Beato Palau profetiza "a mais encarniçada guerra", e a apostasia na ordem civil e espiritual

Beato Francisco Palau (1811-1872). Os negritos são nossos.

“Eu vi um cometa, o mesmo cometa, aquele sinal misterioso, sobre o qual fiz tantas reflexões. Sua cauda tinha forma de espada, de uma espada de fogo que lançava bolas de fogo em direção à terra. Eu fiquei atento olhando para a espada. Horrivelmente fiquei tomado de espanto, porque apareceu uma mão misteriosa que empunhou a espada, e na hora pelo orbe inteiro se ouviram hinos de guerra: guerra no mundo oficial político, guerra entre os reis, guerra por razões de interesse puramente material.

O cometa é o sinal de uma guerra mundial, a maior que houve, e de uma guerra na religião

“Enquanto eu olhava a mão que empunhava a espada de aço voltada contra a cabeça dos reis, saiu do cometa outra cauda, e apareceu na hora uma outra mão que pegou a cauda do cometa que era toda de fogo e em forma de espada, e entre trovões e relâmpagos a espada jogava raios e faíscas contra o globo terrestre, e as duas espadas, batendo entre elas, acendiam sobre a terra a mais encarniçada guerra que os séculos já viram: na política e na religião: uma guerra universal. (...)

“O cometa era um sinal colocado no firmamento do mundo espiritual. Ele joga uma luz que ilumina a história presente e vindoura deste mundo material visível onde acontece a atividade humana. (...)

Satánas será rei da terra

“A luz desse cometa ilustra o cumprimento desta profecia: ‘Satanás será solto da prisão. Sairá dela para seduzir as nações dos quatro cantos da terra’ (Apoc. cap. XX, 7-8).


Depois de seduzir os reis da terra, acabando com todo poder temporal da Igreja, o tinhoso volta-se para dentro da Igreja

“À luz deste cometa se vê a obra de Satanás, aquele mistério de iniquidade que começou a se tramar contra a Igreja, quando Ela estava ainda em seus primórdios. Satanás desencadeado seduziu todos os reis e todos os príncipes da terra; ele voltou suas espadas e cetros contra a Igreja: esta é a sua obra.

“O cometa mostra duas mãos e as duas empunham uma espada, e as duas vão contra Cristo e sua Igreja, e anunciam uma guerra igual à dos primeiros séculos, porém mais horrorosa, sem comparação. (...)

Previsão da apostasia em todas as esferas

“Satanás desencadeado consumou sua maldade, porque obteve nesta ordem material política a apostasia de todos os reis e governos.

“Eu, o Ermitão, percebendo este fato, peguei dois pedaços de madeira, fiz uma Cruz e escrevi nela Quis ut Deus? (...)

“O cometa significa e desvenda o desencadeamento e a libertação do diabo e, em consequência, a apostasia predita pelo apóstolo: um reino de trevas e de maldade, uma época de incredulidade e de erros.

O Ermitão, que é o jornal do Beato, avisará. Isto se interpreta assim: haverá ou há um sucessor do Ermitão

“O cometa descobre anátema, maldição, morte, guerra anarquia social, dias de luto e pranto; e quando o Ermitão vir este sinal, quer dizer, o diabo desencadeado, vos dirá, e vos repetirá sempre a mesma coisa, certo de que o tempo confirmará a verdade destes fatos” [1]


O que a Revolução conseguiu e o que ela pretende

“Dominados os reis, as massas do povo indo atrás de seus governos, resulta que neste mundo político material visível voltou a se constituir o paganismo antigo, embora acomodado em sua forma à especialíssima situação da época” [2].

“As nações (...) disseram oficialmente pela boca de seus representantes: ‘não reinarás’. Disseram isso a Cristo e à sua Igreja, a Cristo e ao Papa, o dizem ao catolicismo e, abusando de seu poder e autoridade, expulsam ignominiosamente de seu seio, isto é, do mundo oficial, a Esposa do Cordeiro Imaculado. (...) 

“Não é isto um matricídio? Sim. É um matricídio cem vezes mais feio e abominável que o deicídio cometido pelos judeus” [3].

“Pois não é possível transigir nem concordar, salvo para nos prepararmos uns e outros para um golpe decisivo. Entre estes dois extremos não há meio termo: ou a Revolução acaba com o catolicismo, ou este devora a Revolução” [4].

Agentes da Revolução

“Destruída a idolatria – escreveu o beato – e levantada publicamente a religião católica das ruínas, os demônios conceberam outro plano de ataque contra a Igreja. 

Não lhes convinha apresentar seu sacerdócio de público e oficialmente, porque não seria tolerado pelo poder da Igreja. Foi assim que começou a fundação do maçonismo. (...)

Conveio aos desígnios de Satanás esconder o seu sacerdócio; não tendo ele cor oficial, assumia e assume formas várias e esconde o seu operar nas trevas da noite, lá dentro das cavernas da terra. 

Então as pessoas não acreditam que existem e não os conhecem, e seu agir está a coberto do braço da lei e da autoridade" [5]

“Eu vejo – explicava – todas as forças inimigas divididas em três grandes corpos de exército: cada um dele dispõe de milhões de combatentes. 

Um deles está alojado nos corpos humanos (...).

Outro corpo de exército ocupa (...) as altas regiões da política. Destronados todos os Reis católicos, seus tronos estão ocupados por homens possuídos pelo diabo (...).

Há outro exército, que é o que dirige os dois primeiros. Seu quartel-general está montado numa sociedade de homens que se intitulam espíritas, ou com o nome de magos e maléficos (...).

Os demônios (...) dirigem desses clubes maçônicos todas suas forças engajadas na batalha contra Cristo e sua Igreja” [6].

"Nos antros tenebrosos das lojas, os franco-maçons constituem com os demônios uma família e uma sociedade, comunicando-se com eles sob mil formas e meios.

O diabo-rei está com o Grande Oriente à testa da franco-maçonaria como Cristo com Pio IX à frente de toda a Igreja: Pio IX é a cabeça visível da Igreja, e Cristo é a cabeça invisível.

O Grande Oriente é a cabeça visível do império do mal, e o diabo-rei é sua cabeça invisível. Não há soberano na terra que não esteja iniciado nos segredos da franco-maçonaria” [7].


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Tradução do sr.Luis Dufaur
[1] Jornal El Ermitaño, “Um cometa”, 25 de Agosto de 1870
[2] “Relaciones entre los espíritus y el hombre”, El Ermitaño, Nº 117, 2-2-1871
[3] “Adviento de 1871”, El Ermitaño, Nº 161, 7-12-1871
[4] “Cuento de mi sombra”, El Ermitaño, Nº 28, 13-5-1869
[5] “El maleficio”, El Ermitaño, Nº 103, 27-10-1870
[6] “Crónica del teatro de la guerra”, El Ermitaño, Nº 85, 23-6-1870
[7] “Milagros del espiritismo”, El Ermitaño, Nº 138, 29-6-1871