Bíblia, Papas, santos e teólogos sobre a real possibilidade de um Papa ser herege

Papa São Leão II
Do livro "O Príncipe dos Cruzados" (compilação doutrinária inédita).

Este artigo é baseado na maior parte no livro de Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, "Considerações sobre o ordo missae de Paulo VI", 1970, onde na primeira parte se trata exaustivamente das possibilidades do Papa herege. Este livro foi revisado e tinha adesão do eminente católico Plinio Corrêa de Oliveira.

-> Um Papa pode ser herege

Bíblia

Considerando que possa cair em heresia: "Roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos" S. Lucas 22:32.

Papa Adriano II

"Lemos que o Pontífice Romano sempre julgou os chefes de todas as igrejas (isto é, os Patriarcas e Bispos); mas não lemos que jamais alguém o tenha julgado. É verdade que, depois de morto, Honório foi anatematizado pelos orientais; mas deve-se recordar que ele foi acusado de heresia, único crime que torna legítima a resistência dos inferiores aos superiores, bem como a rejeição de suas doutrinas perniciosas" [1].

III Concílio de Constantinopla, VI Ecumênico considerando um Papa do passado herege

"Julgamos que, juntamente com esses, foi lançado fora da Santa e Católica Igreja de Deus, e anatematizado, também Honório, outrora Papa de Roma, pois verificamos, por seus escritos enviados a Sérgio, que em tudo seguiu o pensamento deste último e confirmou seus princípios ímpios" [2].

Papa São Leão II (+ 683)

"Anatematizamos também os inventores do novo erro: Teodoro, Bispo de Pharan, Ciro de Alexandria, Sérgio, Pirro (...) e também Honório, que não ilustrou esta Igreja apostólica com a doutrina da tradição apostólica, mas permitiu, por uma traição sacrílega, que fosse maculada a fé imaculada" [3].

Papa Adriano VI († 1523)

“Se por Igreja Romana se quer dizer a sua cabeça ou pontífice, é fora de dúvida que ele pode errar, mesmo em matérias que tocam a fé. Ele faz isso quando ensina heresia por seu próprio julgamento ou decreto. Na verdade, muitos pontífices romanos foram hereges. O último deles foi o Papa João XXII († 1334)“ [4].

São Francisco de Sales

“Nos termos da Lei antiga, o Sumo Sacerdote não usava o Rational, exceto quando estava investido com as vestes pontificais e entrava diante do Senhor. Assim nós não dizemos que o Papa não pode errar em suas opiniões privadas, como fez João XXII; ou não ser totalmente um herege, como, talvez, Honório era” [5].

São Bruno ao Papa Pascoal II insinuando que ele podia cair em heresia obstinada

"(...) Eu vos estimo como a meu pai e senhor (...). Devo amar-vos; porém devo amar mais ainda Àquele que criou a vós e a mim. (...) Eu não louvo o pacto (assinado pelo Papa), tão horrendo, tão violento, feito com tanta traição, e tão contrário a toda piedade e religião. (...) Temos os Cânones; temos as constituições dos Santos Padres, desde os tempos dos Apóstolos até vós. (...) Os Apóstolos condenam e expulsam da comunhão dos fiéis todos aqueles que obtêm cargos na Igreja através do poder secular. (...) Esta determinação dos Apóstolos (...) é santa, é católica, e quem quer que a ela contradiga, não é católico. Pois somente são católicos os que não se opõem à fé e à doutrina da Igreja católica. E, pelo contrário, são hereges os que se opõem obstinadamente à fé e à doutrina da Igreja católica. (...)" [6].

Santo Ivo de Chartres

"(...) não queremos privar as chaves principais da Igreja (isto é, o Papa) de seu poder, qualquer que seja a pessoa colocada na Sé de Pedro, a menos que se afaste manifestamente da verdade evangélica" [7].

Fatos a favor desta doutrina

Principalmente a partir da época do Concílio Vaticano II, heresias foram defendidas em documentos pontifícios, o que não temos objetivo de demonstrar aqui. Considerando as teses teológicas que garantem a continuação do Papa nesta condição que mostraremos em seguida, isto corrobora a possibilidade de um Papa herege.

Outras autoridades contra esta doutrina

São Roberto Belarmino pessoalmente se alinhou ao o que ele próprio chamou de “parecer piedoso” de Albert Pighius [8], ou seja, que um Papa não poderia cair em heresia pessoal, mas admitiu que “a opinião comum é a contrária” [9]. Cardeal Billot e Suarez também acreditaram ser esta sentença a mais provável, mas só Matthaeuccius a considerou de fé [10].

Teólogos sobre a Infalibilidade Papal no Magistério ordinário

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[1] Adriano II, alloc. III lecta in Conc. VIII, Act. 7 - citado por Billot, Tract. de Eccl. Christi, tom. I, p. 619 - Ver também Hefele-Leclercq, tome V, pp. 471-472
[2] Denz.-Sch. 552. 
[3] Denz.-Sch. 563
[4] Quaest. in IV Sent. Quote in: “L’Infaillibilité du pape et le Syllabus”, (Besançon: Jacquin; Paris: P. Lethielleux, 1904) 
[5] St. Francis de Sales, The Catholic Controversy (TAN Books) p 305-306 
[6] Carta de São Bruno de Segni a Pascoal II, escrita em 1111 - P.L., tom. 163, col. 463. Ver também: Baronius, Annales, ad ann. 1111, n.º 30, p. 228; Hefele-Leclercq, tom. V, part. I, p. 530 
[7] P.L., tom. 162, col. 240
[8] Hierarch. Eccles., lib. 4, cap. 8
[9] De Romano Pontifice, lib II, cap. 30
[10] Op.Cit. A.Xavier, pg. 8