilidade são acentuados pelo destaque de diferentes características, a música pode contribuir para formação do caráter masculino e feminino. Anteriormente observou-se que escutar música sem moderação sobre os prazeres da música pode levar à efeminação. Vemos que este é o caso do homem. Se homens são forçados a adotar ou escutar formas de música que são mais ativas no apetite concupiscível do que no apetite irascível e no intelecto, ela terá um efeito efeminante sobre eles. Não que eles nunca possam escutar tais formas, mas sua escuta deve ser mais moderada e dirigida intelectualmente, para que assim não tenha um efeito efeminante sobre o homem. De modo oposto, mulheres que tendem a escutar música masculina demais podem assumir características próprias somente aos homens. Novamente, não que elas não possam escutar a essas músicas, mas elas devem ser moderadas e intelectualmente ordenadas. Em condições normais, mulheres e homens virtuosos tenderão para aquelas formas de música em congruência com as disposições de seus sexos.

“No entanto, não se deve assumir que a música seja pouco viril (efeminada). Desde que ela possa formar o caráter por formar a virtude, a música pode ser varonil. A virtude tende a temperar a alma e a moderá-la, tanto em homens como em mulheres. Platão observa que, se alguém nunca escuta música, isto o faz duro e selvagem e ainda, se alguém escuta bastante música, pode tornar-se suave e gentil. Os prazeres da música podem ter um efeito moderador, não somente em homens mas também em mulheres. No entanto, uma devida solicitude deve ser tomada para assegurar que os prazeres da música não façam nem o homem efeminado nem causem falta de temperança nas mulheres.


“Podemos começar a ver por que Platão disse que é falso que o critério para a boa música seja se ela causa prazer. Antes, a música, que é parte do plano providencial divino, é ordenada para o bem da alma, isto é, para a retidão e força da alma (virtude). O critério para a boa e má música não pode ser baseado puramente no fato de que uma forma particular cause prazer. Tal posição é nada menos que hedonismo. Antes, boa e má música devem ser julgadas baseadas em dois critérios distintos. O primeiro é seu mérito artístico, isto é, uma música é mais bela do que outras e uma música é mais capaz de ordenar a vida apetitiva do que outras. O segundo é o caráter moral: aquelas formas de música que tendem a corroer a virtude moral, ou por causa de suas letras ou por causa das suas melodias e qualidade musical, constituem um perigo às almas das pessoas e à sua saúde psicológica. Aquelas formas de música que tendem a construir a virtude moral são boas enquanto suas letras e estilo musical promovem o que é nobre no homem e na criação de Deus. Na medida em que contribua para a virtude moral e mesmo para a virtude intelectual, a música contribui para a saúde psicológica.” [15].


CLIQUE para mais compilados da Tradição Católica sobre Modéstia, Pureza e Elegância: masculina e feminina

 

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[1] Platão, Fédon 67a: E enquanto vivermos, não nos aproximaremos da verdade enquanto não nos agastarmos do corpo; renunciemos a qualquer comunicação com ele naquilo que não seja estritamente necessário; não permitamos que ele nos ocupe de sua corrupção natural, mas conservemo-nos puros de suas mancha, até que a própria divindade venha nos libertar".
[2] Porfírio relata, no terceiro século a.C., que "Platão escolheu a Academia para viver, um lugar que não era somente solitário e isolado da cidade, mas também, segundo dizem, nada saudável" (sobre a abstinência, livro I, 36); alguns autores contestam dizendo que nem Diógnes Laércio nem Plutarco fizeram comentários a respeito.
[3] São Basílio, carta aos jovens sobre a utilidade da literatura pagã, Ed. Ecclesiae, Pg. 52-54
[4] "Casamento e Vida em Família", Edição Biblioteca Católica, Homilia 12, Pg.109
[5] "Casamento e Vida em Família", Edição Biblioteca Católica, Pg. 118
[6] "Casamento e Vida em Família", Edição Biblioteca Católica, Pg. 120-121
[7] S. Clément d'Alexandrie, "le divin maitre, ou le pédagogue, Livre II, Traduction française: M. DE GENOUDE. Link: http://remacle.org/bloodwolf/eglise/clementalexandrie/pedagogue3.htm#IV. Também conferido com outra tradução do inglês: Chapter 4. How to Conduct Ourselves at Feasts, The Paedagogus (Clement of Alexandria) The Instructor (Book II), Translated by William Wilson. From Ante-Nicene Fathers, Vol. 2. Edited by Alexander Roberts, James Donaldson, and A. Cleveland Coxe. (Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1885.) Revised and edited for New Advent by Kevin Knight. <http://www.newadvent.org/fathers/02092.htm>
[8] Repouso autêntico, O Jornal, 29 de outubro de 1935
[9] Prazeres que conduzem à psicose, distrações que preparam para o trabalho, "Catolicismo" Nº 54 - Junho de 1955
[10] Tranqüilidade da ordem, Excitação na desordem, "Catolicismo" Nº 110 - Fevereiro de 1960
[11] A mocidade foi feita para o heroísmo ou para o gozo? "Catolicismo" Nº 72 - Dezembro de 1956
[12] Revolução e Contra-Revolução, Parte I, cap. VII.s
[13] Visto em 15/03/2022: https://claritaspulchri.com.br/a-musica-e-os-quatro-temperamentos/ 
[14] BERGONSO, M. C. C. Número, Som e Beleza, A Estética Musical em Boécio, Dissertação mestrado – Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, UFPR, 2013. Visto em 15/03/2022: http://acervodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/30451/R%20-%20D%20-%20MELISSA%20CARLA%20CHORNOBAY%20BERGONSO.pdf?sequence=1 
[15] RIPPERGER, C. Introduction to the Science of Mental Health. Denton: Sensus Traditionis Press, 2007. p. 592, tradução de: https://claritaspulchri.com.br/a-musica-e-os-quatro-temperamentos/


Teólogos sobre a perda do Pontificado só por Heresia notória e divulgada de público

S. Roberto Bellarmino,
rogai por nós!
Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados (Volume II, 2a edição)".

Este artigo bebe das fontes do livro de Dr. Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira: "Considerações sobre o ordo missae de Paulo VI", 1970, onde a primeira parte trata exaustivamente das possibilidades do Papa herege. Este livro foi revisado e tinha adesão do eminente católico Plinio Corrêa de Oliveira.

-> Teses sobre o momento da Perda do Papado

1 - Quando cai em heresia interna.

2 - Quando intervém uma declaração de sua heresia por um concílio, pelos cardeais, por grupos de bispos, etc.

3 - Quando sua heresia se torna manifesta.

-> Apreciação ou refutação das Teses

1 - Quando cai em heresia interna (falsa).

Esta tese pressupõe que a jurisdição na Igreja absolutamente não pode estar com um herege.

Código de Direito Canônico (1917) contra a negação absoluta de jurisdição aos hereges

O herege só perde a jurisdição quando contra ele for proferida sentença condenatória ou declaratória no Cânone 2264.

Os sacerdotes que abandonaram a Igreja têm jurisdição para dar a absolvição a pessoas em perigo de vida no Cânone 882.

Pe. Suarez citando S. Tomás de Aquino 

"A perda da fé por heresia meramente interna não acarreta a perda do poder de jurisdição (...). Isso se prova em primeiro lugar pelo fato de que o governo (eclesiástico) se tornaria muito incerto caso o poder dependesse de pensamentos e culpas interiores. Outra prova: dado que a Igreja é visível, cumpre que o seu poder governativo seja a seu modo não de meras cogitações mentais. Esta é uma razão ―a priori‖, pois em tal caso a Igreja não retira o poder através de seu direito humano, uma vez que não julga do que é interno, como diremos adiante. E o poder também não é tirado por força do mero direito divino, porque este ou é natural, vale dizer, conatural aos próprios dons sobrenaturais, ou é estabelecido por determinação positiva. O primeiro membro do dilema não pode ser aceito, porque pela própria natureza das coisas não se pode demonstrar uma conexão necessária entre a fé e o poder de jurisdição; e também porque o poder de ordem é ainda mais sobrenatural, e no entanto não se perde, o que constitui verdade de fé, como se expõe mais amplamente no tratado dos Sacramentos em geral, e como ensina São Tomás (II-II, q. 39, a. 3). Portanto, embora a fé seja fundamento da santificação e dos dons que a ela pertencem, não é contudo fundamento dos demais poderes e graças, que são concedidos em benefício dos outros homens. O segundo membro do dilema se elimina com a simples observação de que pela Tradição nem pela Escritura é possível demonstrar a existência desse direito divino-positivo. Finalmente, é consentâneo com a razão que, assim como a jurisdição eclesiástica só é conferida através de alguma ação humana - quer seja esta apenas designativa, isto é, eletiva da pessoa, como no caso do Sumo Pontífice, quer seja colativa do poder, como nos demais casos - assim também não deva ser retirada senão através de alguma ação externa, pois em ambas as situações deve ser guardada a devida proporção, atendendo-se à condição e natureza do homem" [1].

2 - Quando intervém uma declaração de sua heresia por um concílio, pelos cardeais, por grupos de bispos, etc (falsa).

Esta tese se subdivide em duas:.

1 - A conciliarista, que defende que um Concílio ou um grupo de prelados pode julgar o Papa (já condenada pela Igreja, não nos detemos nessa).

2 -
A que sustenta que um Concílio (sem Papa), Sínodo ou um grupo de prelados ou grupo qualquer poderia fazer uma declaração não-judicial, em razão da qual Nosso Senhor Jesus Cristo deporia o Papa. Esta posição é relevante hoje já que tem sido defendida por alguns [2] para depor o Papa Francisco. No passado, mesmo para isso se defendeu um Concílio.

S. Roberto Bellarmino contra essa tese

"Além disso, a segunda afirmação de Cajetano, de que o Papa herege pode ser verdadeira e autoritativamente deposto pela Igreja, não é menos falsa do que a primeira. Pois se a Igreja depõe o Papa contra a vontade deste, está certamente acima do Papa; o próprio Caietano entretanto defende, no mesmo tratado, o contrário disto. Caietano responde que a Igreja, depondo o Papa, não tem autoridade sobre o Papa, mas apenas sobre o vínculo que une a pessoa ao Pontificado. Do mesmo modo que a Igreja, unindo o Pontificado a tal pessoa, não está por isso acima do Pontífice, assim também pode a Igreja separar o Pontificado de tal pessoa em caso de heresia, sem que se diga estar acima do Pontífice.

Mas contra isso deve-se observar em primeiro lugar que, do fato de que o Papa depõe Bispos, deduz-se que o Papa está acima de todos os Bispos, embora o Papa ao depor um Bispo não destrua a jurisdição episcopal, mas apenas a separe daquela pessoa. Em segundo lugar, depor alguém do Pontificado contra a vontade do deposto, é sem dúvida uma pena; logo, a Igreja, ao depor um Papa contra a vontade deste, sem dúvida o está punindo; ora, punir é próprio ao superior e ao juiz. Em terceiro lugar, dado que, conforme Cajetano e os demais tomistas, na realidade o todo e as partes tomadas em seu conjunto são a mesma cosa, quem tem autoridade sobre as partes tomadas em seu conjunto, podendo separá-las entre si, tem também autoridade sobre o próprio todo constituído por aquelas partes" [3].

3 - Quando sua heresia se torna manifesta (verdadeira).

Dr. Arnaldo Vidigal [4], seguindo Suarez [5], subdivide em três as teses sobre a natureza do "manifesto":

1º - No momento em que exterioriza a sua heresia.
2º - Quando a heresia chega ao conhecimento de certo número de pessoas, ainda que reduzido.
3º - Quando sua heresia se torna “notória e divulgada de público” ("Notoria et palam divulgata", segundo Wernz-Vidal [6]).

Eis os argumentos pelos quais só a terceira pode ser certa. Antes, algumas palavras sobre a posição de S. Roberto Bellarmino, tiradas de Dr. Arnaldo, que não deixou suficientemente clara a sua tese sobre o momento em que o Papa herege perde "ipso facto" o Pontificado:

"Diz ele que isso se daria quando a heresia se tornasse "manifesta"; e opõe o conceito de "manifesto" ao de "oculto". Ora, a heresia oculta pode ser a interna (oculta "per se"), como pode ser a externa desconhecida por outrem (oculta "per accidens"). A se atribuir a São Roberto Bellarmino a primeira dessas interpretações, o Papa perderia o Pontificado no momento em que exteriorizasse sua heresia, ainda que ninguém o percebesse. A se lhe atribuir a segunda interpretação, a perda do Pontificado se daria quando algumas outras pessoas – talvez uma só – soubessem do fato.

Caberia ainda uma terceira interpretação? Poder-se-ia entender como heresia oculta aquela que já é do conhecimento de muitas pessoas, mas ainda não atingiu o grande público, ainda não se tornou "notória e divulgada de público"? – Tal interpretação é adotada por Wernz-Vidal, que afirma mesmo, sem hesitar, que segundo São Roberto Bellarmino o Papa herege só estaria destituído quando sua defecção na fé se tornasse "notória e divulgada de público"".

São Roberto Bellarmino

"Esta é a sentença de todos os antigos Padres, que ensinam que os hereges manifestos perdem imediatamente toda jurisdição, e nomeadamente de São Cipriano (lib. 4, epíst. 2), o qual assim se refere a Novaciano, que foi Papa (antipapa) no cisma havido durante o Pontificado de São Cornélio: ―Não poderia conservar o Episcopado, e, se foi anteriormente feito Bispo, afastou-se do corpo dos que como ele eram Bispos e da unidade da Igreja‖. Segundo afirma São Cipriano nessa passagem, ainda que Novaciano houvesse sido verdadeiro e legítimo Papa, teria contudo decaído automaticamente do Pontificado caso se separasse da Igreja.

(...) O mesmo diz Melchior Cano (lib. 4 de loc., cap. 2), ensinando que os hereges não são partes nem membros da Igreja, e que não se pode sequer conceber que alguém seja cabeça e Papa, sem ser membro e parte (cap. ult. ad argument. 12). E ensina no mesmo local, com palavras claras, que os hereges ocultos ainda são da Igreja, são partes e membros, e que portanto o Papa herege oculto ainda é Papa. Essa é também a sentença dos demais autores que citamos no livro 1 "De Eccles.".

O fundamento desta sentença é que o herege manifesto não é de modo algum membro da Igreja, isto é, nem espiritualmente nem corporalmente, o que significa que não o é nem por união interna nem por união externa. Pois mesmo os maus católicos estão unidos e são membros, espiritualmente pela fé, corporalmente pela confissão da fé e pela participação nos sacramentos visíveis; os hereges ocultos estão unidos e são membros, embora apenas por união externa; pelo contrário, os catecúmenos bons pertencem à Igreja apenas por uma união interna, não pela externa; mas os hereges manifestos não pertencem de modo nenhum, como já provamos" [7].

Dr. Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira resume a posição da perda do Pontificado por heresia notória e divulgada de público

"A Igreja é uma sociedade visível e perfeita.

Ora, os fatos da vida oficial e pública de uma sociedade visível e perfeita, só se tornam juridicamente consumados quando notórios e divulgados de público.

Ora, a perda do Papado é um fato da vida pública e oficial da Igreja.

Logo, a perda do Papado só se torna juridicamente consumada quando notória e divulgada de público.

Tal conclusão, decorrente de uma verdade revelada e de uma premissa evidente à razão natural, expressa a vontade certa de Nosso Senhor. Não seria uma verdade formalmente revelada, mas uma verdade virtualmente revelada, uma conclusão teológica.

O próprio Jesus Cristo, portanto, sustentaria a jurisdição do Papa herético até o momento em que sua defecção na fé se tornasse "notória e divulgada de público".

Em conseqüência, seriam válidos todos os atos jurisdicionais praticados pelo Papa durante esse período. Imaginado mesmo o caso de proferir ele uma definição dogmática, esta seria infalível. O Espírito Santo, em tal hipótese, falaria através dele como falou pela mula de Balaão" [8].

Teólogos sobre a Infalibilidade Papal no Magistério ordinário

Bíblia, Papas, santos e teólogos sobre a real possibilidade de um Papa ser herege

Questão teológica sobre quando o sedevacantismo é sempre cisma. Erro de Dr. Arnaldo na matéria, resolução de Plinio Corrêa de Oliveira


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[1] De Legibus, lib. IV, cap. VII, n.º 7, p. 360
[2] Robert J.Siscoe e John Salza, membros ligados a FSSPX. Eles publicaram um livro contra o sede-vacantismo defendendo esta posição. Um resumo se encontra no link: https://fratresinunum.com/2015/10/30/a-igreja-pode-depor-um-papa-herege/
[3] De Rom. Pont., lib. II, cap. 30, pp. 418-420
[4] Op.cit pg.28 
[5] "De Leg...", lib. IV, cap. VII, n.º 6, p. 360
[6] Ius Can., vol. II, p. 517 
[7] "De Rom. Pont.", lib. II, cap. 30, p. 420
[8] Op.Cit., pg.32