Erros de fatimólogos sobre a sétima aparição de Nossa Senhora de Fátima já ter ocorrido

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Alguns fatimólogos sustentam que a sétima aparição já ocorreu. Entre eles, Dr.Antônio Augusto Borelli Machado.

Um dos maiores especialistas nas Aparições de Nossa Senhora de Fátima, e talvez o único entre estes que é tradicionalista e contra-revolucionário discípulo do grande apóstolo de Fátima Plinio Corrêa de Oliveira, ele publicou uma nova edição de seu famoso livro já traduzido para mais de 10 línguas e com mais de 4 milhões de cópias vendidas, boa parte com o empenho de Dr.Plinio. Nos referimos à edição publicada em espanhol, pela Universidad San Sebastián, em 2017.

Nesta nova edição, Dr.Borelli sustenta que a sétima aparição que Nossa Senhora prometeu além das seis, já aconteceu.

Isto está muito equivocado.

Somente como se dará a sétima aparição, por incluir interpretações e hipóteses, é uma questão em aberto, embora todos os elementos que ajudem a entendê-la apontem para esta aparição conforme pensava Plinio Corrêa de Oliveira.

Aqui tratamos unicamente do que Dr.Borelli sustenta, uma vez que compreende os argumentos mais relevantes e recentes para o debate desta matéria.

Fala de Nossa Senhora de Fátima sobre a sétima aparição

Primeira Aparição, 13 de Maio de 1917:

Nossa Senhora: “Não tenhais medo, Eu não vos faço mal”.

Lúcia: “Donde é Vossemecê?”

Nossa Senhora: “Sou do Céu” (e Nossa Senhora ergueu a mão para apontar o céu).

Lúcia: “E que é que Vossemecê me quer?”

Nossa Senhora: “Vim para vos pedir que venhais aqui seis meses seguidos, no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero. Depois voltarei ainda aqui uma sétima vez”.

Resumo da questão

Dr.Borelli no Cap.IV de seu livro enumera os estudiosos que falaram do problema. Entre os quais o Cônego Galamba de Oliveira, que diz que a sétima aparição já ocorreu. Ele relata que falou com a irmã Lúcia e ela disse que a Virgem Santíssima já havia aparecido a ela pela sétima vez em 17 de Junho de 1921, e quando o sacerdote perguntou sobre o que ouviu, a irmã afirmou que a Mãe de Deus nada disse, mas que a aparição lhe deu forças para levar a cruz de ter que ir ao Porto. O Pe.Joaquim María Alonso, CMF, sustenta o mesmo, mas levanta o problema de que a julgar pelo modo como Nossa Senhora disse na primeira aparição sobre a sétima, esta deveria ter tido um caráter público como tiveram as outras. Seguem ele Sebastião Martins dos Reis e o Frei Michael de la Sainte Trinité.

Posição antiga e nova de Dr.Borelli

A posição anterior de Dr.Borelli, na edição de 2007 do seu livro (Acessado em: https://aparicaodelasalette.blogspot.com/p/fatima.html), era de que "a sétima aparição, anunciada com tão grande destaque por Nossa Senhora, nos parece — salvo melhor juízo — uma questão em aberto", e que "os eventos previstos em Fátima não estando ainda concluídos — conforme demonstramos nos comentários ao Segredo (cfr. Capítulo II) — poder-se-ia conjecturar que essa sétima aparição representaria o “ponto final” da Mensagem de Fátima, que Nossa Senhora mesma sintetizou nas célebres palavras: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”. Uma aparição, enfim, que marcasse o início de uma nova era histórica (...)". E com isso o autor passa a se referir ao Reino de Maria e à vitória da Contra-Revolução, conforme descritos por Plinio Corrêa de Oliveira.

Na nova posição, alega que "a história de Fátima se faz sobretudo com base nos testemunhos da Irmã Lúcia e só é lícito levantar conjecturas nas questões que ela deixou em aberto" (pg.93). Em seguida fala da obra "Um Caminho sob o Olhar de Maria" publicada em 2013 pelo Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, com escritos inéditos da Irmã Lúcia. Nela, a vidente de Fátima diz que na tarde de 15 de Junho de 1921, ao ir à Cova da Iria aonde apareceu a Mãe de Deus, preocupada com a ordem do Bispo de Leiria sobre a ida ao Porto, Nossa Senhora lhe apareceu e disse "aqui estou pela sétima vez" e outras poucas palavras para que seguisse o que o Bispo mandou. Dr.Borelli conclui: "é forçoso, portanto, admitir que a sétima aparição em Fátima já ocorreu", e adiciona que em nada impede que ainda ocorram os castigos e o triunfo do Imaculado Coração de Maria, que antes sustentava estarem atrelados a esta aparição. 

Problemas gritantes nesta análise

1. Contradição entre os relatos da Irmã Lúcia: a irmã Lúcia diz ao Cônego Galamba de Oliveira que Nossa Senhora nada disse nesta sétima aparição, mas no escrito do livro de 2013 ela afirma que a Virgem Santíssima disse: "aqui estou pela sétima vez" e outras coisas. Dr.Borelli sequer menciona este ponto.

2. Contradição do autor sobre "levantar conjecturas nas questões que ela deixou em aberto": Dr.Borelli alega que "só é lícito levantar conjecturas nas questões que ela deixou em aberto", mas na mesma edição de 2017, Apêndice I, ao tratar outro problema, lembra que os videntes estão sujeitos ao erro:

"É sabido que os videntes são freqüentemente favorecidos com um regime especial de graças e inspirações do Espírito Santo, seja para o bem da Igreja, seja para o próprio bem espiritual. Assim, por exemplo, Nossa Senhora permitiu que Santa Bernadette, já no convento de Nevers, em determinado momento perdesse toda lembrança das aparições, a ponto de duvidar se as teria tido realmente, e portanto se não enganara o mundo todo com suas declarações! Felizmente foi uma provação passageira, mas que os historiadores de Lourdes registram. Com Santa Catarina Labouré ocorreu também um fenômeno curioso: seu confessor, ao tomar providências para a cunhagem da medalha que viria a chamar-se “milagrosa”, quis saber exatamente o que colocar no verso. E pediu à vidente que fizesse uma nova descrição completa da medalha. A vidente mandou lhe dizer que no momento só se lembrava do que constava no verso... O fato impressionou muito o confessor, que duvidava da realidade das aparições.

Isto posto, podem colocar-se duas questões: (a) Com a Irmã Lúcia não se teria passado um fenômeno espiritual semelhante, ao omitir na III Memória a frase que depois incluiu na IV Memória? (...)".

Isto posto, não é preciso dizer o quanto se pode perguntar sobre omissões dela no caso do que seria a sétima aparição, ainda mais que o primeiro relato contradiz o seu próprio relato anterior. Estas coisas não impressionam quem conhece outros casos de erro em profecias, que já tratamos em artigos anteriores.

3. Problema de implicar uma falta de concatenação na fala de Nossa Senhora: nos diálogos das aparições saltam aos olhos seja o sentido místico, seja o sentido profético. Depois de falar das seis aparições, que conhecemos como se deu de modo notório, a Virgem Santíssima fala da sétima. Ora, se a sétima era tão simples e privada, Nossa Senhora teria, ao mencioná-la na fala sobre as aparições, conscientemente engendrado (pela sabedoria que possui) uma futura confusão sobre a possibilidade de mais uma aparição de caráter semelhante, o que é absurdo de se pensar que Ela faria. 

4. Contradição do autor ao não enfrentar a dificuldade do ponto anterior: na edição de 2007, Dr.Borelli diz que os "autores que consideram o assunto encerrado não enfrentam, entretanto, essa dificuldade", ao mesmo tempo que na nova edição a razão dada para aderir à posição destes autores não tenta sequer resolver esta dificuldade, mas se resume a tomar como literal e certo um testemunho da irmã Lúcia que se contradiz com outro.

5. Contradição com as características das outras seis aparições: esta sétima aparição com a Irmã Lúcia é completamente distinta das outras seis, pois não possui diálogo, não há pedido de rezar o rosário por parte de Nossa Senhora, é curtíssima, não se fala senão do problema da Irmã Lúcia, não há promessa, gesto místico, segredo ou profecia revelada.

6. Problema de implicar uma falta de harmonia com as outras partes da Mensagem: como Dr.Borelli afirma nas edições anteriores, seguindo a Dr.Plinio, é natural relacionar esta sétima aparição ao "triunfo do Imaculado Coração", isto é, o Reino de Maria que S.Luís Maria Grignion de Montfort profetiza e também aos Castigos profetizados, já que nada mais sensato do que Nossa Senhora vir seja para dizer que chegou o tempo destas coisas, seja para engendrá-las, visto que já veio para dizer que elas virão.

7. Oposição à autoridade de Plinio Corrêa de Oliveira: é notório que Dr.Plinio sustentava a sétima aparição no contexto sustentado aqui, e inclusive deixou para seus discípulos uma série de intenções na chamada vigília do Oratório que muitos ainda fazem, entre as quais estava o pedido da vinda da sétima aparição de Nossa Senhora de Fátima. Já vimos em artigos anteriores que ele foi o apóstolo de Fátima por excelência e dotado de um profetismo para seu tempo e para este tipo de questão, portanto é a maior autoridade no tema.

Conclusão

Nossa Senhora de Fátima da futura Sétima Aparição, rogai por nós!


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