Vidas de Santos: Declaravam a sua missão como santa ou profética, ou mesmo se diziam predestinados

S.Clara de Assis
Santa Clara de Assis (1193-1253): falava a si mesma que tinha sido predestinada

Depoimento da Irmã Benvenuta di Diambra, Religiosa do Mosteiro de São Damião, sobre as palavras da Santa no leito de morte, ditas no Processo de Canonização:

"Ora, enquanto ninguém lhe falava, a dita Mãe começou a recomendar sua alma a Deus, dizendo: 'Vai em paz, pois tu serás bem assistida. Aquele que te criou te predestinou à santidade, logo pôs em ti o Espírito Santo, e te olhou sempre como uma Mãe olha a seu filhinho'. Uma irmã chamada Anastácia, perguntou-lhe então a quem ela falava assim. Ela respondeu: 'Eu falo à minha alma bendita'" [1]

São Vicente Ferrer (1350-1419): profetiza a eleição de um Papa, e diz que será objeto de veneração dele

"(Calixto III) logo se recordou de uma profecia de São Vicente Ferrer com respeito a sua eleição. Este santo dominicano espanhol, segundo ele conta, durante suas pregações em Valência, entre a multidão dos que se aproximavam para recomendar-se às suas orações, fixou-se também num sacerdote que pedia igualmente a caridade de uma oração, ao qual (o Santo) dirigiu as seguintes palavras: 'Eu te felicito, meu filho, tem presente que estás chamado a ser um dia a glória de tua pátria e de tua família, pois serás revestido da mais alta dignidade à qual pode chegar um homem mortal, e eu mesmo serei, depois de minha morte, objeto de tua particular veneração. Esforça-te pois por perseverar em tua virtuosa maneira de viver" [2].

São Francisco de Paula (1416-1507): "serei santo quando vós fordes Papa"

"Um dos visitantes, narra Bellarmino (São Roberto Bellarmino), foi Lourenço de Medici, o qual, encontrando-se em Roma com o filhinho João, apresentando-o a Francisco, disse: 'Joãozinho, beije a mão do Santo'. E o Santo disse ao menino com bonomia. 'Sim, eu serei snato quando vós fordes Papa'. E a profecia se cumpriu - Joãozinho tomou o nome de Leão X como Papa e canonizou Francisco em 1 de Maio de 1519 (São Roberto Bellarmino, Concio VI, De Gloria miraculorum)" [3].

Santa Verônica Giuliani (1660-1727): fazia elogios a si mesma

"Ao escrever o seu diário, ela praticou a obediência heroicamente e, se ela conta coisas lisonjeiras a seu respeito, é porque ela não queria por nenhum preço faltar à sinceridade" [4].

Santa Teresinha do Menino-Jesus (1873-1897): dizia que era uma pequena santa, que sua missão se cumpriria

"Verdadeiramente, estou longe de ser santa, só isso o prova bem; em vez de me regozijar com a minha aridez, deveria atribuí-la a minha falta de fervor e de fidelidade, deveria ficar aflita por dormir (há sete anos) durante minhas orações e minhas ações de graças, mas não, não me aflijo... penso que as criancinhas agradam tanto seus pais quando dormem como quando estão acordadas, penso que para fazer cirurgias os médicos adormecem seus pacientes. Enfim, penso que: 'O Senhor vê nossa fragilidade, que Ele não perde de vista que só somos pó' " [5].

Alguns podem ver uma contradição do texto acima com os seguintes, mas tal pensamento é errado pois repugna a santidade tão notória e tão evidente da religiosa francesa. Fato é que por vezes os santos queriam ressaltar o que lhes faltava, para mostrar a grandeza de Deus, e a santidade qual somente Nossa Senhora atingiu.

Depoimento da Irmã Maria do Sagrado Coração, no Processo de Beatificação e Canonização de sua irmã Teresinha do Menino Jesus:

"Por volta do mês de Agosto de 1897, aproximadamente seus semanas antes de sua morte, eu estava junto a seu leito com a Madre Inês de Jesus e a Irmã Genoveva (Paulina e Celina, irmãs de Teresinha). De repente, sem que nenhuma conversa conduzisse a esta afirmação, ela nos olhou com um ar celeste e disse: 'Vós sabeis bem que cuidais de uma pequena santa'.

(Pergunta: a Serva de Deus explicou ou corrigiu esta expressão ? Resposta:)

Eu fiquei muito emocionada com estas palavras, como se tivesse ouvido um santo predizer o que aconteceria depois de sua morte. Tomada por esta emoção, afastei-me um pouco até à enfermaria, e não me lembro de ter ouvido outra coisa" [6].

"Numa confidência com a Madre Inês de Jesus, Teresinha declarou: 'Para a minha missão, como para a de Joana D'Arc, a vontade de Deus cumprir-se-á apesar da inveja dos homens'" [7].

São João Berchmans (1599-1621): prometeu obter de Deus muitas graças, declarou não ter cometido pecado venial algum

"Objeção do promotor da fé: Durante a última doença, Berchmans promete com segurança obter de Deus muitas graças para seus irmãos, declara jamais ter cometido pecado venial, dá com autoridade conselhos a anciãos, não lhes recusa a sua bênção, parece dizer que a província de Flandres perde muito com a sua morte. Julgaram acertado os sacerdotes incutir-lhe salutar receio das tentações, mas ele afeta tal segurança, que nada o pode perturbar. Se isso não é jactância, não é vaidade, com certeza humildade também não é, as suas palavras, os seus atos, não manifestam a humildade tão admirada e exigida num santo. Parece que Deus, para puni-lo de tantos sentimentos de vanglória, permitiu aquelas tentações terríveis que agitaram a alma do Servo de Deus, quase no momento de dar o último suspiro.

Resposta do "Postulador da Causa": Antes de responder diretamente e de explicar por miúdo os fatos, assento dois princípios:

1. Segundo a doutrina dos santos e o ensino teológico, revelar as boas obras e virtudes, é por si mesmo, uma coisa indiferente, que a reta intenção pode tornar muito meritória. Com grande mérito, S.Paulo proclamou os próprios louvores.

2. Quando sinais manifestos não demonstram que um ato do próximo é viciado por más intenções, é de justiça considerá-lo bom. São as próprias palavras do angélico doutor (ST, II-II, q.80, a.4).

"João revelava aos superiores os mais íntimos segredos do seu coração, porque a Regra o ordenava expressamente. Contou a um irmão coadjutor que jamais tivera pensamentos contrários à castidade. Passa, porém, o promotor sem observar que Berchmans acrescentava: Graças à Bem-aventurada Virgem (...).

Nos seus últimos momentos, João promete aos irmãos obter-lhes no céu, as graçsa de Deus. Assim, fez Luiz de Gonzaga, o modelo de Berchmans. Diz o autor da sua vida, que aceitava prontamente as comissões que lhe faziam para o céu, e prometia com segurança pedir a Deus as graças solicitadas.

João declara que jamais cometeu pecado venial. O texto do padre Cepari, destroi a objeção: perguntando-lhe o Reitor se desejava outra coisa, respondeu-lhe, ao ouvido: Se V. Rev. julgar a propósito, poderá dizer aos meus irmãos, que minha maior consolação nesta hora, é que não me recordo de haver cometido pecado venial deliberado, nem violado nenhuma Regra desde a minha entrada em religião, etc (...).

Refere uma testemunha que cada um, ao ouvir a voz de Berchmans, julgava ouvir a voz do próprio Deus (...).

A segurança de Berchmans contra as tentações não é presunçosa, atribui a Deus a glória: graças a Deus, diz Berchmans, sinto-me assaz armado contra as tentações que atacam a fé" [8].

Vidas de Santos: davam bênçãos mesmo sendo leigos, as pessoas ajoelhavam-se diante deles e osculavam-lhes os pés

Considerados santos ainda em vida e venerados assim por outros santos, que os incluíam na ladainha dos santos e guardavam suas relíquias

Santos que eram chamados de: "guia de sua época", "árbitro da cristandade", "alma da Igreja", "suporte do Papado"

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Fontes:
[1] J'ai connu Madame Sainte Claire d'Assise, Les Editions du Cèdre, Paris, 1961, pp.89-90. Imprimatur: J.Gaston, Vic. gén., de Toulouse, 12-7-1960
[2] Ludwig Pastor, Historia de los Papas, Ed.Gili, Buenos Aires, 1948, vol.II, pp.329-330
[3] Pe. Alfredo Bellantonio, S.Francesco di Paola, Postulazione Generale Dei Minimi, Roma, 3a. ed., 1973, pg.150.Imprimatur: Aloysius Card. Traglia, 17-5-1962
[4] Ctesse. M. De Villermont, Sainte Véronique Giuliani, Librarie Générale Catholique, Maison Saint-Roch, Paris-Couvin, Belgique, 1910, pp.111-112. Imprimatur: J.M. Miest, vic.gen., Namurci, 1-3-1910
[5] Manuscritos Autobiográficos de Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, pg. 207, 188
[6] Procés de Béatification et Canonisation de Sainte Thérese de L'Enfant-Jesus et de la Sainte-Face, Procès Apostolique Témoin 7: Marie du Sacré-Coeur O.C.D., Teresianum, Roma, 1976, t. II p.245
[7] Pe.Antonio Feitosa, Santa Teresinha, a Violeta de Lisieux, Vozes, Petrópolis, RJ, 2a. ed. refundida, 1955, pg.274. Imprimatur: D.Manuel Pedro da Cunha Cintra, 20-1-1955
[8] Pe. L.J.M. Cros S.J., Vida de S.João Berchmans, Duprat & Comp., São Paulo, 1912, pp.404-409. Com licença da autoridade eclesiástica