Hipótese sobre a existência do texto faltante do Segredo de Fátima

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!

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A Teologia da História prova a vinda do Reino de Maria, por Plinio Corrêa de Oliveira em 1971.

A plenitude da profecia é a prova da vinda da proximidade do tempo profetizado. Hipótese Teológica.





Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados (Vol. I, parte I, 3a edição, Cap. V)".
 
Conforme dissemos no capítulo III, a plenitude da profecia é necessária para a vinda da sexta Era. Agora, como essa plenitude da profecia precisa estar relacionada com o evento mais importante dos eventos proféticos até hoje, isto é, as aparições de Fátima, ela só poderá ser atingida com a divulgação integral do segredo de Fátima. Isso, é claro, se realmente houve uma parte omitida.

Aqui sustentaremos uma hipótese que se divide em três teses sobre o segredo: 1 - Falta ser revelada uma parte, 2 - O segredo completo consiste em seis partes, 3 - Será revelado pelo Papa Santo. As duas primeiras afirmações fazem parte de uma mesma tese.

No entanto, é preciso notar: tais conjecturas estão meramente no campo das hipóteses. Só o tempo as provará ou refutará, porque as hipóteses sobre os desígnios futuros de Deus nunca serão completas, isto é, nunca tratarão de todas as questões que as envolvem, visto que o homem desconhece todas as possibilidades.

Defenderemos a primeira tese da hipótese somente pela via da estrutura do segredo. Ignoramos as alegações históricas sobre o segredo ser falso, etc. Também não queremos mostrar que a parte faltante foi ignorada, por quem foi e por qual motivo, ou se foi escondida, ou se ainda está para ser revelada. Isso tudo foge do escopo dessa hipótese.

Dividimos a estrutura do segredo completo assim:

Parte 1: Visão do inferno. 
Parte 2: Explicação da visão e profecias de ameaça. 
Parte 3: Visão do calvário da Igreja.

Ora, a maioria dos apoiadores da tese de que uma parte foi suprimida defendem-na lembrando da ausência de explicação da visão e as profecias de ameaça para a segunda visão, conforme ocorreu para a primeira. Concordamos. E sustentamos hipoteticamente que não só há a "quarta parte", mas a quinta e a sexta, na seguinte ordem: explicação da visão e profecia, visão, explicação e profecia da visão. A seguir, as razões para isso:


A harmonia com o panorama profético: sexta é a Era vitoriosa da Virgem Maria, sexta é a Era de Nosso Senhor Jesus Cristo dentro das Eras antigas, conforme visto neste capítulo. É o número do dia em que foi criada a obra final da criação: o homem, e é também o número de aparições de Nossa Senhora em Fátima: uma vez por mês de Maio até Outubro. Em suma, deveriam haver seis partes para espelhar essa harmonia numérica divinamente escolhida.

Harmonia com a aparição dos anjos: apareceram três vezes antes da Virgem Maria, assim, as visões do segredo podem espelhar o "três" das visões do anjo.

Harmonia com os três eventos maiores profetizados pelo conjunto das profecias: ao longo desse volume, conseguimos distinguir três eventos de grande importância, a saber, o Castigo Mundial, parte da primeira visão e profecia, a crise na Igreja, parte da segunda visão, e a restauração. O Castigo, a crise e a restauração possuem detalhes e agentes específicos detectados nos capítulos precedentes e mais adiante neste. Ora, desses três tópicos maiores, a restauração não foi mencionada no segredo, então, conjuntamente com a já citada ausente explicação e profecia relacionada à segunda parte, ela pode fazer parte do segredo. Isso quer dizer que há uma explicação e profecia acerca da terceira visão também. Afinal, a aparição mais importante na história da Igreja, a mais profética, e com o milagre mais impressionante corroborando-a, não parece capaz de não mencionar as coisas mais urgentes dentro da Santa Igreja em um tempo tão crítico como o posterior e atual. A não ser que Deus tenha planos mais belos fora do alcance destas hipóteses.

Razões para acreditar que a revelação das partes faltantes virá somente com o Papa Santo

A possibilidade de supressão da explicação da segunda visão: pois revelando-a por alguém, a Virgem Santíssima própria mostraria como o clero tramou contra Fátima e por isso, escondeu-a e interpretou-a, como se já não houvesse uma exegese celeste. Portanto, uma vingança de Nossa Senhora é bem conveniente, se realmente houve tal supressão.

A necessidade da plenitude da profecia, como dito antes: se a profecia for revelada por alguém sem influência na Igreja não afetará a opinião pública. Além disso, os documentos originais são bem guardados pelo Vaticano, de modo que quem disser ter o segredo original será, antes de tudo, suspeito de algum crime. Portanto, convém alguém insuspeito. Ninguém melhor que o Papa, porém, só um Papa sem compromisso com a campanha de silêncio sobre Fátima o faria, isto é, o Papa Santo, o qual será tradicionalista, pois a maioria dos prelados acredita no fim da história de Fátima, e não se moveriam.

A missão do Papa Santo: este Papa é a plenitude da profecia de algum modo, e completando a missão de proclamar a plenitude de todas as mensagens proféticas para seu tempo, confirmará sua missão perante o mundo. Este Pontífice vem para chocar e causar divisão, e será muito conveniente à vingança de Nossa Senhora se uma parte do segredo foi omitida. Este Papa também vem para anunciar o Reino de Maria, assim, será conveniente que o anuncie segundo o segredo, na parte da visão que o cita (a terceira, sobre um Papa mártir), e na provável explicação da mesma visão.

Em resumo, se Nossa Senhora nos deu a graça de propor uma hipótese correta, e considerando que a quarta parte abaixo é uma hipótese aventada aqui, o segredo se divide harmonicamente da seguinte maneira:

Parte 1: Visão do inferno. 
Parte 2: Explicação da visão e profecias de ameaça. 
Parte 3: Visão do calvário da Igreja.
Parte 4: Explicação da visão e profecias de ameaça.
Parte 5: Visão da restauração.
Parte 6: Explicação da visão e profecias de ameaça.

Adendo da 3a edição: Na parte 2 deste volume, incluímos diversas hipóteses de Plinio Corrêa de Oliveira sobre o tema do segredo de Fátima, as quais, lá expomos, parecem apontar para um segredo mais amplo e uma estrutura muito parecida a que organizamos acima. Apesar da estrutura ter sido organizada nesta terceira edição, não tínhamos contato com as hipóteses até a 1a edição, quando de modo desorganizado este artigo surgiu. Este adendo é um ato de reconhecimento dos grandes do passado, gesto que deve fazer parte não só da vida católica, como de todo ofício relativo ao escrito.