"Dom de Línguas" dos "carismáticos" refutado pela Bíblia e os Santos. Refutação de objeções

Do livro "O Príncipe dos Cruzados" (volume 2).

1 - O milagre característico de Pentecostes, isto é, a glossolalia, fazia as pessoas falarem LÍNGUAS EXISTENTES E CONHECIDAS NO MUNDO fazendo-se entenderem por outras pessoas que falavam outras LÍNGUAS EXISTENTES E CONHECIDAS NO MUNDO.

Sagrada Escritura (grifos nossos)

"Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um estrondo, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceram-lhes repartidas umas espécies de línguas de fogo e pousou sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. 

Achavam-se então em Jerusalém judeus, homens religiosos de todas as nações que há debaixo do céu. Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e ficou pasmada que cada um os ouvia falar na sua própria língua. Estavam todos atônitos e admiravam-se, dizendo: Não são, porventura, galileus todos estes que falam ? Como então TODOS NÓS OS OUVIMOS FALAR A NOSSA LÍNGUA, EM QUE NASCEMOS ? Partos, medos, elamitas, os que habitam a Masopotâmia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto e a Ásia, a Frígia, a Panfília, o Egito e as partes da Líbia, que é vizinha de Cirene, e os vindo de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, TODOS OUVIMOS FALAR NAS NOSSAS LÍNGUAS AS MARAVILHAS DE DEUS" Atos 2:1-11.

São Paulo fala do dom de línguas relacionando com as línguas estrangeiras, isto é, línguas existentes mas desconhecidas da região do povo de Deus.

“Na lei está escrito: “Será por gente de língua estrangeira e por lábios estrangeiros que falarei a este povo; e nem assim me ouvirão, diz o Senhor (Is 28,11s). As línguas, pois, são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis" 1 Cor 14:21.

A Escritura diz que deve haver intérprete. Ora, como interpretar uma língua que nunca existiu ? Coloque dois ditos intérpretes de tais línguas inexistentes para julgar separadamente, e logo os dois darão sentidos diferentes e a farsa será desmontada. De qualquer maneira, aqui a Bíblia proíbe o "dom de línguas" carismático sem o intérprete, em grego "ερμηνεύει", que se refere à interpretação de línguas estrangeiras:

"Se alguém falar língua estranha, que haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, que se cale na igreja, e fale consigo mesmo e com Deus” 1 Cor 14, 27-28.

São Tomás de Aquino (1225-1274)

"SOLUÇÃO. – Cristo escolheu os seus primeiros discípulos para percorrerem o mundo pregando a sua fé a todos, como se lê no Evangelho: Ide e ensinei todas as gentes. Ora, não era conveniente que os enviados a ensinar os outros precisassem de ser instruídos por eles sobre o modo com que lhes houvessem de falar ou de lhes entender a língua. Sobretudo que os discípulos enviados eram da mesma nação, a Judéia, como diz a Escritura: Os que investem com ímpeto a Jacó encherão de fruto a face do orbe. Além disso os discípulos enviados eram pobres e sem poder; nem poderiam a principio encontrar facilmente quem com fidelidade lhes interpretassem aos outros as suas palavras, ou lhas explicasse. principalmente por terem sido enviados a povos infiéis. Por isso era necessário sempre a Providência vir–Ihes em socorro com o dom das línguas. De modo que assim como as gentes, que caíram na idolatria, vieram a falar línguas diversas, segundo o refere a Escritura, assim também, quando foram convertidas ao culto de um só Deus, o dom das línguas vem a ser o remédio a essa diversidade" (Suma Teológica, II-II, Q.176, Art.1)

2 - Todo milagre tem sua finalidade: o da glossolalia se manifestou para facilitar a catequização dos outros povos, que falavam LÍNGUAS EXISTENTES E CONHECIDAS NO MUNDO, mas não pelos apóstolos, que falavam OUTRAS LÍNGUAS EXISTENTES E CONHECIDAS NO MUNDO MAS DESCONHECIDAS DOS OUTROS POVOS. O milagre faziam eles se entenderem.

Sagrada Escritura

Eram um sinal para os infiéis, porque os fiéis falavam a língua dos apóstolos, era da região da onde eles saíram.

As línguas, pois, são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis1 Cor 14:22.

Santo Agostinho (354-430)

“No período primitivo, o Espírito Santo caiu sobre quem cria e falava em línguas que jamais havia aprendido. O Espírito concedia-lhes que falassem, e estes eram sinais adaptados a época, pois precisava haver aquela evidência do Espírito Santo em todas as línguas, e mostrar que o evangelho de Deus havia de correr através de todas as línguas sobre a terra. Aquele facto foi feito com evidência e passou” [1].

São Tomás de Aquino (1225-1274)

“Quanto ao dom de línguas, devemos saber que como na Igreja primitiva eram poucos os consagrados para pregar ao mundo a Fé em Cristo, a fim de que mais facilmente e a muitos se anunciasse a palavra de Deus, o Senhor lhes deu o dom de línguas” (Comentario à primeira epístola aos Coríntios).

3 - Este milagre esteve mais presente no COMEÇO DA IGREJA nos missionários, mas DEPOIS CESSOU. Portanto, tem razão de existir com a pessoa em missão, e não em uma comunidade estacionária qualquer.

Papa São Gregorio Magno (540-604)

"Estes sinais foram necessários no começo da Igreja. Para que a Fé crescesse, era preciso nutrí-la com milagres. Também nós, quando nós plantamos árvores, nós as regamos até que as vemos bem implantadas na terra. Uma vez que elas se enraizaram, cessamos de regá-las. Eis porque São Paulo dizia:” O dom das línguas é um milagre não para os fiéis, mas para os infiéis” I Cor 14:22" [2].

São João Crisóstomo (347-407)

“Este lugar está completamente obscuro. A obscuridade provém de nossa ignorância dos actos referidos e por sua cessação, sendo que esse então ocorriam. MAS AGORA NÃO MAIS ACONTECEM [3].

Santo Agostinho (354-430)

“No período primitivo, o Espírito Santo caiu sobre quem cria e falava em línguas que jamais havia aprendido (...). AQUELE FATO FOI FEITO COM EVIDÊNCIA E PASSOU” [4]

Objeção 1: Os gemidos inefáveis do Espírito Santo citados na passagem bíblica a seguir demonstram como existe as línguas que ninguém consegue entender. “Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis" Rm 8, 26-28. Além disso, muitos santos oravam com palavras estranhas, não reconhecidas como línguas.

A palavra "inefável" do latim "ineffabile", quer dizer: Que não se pode exprimir por palavras. Este termo vem da palavra grega "anekdiegetos" e também pode ser traduzida como "inexprimível" como está na tradução da Bíblia de Ferreira de Almeida.

Ora, o que não pode ser exprimido não é língua. Simples.

A passagem trata-se do Espírito Santo pedindo por nós a Deus Pai de um modo que só Ele poderia entender. Do mesmo modo os santos oram com o coração na mão, com dor, e acabam por gemer, chorar, e até se flagelar para alcançar a misericórdia Divina. Mas nenhum gemido ou ato desse pode ser entendido em seu todo senão por Aquele que vê os corações, a pureza da intenção, e este é Nosso Senhor Jesus Cristo. Então são atos, gemidos, coisas que não podem ser exprimidas por palavras igualmente, mas nunca línguas.

Objeção 2: O "dom de línguas" carismático não abarca línguas conhecidas no mundo porque são uma ou mais língua da esfera angélica, ou talvez línguas perdidas na noite dos tempos. De fato, a Escritura diz: "A razão é que, o que fala uma língua desconhecida, não fala aos homens, mas a Deus, porque ninguém o ouve, e pelo espírito fala coisas misteriosas" I Cor 14:2.

De fato, isto já foi refutado acima, visto que a tradição católica e as Escrituras dizem claramente que eram línguas do mundo. Portanto, a interpretação para "língua desconhecida" na passagem, é para uma LÍNGUA EXISTENTE E FALADA NO MUNDO, MAS DESCONHECIDA DA COMUNIDADE, por isso ali "ninguém o ouve". 

Como garantir que é uma língua angélica ? Há um certificado de garantia ? Não, e também não há um certificado de garantia contra a possibilidade de ser uma línguas dos demônios também. Isto é uma hipótese, e a doutrina é algo certo, e não um "talvez sim, talvez não".

O mesmo pode ser dito da língua morta e já não mais conhecida. Não há como garantir, e em ambos os casos, da língua angélica e da morta, a finalidade do milagre é nula. Deus não dá dons sem motivo razoável.

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[1] Dez homilias sobre 1ª epístola de João. Homilia 6, item 10
[2] Sermões sobre o Evangelho, Livro II, Les éditions du Cerf, Paris, 2008, volume II, pp. 205 a 209
[3] Homilias sobre a 1ª aos corintios. Homilia 29, item 2
[4] Dez homilias sobre 1ª epístola de João. Homilia 6, item 10