Profeta Malaquias profetiza um castigo para os sacerdotes: "vós ofereceis sobre o meu altar um pão imundo"

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Profeta Malaquias da Sagrada Escritura, tradução da Vulgata do Pe. Matos Soares.

Interpretamos o profeta Sofonias antes, e agora Malaquias, porque os dois profetizam uma ou mais das seguintes coisas: fim do mundo, primeira ou segunda vinda de Nosso Senhor, vinda de Elias, corrupção sacerdotal e moral (que segue da sacerdotal também), restauração da aliança com Deus. Isto tudo tem prefigura ou analogia com a vinda da bagarre e do Reino de Maria, porque o Castigo ou bagarre é uma prefigura do último castigo que é o fim do mundo propriamente, onde de fato o mundo irá acabar e ser destruído e que por sua vez representa nas profecias a segunda vinda do Senhor, e a corrupção moral que faz parte dessa mesma bagarre, também é uma prefigura do Reino breve do Anti-Cristo, assim como a restauração é do Reino de Maria. Sem contar também a vinda de Elias que é uma das testemunhas do apocalipse e que segundo a nossa interpretação, terá suas prefiguras no começo da sexta era, quando aparece o Grande Monarca e o Pontífice Angélico mais a prefigura da terceira testemunha (São João Evangelista). Esta breve introdução mostra que não é aleatória nossa escolha, mas que se baseia em prefiguras reais e teses teológicas coerentes e não forçadas.


Cap.1 - 1-5 - Duro oráculo do Senhor contra Israel, por intermédio de Malaquias.

Eu vos amei, diz o Senhor, e vós disseste: Em que nos amaste tu ? Porventura não era Esaú irmão de Jacó, diz o Senhor ? E contudo eu amei Jacó, aborreci Esaú, reduzi os seus montes a uma solidão e deixei a sua herança aos dragões do deserto. Se a Iduméia disser: Nós fomos destruídos, mas voltaremos para edificar o que foi destruído, isto diz o Senhor dos exércitos: Eles edificarão, e eu destruirei; e serão chamados país de impiedade, povo contra o qual se irou o Senhor para sempre. Os vossos olhos o verão, e vós direis: Glorificado seja o Senhor sobre a terra de Israel.


Israel é figuradamente aonde habitam todos os católicos, porque no passado era onde habitava o povo do Senhor, mas hoje o povo do Senhor existe em todas as nações. No entender de São Luis Maria Grignion de Montfort, Esaú representa os filhos da serpente, e Jacó os filhos de Maria, a batalha entre o bem e o mal. Deus aqui diz que acabou com a herança de Esaú, mas não é propriamente no passado que se refere esta parte, tanto que logo depois a Iduméia, cidade que tem a mesma figura simbólica de Esaú, segundo o Senhor, se quiser se reerguer, Deus a destruirá, se a cidade da impiedade tentar crescer e se fortalecer como no passado era, Deus a destruirá.

O momento atual, a quinta era, é o que seguiu da quarta, onde o Cristianismo prosperou, antes dominava mais a cidade do demônio, que foi destruída pela Cruz de Cristo, mas que só chegou ao auge da destruição na terceira e na quarta era, na terceira a perseguição ao Corpo de Cristo, a Igreja, começou a parar. O mesmo vale para as eras pré-cristãs, que tem analogia, e por isso o profeta, que fala na quinta era antiga, diz também deste tempo.

Será o "país de impiedade" porque nenhuma outra civilização, a não ser a global de hoje, será lembrada no futuro como melhor exemplo de cidade impiedosa contra a lei de Cristo.

6-9 - O filho honra seu pai e o servo reverencia o seu senhor. Se eu, pois, sou vosso pai, onde está minha honra ? E se eu sou vosso Senhor, onde está o temor que se me deve ? diz o Senhor dos exércitos. Convosco falo, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome e que dizeis: Em que desprezamos nós o teu nome ? Vós ofereceis sobre o meu altar um pão imundo e dizeis: Em que profanamos nós ? Nisso que dizeis: A mesa do Senhor está desprezada. Se vós ofereceis uma (hóstia) cega para ser imolada não é isto mau ? E se ofereceis uma que é coxa e doente, não é isto mau ? Oferecei estes animais ao vosso governador, e vereis se eles lhe agradarão, ou se ele vos receberá com agrado, diz o Senhor dos exércitos. Agora, pois, fazei vossas orações diante de Deus para que ele se compadeça de vós (porque tudo isto foi  feito por vossas mãos), a ver se vos recebe favoravelmente, diz o Senhor dos exércitos.


Falta a honra devida ao Senhor, e por causa dos sacerdotes, quase ninguém honra direito a Deus por causa da corrupção sacerdotal. Estes ofereceram um pão imundo, mas que pão é este ? Parece que é o pão do céu, Nosso Senhor Jesus Cristo, o pão da vida. Mas como é este pão é Nosso Senhor se Ele está imundo, Nosso Senhor não é imundo. Se resolve dizendo ou que a imundície vem dos sacerdotes e é o sacrilégio em cima da Eucaristia e das coisas santas de Deus. O pão oferecido só pode ser um só na Igreja Católica, e a sujeita não vem dele, mas sim de seus ministros, por isto é dito "em que profanamos nós ?"

A mesa do Senhor foi desprezada, foi trocado, até literalmente, com a atual "ceia do Senhor" que introduziram na Igreja no lugar de "sacrifício incruento". A mesa também é parte do próprio templo, que tem sido profanado, é onde é oferecido o sacrifício da missa. A hóstia cega é falta de humildade, porque Nosso Senhor é oferecido, mas quem deve se oferecer primeiro a Cristo é o fiel. Os defeitos da hóstia são a parte dos sacerdotes e católicos que se aproximam da mesa indignamente. No entanto, a falta de respeito ao Senhor é grande, enquanto o respeito aos governantes e príncipes do século é mantido, e por isso Deus usa a comparação no sentido profético.

10-14 - Quem há entre vós que feche as portas e acenda o fogo sobre o meu altar gratuitamente ? O meu afeto não está em vós, diz o Senhor dos exércitos, nem eu aceitarei oferenda alguma da vossa mão. Porque, desde o nascer do sol até o poente, o meu nome é grande entre as nações, e em todo o lugar se sacrifica e se oferece ao meu nome uma oblação pura; porque o meu nome é grande entre as nações, diz o Senhor dos exércitos.

mas vós tendes profanado, dizendo: A mesa do Senhor esta contaminada; aquilo que se oferece em cima dela, é desprezível como o fogo que o devora. E dissestes: Eis que te oferecemos o fruto do nosso trabalho, e com isto tornastes desprezível o que oferecestes, diz o Senhor dos exércitos, e trouxestes-me reses mancas e doentes, que eram o fruto das vossas rapinas, e mas ofereceste de presente. Julgais vós, pois, que eu receberei tal presente vossa mão, diz o Senhor ? Maldito seja o homem enganador, que tem no seu rebanho um animal são, fez voto dele ao Senhor, e lhe sacrifica um doente; porque eu sou o grande Rei, diz o Senhor dos exércitos, e o meu nome é temido entre as nações. 


Em todo lugar, desde o nascer até o poente, se oferece uma oblação pura, isto é, a consagração, a missa, ela é ocorre todos os dias, apesar de todos os sacrilégios. A mesa do Senhor está contaminada, o que se oferece em cima dela e o fogo, na linguagem profética da era cristã, são , respectivamente, os defeitos que não foram perdoados pelo sacramento da confissão, e o corpo de pecado que ali consome a hóstia. Os homens neste tempo irão oferecer tudo de menos precioso da vida deles para Deus, porque não dão tudo para Deus, não dão sua alma para o Senhor.

Cap.2, 1-8 - E agora está é, ó sacerdotes, a ordem que se vos intima. Se me não quiserdes ouvir, se não quiserdes aplicar o vosso coração a dar glória ao meu nome, diz o Senhor dos exércitos, eu vos mandarei a indigência e amaldiçoarei as vossas bênçãos; sim, eu as amaldiçoarei, porque não pusestes as minhas palavras sobre o vosso coração. Eis que vos tirarei a espádua, atirar-vos-ei ao rosto com o esterco das vossas solenidades e ele se apegará a vós.

Então sabereis que fui eu que vos mandei esta ordem, para que a minha aliança com Levi subsistisse, diz o Senhor dos exércitos. A minha aliança com ele foi de vida e de paz. Dei-lhe o meu temor, ele temeu-me e tremia de medo diante da face do meu nome. A lei da verdade esteve na sua boca e a iniquidade não se achou nos seus lábios; andou comigo em paz e em equidade, e afastou muitos da iniquidade. Porque os lábios dos sacerdotes serão os guardas da ciência; da sua boca se há de aprender a lei, porque ele é o anjo do Senhor dos exércitos. Mas vós desviastes-vos do caminho, escandalizastes a muitos na (observância da) lei; tornastes nula a aliança que eu tinha feito com Levi, diz o Senhor dos exércitos.


Deus mandará um castigo aos sacerdotes, aqui fica claro que a ordem precede ao castigo. Esta ordem é a ordem do Papa Santo, é o aviso que precede a bagarre, ou castigo mundial. E não é o aviso de nenhum outro, nem do Grande Monarca "porque ele é o anjo do Senhor", e porque é citada a aliança de Deus com Levi.

Por não ouvir este aviso do escolhido por Deus os sacerdotes se verão em tribulações no grande castigo, acabará toda a honra devida à posição sacerdotal do impenitente. Isto quer dizer não só as sanções do Papa, mas as maldições e sinais de desagrado de Deus que precederam o castigo propriamente dito.

Levi afastou muitos da iniquidade, diferente dos sacerdotes aos quais Deus condena que desviaram do caminho e escandalizaram
"a muitos na (observância da) lei". "Os lábios dos sacerdotes serão" porque no futuro haverá de se melhor.

9 - Por isso, como não guardastes os meus caminhos, e, quando se tratava de sentenciar, segundo a minha lei, fizestes acepção de pessoas, também eu vos tornei desprezíveis e vis aos olhos de todos os povos.
 
O Senhor os tornou
"desprezíveis e vis aos olhos de todos os povos" porque o Castigo é mundial. Fizeram acepção de pessoas, isto é, escolheram agradar aos homens e não obedecer a quem deveriam obedecer, tentaram sentenciar agradavelmente de acordo com quem era sentenciado, para agradá-lo, sendo que o aviso será geral, serão decretos do Papa Santo para todo o mundo e então não haverá possibilidade de acepção de pessoas.