Papa Francisco indica uma visão de mundo ecológica-panteísta em Encíclica, entre outras, citando Padre panteísta com obras condenadas

Já falamos do panteísmo explícito do Pe. Teilhard de Chardin no seguinte artigo, por isso não vamos provar este dado aqui:

Bento XVI chama de grande visão a cosmologia de um padre declaradamente panteísta com livros condenados pela Igreja

Papa Francisco em sua Encíclica Laudato Si', do dia 24 de Maio de 2015 (grifos nossos):

-Citações com ar de panteísmo

"Jesus Cristo" é citado uma só vez, o nome "Cristo" onze vezes, já "natureza" mais de setenta vezes, e "terra" mais de oitenta.

-Idéias que se desenvolvem a partir da teologia panteísta de um padre com livros condenados, que é citado

"A meta do caminho do universo situa-se na plenitude de Deus, que já foi alcançada por Cristo ressuscitado, fulcro da maturação universal” (n. 83)

Na nota 53 desse mesmo número, se lê:  “Coloca-se, nesta perspectiva, a contribuição do Pe. Teilhard de Chardin”. 

Ora, este padre teve as suas obras condenadas, sendo objeto de um Monitum (advertência) do Santo Ofício, de 30.06.1962, no qual é afirmado que seus escritos abundam em ambiguidades e “contêm mesmo graves erros que ofendem a doutrina católica” [1].

-Sacramento é a matéria divinizada

“A criação encontra a sua maior elevação na Eucaristia. A graça, que tende a manifestar-se de modo sensível, atinge uma expressão maravilhosa quando o próprio Deus, feito homem, chega ao ponto de fazer-Se comer pela sua criatura. No apogeu do mistério da Encarnação, o Senhor quer chegar ao nosso íntimo através de um pedaço de matéria (...). Na Eucaristia, já está realizada a plenitude, sendo o centro vital do universo, centro transbordante de amor e de vida sem fim. Unido ao Filho encarnado, presente na Eucaristia, todo o cosmos dá graças a Deus. Com efeito a Eucaristia é, por si mesma, um ato de amor cósmico” (n. 236).

Citando o patriarca cismático Bartolomeu de Constantinopla (n. 9):

“Além disso nós, cristãos, somos chamados a "aceitar o mundo como sacramento de comunhão" (...)".

- A terra tratada como ser vivo

Salienta Arnado Xavier da Silveira em seu artigo sobre a Encíclica [2], fonte primordial para este nosso texto, que a terra, a natureza e o ambiente são tratados como se fossem seres racionais:

“Esta irmã [a terra] clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou (...). Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que "geme e sofre as dores do parto" (Rom. 8, 22)” (número 2).

Note-se o emprego da categoria marxista do “pobre” como “oprimido”.

A Encíclica recomenda uma abordagem ecológica para se “ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres” (n. 49).

“Estas situações provocam os gemidos da irmã terra, que se unem aos gemidos dos abandonados do mundo, com um lamento que reclama de nós outro rumo” (n. 53).

A Encíclica fala num “relacionamento interior” do homem consigo mesmo, “com os outros, com Deus e com a terra” (n. 70). E, mais adiante, diz que o Levítico “procurou assegurar o equilíbrio e a equidade nas relações do ser  humano com os outros e com a terra onde vivia e trabalhava” (n. 71). Ora, só há relações de equidade entre seres racionais, entre pessoas. Assim, segundo a Encíclica,o homem deixa de ser o Rei da criação corpórea.

-O homem deixa de ser o Rei da criação corpórea

“Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la” (n. 2).

Note-se o subterfúgio: ligar a noção vinda do Gênesis, de que o homem deve dominar a terra, com a de “saqueadores”.

“Se é verdade que nós, cristãos, algumas vezes interpretamos de forma incorreta as Escrituras, hoje devemos decididamente rejeitar que, do fato de ser criados à imagem de Deus e do mandato de dominar a terra, se deduza um domínio absoluto sobre as outras criaturas” (n. 67).

A Igreja nunca ensinou que o domínio do homem sobre a natureza e os animais fosse absoluto, no sentido de que ele pudesse fazer o que quisesse, sem levar em conta o fim último de todas as coisas. Mas, ao dizer que antes se interpretava “algumas vezes” incorretamente as Escrituras, fica sugerido que a doutrina clássica do domínio do homem sobre a natureza decorria de más interpretações no passado. Essa ideia é reforçada adiante:

Hoje, a Igreja não diz, de forma simplicista, que as outras criaturas estão totalmente subordinadas ao bem do ser humano, como se não tivessem um valor em si mesmas e fosse possível dispor delas à nossa vontade (...)” (n. 69).

Segundo o mesmo texto, existe uma “reciprocidade responsável entre o ser humano e a natureza” (n. 67). Como pode haver reciprocidade e responsabilidade entre o “ser humano” (racional) e a “natureza” (irracional)?

“Mas seria errado também pensar que os outros seres vivos devam ser considerados como meros objetos submetidos ao domínio arbitrário do ser humano” (n. 82). “(...) a Bíblia não dá lugar a um antropocentrismo despótico, que se desinteressa das outras criaturas” (n. 68).

Em suma, a Encíclica apresenta o homem não como o dominador da natureza, do mundo sensível, o qual usa  para dar glória a Deus, mas praticamente inverte essa ordem e põe o homem não como dominador mas como servidor da natureza sensível à  qual deve obedecer e submeter-se.

-Uma espiritualidade ecológica

“Desejo propor aos cristãos algumas linhas de espiritualidade ecológica que nascem das convicções da  nossa fé, pois aquilo  que o Evangelho nos ensina tem consequências no nosso modo de pensar, sentir e viver (...); não é possível empenhar-se em coisas grandes apenas com doutrinas, sem uma mística que nos anima, sem "uma moção interior que impele, motiva, encoraja e dá sentido à ação pessoal e comunitária" [Evangelii Gaudium, 261] (...). Temos de reconhecer que nós, cristãos, nem sempre recolhemos e fizemos frutificar as riquezas dadas por Deus à Igreja, nas quais a espiritualidade não está desligada do próprio corpo, nem da natureza ou das realidades deste mundo, mas vive com elas e nelas, em comunhão com tudo o que nos rodeia”.

"a crise ecológica é um apelo a uma profunda conversão interior, (...) uma conversão ecológica, que comporta deixar emergir, nas relações com o mundo que os rodeia [os cristãos], todas as consequências do encontro com Jesus. Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa” (n. 217). "[a conversão ecológica] implica a consciência amorosa de não estar separado das outras criaturas, mas de formar com os outros seres do universo uma estupenda comunhão universal” (n. 220).

Salmo em reparação (Salmo 129)

"Desde o mais profundo clamei a Ti, Senhor. Senhor, ouve a minha voz. Estejam atentos os teus ouvidos à voz da minha súplica. Se examinares, Senhor, as nossas maldades, quem, Senhor, poderá subsistir ?

Mas em Ti se acha a clemência, e por causa da tua lei pus em Ti, Senhor, a minha confiança. A minha alma está confiada na sua palavra, a minha alma esperou no Senhor.

Desde a vigília da manhã até a noite, espere Israel no Senhor. Porque no Senhor está a misericórdia, e há nele copiosa redenção. E Ele mesmo redimirá Israel de todas as suas iniquidades".

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[1] Apud A.M. y C.C., Teilhard de Chardin, Pierre - Opera omnia. Disponível em: http://www.opuslibros.org/Index_libros/Recensiones_1/teilhard_obr.htm
[2] A.Xavier da Silveira, "Notas sobre a filosofia e teologia inaceitáveis da Laudato Si’". Disponível em: http://www.arnaldoxavierdasilveira.com/2015/08/notas-sobre-filosofia-e-teologia_67.html?m=1