7 anos de Cruz, Sofrimento e Desprezo. Cronologia de um site fracassado

áudio de Dr. Plinio citado abaixo

Hoje, dia 1 de Janeiro de 2021, faz 7 anos da gênese do site que reuniu esta série (www.oprincipedoscruzados.com.br), o qual surgiu a partir de uma oração singela no dia 1 de janeiro de 2014, escrita e publicada na terra da primogênita da Igreja, a França.

Noticiamos aqui o histórico deste site antes de seu início, e como ele redundou em um fracasso, sem ignorar algum pequeno mérito que possa ter havido.

Histórico deste site antes do seu surgimento

Desde que fomos modelados pela graça da Virgem Santíssima, e nos tornamos conservadores, algo nos dizia que era preciso "refutar o mundo". Uma tendência racionalista
(compilada em artigo do volume II) e soberba (por crer que nossa mudança interior foi meramente obra da vontade) se imiscuía nisto, portanto.

Uma vez católicos de fato e compreendendo que a Santa Igreja era a única capaz de dar resposta a todas as mentiras do mundo, o que víamos embaçado então se tornou claro.

Entretanto, como harmonizar esta intuição prévia ao fato de que a Santa Igreja nunca foi nem será um letreiro, um outdoor ou um mero conjunto de livros? Se São Paulo disse que "a letra é morta, mas o espírito vivifica", não significava que todo escrito necessário deve ser posto de lado.

Muito tempo depois, descobrimos que este labor era desejado pelo prof. Plinio (CME, 21/4/91), o qual sempre quis um trabalho assim para que se provasse a justeza da posição católica tradicionalista.

Qual objetivo animava este sítio web no começo, e qual o anima hoje?

A compilação doutrinal


Inicialmente, suprir o que há muito tempo faltava na internet: um site contra-revolucionário tradicionalista e exaustivamente compilador, contra os erros atuais, da Doutrina Tradicional da Santa Igreja Católica.

O seguinte raciocínio nos movia: se a Santa Igreja conforme a Tradição é a única verdadeira religião, compilar tudo que pertence a esta Tradição deixará mais a verdade cristalina, e esmagará o erro.

Assim, a doutrina católica, que não muda e não erra, dirá sempre a verdade. Compilamos, portanto, a Bíblia Católica, Papas, Santos, Teólogos, Concílios dogmáticos, e tudo que confirma a doutrina tradicional no contexto de uma determinada questão: História da Igreja, orações antigas, histórias de santos, filósofos, etc.

A compilação profética

Posteriormente, ao tomarmos conhecimento de inúmeras profecias antigas e autorizadas, o site ganhou nova meta, que nos anos iniciais parecia ser a principal: expor o que o conjunto das profecias diz sobre nossos tempos para provar o que o longo trabalho da compilação doutrinal por fim provaria.

As muitas profecias de difícil entendimento clamavam também por uma clave interpretativa. Tanto as particulares, que não podem ser rejeitadas em bloco por quem quer se manter católico (pois equivale a rejeitar a ação do Espírito Santo na Igreja), quantos as oficiais ou bíblicas.

Se as profecias particulares auxiliam na interpretação das públicas, e não podem ser rejeitadas em conjunto, era claro, portanto, que a compilação profética estava intimamente ligada a algum conhecimento do conjunto de todas as profecias, privadas e públicas. Assim, nossa compilação reunia ambas.

Além disso, para levar este trabalho ao ápice de sua atual possibilidade era preciso harmonizar o intuito anterior com dois temas relacionados: a teologia da história ligada a eventos futuros, e as hipóteses teológicas que auxiliam neste conhecimento.

A teologia da história não podia estar desconexa da clave interpretativa das profecias (públicas ou privadas), porque se Deus as deu, assim como criou o dom do raciocínio, ambos não podem se contradizer. Enquanto atendido este requisito, fez parte da compilação.

Analogamente as hipóteses: não podiam estar em desarmonia ou em conflito com as profecias, assim como, obviamente, em oposição à sã doutrina, conforme compilávamos no volume II, que foi o segundo por ter sido terminado depois.

Faltava somente alguma prévia compilação sobre a teologia em torno das profecias, os métodos de exegese, esclarecimentos diversos, e explanação do critério de seleção e supressão de certas profecias privadas autorizadas pela Igreja (no capítulo dedicado a estas).

A compilação dos dons de profetismo de Plinio Corrêa de Oliveira

Sabendo que o site visa homenagear, pelo seu nome, a Plinio Corrêa de Oliveira, o leitor pode estranhar a ausência de foco principal neste varão católico, porém, a compilação doutrinária que visávamos originalmente está intimamente ligada a sua figura, que também fez inúmeros esforços para juntar compilações doutrinais.

Tudo ficou ainda mais claro quando descobrimos seu insistente pedido, já referido, por trabalhos como este, principalmente o doutrinal. Então, o nome ganhou novos aspectos. Além disso, o nome também estava relacionado a uma hipótese teológica nossa do volume I, parte I.

A face mais radical de Dr. Plinio, assim como suas previsões que reforçam certas hipóteses teológicas calcadas no seu dom profético, pediam a existência de uma parte 2 do volume I, tanto por sua extensão, tanto pelo possível interesse separado que o leitor podia ter. Uma segunda parte do volume I, e não um volume II, explicitava a relação com a primeira parte.

A compilação dos contrastes entre a Santa Igreja antiga e a Santa Igreja atual

Por fim, era necessário escancarar o contraste gritante entre épocas do Papado antes e após a crise, assim como o contraste da Tradição com movimentos novos
minimamente conhecidos.

No entanto, não podíamos fazê-lo sem a devida reverência ao Papado, dor pela situação da Igreja, e oração em reparação pelos pecados, tão pouco combatidos. Quando necessário também, censurávamos imagens que podiam levar ao perigo de pecado próximo.

Até hoje tentamos corrigir qualquer linguagem que dê margem para se entender um espírito que rejeita a autoridade do Sumo Pontífice Reinante e visível da Santa Igreja, que remonta à Nosso Senhor Jesus Cristo.

Outras compilações

Meramente necessárias para indicar leituras, espirituais ou culturais, que podiam ajudar em algum ponto aos leitores, inclusive aos seus compiladores.

Qual espírito impulsionava este endereço?

Diversos artigos antigos deste site foram escritos com um tom que passava uma impressão que não desejávamos, o que devia ser motivo para dia e noite clamar por perdão a Deus.

Entre estas, foram: sedevacantismo, rejeição prática da autoridade Papal e do clero, irreverência e falta de devoção ao Papado, sensação de superioridade que passava a impressão de juiz diante de figuras ilustres do passado e do presente, entre elas, algumas do clero.

A pressa que muitos escritos exigiam, aliada a uma grande ignorância gramatical, tornaram algumas leituras árduas. Embora boa parte tenha sido corrigida, principalmente nas publicações que fazem parte das edições mais recentes, estamos sempre a consertar.

E hoje?

A sucessão dos fatos acima até o momento em que não víamos mais um horizonte embaçado, já na parte final do projeto, assim como a sucessão de graças em nossas vidas desde antes deste trabalho deixou a impressão de que algo de especial, por parte da providência, aguardava para justificar todo o realizado.

Nada mais longe da realidade. Não refletíamos na frase sagrada do Salvador: "Deus é poderoso para suscitar filhos de Abraão destas pedras".

Ainda em 2020, mesmo já com o nome de "amigos da Cruz, do sofrimento, e do desprezo", e imbuídos de um espírito mais penitencial, e reverentes a toda autoridade eclesiástica, ainda pensávamos, lá no fundo, como a impressão inicial podia estar certa.

Veremos mais adiante como chegamos à conclusão derradeira.

O que ocorreu, relativo ao site, de 7 anos atrás para cá?

Alguns colaboradores saíram, outros surgiram. Homens de boa vontade mostraram interesse neste trabalho e travaram contato. Um dos colaboradores "morreu e ressuscitou". Corrigimos a maior parte de artigos publicados. Almas caridosas nos chamaram atenção para problemas em certos artigos. Houve gastos e incompreensões.

Vimos o surgimento de diversas iniciativas, blogs, livros, e defesas diversas que lembravam, ainda que vagamente, o que já tínhamos publicado.

Disso tudo, é preciso distinguir que:

Nenhum até hoje se dispôs a "gritar nos telhados" a radicalidade da doutrina católica exigida nestes últimos tempos, principalmente denunciando os diversos campos de penetração da Revolução no campo social mundial: cultura, arte, ciências, economia, modas, moral, etc.

Nenhum fez este compilado tradicionalista e contra-revolucionário harmonizado com o contexto das profecias católicas antigas, teologia da história, etc.

Não vimos ninguém expor o contraste gritante entre os Papados antigos e os pós-crise com a devida reverência e censura.

Conclusão derradeira

Nenhum dos feitos aqui são próximos em mérito à condução de uma só alma para a verdadeira fé católica. Como disse Dr. Plinio ao ouvir de uma pessoa que tinha recuperado a fé através da então TFP:

"Isso para os meus ouvidos é uma harmonia, é uma música, que valeria a pena eu ter nascido e viver até a idade em que eu vivi, para poder apenas ter feito isto: ajudado uma pessoa a recuperar a Fé Católica." (07-09-1984 CCEE)

Se os Santos apóstolos dedicaram suas vidas para a Igreja de Cristo Salvador, morreram por Ela, e a maioria sequer viu Suas profecias serem cumpridas, por que os colaboradores de um site pretensioso e pouco penitente pode estar encaixado no futuro que Deus providencia para Sua glória?

Nenhum dos fatos narrados aqui, ainda que pareçam exaltar este labor, apaga a ardente vontade de encontrar os verdadeiros compiladores, expositores, e denunciadores. Único meio pelo qual findaria o fracasso de toda a originalidade deste projeto, excetuando o mérito de fazer uma só alma visualizar a verdadeira Igreja.

Se Nosso Senhor Se viu no pai de família que contratou empregados para a sua vinha ao longo de um dia, e pagou o mesmo a todos, inclusive aos que tinham trabalhado menos ao final do dia, por que invejaríamos os posteriores que farão melhor com mais graças?

Nosso Senhor não quis dar a estes o mesmo salário que aos outros?

Antes, apelamos, assim como a Virgem de La Salette, para estes que nem conhecemos, mas somos tão amigos, os "fiéis discípulos de Jesus Cristo que viveram no desprezo do mundo e de si próprios, na pobreza e na humildade, no desprezo e no silêncio, na oração e na mortificação, na castidade e na união com Deus, no sofrimento e desconhecidos do mundo".

Que Nossa Senhora, Medianeira de Todas as Graças e Co-Redentora, abençoe a todos.