Beato Bartolomeu Holzhauser: no Apocalipse a vinda da sexta idade da Igreja, e sua maior glória antes do anti-Cristo

Para entender alguns conceitos aqui:
 
Santa Teresa de Jesus vê a vinda de um grande Santo Carmelita e de Apóstolos fervorosos

S. Francisco de Paula prevê a vinda de novos apóstolos que acabarão com a seita maometana e restaurarão a Igreja


São Luís Maria Grignion de Montfort profetiza o Reino de Maria e os apóstolos dos últimos tempos 
 
Clique aqui para ler mais sobre o Grande Castigo e o Reino de Maria

Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados (Vol. I, parte I, 3a edição, Cap. V)".



Venerável Bartolomeu Holzhauser (1613-1658) foi um padre Alemão visionário que escreveu uma interpretação ao livro do Apocalipse.

Por vezes este sacerdote é tratado de Beato Holzhauser, talvez por um equívoco proveniente da inicial de seu nome. Assim, o "B" do Pe. B. Holzhauser foi lido como abreviando Beato em lugar do correto Bartolomeu.

Embora notando esse detalhe, nessa série de artigos continuaremos a tratá-lo de Beato, por causa de sua fama de santidade, já grande durante sua vida, mas sem querer nos adiantar ao julgamento da Santa Igreja.


Também é preciso notar que o Venerável Holzhauser estipulou uma data (começo do século XX) para o tempo do anti-Cristo baseando-se na profecia dos Papas e, ao que parece, em um cálculo da duração média dos Pontificados em seu tempo.
 
Isso em nada obsta ao seu dom visionário e interpretativo pois, como vimos no capítulo I, teólogos antigos já trataram de casos de santos que disseram ter recebido revelações sobre a vinda do anti-Cristo em seu tempo.

Quanto à profecia dita de S. Malaquias sobre a lista dos Papas, já opinamos sobre seu valor e história no começo deste capítulo V, assim como outras aparições como Garabandal, que nela se fundam.
 
Os Bollandistas, sociedade mais antiga quase exclusivamente constituída por jesuítas com a finalidade de estudar a vida dos santos, escreveu sobre o venerável: "Hozhauser deixou entre outras obras uma interpretação do Apocalipse de São João (...) que apresenta uma concordância tão admirável dos tempos e dos acontecimentos, que os outros comentários desse livro sagrado em comparação com o seu não passam de brincadeira de crianças”. (Les Petits Bollandistes, sétima edição, 1878, tomo 6, página 229).

Livro do Apocalipse, Capítulo III. Negritos nossos.

Na sexta idade, uma Igreja Santa, verdadeira e poderosa


V.7 - "E escreve ao anjo da Igreja de Filadélfia: Isto diz o Santo e o Verdadeiro, que tem a chave de David, que abre e ninguém fecha, que fecha e ninguém abre".


A sexta idade da Igreja começará com o monarca poderoso e com o Pontífice santo, já falado, e durará até a aparição do Anti-Cristo. Essa idade será uma idade de consolação (consolativus), na qual Deus consolará sua Santa Igreja, das aflições e tribulações que ela passou durante a quinta idade. Todas as nações serão unidas na unidade da fé católica. O sacerdócio florescerá mais que nunca, e os homens procurarão o reinado de Deus e sua justiça em todas as coisas (...).

Esse Monarca poderoso, que virá como enviado de Deus, destruirá as repúblicas debaixo para cima; ele submeterá tudo a seu poder (sibi subjugabit omnia) e empregará seu zelo pela verdadeira Igreja de Cristo. Todas as heresias serão jogadas no inferno. O império dos turcos será destruído, e esse Monarca reinará no Oriente e no Ocidente (...).

Filadélfia significa amor do irmão (...). Ora, todas essas características convêm perfeitamente a essa sexta idade, na qual haverá amor, concórdia e paz perfeita, e na qual o Monarca poderoso poderá considerar quase o mundo inteiro como sua herança. Ele livrará a terra, com a ajuda do Senhor seu Deus, de todos os seus inimigos, de ruínas e de todo mal (...).

Nessa Era muitos se salvarão


V.8 - "Conheço as tuas obras. Eis que pus diante de ti uma porta aberta que ninguém pode fechar. Porque tens pouca força e guardaste minha palavra, e não negaste o meu nome".

Essas palavras estão cheias de consolação; elas descrevem a felicidade vindoura da sexta idade, felicidade que consistirá: 1o Numa interpretação verdadeira, clara e unânime da Santa Escritura (...). Os fiéis Cristãos, espalhados por todo globo terrestre, serão apegados à Igreja de coração e espírito, na unidade da Fé e na observância dos bons costumes (...).

Uma porta aberta que ninguém pode fechar, isto é, conhecimento claro e profundo da Sagrada Escritura, quer dizer, que nenhum herege poderá perverter o sentido da palavra de Deus, porque nessa sexta idade haverá um Concílio Ecumênico, o maior que já jamais teve lugar, no qual, por um favor particular de Deus, pelo poder do monarca anunciado, pela do Sumo Pontífice e pela unidade dos príncipes mais piedosos, todas as heresias e o ateísmo serão proscritos e banidos da terra (...).

Pus diante de ti uma porta aberta, Também significa que fé aberta a porta da fé e da salvação das almas, que estava fechada a uma quantidade imensa de homens durante a quinta idade, devido às heresias e às abominações dos pecadores (...).

Porque tens pouca força e guardaste minha palavra: indica a constância e perseverança de seus servidores no amor e na fé. Porque, perto do fim da quinta idade, estes, tendo pouca força, se levantarão, entretanto, contra os pecadores que terão negado a fé por causa dos bens terrenos (...).

Enquanto eles verão seus semelhantes apostatar e renegar a fé de Jesus Cristo por causa das riquezas, das honras e dos prazeres, eles gemerão nos seus corações diante de seu Deus, e perseverarão nos verdadeiros princípios da fé católica. Essa é a verdadeira razão para Jesus Cristo lhes endereçar esses louvores:
não negaste o meu nome (...).

Conversão dos hereges e dos cismáticos


V.9 - "Eis que (eu) te darei da sinagoga de Satanás os que se dizem judeus e não o são, mas mentem; eis que farei com que venham, e se prostrem aos teus pés; e conhecerão que eu te amei".

Jesus Cristo aqui aqui a conversão dos
hereges e cismáticos e de todos aqueles que erram na fé. E essa conversão terá lugar na sexta Idade (...).
E conhecerão que eu te amei, isto é, eles confessarão que tu és minha única esposa escolhida e querida, a verdadeira Igreja e herdeira do reino celeste (...). Porque na sexta idade a Igreja católica será elevada ao apogeu de sua glória temporal, e ela será exaltada de um mar a outro: não haverá, então, mais controvérsias entre os homens para saber qual é a verdadeira Igreja. Por isso foi dito: e conhecerão (...).

Essa idade só acabará com a vinda do anti-Cristo


V.10 - "Porque guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei na hora da tentação, que virá a todo o mundo para provar os habitantes da terra".

A hora da tentação que deve vir, e que aqui é predita, é o tempo da perseguição do anti-Cristo (...). Ela se chama hora da tentação, porque ela durará pouco, e que a sétima idade da Igreja será curta, como nós veremos mais adiante (...).


A sétima idade


V.14 - "E escreve ao Anjo da Igreja de Laodicéia: Isto diz o Amen (aquele que é a mesma verdade), a testemunha fiel e verdadeira, aquele que é o princípio das criaturas de Deus".

A sétima e última idade da Igreja começará na aparição do anti-Cristo, e durará até o fim do mundo. Essa será uma idade de desolação, na qual haverá uma defecção total da fé, segundo Lucas XVIII, 8 (...).


Vs. 15-16 - "
Conheço tuas obras; que não és nem frio nem quente; oxalá foras frio ou quente; mas porque és morno, nem frio nem quente, começarei a vomitar-te de minha boca".

Nosso Senhor Jesus Cristo,
na Sua afeição paterna,
deplora o triste estado da sua Igreja, como um pai ou uma mãe costumam chorar a morte de um filho ou filha, e como um esposo chora a esposa que amava.

Porque és morno, isto é, porque tu definhas, e perdes a fé, na esperança e na caridade e, em consequência, não observas mais meus mandamentos, fazendo as obras de justiça, por isso, vomitar-te-ei (...).


O texto latino diz Incipiam, eu começarei a te vomitar de minha boca, isto é, começarei, pouco a pouco, a te rejeitar para longe de mim, a te abandonar, e a permitir que caias em heresias (...).

Eu te vomitarei de minha boca, isto é, permitirei às nações e ao anti-Cristo te subjugar aos pés (...) O povo cristão está na boca de Cristo, pela fé em sua palavra e em seu Evangelho (...). É o que Jesus Cristo começará a fazer perto do fim da sexta Idade, e o que continuará na sétima (...).

Vs. 17-18 - "Porque dizes: sou rico e cheio de bens, de nada tenho falta. E não sabes que és infeliz e miserável, pobre, cego e nu. Aconselho-te que compres de mim o ouro provado no fogo para te tornares rico e te vestires de roupas brancas e não se descubra a vergonha de tua nudez; e unge os teus olhos com um colírio para que vejas".

Jesus Cristo revela aqui, sob a forma de uma correção paterna, os vícios e defeitos dessa idade (...). O primeiro desses vícios será uma culpável presunção de espírito.

Sou rico, isto é, dotado de justiça, verdade e das ciências as mais perfeitas e mais belas. Sou cheio de bens, pelo conhecimento e prática de todas as artes, minhas experiência ultrapassa à de todos os séculos anteriores. De nada tenho falta. Não preciso ser instruído por outros (...). 


E não sabes
, isto é, não conheces que és infeliz. Com efeito, tu és infeliz por causa de tua cegueira (...). És pobre em mérito espirituais, méritos que não podem subsistir no estado de inimizade com Deus. És cego porque não vês, e tu não reconheces teus defeitos, teus vícios, tua pobreza e tua miséria (...). O segundo vício dessa Era será a vã confiança nas riquezas, nos tesouros, nos objetos preciosos (...).

Compre esse ouro para que não se descubra a vergonha de tua nudez. Cubra com ele teus pecados que são como a nudez da alma (...).
Unge os teus olhos com um colírio para que vejas
: o colírio é um remédio para os olhos (...). O remédio que Deus propõe aqui como uma medicina espiritual (...) consiste na meditação dos fins últimos e a meditação das Sagradas Escrituras (...)

V.19 - "Repreendo e castigo aqueles que amo. Tem, pois, zelo e faze penitência".

Isto é, como um pai adverte seus filhos queridos, eu te repreendo, eu te advirto e te informo dos defeitos que deves corrigir (...).

V.20 - "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei e ceiarei com ele e ele comigo" (...).

Nosso Senhor Jesus Cristo estará à porta de sua Igreja quando vier para o juízo final, no fim do mundo (...).

V.21 - "Aquele que vencer sentar-se-á comigo no meu trono, como eu mesmo venci e me sento com meu Pai no seu trono".

Essas palavras prometem aos soldados de Jesus Cristo, que terão sido vitoriosos na derradeira agonia desse século, o poder e a honra de julgar os vivos e dos mortos (...).

V.22 - "Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às Igrejas".


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Livro I, Secção III, pg. 186-202, 208-220 "Interprétation de l'Apocalypse" par le Vénerable Serviteur de Dieu Barthélemy Holzhauser, traduit du latin par le Chanoine de Wuilleret, Librairie de Louis Vives, Éditeur, Paris, 1856. Na 3a edição foram substituídas as partes que eram um resumo das interpretações do beato. Algumas traduções foram retiradas, seja porque foram mal-feitas, seja porque não tinham relação com o contexto ressaltado. As interpretações de Holzhauser são demasiadamente extensas.