A história confirma a historicidade do Dilúvio Bíblico

Terra Pré-Diluviana segundo Fernand Crombette
Esse artigo é a continuação do seguinteSagrada Escritura, Papas e santos confirmam a historicidade do dilúvio

Do livro "O Príncipe dos Cruzados" (compilação doutrinária inédita).

- Objeções ao dilúvio universal que alegam que o dilúvio foi na realidade local, não universal

Além do testemunho da Sagrada Escritura e dos santos citados no último artigo, podemos refutar por outras vias. Sabe-se que para sustentar isso, é preciso dizer que a terra antediluviana não era a mesma, caso contrário: "Se uma, de todas as altas montanhas [segundo conta o Gênesis de quanto a água cobriu] foi coberta de água, o dilúvio teria sido absolutamente universal; pois a água procura seu próprio nível, e preciso fazer isto rápido" [1].

No entanto, crer que não era a mesma Terra é crer que ela foi modificada substancialmente por esse mesmo dilúvio, o que prova que de fato foi universal. Ela não poderia ter se modificado substancialmente depois do evento, já que não há relatos de cultura alguma sobre estas modificações, nem a própria ciência moderna prevê que seria possível algo assim em pouco tempo. Além disso, não teria sentido na beleza da história do mundo, que é escrita belamente por Deus, já que Deus seria uma espécie de Ser caótico que decide fazer uma modificação escondido na estrutura do planeta, depois de um evento que Ele mesmo fez para modificar esse planeta. Seria como se Deus, quando age diretamente no mundo, fizesse as coisas aleatoriamente quando podia fazer harmonicamente demonstrando Sua majestade.

- Objeções de que o planeta pré-diluviano era igual ao planeta atual e que Deus só poderia ter agido com os recursos naturais

Algumas destas objeções são semelhantes a: 

"Não há água suficiente no mundo para cobrir toda a terra até os altos montes".

"Os peixes de água doce teriam morrido ao misturar-se na água salgada e não haveria peixes como hoje, e não há mecanismo natural que faça o peixe ser de água doce, dentro de tão pouco tempo".

Quem crê nisso ignora o poder de Deus, isto é, ignora que Deus é Deus, mas Ele, sendo onipotente, pode sempre agir com recursos sobrenaturais. É um objeção naturalista, mas que também pressupõe que a terra era igual, e que o dilúvio não a modificou. Nada disso se pode provar, e nem mesmo que o Monte Ararat é pré-diluviano, pois esse monte é citado como lugar no qual pousou a Arca, mas não é certo que ele não tenha aparecido das possíveis enormes transformações que sofreu o mundo com esse dilúvio. A própria ausência de citações de lugares certos nas Escrituras, antes do Monte Ararat, é um indício de que Deus sabia que já não eram o mesmo lugar, pelas coisas que ocorreram e só Deus sabe exatamente, as quais poderiam ser exemplos o deslocamento dos continentes (afirmação comum entre geólogos), formação de ilhas, modificações geológicas, aparecimento de montanhas e florestas, etc. 

Por isso, nenhum lugar é citado com localização exata no Gênesis antes do Monte Ararat, quando o dilúvio já havia deixado sua marca no mundo. Os rios do capítulo 2 saíam do Éden, mas não se sabe onde fica ou ficava este, e esses rios podem ter mudado de curso ou desparecido com o dilúvio, e os dois rios atuais que possuem o mesmo nome de dois daqueles podem ser só iguais no nome. O país que está ao oriente do Éden em 4:16 se menciona sem exatidão, somando ao indício citado, e este mencionar inexato de todas estas coisas indica que a Escritura quer, quanto à localização, dar somente uma noção de proximidade.

- Objeções da estrutura do mundo atual em contraste com a pequenez da Arca ou capacidade de administrá-la pelos habitantes dela
 
Algumas destas objeções são semelhantes a: 

"Noé não poderia ter criado e depois cuidado de todos os animais"

"Não cabiam todas os animais do mundo atual na Arca e elas não poderiam ter se modificado por algum mecanismo natural de lá para cá".

"Certas espécies vivem em lugares isolados, distantes da Armênia, e é impossível que tenham chegado lá sozinhos ou que um outro animal que possa ter chegado tenha se modificado por algum mecanismo natural de lá para cá".

O erro aqui normalmente é oriundo de um viés naturalista que nega o poder de Deus em juntar esses animais. Mas também pode ser que seja da negação de possíveis acontecimentos históricos, quer dizer, que um ou mais descendentes de Noé foram morar em lugares afastados, por qualquer razão que seja, levando muitos bichos. 

Por outro lado, pode se entender que entraram eram segundo um tipo, logo, entraram não todos, mas um grande número do principal de cada tipo; por exemplo, das aves de bico largo e pequenas entrou um casal só, das pequenas de bico longo, um casal, etc. Assim, estes teriam originado toda a biodiversidade de hoje. Quais e quantos eram estes principais é objeto de vários debates, assim como o modo como isto se deu, que é onde entram as idéias do evolucionismo, fixismo, etc, temas que fogem do escopo deste artigo.

- Objeções ao dilúvio universal alegando ser este cópia de outra tradição mitológica, modificada com o tempo

A similaridade do dilúvio bíblico com outras tradições não bíblicas é mais uma prova a favor da tradição bíblica do que contra. Veja-se mais abaixo. 

- Provas da história profana

Semelhanças entre o épico de Gilgamesh e a história de Noé

As semelhanças entre as duas histórias sobre o Dilúvio, sendo o épico de Gilgamesh um dos mais antigos relatos de um Dilúvio, para alguns é prova de que Noé é meramente baseado nesse mito, que por sua vez, sendo mito, é falso. Ora, pode-se dizer exatamente o oposto, o épico foi baseado nas tradições passadas ou pelos que tinham contato com Abraão naquela época, ou mesmo dos antepassados, caídos no paganismo depois de séculos, embora ainda preservando alguns relatos antigos. Tal afirmação se baseia na autoridade Divina da Escritura. No entanto, é interessante notar as semelhanças, para se provar que não podia uma coisa não tem relação com a outra:

O Dilúvio foi divinamente planejado, a catástrofe foi divinamente revelada ao herói do Dilúvio, ela vinha por causa de um defeito na raça humana, fala da destruição da raça humana, descreve a salvação do herói e sua família, diz que o herói foi instruído divinamente para criar um barco para preservar sua vida e da família, diz que no barco estava a semente de todas as criaturas vivas, indica causas físicas do Dilúvio, especifica a duração do dilúvio, nomeia o lugar de pouso do barco, fala de um envio de certos pássaros em intervalos para saber da diminuição das águas, mencionam que foram enviados um pombo e corvo (embora a sequência seja diversa e no épico ainda outro animal é enviado), descreve um ato de adoração do herói após sua salvação, alude a bênçãos especiais que ganha o herói após o desastre.     

Apesar disso, há várias diferenças entre o Épico e o relato Bíblico [2]. A semelhança que nos chama mais atenção é aquela que nos favorece a interpretação acima, de que estava na Arca a semente de todos os animais, que cremos estar nos dois animais principais. Análises de outras tradições poderiam ajudar na nossa interpretação, mas seria exaustivo fazer isso aqui.

Semelhança com mais de 63 tradições não bíblicas

"(c) A historicidade do relato bíblico do Dilúvio é confirmada pela tradição existente em todos os lugares e em todo momento em relação a ocorrência de uma catástrofe similar. F. von Schwarz (Sintfluth und Volkerwanderungen, págs. 8-48) enumera sessenta e três de tais histórias, que são em sua opinião independentes do relato bíblico. R. Andree R. (Die Flutsagen ethnographisch betrachtet) discute oitenta e oito diferentes histórias do Dilúvio, e considera sessenta e dois delas como independentes das tradições caldaicas e hebraicas. Por outro lado, estas histórias se estendem através de todas as raças da terra, salvo a dos africanos, os quais se excetuam, não porque não possuam nenhuma tradição sobre o Dilúvio, mas porque suas tradições ainda não foram suficientemente investigadas. Lenormant descreve a história do Dilúvio como a tradição mais universal na história do homem primitivo, e Franz Delitzsch opinava que também poderíamos considerar como um mito a história de Alexandre Magno, se chamarmos a tradição do Dilúvio de uma fábula. Seria, com efeito, um milagre maior que o do Dilúvio mesmo, se as diversas e diferentes condições que rodeiam as várias nações da terra tivessem produzido entre elas uma tradição praticamente idêntica" [3].

VEJA TAMBÉM:

Questão Teológica: se há vida (inteligente ou não) orgânica extra-terrestre

A Escritura, a Igreja e os Santos dizem se o homem veio de Adão ou do macaco ou de outro animal ?

Intenções do Ecologismo revolucionário: panteísmo, comunismo metamorfoseado, diminuição da população, governo mundial, etc

CLIQUE: Defesa da Tradição Católica contra falsas ciências

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[1] "The Genesis Flood", John C. Whitcomb, Henry M. Morris, 1961, pg. 1.
[2] Alexander heidel, The Gilgamesh Epic and Old Testament Parallels, 2ed, Chigago, The University of Chigago Press, 1949, pp. 224-258
[3] Maas, Anthony. "Deluge." The Catholic Encyclopedia. Vol. 4. New York: Robert Appleton Company, 1908. 15 Jan. 2017 <http://www.newadvent.org/cathen/04702a.htm>. Apesar deste parte, o artigo não é de todo bom, defendendo o Dilúvio local. Bibliografias completas citadas em: VON HUMMELAUER, Commentarius in Genesim (Paris, 1895); MANGENOT in Vig., Dict. de la Bible (Paris 1899) II; CORNELY, Introductio (2nd ed. Paris, 1887), II, Pt. I, 161; HAGEN, Lexicum Biblicum (Paris, 1907), II; DE RÉGNON, Le déluge biblique et les races antédiluviennes; SCHÖPFER, Geschichte d. A. T. (3rd ed. Brixen, 1902); WOODS, Dict. of the Bible (New York, 1900), II; LÜKEN, Die Traditionen des Menschengeschlechts (Münster, 1869); ANDREE, Die Flutsagen ethnographisch betrachtet (Brunswick, 1891); VON SCHWARZ, Sintfluth und Völkerwanderungen (Stuttgart. 1894); PRESTWICH, On Certain Phenomena Belonging to the Close of the Last Geological Period (New York, 1895); SÜSS, Das Antlitz der Erde (Prague, 1883); MILLER, Testimony of the Rocks, 1858; KAULEN in Kirchenlexikon; REUSCH, Bibel und Natur (4th ed., Bonn, 1876); The Tablet (London, 1884), flles.