As sete eras cristãs simbolizadas nas sete falas de Cristo na Cruz

Para entender alguns conceitos aqui expostos, recomendamos a leitura: 
 

As sete eras cristãs simbolizadas na Escritura pelas sete falas de Nossa Senhora

S.Francisco de Paula prevê a vinda de novos apóstolos que acabarão com a seita maometana e restaurarão a Igreja

Hipótese Teológica da divisão das eras da Igreja em parte segundo S.Agostinho e S.Boaventura

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Análise das sete eras cristãs descritas na sete falas de Cristo na Cruz.

1 - Pentecostes - "Quando chegaram ao lugar que se chama Calvário, ali o crucificaram a ele e aos ladrões, um à direita e outro à esquerda. Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Dividindo as suas vestes, sortearam-nas", Lc 23, 33-34. "Tendo-o crucificado, "dividiram as suas vestes, lançando sortes sobre elas", para ver a parte que cada um levaria. Era a hora terceira quando o crucificaram", Mc 15, 24-25.

Era a hora terceira quando crucificaram Jesus, da terceira até a nona permaneceu Jesus vivo na cruz, até que deu seu último brado e expirou. Portanto, um intervalo de seis, significando o fim da sexta era antiga, que terminava com Cristo na cruz, e ao mesmo tempo o fim da sexta era cristã, porque Cristo atinge o ápice de sua atividade na terra antes da ressurreição.

Então foram divididas suas vestes enquanto Jesus pedia ao Pai o perdão dos seus algozes. Em Pentecostes a Igreja recebe o Paráclito, dividindo por fim a atividade dos cristãos e a dos judeus, que seria decretada em todo seu poder com a destruição de Jerusalém mais tarde. Mas a Igreja começa suas atividades neste evento, e assim as roupas de Cristo são divididas, como o véu do templo é dividido em duas partes. De fato, apesar de Jerusalém não estar destruída na época ainda, o problema na Igreja era a judaização, conforme os atos dos apóstolos, capítulo 15, versículos 4-6.

Ora, o perdão que Jesus clama é o perdão que o Espírito Santo concede, do mesmo modo como Jesus disse após ressuscitado, "tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos", Jo 20, 22-23. Apesar de ter já dado a permissão para os apóstolos perdoarem os pecados, ainda disse Cristo ressuscitado: "eu vou mandar sobre vós o (Espírito Santo) prometido por meu Pai. entretanto permanecei na cidade, até que sejais revestidos da virtude do alto" Lc 24, 49, porque Ele queria que esperassem Pentecostes para a confirmação mística deste poder de perdoar conferido pela Igreja.

Vemos também que a roupa, diferente do véu do templo, que se rasgou em duas partes, foi dividida em várias, o que poderia fazer alguns objetarem que não tem o mesmo simbolismo do véu do templo, da divisão entre Igreja e judaísmo. Mas não só tem, como mostramos, como esta diferença denota a divisão da vinda do Espírito Santo em Pentecostes sobre os vários apóstolos. Naqueles tempos, algumas questões eram resolvidas no sorteio, de modo que assim ficasse exposta a vontade de Deus, de modo que podemos dizer que a divisão em sorte das roupas foi uma espécie de analogia (não no sentido moral) com o evento de Pentecostes, embora ela tenha sido uma coisa ruim primariamente, até porque Cristo a lamentou e cumpriu a profecia da paixão. Esta interpretação é justificada pelo sentido místico de que "Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes...", porque enquanto acontecia o sorteio e a divisão das vestes Ele dizia isto (talvez várias vezes) para que o sentido da frase se atribuísse tanto à divisão, quanto ao sorteio, do modo como explicamos.

Resumindo: Jesus Cristo pede a vinda do Paráclito consolador depois da divisão de suas roupas, isto é, do judaísmo e do Cristianismo, profetizada antes nos salmos de Davi, e do sorteio dela (símbolo secundário parcial de Pentecostes). Ele foi crucificado na simbologia do três, da trindade. É claro, foi com dois ladrões, mas falamos puramente da simbologia, e foi mencionado neste momento que Jesus estava com dois ladrões para que ficasse evidente o sentido do confirmado (o bom ladrão) e do condenado (o mau ladrão), semelhante ao da divisão das vestes que falamos no contexto da Igreja e do judaísmo.

2 - Destruição do Templo - "Um daqueles ladrões, que estavam suspensos, blasfemava contra ele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo e a nós. O outro, porém, tomando a palavra, repreendia-o, dizendo: Nem tu temes a Deus, estando no mesmo suplício ? Nós estamos na verdade justamente, porque recebemos o que merecem as nossas ações, mas este não fez nenhum mal. E dizia a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. Jesus disse-lhe: Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no paraíso. Era então quase a hora sexta e toda a terra ficou coberta de trevas até à hora nona", Lc 23, 39-44.

Aqui é confirmado o bom ladrão, o representante daquele que salva com a Cruz, daquele que acredita Nele e considera justo o castigo que recebeu. No caso, o castigo que recebeu e achou justo é um espelhamento do castigo que sofreu o corpo místico de Cristo e os apóstolos.

Era quase a hora sexta, porque significava a segunda era. Vejamos matematicamente: para ser quase não pode ser metade nem menos que isso. Então não poderia ser a hora terceira, e também não poderia ser a metade da quarta, visto que a primeira era é da terceira até a quarta, a segunda era é da quarta até a quinta, e a terceira é da quinta até a sexta. Teria que ser a partir da metade da hora quarta até bem próxima da hora sexta. Acreditamos que a canonização do bom ladrão foi ainda no intervalo da quarta até a quinta, para encaixar no simbolismo da segunda era.

Como depois o Evangelista fala das trevas sob a terra que foram até a hora nona, podemos entender aí que há um espaço temporal conscientemente desprezado para que se possa entender o sentido místico, pois é só a partir da hora sexta que a terra fica coberta de trevas segundo Mc 15, 33-39 e Mt 27, 46-51. Este lapso temporal indica claramente a natureza do versículo e nos dá mais razão para atribuir ao evento do bom ladrão o intervalo de tempo da segunda era, isto é, da hora quarta até a quinta.

O bom ladrão também representa a confirmação do escolhido por Deus, em oposição ao que não é escolhido e blasfema contra Ele. Isto denota a confirmação da profecia de Cristo sobre a destruição de Jerusalém, o que confirma a missão profética da Igreja de uma vez por todos, pois havia quem duvidasse que, por causa de Cristo, a religião judaica não era ainda válida.

3 - Concílio de Nicéia - "Entretanto estavam de pé junto à cruz de Jesus sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cleófas e Maria Madalena. Jesus vendo sua Mãe e junto dela o discípulo que ele amava, disse a sua Mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí a tua Mãe. E, desta hora por diante, a levou o discípulo para sua casa", Jo 19, 25-27.


Esta parte, alguns podem pensar, seria mais conveniente se simbolizasse a sexta era, a do Reino de Maria, mas mostraremos que o dito da sexta era é mais conveniente.Haviam então três Marias, e também Salomé, mãe dos filhos de Zebedeu, os apóstolos João e Tiago. O Evangelista João só menciona as três Marias, e para não só significar o número da trindade, mas para significar a era, pois a frase de Cristo é relacionada à terceira era, distinguindo-a das demais, pois Nosso Senhor dá a S.João como Mãe a sua e Nossa Senhora, deixando evidente que Ele não confunde com a sua mãe biológica, que estava ali perto. Ele fala da Mãe espiritual.

Foi na terceira era que os mistérios mais importantes sobre Maria foram conhecidos, segundo se tem notícia, pois é claro, São João Evangelista os conheceu como também podemos dizer dos outros apóstolos. Podemos atribuir isto ao interesse que tem Deus em deixar oculto certos mistérios, guiando a história para que, quando eles possam vir à luz, venham através dos escolhidos por Deus. Hoje sabemos como os católicos são separados dos cismáticos e hereges pela devoção e profundidade nestes mistérios, embora muitos cismáticos acreditem em certos dogmas (mas nem todos, não há unanimidade).

Os mistérios mais importantes que nos referimos são a assunção de Maria, já celebrada pela liturgia bizantina, popularizada por São João Damasceno, e já conhecida por apócrifos nos séculos IV pelo menos. Também a imaculada conceição já defendida por Santo Efrém da Síria no século IV, para mencionar somente um. Sem contar a virgindade perpétua de Nossa Senhora, defendida por muitos Padres.

4 - Idade Média - "Chegada a hora sexta, cobriu-se toda a terra de trevas até à hora nona. E à hora nona, exclamou Jesus em alta voz, dizendo: "Eloí, Eloí, lamá sabachtaní?" que quer dizer: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?". Ouvindo isto, alguns dos circunstantes diziam: Eis que chama por Elias. Correu um, ensopou uma esponja em vinagre, e atando-a numa cana, dava-lhe de beber, dizendo: Deixai, vejamos se Elias vem tirá-lo. Mas Jesus, dando um grande brado, expirou. O véu do templo se rasgou-se em duas partes, de alto a baixo. O centurião, que estava defronte, vendo que Jesus expirava dando este brado, disse: Verdadeiramente este homem era Filho de Deus". Mc 15, 33-39. Mt 27, 46-51 (ele diz "perto da hora nona").

Chega a hora nona, isto é, a sexta a partir da terceira, quando Nosso Senhor é crucificado. Então perdeu-se o sentido da quarta, da quinta e da sexta, que acontecem nesta hora ? Não, porque Deus fez um eclipse em dia de lua cheia para mostrar que ele mudará a face da terra neste intervalo, desde do lado bom com a Idade Média, até os tempos da crise e da bagarre na quinta era atual, e a restauração e implementação do Reino de Maria na próxima sexta era.

O Evangelista Mateus diz que foi perto da hora nona, mostrando que ainda havia um lapso de tempo, do mesmo modo interpretado antes, até porque Mateus menciona, ao falar dos eventos que sucederam imediatamente a morte de Nosso Senhor, a ressurreição dos corpos de muitos santos depois de Cristo. Sabemos que é um lapso cronológico proposital por dois motivos: pelo o que já expusemos, e porque, seguindo a interpretação dos Doutores, aquilo foi uma figura da ressurreição universal, que estaria relacionada ao último suspiro de Cristo na Cruz, o que acontecerá no fim da sétima era (último suspiro).

É interessante notar, e parece ser este o sentido da reprodução em hebraico, que a frase em hebraico tem quatro palavras, refletindo a quarta era. Nestas palavras, do Salmo 21 de Davi, o salmista começa atribulado, mas por fim diz que "lembrar-se-ão e converter-se-ão ao Senhor todos os limites da terra; e todas as famílias das nações o adorarão na sua presença, porque o reino pertence ao Senhor, e ele reinará sobre as nações. A ele se hão de prostrar quantos repousam debaixo da terra, diante dele se hão de inclinar quantos descem ao pó. Minha alma viverá para ele e a minha descendência o servirá. A geração que há de vir será anunciada ao Senhor, e os céus anunciarão sua justiça ao povo que há de nascer, e que o Senhor formou", Sl 21, 28-32.

Estas palavras anunciam a Igreja (geração que há de vir), o Reino de Maria (converter-se-ão ao Senhor todos os limites da terra) e a Idade Média, que é uma prefigura do Reino de Maria, tendo alcançado enorme sucesso na construção de uma civilização cristã, mas não ainda a plenitude dela. O Reino de Maria e a Idade Média saem, assim como o salmista, de uma tribulação (para o primeiro a bagarre, para o segundo a queda de Roma e as invasões bárbaras) para a vitória na esfera temporal, cantada profeticamente no fim do cântico. O salmo profético era não só profético para a vinda de Cristo, mas a posteridade, exibindo a beleza da Escritura.

5 - Bagarre - "Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede". Jo 19, 28


Comentaristas dizem que a sede de almas de Nosso Senhor, e de fato é, se pensarmos também em quantas se perdem nesta era de tribulação. Ora, "tudo estava consumado para se cumprir a Escritura", mas como ainda foi dito mais coisas se elas fazem parte do sentido místico profético da Escritura (novo testamento) para as eras cristãs ? São João diz que estava consumado, mas só sob um aspecto, tanto é que nos versículos seguintes é que Cristo diz "tudo está consumado".

Este aspecto de "consumado" são as profecias da Escritura, isto é, a plenitude da profecia necessária para a vinda do Papa Santo e do Grande Monarca, e o auge da Revolução que desencadeará a cólera de Deus. São as condições necessárias para a vinda destas personagens, visto que eles abrem a sexta era cristã, espelhando a sexta era antiga que abre Nosso Senhor, e por isso precisam de uma análoga plenitude profética.

Nosso Senhor tem sede, porque é a parte em que Ele se vê (misticamente falando) necessitado, e então se queixa de sua parte temporal. Não anula esta interpretação o sentido espiritual, pois ambas não são contraditórias, antes a Escritura tem várias dimensões. É então que Jesus toma o vinagre que lhe dão, porque a Igreja é socorrida nesta parte, mas não baixada da cruz. Ele bebe este vinagre porque pede, diferente do começo da crucificação, quando dão vinho misturado com fel para Ele beber, "e tendo-o ele provado, não quis beber" Mt 27, 34. Então nós vemos que Jesus quer ajuda para simbolizar a ajuda que recebe a Igreja no fim desta era, e só após beber o vinagre, Jesus diz a fala referente ao da sexta era, ou seja, só depois da ajuda começa a sexta era.

6 - Reino de Maria - "Tinha sido ali posto um vaso cheio de vinagre. Então (os soldados), ensopando no vinagre uma esponja, e atando-a a uma cana de hissopo, chegaram-lha à boca. Jesus, tendo tomado o vinagre, disse: Tudo está consumado. E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito". Jo 19, 29-30.

Nosso Senhor declara a consumação das profecias: o evangelho foi pregado a todas as nações, a plenitude da civilização cristã aconteceu na terra, a plenitude da devoção à Nossa Senhora, a plenitude do Castigo temporal, o socorro da Igreja, os apóstolos dos últimos tempos, entre outras coisas. Então só faltava começar a tirania do anti-Cristo, e por fim a vinda de Elias e Enoch. Mas a tirania do anti-Cristo não é o cumprimento positivo das profecias, e sim um negativo. Aliás, um anti-Cristo no sentido plento só poderia ser um corrompedor de uma sociedade plenamente Cristã, fazendo isto em pouco tempo (seu tempo de vida), e para isto o Reino de Maria teria precedência sobre ele.
Por que São João Evangelista não menciona a última fala de Nosso Senhor, mas antes faz parecer que esta é a última ? Pois a sexta fala teria que ter este sentido, pois simboliza o fim da sexta era antiga, o ápice dela também.

Nesta fala a terra completa seu sexto intervalo (total da hora terceira até a hora nona) de trevas sobre a terra. Depois da sétima fala a terra treme, as rochas fendem-se, e o sol escurece. No entanto parece diferente este escurecimento do sol das trevas desde a hora sexta, tanto porque é mencionada novamente, tanto porque os Evangelistas dizem que as trevas duraram até a hora nona. E a razão é que o sol terminou de dar a luz, Nosso Senhor decretou o fim do mundo, e renovará tudo. As trevas terminam na hora nona da sexta era por causa dos três dias de trevas que terminarão nesta era, e por causa das trevas no sentido de bagarre, e representam também o islamismo, que começa na idade média (hora sexta) e acabarão no Reino de Maria (hora nona) segundo diversas profecias.

7 - Tempo do anti-Cristo - "Era então quase a hora sexta, e toda a terra ficou coberta de trevas até à hora nona; escureceu-se o sol e rasgou-se pelo meio o véu do templo. Jesus, exclamando em alta voz, disse: Pai, "Nas tuas mãos encomendo o meu espírito". Dizendo isto, expirou". Lc 23, 44-46.

A morte de Nosso Senhor representa então, como é de se pensar e de comum acordo entre os exegetas, o reinado do anti-Cristo que se instala no templo de Deus segundo a epístola de São Paulo que já mostramos. Esta fala é evidente por si e não precisa muita interpretação fora do que já falamos aqui, exceto salientar que a "alta voz" de Cristo, também pelos outros evangelhos chamado "brado", representa exatamente a vinda do Filho do Deus nas nuvens para julgar os vivos e os mortos, e reflete o brado de São Miguel contra os demônios.