Dr.Plinio profético contra as inovações litúrgicas desde o liturgicismo até a missa nova, recusando-a antes mesmo da promulgação

Entende-se melhor este artigo lendo sua continuação: Dr.Plinio e sua posição profética tradicionalista sobre a missa nova justificada por um Cardeal de joelhos, e conhecida por Paulo VI

Pelos anos 40 Dr.Plinio já começa a denunciar os vários liturgicistas do Brasil, os quais já celebravam a missa nova antes dela existir. O profeta sofria perseguições dos bispos da época que apoiavam a existência destes novos movimentos

"No ano de 1940 a luta entre Dom José [Gaspar] e eu estava já começando a se definir (...). Havia [em Taubaté] um grupo de padres litúrgicos, que levou a sarabanda a tal ponto, que chegaram a fazer os atos de culto de um modo quase comunista. Eles faziam cerimônias da seguinte forma:

Não realizavam mais nos altares as Missas, [mas pegavam] uma mesa de copa e a colocavam no centro da nave, com todos os bancos afastados e cadeiras em volta, como numa refeição, e celebravam a Missa ali com todo o pessoal sentado em torno, para dar idéia de um banquete. Nenhuma imagem sobre a mesa, a não ser o pequeno crucifixo, porque o código de direito canônico obriga. A comunidade cristã reunida em torno do padre, deputado pela comunidade, para oferecer o sacrifício. E na hora da oferenda do sacrifício todos os que iam comungar levavam uma partícula na mão para que o padre consagrasse. E faziam disto um cavalo de batalha. Isto pôs Taubaté em polvorosa. As idéias dos padres litúrgicos repercutiram aí como uma verdadeira explosão" [1].

Fatos ocorridos por volta de 1944, relacionados aos atritos do Grupo de Dr.Plinio com o novo Arcebispo de São Paulo, D.Carlos Carmelo, depois Cardeal

"Quando o Cardeal [D.Carmelo] nos ameaçou de um processo canônico, eu tinha no colégio estadual uma licença prêmio de 6 meses e, levado pelo receio do processo canônico que a qualquer momento poderia vir, eu passei esses 6 meses lendo coleções da “Ordem”, do Diário de Belo Horizonte, do Correio Católico de Uberaba, para tirar proposições falsas [de autores liturgicistas] que pudessem me servir de defesa na hipótese de um processo crime. Mas naturalmente muitas dessas proposições, dada a linguagem viscosa e duvidosa que eles costumam adotar, eram também coisas duvidosas, e eu precisava mostrar a censores eclesiásticos (...). Eu mostrava a [Dom Sigaud, neste tempo ainda padre] aquelas pilhas de documentos.

D. Sigaud começou a ler aqueles documentos e a detectar algumas coisas erradas. Mas um dia ele me disse: "Plínio, eu não estou satisfeito com esse serviço. Ele está mal feito, porque não se trata de pegar um errinho, outro ali. É preciso fazer um serviço mais profundo. É preciso arranjar um jeito de verificar qual é a doutrina oculta que esta gente tem no fundo. Porque com esta doutrina nós saberemos bem exatamente que heresia está caminhando aqui".

Ora vocês vêm que o meu livro ["Em Defesa da Ação Católica"], que pode ter algumas qualidades em matéria de Ação Católica, em matéria de liturgia não tem o mesmo. Ele o que diz de liturgia são só algumas proposições erradas, mas ele não dá uma doutrina errada do liturgicismo como dá da Ação Católica, porque essa concepção nasceu depois. D. Sigaud então foi farejando e encontrou os primeiros dados para essa questão. O assunto interessou muito a D. Mayer [ainda padre neste tempo], interessou ao Pacheco, a mim, e nós começamos a pedir ao Pacheco para preparar um estudo com base nos dois autores liturgicistas mais citados por eles, que eram D. Anselmo Stolds e Romano Guardini. E o Pacheco, lendo esses estudos, conseguiu verificar perfeitamente bem todos os defeitos, todos os erros, toda a doutrina liturgicista (...). E o próprio D. Sigaud, antes de partir, nos deixou também um relatório muito bem feito do D. Anselmo Stolds.

Foi só com base nestes estudos que nós começamos a revidar também, porque se nos atacassem, alguma coisa nós teríamos a dizer no processo canônico para nos defender. Tínhamos alguma coisa para resistir à primeira ofensiva".

"Nós começamos a perceber, mais do que nunca, toda a trama herética que havia dentro da Igreja para introduzir uma religião falsa no âmago da religião verdadeira".

"De outro lado, nós começamos a perceber, mais do que nunca, toda a trama herética que havia dentro da Igreja para introduzir uma religião falsa no âmago da religião verdadeira. Naturalmente isto era também uma coisa que nos confortava muito e nos dava muito ânimo para a resistência" [2].

Atitude profética desde o início na questão da missa nova

Disse o Dr.Plinio Corrêa: "Eu tinha certeza absoluta da iliceidade desta missa, muito mais pelo ambiente péssimo que dela reina, e o manifesto mal espírito que a domina por assim dizer de ponta a ponta, do que por uma consideração teológica do assunto" [3].

Isto é confirmado pelo depoimentos de membros antigos por volta de 1967. Dr.Plinio já previa que seria necessário um estudo abrangente sobre a possibilidade de um Papa herege dada as circunstâncias do momento

"[Entre junho e julho de 67] o Sr. Dr. Plinio chamou este escravo de Maria e disse [mais ou menos o seguinte]: "Olha, eu estou muito preocupado com o pontificado de Paulo VI, porque com esse pós-Concílio, estou vendo que as coisas vão para a heresia, elas vão indo para o pior que possa haver. Então eu quero que se façam estudos para ver quais são os limites da infalibilidade, para ver até onde pode ir um Papa herege ou não. Até onde as coisas podem caminhar dentro da Igreja, e que papel um simples fiel pode resistir a essa onda que está vindo. Mas resistir com base na doutrina da Igreja. Então, eu encarreguei o Dr. Arnaldo para fazer uns estudos, e eu quero que você ajude ele nisso, em tudo o que for necessário (...)". 

Dr.Plinio prevê a "trombada" com Paulo VI, bem lembrada pelo manifesto da resitência de 74

Continuou: "Nós estamos caminhando para uma trombada com Paulo VI. E nós precisamos ter todo o nosso arsenal doutrinário superafiado, superestudado, superpronto."

"E foi a partir daí que começaram a sair artigos no “Catolicismo”, sobre se é possível um Papa ser herege, até que ponto um fiel é herege ou não, até que ponto gestos, insinuações, caracterizam ou não caracterizam um herege? Etc" [4]. 

Antes de qualquer estudo aprofundado, Dr.Plinio já conhecia o problema da missa, e dava a orientação correta sobre

"Em 3 de Abril de 69, Paulo VI promulga uma constituição apostólica instituindo o "Novus Ordo Missae", para entrar em vigor em 30 de Novembro (...). 

Como medida provisória, antes de qualquer estudo, [Dr. Plinio] declarou que, a partir de novembro de 69, quando entrava em vigor a Nova Missa, nós deveríamos assistir Missa de São Pio V com algum padre amigo nosso, ou ir [à igreja dos] Melquitas. Mas que provisoriamente, antes de qualquer coisa não se devia participar da nova Missa. De modo que (...) desde o início, Dr. Plinio cortou [a assistência nossa a esse rito], antes mesmo de ter sido feito o estudo" [5].

A história da resistência profética ao "novus ordo" na primeira semana da promulgação conforme é contada dentro da TFP

De dezembro de 1969 a maio de 1970 foram realizados três simpósios no Hotel Pavani, em Serra Negra. No primeiro deles, em dezembro, foram lidos os tais comentários da "BAC", o documento de Paulo VI sobre a Nova Missa. E o Sr. Dr. Plinio (...) disse: "isso aqui é tão grave, que nós não podemos deixar a coisa assim; e preciso que (...) seja tomada uma posição, é preciso escrever esse livro, e vamos ver o que é que acontece. A situação da Igreja não nos permite que nós nos omitamos nessa situação." Este livro depois veio a ser o livro de Arnaldo Xavier da Silveira, "Considerações sobre o Ordo Missae de Paulo VI".

Dado que no domingo seguinte ao [primeiro] simpósio, o qual encerrou-se numa sexta feira, já entraria em vigor a Constituição Apostólica “Missale Romanum”, na parte referente ao “Ordo Missae”, os membros da TFP deveriam ter uma orientação quanto à assistência da Missa.

Então, num chá servido no terraço do Hotel Pavani, o Sr. Dr. Plinio e os demais participantes chegaram à conclusão que não se podia aceitar a nova Missa, pois ela, sendo dessacralizante e não tendo base alguma na tradição, era ilícita. Mas a Missa era válida, pois efetuava-se nela a transustanciação, isto é, havia forma, matéria, intenção e padre.

Ficou acertado que os membros das TFPs procurassem assistir a Missa em algum rito oriental, que não tivesse sofrido a mesma reforma, como o maronita e o melquita. Os que não tivessem tal possibilidade, estariam “ipso facto” dispensados do preceito.

E também foi estabelecido que os membros da TFP poderiam comungar na Missa Nova, devendo, entretanto, abster-se de assistí-la. A norma apresentada foi a de que somente se entrasse na igreja após a consagração. Se, por erro de cálculo, a pessoa entrasse antes, deveria recolher-se discretamente a algum canto, a fim de evitar a participação na Missa Nova. Mas nada disso entrou para os estatutos da entidade, que não versa sobre estes assuntos.

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Fontes:
[1] Conferência VI feita pelo Sr. Dr. Plinio para Yves de Pontfarcy, no dia 11 de Agosto de 1954
[2] Conferência VIII feita pelo Sr. Dr. Plinio para Yves de Pontfarcy, no dia 13 de Agosto de 1954
[3] Grafonema para o Sr. FA, dia 9 de Fevereiro de 1993
[4] Depoimento do Dr. GV, Reunião ANSA, 18 de Setembro de 1997
[5] Idem.