As sete Eras cristãs simbolizadas nas sete falas de Cristo na Cruz

Para entender alguns conceitos aqui expostos, recomendamos a leitura: 
 

As sete Eras cristãs simbolizadas na Escritura pelas sete falas de Nossa Senhora

São Luís Maria Grignion de Montfort profetiza o Reino de Maria e os apóstolos dos últimos tempos

Hipótese Teológica da divisão das Eras da Igreja, em parte segundo S.Agostinho e S.Boaventura

Clique aqui para ler mais sobre o Grande Castigo e o Reino de Maria


Do livro "O Príncipe dos Cruzados (Vol. I, parte I, 3a edição, Cap. IV)".

Era Cristã - Acontecimento importante da Era - Fala do Senhor na Cruz

1 - Pentecostes - "Quando chegaram ao lugar que se chama Calvário, ali o crucificaram a ele e aos ladrões, um à direita e outro à esquerda. Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Dividindo as suas vestes, sortearam-nas", S. Lucas XXIII, 33-34. "Tendo-o crucificado, "dividiram as suas vestes, lançando sortes sobre elas", para ver a parte que cada um levaria. Era a hora terceira quando o crucificaram", S. Marcos XV, 24-25.


Era a hora terceira quando crucificaram Jesus, da terceira até a nona permaneceu Jesus vivo na cruz, até que deu seu último brado e expirou. Portanto, um intervalo de seis, simbolizando o fim da sexta Era antiga, que terminava com Cristo na cruz, e ao mesmo tempo o fim da sexta Era cristã, porque Cristo atinge o ápice de sua atividade na terra antes da ressurreição.

Então, foram divididas suas vestes enquanto Jesus pedia ao Pai o perdão dos seus algozes. Em Pentecostes a Igreja recebe o Paráclito, dividindo por fim a atividade dos cristãos e a dos judeus, divisão que por fim ficaria evidente com a destruição de Jerusalém mais tarde. Mas a Igreja começa suas atividades nesse evento, e assim as roupas de Cristo são divididas, como o véu do templo é dividido em duas partes. De fato, apesar de Jerusalém ainda não estar destruída na época, o problema na Igreja era a judaização, conforme os Atos dos apóstolos, capítulo XV, 4-6.

Ora, o perdão que Jesus clama é o perdão que o Espírito Santo concede, do mesmo modo como Jesus disse após ressuscitado, "tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos", S. João XX, 22-23. Apesar de ter já dado a permissão para os apóstolos perdoarem os pecados, ainda disse Cristo ressuscitado: "eu vou mandar sobre vós o (Espírito Santo) prometido por meu Pai. entretanto permanecei na cidade, até que sejais revestidos da virtude do alto" S. Lucas XXIV, 49, porque Ele queria que esperassem Pentecostes para a confirmação mística desse poder de perdoar conferido pela Igreja.

Vemos também que a roupa, diferente do véu do templo que se rasgou em duas partes, foi dividida em várias, o que pode fazer alguns objetarem que não tem o mesmo simbolismo do véu do templo: da divisão entre Igreja e judaísmo. Mas não só tem, como mostramos, como esta diferença denota a "divisão" da vinda do Espírito Santo em Pentecostes sobre os vários apóstolos, de acordo com os graus de dons que deviam ser conferidos. Naqueles tempos, algumas questões eram resolvidas no sorteio, para que ficasse exposta a vontade de Deus, assim, podemos dizer que a divisão em sorte das roupas foi um paralelo (não no sentido moral) com o evento de Pentecostes, embora tenha sido uma coisa ruim primariamente, porque Nosso Senhor a lamentou cumprindo-a como profecia. Esta interpretação é justificada pelo sentido místico de "Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes...", porque enquanto acontecia o sorteio e a divisão das vestes Ele dizia isso (talvez várias vezes) para que o sentido da frase se atribuísse tanto à divisão, quanto ao sorteio, do modo como explicamos.

Resumindo: Jesus Cristo pede a vinda do Paráclito consolador depois da divisão de suas roupas, isto é, do judaísmo e do Cristianismo, profetizada antes nos salmos de Davi, e do sorteio das roupas (símbolo secundário parcial de Pentecostes). Ele foi crucificado na simbologia do três da trindade. É claro, foi com dois ladrões, mas falamos puramente da simbologia, e foi mencionado nesse momento que Jesus estava com dois ladrões para que ficasse evidente o sentido do confirmado (o bom ladrão) e do condenado (o mau ladrão), semelhante ao da divisão das vestes que falamos no contexto da Igreja e do judaísmo.

2 - Destruição do Templo - "Um daqueles ladrões, que estavam suspensos, blasfemava contra ele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo e a nós. O outro, porém, tomando a palavra, repreendia-o, dizendo: Nem tu temes a Deus, estando no mesmo suplício? Nós estamos na verdade justamente, porque recebemos o que merecem as nossas ações, mas este não fez nenhum mal. E dizia a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. Jesus disse-lhe: Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no paraíso. Era então quase a hora sexta e toda a terra ficou coberta de trevas até à hora nona", São Lucas XXIII, 39-44.

Aqui
o bom ladrão é confirmado, isto é, o representante daquele que se salva com a Cruz, daquele que acredita Nele e considera justo o castigo que recebeu. No caso, o castigo que recebeu e achou justo espelha o castigo que sofreu o corpo místico de Cristo e os apóstolos.

Era quase a hora sexta, porque significava a segunda Era, vejamos matematicamente: para ser "quase" não pode ser metade nem menos que isso. Então, não podia ser a hora terceira, e também não podia ser a metade da quarta, visto que a primeira Era vai da hora terceira até a quarta, a segunda Era vai da quarta até a quinta, e a terceira vai da quinta até a sexta. Teria que ser a partir da metade da hora quarta até bem próxima da hora sexta. Acreditamos que a canonização do bom ladrão foi ainda no intervalo da hora quarta até a quinta, para encaixar no simbolismo da segunda Era.

Como depois o Evangelista fala das trevas sob a terra que foram até a hora nona, podemos entender que há um espaço temporal conscientemente desprezado para que se possa entender o sentido místico, pois só a partir da hora sexta que a terra fica coberta de trevas, segundo os santos evangelistas (Mc XV, 33-39, Mt XXVII, 46-51). Esse lapso temporal indica essa natureza do versículo e nos dá mais razão para dizer que a canonização do bom ladrão ocorreu no tempo da segunda Era, isto é, da hora quarta até a quinta.

O bom ladrão também representa a confirmação do escolhido por Deus, em oposição ao blasfemador que não O escolhe. Isso simboliza a confirmação da profecia de Cristo sobre a destruição de Jerusalém, que confirma a missão profética da Igreja, pois então também havia quem duvidasse que, por causa de Cristo, a religião judaica ainda era válida.

3 - Concílio de Nicéia - "Entretanto estavam de pé junto à cruz de Jesus sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cleófas e Maria Madalena. Jesus vendo sua Mãe e junto dela o discípulo que ele amava, disse a sua Mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí a tua Mãe. E, desta hora por diante, a levou o discípulo para sua casa", Jo 19, 25-27.


Essa parte, alguns podem pensar, simboliza a sexta Era, a do Reino de Maria, mas mostraremos que o dito da sexta Era é mais conveniente. Havia então três Marias, e também Salomé, mãe dos filhos de Zebedeu, os santos apóstolos João e Tiago. O Evangelista S. João só menciona as três Marias e, pensamos, não só para significar o número da trindade, mas para significar a Era, pois a frase de Cristo é relacionada à terceira Era, distinguindo-a das demais, pois Nosso Senhor dá Sua Mãe Maria a S. João, e o santo Evangelista deixa evidente que Ele não confundia com a mãe biológica de S. João, que estava ali perto. Ele fala da Mãe espiritual, a Virgem Maria.

Foi na terceira Era que os mistérios mais importantes sobre Maria foram conhecidos, segundo se tem notícia, pois é claro, São João Evangelista os conheceu como também podemos dizer dos outros apóstolos. Podemos atribuir isso ao interesse que tem Deus em deixar oculto certos mistérios, guiando a história para que, quando eles possam vir à luz, venham através dos escolhidos por Deus. Hoje sabemos como os católicos são separados dos cismáticos e hereges pela devoção e profundidade nesses mistérios, embora muitos cismáticos acreditem em certos dogmas marianos, mas não todos.

Os mistérios mais importantes que nos referimos são a Assunção de Maria, já celebrada pela liturgia bizantina, popularizada por São João Damasceno, e já conhecida por apócrifos nos séculos IV pelo menos. Também a Imaculada Conceição já defendida por Santo Efrém da Síria no século IV, para mencionar somente um. Sem contar a virgindade perpétua de Nossa Senhora, defendida por muitos Padres.

4 - Idade Média - "Chegada a hora sexta, cobriu-se toda a terra de trevas até à hora nona. E à hora nona, exclamou Jesus em alta voz, dizendo: "Eloí, Eloí, lamá sabachtaní?" que quer dizer: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?". Ouvindo isto, alguns dos circunstantes diziam: Eis que chama por Elias. Correu um, ensopou uma esponja em vinagre, e atando-a numa cana, dava-lhe de beber, dizendo: Deixai, vejamos se Elias vem tirá-lo. Mas Jesus, dando um grande brado, expirou. O véu do templo se rasgou-se em duas partes, de alto a baixo. O centurião, que estava defronte, vendo que Jesus expirava dando este brado, disse: Verdadeiramente este homem era Filho de Deus". São Marcos XV, 33-39. São Mateus XXVII, 46-51 diz: "perto da hora nona".

Chega a hora nona, isto é, a sexta a partir da terceira, quando Nosso Senhor é crucificado. Então perdeu-se o sentido da quarta, da quinta e da sexta, que acontecem nessa hora? Não, porque Deus fez um eclipse em dia de lua cheia para mostrar que Ele mudará a face da terra nesse intervalo, desde do lado bom com a Idade Média, até os tempos da crise e da Bagarre na quinta Era atual, e a restauração e implementação do Reino de Maria na próxima sexta Era.

Desse evento São Mateus diz "perto da hora nona", mostrando que ainda havia um lapso de tempo, do mesmo modo interpretado antes, até porque o Evangelista menciona, ao falar dos eventos que sucederam imediatamente a morte de Nosso Senhor, a ressurreição dos corpos de muitos depois da morte do Salvador. Sabemos que é um lapso cronológico proposital por dois motivos: pelo que já expusemos e porque, seguindo a interpretação dos Doutores, aquilo foi uma figura da ressurreição universal, que está relacionada ao último suspiro de Cristo na Cruz, o que acontecerá no fim da sétima Era (último suspiro).

É interessante notar, e parece ser esse o sentido da reprodução em hebraico, que a frase em hebraico tem quatro palavras, refletindo a quarta Era. Nessas palavras, do Salmo 21 de Davi, o salmista começa atribulado, mas por fim diz que "lembrar-se-ão e converter-se-ão ao Senhor todos os limites da terra; e todas as famílias das nações o adorarão na sua presença, porque o reino pertence ao Senhor, e ele reinará sobre as nações. A ele se hão de prostrar quantos repousam debaixo da terra, diante dele se hão de inclinar quantos descem ao pó. Minha alma viverá para ele e a minha descendência o servirá. A geração que há de vir será anunciada ao Senhor, e os céus anunciarão sua justiça ao povo que há de nascer, e que o Senhor formou", Salmos XXI, 28-32.

Essas palavras anunciam a Igreja (geração que há de vir), o Reino de Maria (converter-se-ão ao Senhor todos os limites da terra) e a Idade Média, que é uma prefigura do Reino de Maria, pois alcançou enorme sucesso na construção de uma Civilização Cristã, mas não ainda sua plenitude. O Reino de Maria e a Idade Média saem, assim como o salmista, de uma tribulação (para o primeiro, a bagarre, para o segundo, a queda de Roma e as invasões bárbaras) para a vitória na esfera temporal, cantada profeticamente no fim do cântico. O salmo profético era não só profético para a vinda de Cristo, mas para a posteridade, exibindo a beleza da Escritura.

5 - Bagarre - "Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede". S. João XIX, 28


Comentaristas dizem que a sede era uma sede de almas de Nosso Senhor e de fato o é, se pensarmos também em quantas se perdem nessa Era de tribulação. Se "tudo estava consumado para se cumprir a Escritura", como Nosso Senhor tem mais frases se cada uma, segundo o sentido místico profético dado aqui, se referem às Eras cristãs e estas não podem consumar tudo que foi dito? Porque São João diz que estava consumado sob um aspecto, por isso, só nos versículos seguintes Nosso Senhor diz "tudo está consumado".

O "consumado" simbolizam as profecias, isto é, a plenitude da profecia necessária para a vinda do Papa Santo e do Grande Monarca, conforme falamos no capítulo III, e o auge da Revolução que desencadeará a cólera de Deus. São as condições necessárias para a vinda desses personagens, visto que eles abrem a sexta Era cristã, espelhando a sexta Era antiga que Nosso Senhor abre com Seu nascimento.

Deus Crucificado tem sede, porque simboliza o momento em que Se vê (Ele, Corpo místico da Igreja) necessitado, e Se queixa de sua parte temporal. Não anula essa interpretação o sentido espiritual, pois ambas não são contraditórias, antes a Escritura tem várias dimensões, como dito no capítulo I. Então, Jesus toma o vinagre que lhe dão (porque a Igreja é socorrida nessa parte por várias ordens e Papas que combatem a Revolução), mas não O baixam da cruz. Ele bebe esse vinagre porque pede, diferente do começo da crucificação, quando dão vinho misturado com fel para Ele beber, "e tendo-o ele provado, não quis beber" S. Mateus XXVII, 34. Então, o fato de Nosso Senhor querer ajuda simboliza a ajuda que a Igreja recebe no fim desta Era. E só após beber o vinagre, Ele diz a fala referente à da sexta Era, ou seja, só depois dessa ajuda começa a sexta Era.

6 - Reino de Maria - "Tinha sido ali posto um vaso cheio de vinagre. Então (os soldados), ensopando no vinagre uma esponja, e atando-a a uma cana de hissopo, chegaram-lha à boca. Jesus, tendo tomado o vinagre, disse: Tudo está consumado. E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito". S. João XIX, 29-30.

Nosso Senhor declara a consumação das profecias: o Evangelho foi pregado a todas as nações, a plenitude da Civilização Cristã aconteceu na terra, a plenitude da devoção à Nossa Senhora, a plenitude do Castigo temporal, o socorro da Igreja, os apóstolos dos últimos tempos, entre outras coisas. Então, só faltará a tirania do anti-Cristo e, por fim, a vinda de Elias e Enoch. Mas a tirania do anti-Cristo não é o cumprimento positivo das profecias, e sim o negativo. Aliás, um anti-Cristo no sentido pleno só pode ser um corrompedor de uma sociedade plenamente Cristã, fazendo isso em pouco tempo (seu tempo de vida), e por isso o Reino de Maria o precede.

Por que São João Evangelista não menciona a última fala de Nosso Senhor, mas antes faz parecer que essa é a última? Pois a sexta fala precisa ter esse sentido, pois simboliza o fim da sexta Era antiga, assim como seu ápice.

As trevas terminam na hora nona da sexta Era para simbolizar os três dias de trevas que terminarão nessa Era, e simbolizar as trevas da Bagarre (trevas nas idéias), mas também podem representar o islamismo, que começa na idade média (hora sexta) e acabará no Reino de Maria (hora nona), segundo profecias vistas aqui.
Adendo da 3a edição: desse parágrafo foi suprimida uma parte que mesmo suprimida não altera a interpretação dessa fala, mas que além de estar mal-escrita, entrava em contradição com o que se viu no começo desse artigo sobre as horas e as trevas que ocorreram.

7 - Tempo do anti-Cristo - "Era então quase a hora sexta, e toda a terra ficou coberta de trevas até à hora nona; escureceu-se o sol e rasgou-se pelo meio o véu do templo. Jesus, exclamando em alta voz, disse: "Pai, nas tuas mãos encomendo o meu espírito". Dizendo isto, expirou". São Lucas XXIII, 44-46.


Então, a morte de Nosso Senhor representa, como é de comum acordo entre os exegetas, o reinado do anti-Cristo que se instala no templo de Deus, segundo a epístola de São Paulo, que vemos nesse capítulo. Essa fala é evidente por si e não precisa muita interpretação fora do que já falamos aqui, exceto salientar que a "alta voz" de Nosso Senhor, também pelos outros evangelhos chamado "brado", representa exatamente a vinda do Filho do Deus nas nuvens para julgar os vivos e os mortos, refletindo o brado de São Miguel logo antes da queda dos anjos rebeldes.