Considerados santos ainda em vida e venerados assim por outros santos, que os incluíam na ladainha dos santos e guardavam suas relíquias

"Deus operava milagres extraordinários pela mão de Paulo, de maneira que, aplicando aos enfermos até os lenços e aventais que tinham tocado em seu corpo, não só saíam deles as doenças, mas também os espíritos malignos se retiravam" At 19: 11-12

São Bernardo (1090-1153) usava como relíquia valiosíssima a túnica de São Malaquias. Um devoto de São Bernardo pendurou ao pescoço uma carta dele e se viu curado

"Antes de dar sepultura aos restos de São Malaquias (arcebispo de Armagh, primaz da Irlanda, que morreu em Claraval em 1148) o Abade de Claraval (São Bernardo) tirou-lhe cuidadosamente a túnica e desde então a usou, como relíquia valiosíssima" [1]

"Quando Hugo recebeu esta carta (de São Bernardo) encontrava-se doente, com febre. Por veneração para com seu autor, ele pendurou o pergaminho ao pescoço com devoção, como um remédio salutar e obteve imediatamente sua cura" [2]

O Santo Cura d'Ars (1786-1859) conservava um espelho, porque nele se havia refletido o rosto do Padre Balley, que ele tinha por Santo.

"O Pe.Vianney chorou-o (ao Padre Balley) como a um pai. Devia-lhe tudo ! Conservou imperecível lembrança daquele santo varão. 'Tenho visto almas muito belas, afirmava ele, nenhuma porém como aquela'. Os exemplos do antigo mestre ficaram gravados tão profundamente no seu espírito, que dizia ainda nos últimos anos da vida: 'Se eu fosse pintor poderia traçar o seu perfil'. Sempre que falava nele enchiam-se-lhe os olhos de lágrimas (Irmão Jerônimo, Processo Ordinário, p.556). Todos os dias pela manhã nomeava-o no memento da missa. Até à morte o Cura d'Ars, que era tão desprendido de tudo, conservou sobre a estufa um pequeno espelho 'porque nele havia refletido do P. Balley' (P. Beau, Processo Ordinário, p. 1204)" [3]

São Domingos (1170-1221): Beijavam a sua túnica e os mais ousados cortavam e rasgavam pedaços de sua capa

"O Santo chega nesta época à sua máxima popularidade. 'Ao término de seus sermões, nos quais arrancava lágrimas de arrependimento e de admiração em seu auditório, ao sair das basílicas o povo se precipitava em tropel para receber sua benção, beijar suas mãos e a fímbria de suas vestes. Os mais ousados cortavam e tasgavam pedaços de sua capa, de modo que esta lhe chegava apenas até os joelhos....Domingos de Gusmão, a quem vimos tratar de igual para igual, para dizê-lo assim, com Simão de Montfort, com os bispos de Toulouse, de Carcassone e de Narbone, não era admirado somente pela nobreza e pelo clero, era também amado e venerado pelo povo" [4]

São Vicente Ferrer (1350-1419): Tocavam e beijavam o palanque de onde havia pregado como coisa de Deus

"Com estas e outras coisas, deixou Mestre Vicente muito reformada a cidade de Tolosa. De tal modo que, costumando seus habitantes ir cada ano a certas festas com jogos, cantadores e máscaras, foram lá com uma cruz, disciplinando-se cruamente; porque temiam que, se não se emendassem de suas vaidades pelas pregações do Mestre Vicente, não podiam escapar de algum terrível castigo. Diziam comumente: este homem veio a esta terra para a nossa salvação ou para a nossa perdição. Para que nos salvemos, se fizermos o que ele nos diz; para que nos condenemos, se nos descuidarmos de obedecer-lhe. porque até aqui podíamos dizer que não tínhamos quem nos ensinasse tão bem o que somos obrigados a fazer; e agora já não podemos dizê-lo. Assim, foi tanta a devoção que a ele tomaram, que depois de sua partida os tolosanos ficaram com relíquias suas, e não quiseram desfazer o palanque no qual havia pregado; antes o beijavam e tocavam como coisa de Deus" [5]

São Francisco Xavier (1506-1552) levava numa caixinha ao peito a assinatura do Padre Inácio ainda vivo, junto com um osso de São Tomé

"A nova da morte do santo Padre (São Francisco Xavier) tão amado, todos os portugueses da Santa-Cruz romperam em soluços (...)

O Santo corpo foi conservado até ao terceiro dia, domingo, estendido sobre a esteira que cobria o solo da cabana.

Jorge Álvares, Francisco de Aguiar, Cristóvão e António de Santa-Fé, tiraram-lhe a sua pobre batina da qual repartiram entre si os precisos pedaços, acharam sobre o seu peito uma pequena caixa contendo a assinatura de santo Inácio, os nomes do Padres com os quais o nosso santo tinha vivido em Roma, a fórmula dos seus votos, e uma parcela de osso do apóstolo S. Tomé, sob cuja proteção ele pusera o seu apostolado das Índias" [6]

São Francisco de Borja (1510-1572): osculava o chão da casa onde Santo Inácio, ainda vivo, tinha nascido

“Chegando à Espanha, (S.Francisco de Borja) foi diretamente àquela província, e a primeira coisa que fez foi entrar na casa de Loyola e perguntar pelo lugar no qual havia nascido o Padre Inácio, e beijando o chão, começou a louvar ao Senhor com grande afeto pela graça dada ao mundo naquele local, onde veio à luz tão fiel servidor seu, e a suplicar-lhe que, posto que ele o havia feito filho de tal pai e discípulo e soldado de tão bom mestre e capitão, o transformasse num verdadeiro imitador de suas virtudes” [7]

São João Berchmans (1599-1621): invocava pessoas nem canonizadas nem beatificadas no meio da ladainha dos santos

“Às 10 horas, o enfermeiro ofereceu ao doente um pouco de caldo. Berchmans tendo tomado algumas gotas disse: ‘Basta, irmão, é chegada a hora, nem de comer, nem de beber, mas de rezar’. Pouco depois: ‘Desejo que reciteis as orações da recomendação da alma, disse ao padre Van Doorne, o tempo poderá nos faltar. Começaram imediatamente. Quando nas ladainhas do Santos, chegaram aos nomes dos confessores, João pediu ao padre que parasse, e invocasse com ele os Bem-aventurados Ignacio de Loyola, Francisco Xavier, Luiz de Gonzaga, Estanislau Kostka, os Veneráveis Padres Francisco de Borja, José Anchieta, e o Venerável irmão coadjutor Affonso Rodrigues” [8].

São Francisco de Assis (1181-1226): tinha Frei Rufino como santo confirmado em graça

“Pelo que, S.Francisco dizia dele: que Frei Rufino estava nesta vida canonizado por Cristo, e que, fora da presença dele, ele não duvidaria em dizer São Rufino, embora ele ainda estivesse vivo na terra” [9].

São Luís Gonzaga (1568-1591): era tido como santo confirmado em graça por São Roberto Bellarmino

“O Cardeal Bellarmino, discorrendo um dia sobre as insignes virtudes de S.Luís, sendo este ainda vivo, e, em presença de muitos, entre os quais estava eu, dizendo com razões bem fundadas, que se deve provavelmente crer que a Divina Providência sempre mantém na Igreja militante alguns santosqeu são em vida confirmados na graça, acrescentou estas formais palavras: ‘Eu por mim tenho como certo, que um desses confirmados na graça é o nosso Luís de Gonzaga, porque sei que se passa naquela alma” [10].

Santo Antônio Maria Claret (1807-1870): era considerado por Pio IX como santo

“Quando estava próxima a data de iniciar o Concílio Vaticano, Pio IX, conversando com o decano da Rota, Mons.Marcial Ávila, disse-lhe confidencialmente: ‘Agora virão os Bispos de tua nação. Que bispos, sobretudo Claret ! ... É um Santo ! Não o poderemos canonizar, mas haverá quem o faça mais tarde’

O Arcebispo Claret passou para a História como o Santo do Concílio Vaticano” [11].

Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787): "é lícito e proveitoso invocar em nosso auxílio os santos ainda vivos"

"É útil e bom recorrer à intercessão dos santos ? Vem aqui a dúvida se será necessário recorrer à intercessão dos santos para obter a divina graça. Que é lícito e útil invocar os santos como intercessores, para eles impetrarem, pelos méritos de Jesus Cristo, o que nós por nossos méritos não somos dignos de receber, é doutrina da Igreja, como declarou o Concílio de Trento (sess. 25, dec. de inv. Sact.): 'É bom e útil invocar humildemente os santos, e recorrer à sua proteção e intercessão para impetrar benefícios de Deus pelo seu divino Filho Jesus Cristo'. Essa invocação dos santos fora reprovada pelo ímpio Calvino, mas contra toda a razão, pois é lícito e proveitoso invocar em nosso auxílio os santos ainda vivos e pedir-lhes que nos ajudem com suas orações, assim fazia o profeta Baruc (1, 13), dizendo: 'E por nós mesmos rogai ao Senhor nosso Deus', e assim S.Paulo, dizendo: 'Irmão, rogai por nós' (1 Tes 5, 25). Deus mesmo quis que os amigos de Job se recomendassem às orações dele, para que, pelos méritos de Jó, lhes fosse propício. 'Ide ao meu servo Job (...). o meu servo Jó, porém, orará por vós, admitirei propício a sua prece' (Jó 42, 8). Se, pois, é lícito recomendar-se aos vivos, por que não será permitido invocar os santos que no céu mais de perto gozam de Deus ? Isso não é derrogar a honra que se deve a Deus, mas é duplicá-la, como o é honrar o rei não só na sua pessoa mas na pessoa de seus servos" [12].

Vidas de Santos: davam bênçãos mesmo sendo leigos, as pessoas ajoelhavam-se diante deles e osculavam-lhes os pés

Santos que eram chamados de: "guia de sua época", "árbitro da cristandade", "alma da Igreja", "suporte do Papado"

Vida de Santos: Declaravam a sua missão como santa ou profética, ou mesmo se diziam predestinados

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Fontes:
[1] Fr.Ma. GONZALO MARTINEZ SUÁREZ, Bernado de Claraval, Editorial El Perpetuo Socorro, Madrid, 1964, p.555 / Imprímase: Segundo, Acebispo de Burgos, 20-7-1964
[2] R. P. ANSELME DIMIER OCR, Saint Bernard "Pêcheur de Dieu", Letouzey & Ané, Paris, 1953 Tome Premier, p.  108 / Imprimatur: Michel Potevin, Vic. Gen., 23-4-1953
[3] Cônego FRACIS TROCHU, O Cura d'Ars, Vozes, Petrópolis, 2a. ed., 1960, p.94 / Imprimatur: Luís Filipe de Nadal, Bispo de Uruguaiana, 29-6-1959
[4] JOSÉ MARIA DE GARGANTA OP, Santo Domingo de Guzmán visto por sus contemporaneos, Introducción General, BAC, MAdrid, 1947, p.92 / Imprimatur: Casimiro, Obispo Aux. y Vic. gen., 30-5-1947
[5] Fray VICENTE JUSTINIANO ANTIST, Vida de San Vicente Ferrer, in Biografia y Escritos de San Vicente Ferrer, BAC, Madrid, 1956, p.220 / Imprimatur: Hyacinthus, Ep. aux. y Vic. gen., Valentiae, 9-6-1956
[6] J. M. S. DAURIGNAC, S. Francisco Xavier, apóstolo das Índias, Apostolado da IMprensa, Porto, 5a. ed., 1959, p. 459 / Imprimatur: Mons. Pereira Lopes, Vig. ger. 20-5-1958
[7] Pedro de Ribadeneyra, Vida del P.Francisco de Borja, in Historias de la Contrarreforma, BAC, Madrid, 1945, p. 687. Imprimatur: Casimiro, Obispo Aux. Y Vic.Gen., 31-3-1945
[8] Pe. L. J. M. Cros SJ, Vida de S. João Berchmans, Duprat e Comp., São Paulo, 1912, p.375. Com licença da autoridade eclesiástica
[9] Johannes Joergensen, São Francisco de Assis, Vozes, Petrópolis, 1957, p. 359. Com aprovação eclesiástica
[10] Pe. Virgílio Cepari SJ, Vida de S.Luís Gonzaga, da Companhia de Jesus, Officina Polígrafica Editrice, Roma, 1910, p. 37. Com aprovação eclesiástica
[11] San Antonio Maria Claret, Escritos autobiográficos y espirituales, BAC, Madrid, 1959, pp.465-466. Imprimatur: Blasius Budelacci, Ep. Nissen. Tusculi, 9-2-1959
[12] S. Afonso Maria de Ligórrio, A Oração, o Grande Meio da Salvação, Vozes, Petrópolis, 3a. ed., 1956, pp.27-28. Com aprovação eclesiástica