Syllabus tradô: tipo humano falso tradicionalista, pois sem caridade, mancha a imagem da Tradição pelo seu jeito

Tradô contendente em ação espantando os simpáticos ao tradicionalismo


Com a graça da Virgem Santíssima esperamos que aqueles que se vêem identificados com o tradô (tipo humano universalmente descrito aqui), leiam este artigo com isenção de ânimo, avaliando a argumentação e fontes aqui dispostas para cada tópico salientado. Com efeito, é na Tradição Católica que se encontra a verdade sobre qualquer assunto. Esta lista (Syllabus) fazemos sem nenhuma intenção além do limite do estado laical. Outras compilações:

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Sumário


- Análise dos defeitos do Tradô com base em sua falta de caridade
- Aviso: a leitura atenta deste syllabus ou fará o leitor melhor, ou pior
- Tradô contendente: por seu jeito, afasta o povo que tende a ser tradicionalista
- Tradô presunçoso: crê que todos deveriam se converter imediatamente
- Exemplo: padre traumatiza recém-convertida famosa na sua primeira missa tradicional
- Tradô hipócrita: diz que os outros são anticlericais, mas só respeita o sacerdote tradô. Outros exemplos
- Tradô invejoso
: Orlando Fedeli, detrator pertinaz até a morte. O
utros exemplos
- Tradô cismático: cume da falta de caridade, une todas as más tendências tradosistas
- Remédios espirituais contra os defeitos tradosistas, baseado em S. Boaventura
- Conclusão





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"E, ante o progresso crescente da iniquidade, a caridade de muitos esfriará",
S. Mateus XXIV.


***

 

Observação: o termo "tradô" e sua definição não são criações atuais, pois já circulavam há décadas em meios tradicionalistas. O esquecimento do nome e a proliferação deste tipo humano em contraste com o verdadeiro tradicionalista, cortês e educado, pariram o rótulo de "rad-trad" nos tempos atuais. A originalidade deste artigo consiste meramente na análise, compilação e ordem.





- ANÁLISE DOS DEFEITOS DO TRADÔ COM BASE EM SUA FALTA DE CARIDADE

Baseado nos sete pecados capitais e suas filhas, segundo obras de S. Tomás de Aquino*:

1. Falta de caridade, campo fértil para:

1.1. Inveja, combatida pela caridade.

1.1.1. todas as filhas do pecado da inveja, que é combatida pela caridade, esfriada no tradô:

1.1.1.1. As ocorridas no início da glória alheia: Murmuração (veladamente) e Detração (publicamente).

1.1.1.2. As ocorridas no termo final da glória alheia: Ódio, Exultação pela Adversidade, Aflição pela Prosperidade.

1.2. Orgulho, combatido pela caridade.

1.2.1. todas as filhas do pecado do orgulho, que é combatido pela caridade, esfriada no tradô:

1.2.1.1. As ocorridas diretamente: Jactância, Hipocrisia e Presunção.

1.2.1.2. As ocorridas indiretamente: Pertinácia (dá-se na inteligência), Discórdia (dá-se na vontade), Contenda (dá-se nas palavras), Desobediência (dá-se nos fatos).

1.3. Espírito cismático ou cisma, cume da falta de caridade, pois é diretamente contra a virtude teologal da caridade, de onde, ao menos na prática, o tradô sustenta que a Tradição Católica só está purificada em seu nicho.





 

- AVISO: a leitura atenta deste syllabus ou fará o leitor melhor, ou pior

Vendo o descortinamento do tipo humano tradô e de seus defeitos, alguns precisam ganhar nova mentalidade: não copiem palavras e exemplos antitradôs, mantendo a si mesmo o mérito e a fonte oculta. Antes, combatam o orgulho com a humildade reconhecendo quem teve ou tem papel superior, evitando envaidecê-lo (s).

Meditemos nesta atitude anti-igualitária, e não seremos confundidos, como o salmista: "Amparai-me pela vossa promessa, e viverei, e não permitai que eu seja confundido no que espero" Sl CXVIII, 116

 

 

 

 

 

- TRADÔ CONTENDENTE: POR SEU JEITO, AFASTA O POVO QUE TENDE A SER TRADICIONALISTA 

Contenda é filha do pecado do orgulho, combatido pela caridade, esfriada no tradô.

Exemplo 1: Similar ao protestante que condena seus não seguidores ao inferno na praça movimentada da cidade, o tradô costuma publicamente afastar os outros com sentenças que, do modo como são enunciadas, deixam a impressão de que aquela mentalidade é típica de gente alienada. Por onde a foto de um comentário público:



Muitas vezes, este tipo de tradô, além de manter contenda com qualquer um, não encontrando limite para a crítica, desfila cega presunção, pois nem todos têm o mesmo tempo de conversão e compreensão da tradição (como o tradô julga entender).

Exemplo 2: quando faz contenda misturada com racismo, papagueia ou vem de alguma falsa-direita da Europa, pois certos europeus, cientes do papel das raças e origem no ser humano, consideram-na como fator único no desenvolvimento humano. Apontando aos judeus como mal do mundo, por exemplo, o tradô contendente repete o irrefletido pensamento falsa-direita europeu de tom nazistóide, cujo erro principal na matéria consiste em desconsiderar o fator da graça no ser humano. Mas o tradô europeu não só reclama dos judeus, tornando ainda mais contraditório o seu similar brasileiro, quando não puro caucasiano.

Exemplo 3: Nosso Senhor denunciou o tipo humano fariseu semelhantemente em S. Mateus XXIII: "Percorreis mares e terras para fazer um prosélito e, quando o conseguis, fazeis dele um filho do inferno duas vezes pior que vós mesmos".

 


 

 

- TRADÔ PRESUNÇOSO: CRÊ QUE TODOS DEVERIAM SE CONVERTER IMEDIATAMENTE

Presunção é filha do pecado do orgulho, combatido pela caridade, esfriada no tradô.

Resume-se à falta de caridade com os outros, levando ao orgulho e à presunção de que todos devem entender a questão tradicional no mesmo espaço de tempo em que o tradô "compreendeu". Tal aspecto tradosista também nos influenciou no começo da nossa conversão. Até hoje lutamos contra esta tendência oriunda do pecado original.

Exemplo 1: erro frequentemente implícito no tradô contendente.

Exemplo 2: Muitas vezes presente nos recém-convertidos, a atitude orgulhosa carece de humildade, como se sua conversão tenha originado de um ato de vontade pura, sem nenhum papel da graça. Falta meditação na notória frase católica tradicional: "sem a graça de Deus, não podemos sequer nomear piedosamente os nomes de Jesus e Maria".

Exemplo 3: Nosso Senhor denunciou o tipo humano dos doutores da lei assim em S. Lucas XI: "tomastes a chave da ciência, e vós mesmos não entrastes e impedistes aos que vinham para entrar".

Exemplo 4: o relatado abaixo, em comentário à II Carta de São Paulo a Timóteo IV, por Plinio Corrêa de Oliveira:

“Suplica, admoesta com toda paciência e doutrina”.

"Quer dizer, advirta, mostra que está errado com toda paciência, para esses que estão fracos, que se envergonham, que reconhecem que andam mal. Então, para esses, com toda paciência, admoestar.

Nunca começar uma admoestação com algo do gênero assim: “Fulano, até quando você deixará de ouvir o que eu te disse? Afinal de contas, eu perco a paciência com você!”. Isso é orgulho. Deve-se fazer o contrário. Nunca perder a paciência, nunca ter a palavra dura, nunca manifestar-se cansado de tanto repetir as (mesmas) coisas. Tomar um ar – ao se dar conselhos – de que a gente está achando uma delícia dar aquele conselho, nunca deixar transparecer que se pode estar cansado, que se pode estar caceteado, nem nada.

Mas isto não basta. Além de admoestar com toda paciência, é preciso admoestar com toda doutrina, ou seja, é preciso dizer coisas razoáveis, é preciso dar conselhos bons, saber empregar os argumentos bons em favor da verdade, de maneira a tocar o entendimento e mover a vontade da pessoa a quem se dirige"

(Reunião "Santo do Dia", 25 de Janeiro de 1967, grifos nossos).

 


 

 


 

- EXEMPLO: PADRE TRAUMATIZA RECÉM-CONVERTIDA FAMOSA NA SUA PRIMEIRA MISSA TRADICIONAL

Em meados dos anos 2010, um caso típico de tradosismo eclodiu: uma famosa recém-convertida, tatuada em partes visíveis do corpo, ficou traumatizada em uma liturgia tradicional, pois o sacerdote resolveu alertar previamente a comunidade sobre tatuagens segundo a doutrina católica, o que a fez se retirar abalada e, posteriormente, relatar chorosa todo o caso em sua rede social.

Ainda que fossem avisos gerais e costumeiros, sem a citação de nomes, é notável a falta de tino psicológico para entender que não só os convertidos atuais não têm base doutrinária prévia, como são muitas vezes levados pelos sentimentos, algo que todo pastor deveria saber, pois pastoreia um povo, um templo aberto ao público, e não um papel em branco que recebe tudo em que nele é escrito.

A solução evidente para mostrar caridade, evitando tais embaraços, era alguém (de ambos os sexos para cada caso) ficar à porta a fim de, com toda paciência e doçura (e não de modo tradô!), explicar brevemente algum ponto da doutrina católica de sempre ali evidenciado estar faltante. Se possível, emprestando a roupa caso a pessoa, de boa vontade, diga não ter outra ali. Se fosse feita, tal atitude seria até mais eficaz que avisos rotineiros.

Não objetem os espíritos de má vontade a impossibilidade em virtude da obediência à hierarquia eclesiástica, pois inúmeros mandatos extraoficiais são conferidos aos leigos pela hierarquia ou pelo pároco, e até mesmo certas atividades recebem livre caminho para florescer dentro de paróquias, etc, embora não tenham nenhum status canônico.

 

 

 

 

 

- TRADÔ HIPÓCRITA: DIZ QUE OS OUTROS SÃO ANTICLERICAIS, MAS SÓ RESPEITA O SACERDOTE TRADÔ. OUTROS EXEMPLOS

Hipocrisia é filha do pecado do orgulho, combatido pela caridade, esfriada no tradô.

Exemplo 1: Apesar de pregar respeito e submissão aos sacerdotes e atacar quem considera anticlerical, o tradô muitas vezes aparenta considerar integralmente só o sacerdote tradô responsável por sua transformação neste tipo humano. É o mais comum dos tradôs hipócritas, encabeçando este tipo humano.

Seus mentores padres tradôs não são necessariamente cismáticos, mas quase sempre propagadores de murmurações, ainda que veladas por supostos elogios, a Plinio Corrêa de Oliveira, quem ensinou sobre a sacralidade da ordem temporal não só com escritos, mas com um modo de falar, de gesticular e de agir.

Eclesiástico VII: "Teme a Deus com toda a tua alma, tem um profundo respeito pelos seus sacerdotes". Os sacerdotes de Deus não são só ciclano ou padre de xyz lugar...

Exemplo 2: Nosso Senhor denunciou o tipo humano hipócrita nestes termos (S. Mateus XXIII): "por fora pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e iniquidade", isto é, hipocrisia em relação à prática das virtudes da justiça.

Exemplo 3: todo católico observador dos mandamentos da Igreja percebe o quanto é hipocrisia se dizer católico tradicional contra o progressismo moderno e, invés de buscar o que a moral católica tradicional diz, frequentar lugares de banho misto, como são as praias modernas, etc. Exemplos assim já testemunhamos.

Abaixo, outro exemplo do tipo humano hipócrita, similar, porém, mais antigo e diferente do testemunho precedente.

Reprodução de 2014/ask.com

Exemplo 4: Como avaliamos tipos humanos universais, e não críticos de Plinio Corrêa de Oliveira, como se "tradô" fosse todo aquele não simpatizante do mesmo, é preciso notar a manifestação deste tipo humano tradô hipócrita em simpatizantes ou discípulos do eminente católico homem de ação. Dá-se quando, enquanto dizem considerá-lo, escondem seus ensinamentos sobre certos assuntos que desagradam ou reprovam a vida do tradô hipócrita tefepista ou simpatizante em questão. Invés disso, deveriam praticar a humildade, reconhecendo seus erros e aqueles que lhe são superiores em algo, combatendo o orgulho com a humildade.
 

 






- TRADÔ INVEJOSO: ORLANDO FEDELI, DETRATOR PERTINAZ ATÉ A MORTE, E OUTROS EXEMPLOS

São filhas do pecado da inveja, combatido pela caridade, esfriada no tradô: as ocorridas no início da glória alheia, isto é, a murmuração (veladamente), a detração (publicamente), e as ocorridas no termo final da glória alheia, isto é, o ódio, a exultação pela adversidade, a aflição pela prosperidade.

Assim como em relação à Santa Igreja sempre houve propagadores de máfia das mais variadas, também os santos foram vítimas das mais variadas difamações, muitas vezes movidas pela inveja.

Exemplo 1: Acredite-se ou não na santidade de Plinio Corrêa de Oliveira, o fato é que nenhum católico tradicionalista teve alguém integralmente dedicado a sua detração post-mortem: seu ex-aluno Orlando Fedeli e, consequentemente, a associação que fundou, a Montfort, assombrada pelo seu espírito tradô invejoso.

A polêmica entre ambos já deixou obras dos dois lados (contudo, só uma com parecer canônico e fichas hagiográficas). Aqui se mostrará somente como Fedeli se enquadrava perfeitamente no tipo humano do tradô invejoso.

Após a morte de Dr. Plinio, a cisão da TFP (prevista por Dr. Plinio [1]), e o advento da era da cibernética (alertada por ele [2]), Orlando Fedeli saiu de seu ostracismo anônimo junto de meia dúzia de antigos simpatizantes da entidade (em contraste com os duzentos que deixara). Por causa da perda da influência da TFP (prevista por Dr. Plinio [3]), Fedeli semeava
em terreno fértil suas acusações gravíssimas feitas em tom de brincadeira. Movido por uma inveja odiosa descontrolada, exibia as filhas deste pecado rotineiramente:

Ódio: inúmeros artigos de Fedeli ou da Montfort, mesmo quando sequer possuem relação indireta com a TFP ou Dr. Plinio, borbulham com ironias e comparações como "parece coisa tefepista", "igual ao Dr. Plinio". Tal ódio
contra seus alvos cria suposições ferindo a cortesia e a amabilidade, e chegam a ser tão vis que não devem circular no meio católico, segundo já soubemos. Sua gênese talvez se encontre no livro "Refutação a uma investida frustra", livro-resposta de 1983 com parecer canônico, logo no início: "se há isenção de ânimo nas acusações do Sr. O. F." [4].

Detração: qualquer místico (a) já admirado pelo católico internacionalmente reconhecido era alvo de detração igualmente. O principal era a Beata Anne-Catherine Emmerich, que já havia sido analisada pela
Sagrada Congregação dos Ritos em 1927, a qual desconsiderou as obras de Brentano, um biógrafo da mística, como autênticas suas [5]. Outro caso menos conhecido é o da Venerável Maria de Ágreda, cuja obra fora proibida pelo Santo Ofício há séculos, fazendo Fedeli rechaçá-la com espírito tradô, pois sabia da apreciação de Dr. Plinio. Assim, sequer se importava com a posterior revisão de toda sua obra e vida feita pouco depois pela alta hierarquia eclesiástica, bem como seus inúmeros milagres e dons [6].

Corpo incorrupto da Venerável Madre (séc. XVII), embaixo de sua estátua, em Ágreda.


Exemplo 2:
infelizmente, um discípulo de Fedeli e seu sucessor na chefia da Montfort, Alberto Zucchi, ministra aula de como ser um tradô invejoso ao unir duas filhas do pecado da inveja simultaneamente. A ocasião foi a intervenção Vaticana nos Arautos do Evangelho, grupo formado pela dissidência da TFP e integrado por padres progressistas (entre eles, alguns ex-alunos de Fedeli). Apesar disso, os Arautos reivindicam a herança de Dr. Plinio, o qual não era sacerdote, tampouco gostava do missal novo usado pelos Arautos [7]:

Exultação pela adversidade: evidente no título de um artigo-comentário sobre a causa da intervenção (vídeos vazados rindo de uma futura morte do Santo Padre, etc): "Os Arautos do Evangelho são mais uma vez desmascarados. A hora é de resgatar os prisioneiros" [8].

Aflição pela prosperidade (dos herdeiros de luta contra-revolucionária no Brasil, o IPCO): no mesmo artigo, explica que "prisioneiro" a ser resgatado é o clero conservador simpático ao IPCO, como o Cardeal Burke e Dom Athanasius. Tais prelados justificam o escandaloso vídeo dos dissidentes da TFP, alucina Zucchi, "tornando-os como que prisioneiros do apoio que prestaram".

Exemplo 3:
o invejoso, sendo um tipo humano, não se restringe a quem seja tradicionalista em algum grau, pois é encontrável também entre os progressistas, cujo amor aos prazeres o fazem, por exemplo, preterir qualquer escrito da tradição a uma figura ou interpretação moderna publicitariamente alçada pelo progressismo. Afinal, uma leitura espiritual assim traz uma reprovação de seu estilo de vida, do qual não desejam desvencilhar-se.

Exemplo 4:
Analogamente, o próprio Plinio Corrêa de Oliveira apontava isso dentre seus discípulos. Após o exemplo do membro da TFP detentor de mais amabilidade, diz o que outro, ao invés de invejar, deveria exclamar:

“(...) Fizestes esses dons tão diversos entre si para que Sua obra no conjunto Vos desse graça e Vos desse glória. Eu Vos agradeço pelo papel que destes ao meu irmão tal, tão mais dotado do que eu no terreno da amabilidade.

Haverá, meu Deus, alguma coisa em que eu seja mais dotado que ele? Provavelmente não, pois eu me conheço e sei que até lá não vou. Mas, meu Deus, eu sei que os menores tem um papel na hierarquia que Vós estabelecestes. Ainda que o meu papel seja pequeno, ele é único e inconfundível. E sendo um papel único e inconfundível, Vós me criastes a mim para aquele papel.

Meu Deus, como eu amo executar o papel que Vós me mandastes executar! Que é talvez apenas o modesto papel de ajudar meu irmão encantador a ser mais encantador ainda, acendendo as luzes do salão onde ele penetra com o visitante, vendo se está tudo em ordem para que o ambiente esteja agradável e ele não tenha que tomar esse trabalho e assim possa brilhar melhor. Pela minha solicitude ele brilhou melhor e aquela alma [N.E: objeto da amabilidade] saiu amando mais a Deus.

No dia do Juízo verei aquele meu irmão receber um prêmio por essa visita bem sucedida. Mas meu Anjo da guarda e o dele se voltarão para mim e dirão: “Nesse sucesso, ó filho, uma parte é tua. É uma parte menor que a dele, mas tu fizeste a tua parte com mais mérito porque ele fez isso com naturalidade. Tu fizeste com humildade, e a humildade te deu um prêmio maior perante Deus. Suba mais alto do que ele.” Pode acontecer....pode acontecer...e é lindo que aconteça"

(1 de março de 1986, Reunião "Santo do Dia").







- TRADÔ CISMÁTICO: CUME DA FALTA DE CARIDADE, UNE TODAS AS MÁS TENDÊNCIAS TRADOSISTAS

O tradosismo, por estar repleto de falta de caridade, em algum momento pode levar ao mais grave pecado contra a caridade: o cisma. Uma vez cismático, o tradô desfila publicamente toda a sua falta de caridade, isto é, une as filhas do pecado do orgulho com as filhas do pecado da inveja, especialmente.

Exemplo 1:
não por acaso, em nichos tradôs, não é raro um de seus frequentadores ir, ao longo do tempo, para o sedevacantismo.

Exemplo 2:
o tipo humano do tradô cismático nem sempre é cismático de fato. Basta que tenha um espírito cismático, isto é, basta crer que, na prática, a Tradição Católica só está purificada em seu nicho, evitando contato com os demais, em espírito de cisma com tudo e todos, chegando mesmo a ser inteiramente anti-social, e cavando outros abismos para a saúde mental própria, como transtornos de personalidade. No fundo, falta a reflexão, de uma posição católica, da necessidade que os outros têm de sua companhia, se ela realmente é boa. Porém, para isso é necessário caridade.

Exemplo 3:
erro que muito nos acometeu (mais no jeito do que nas afirmações), o julgamento de tudo e de todos é típico tradô de espírito cismático, como se o julgador fosse não só a autoridade eclesiástica, mas o próprio Deus, único capaz de todos julgar. São comuns as sentenças tradôs: "fulano é herege", "ciclano é maçom", "beltrano é gnóstico", "fulana é cismática", etc. Quem tem ojeriza ao igualitarismo anti-hierárquico (mais especificamente, ao espírito de cisma com a hierarquia eclesiástica) toma muito cuidado com qualquer afirmação gravíssima e pertencente ao juízo da Santa Sé, afirmando-o somente com base nas palavras de Roma.

 







- REMÉDIOS ESPIRITUAIS CONTRA OS DEFEITOS TRADOSISTAS, BASEADO EM S. BOAVENTURA

S. Francisco, S. Domingos e S. Ângelo da Sicília
se encontrando em uma sacristia.
Todos, encarando o semblante de sede de alma
um do outro, quiseram ajoelhar,
sinal evidente da humildade
que leva à admiração do próximo.

Humildade ausente no tradô.

Contra a inveja e o orgulho, por S. Boaventura
[9].

"Porém, o amor ao próximo afasta a inveja; eis porque iremos falar disto um pouco. Primeiramente, diremos por quais meios podemos conservar entre nós esse amor mútuo; e em seguida, como cada um deve se conduzir para ser amado pelos outros e os amar. Dessa forma, teremos remédios suficientes contra a inveja.

2o remédio: ter uma caridade mais próxima possível entre aqueles que têm mesmos objetivos e vontades, e que estão de alguma forma livres de todos os vícios
 
Vós deveis saber que a caridade perfeita, verdadeira e permanente se conserva inviolável apenas entre aqueles que têm o mesmo objetivo, a mesma vontade e que estão de alguma forma livres de todos os vícios, como é dito na décima sexta Conferência de Cassiers. Assim, a suprema caridade será encontrada no céu, e a verdadeira caridade teria sido encontrada no paraíso terrestre, se o homem não tivesse pecado. No entanto, existe uma forma de adquirir e preservar a caridade entre nós, ainda que imperfeita.

Graus contra a inveja

1o: também um remédio soberano contra a inveja consiste em desprezar do fundo do coração e pisar sob os pés tudo que, neste mundo, pode dar origem a contestações, disputas, ciúmes, como riquezas, honras, etc.

2o: não confiar em sua própria sabedoria, seguindo sua própria vontade, recusando-se a concordar com as visões dos outros, o que gera sobretudo a discórdia e o rancor.

3o: saber preferir o bem da caridade ao que nos é útil, e mesmo necessário. Com efeito, mesmo se eu tiver uma fé capaz de transportar as montanhas; se eu falar a língua de todos os homens e anjos, e não tiver caridade, tudo isso será inútil. Por isso, devemos, em todas as nossas ações, considerar antes de tudo a caridade para com os irmãos. E não há nada que os anjos e o Senhor dos anjos tanto desejem, que encontrar em nós a união fraterna e a caridade mútua.

4o: consiste em evitar, com grande cuidado, a ira e qualquer coisa que possa ofender aos outros. Se por acaso pecamos contra nosso irmão, devemos humildemente pedir-lhe perdão: se, ao contrário, nosso irmão concebeu aversão contra nós sem razão, apliquemo-nos, tanto quanto pudermos, a fazer as pazes com ele. Tudo isso é tirado da décima sexta conferência dos Padres do Deserto (...).

3o remédio: mirar aos homens melhores do que nós, e aos anjos, para que a comparação sirva para nos humilhar previamente.

Devemos também mirar aos homens melhores do que nós, e aos anjos, para que a comparação sirva para nos humilhar previamente.

O orgulho carnal pode ser reconhecido por estas pistas: está no silêncio, cheio de murmúrio, de amargura e raiva; na alegria ele se dissolve, ele ri sem medida e sem causa; na tristeza, ele é duro e severo; na correção, ele é odioso e sem compaixão: ele fala aleatoriamente, sem gravidade, sem reflexão; ele é sem paciência e sem caridade; ele lança o insulto com arrogância e o recebe apenas com pusilanimidade; ele se submete com dificuldade à obediência, desdenha dos avisos e é teimoso em sua própria vontade; ele se esforça para fazer prevalecer seus sentimentos e se recusa sempre a concordar com outros; ele não aceita conselho de ninguém e tem mais confiança em sua iluminação do que na dos sábios".

 

 

 

 

 -> CONCLUSÃO

Esta lista de atitudes do tipo humano tradô e seus defeitos deve ser suficiente para que o tradô veja que são os remédios espirituais católicos, os exemplos de santos e reconhecimento dos grandes do passado (seja da Tradição, mais recentes ou mesmo atuais) os caminhos a serem trilhados para adquirir
a humildade e a caridade.

Rezemos para que o tradô, se quer continuar na Tradição, curve-se diante de Nossa Senhora Co-Redentora, e fazendo assim que tantos outros se curvem também, entre os quais estaremos nós, em ação de graças por isso e pedindo perdão pelos nossos pecados.

 

 

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* Análise das filhas dos pecados capitais segundo São Tomás de Aquino, segundo esquema compilado e ordenado a partir de "Sobre o ensino (De Magistro) / Os Sete Pecados Capitais", Ed. Martins Fontes. Link:
http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2015/04/filhas-dos-sete-pecados-capitais.html

[1] "Dr. Plinio prevê o desmantelamento da TFP: "São provas pelas quais é preciso passar"", in "O Príncipe dos Cruzados, Vol. I, parte 2", 3a edição. Link: http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2015/03/drplinio-preve-o-desmantelamento-da-tfp.html
[2] "Dr. Plinio prevê o domínio da internet e da transpsicologia sobre os meios de comunicações e propaganda em 1982". Idem. Link: http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2014/08/drplinio-preve-o-dominio-da-internet-e.html
[3] "Dr. Plinio prevê a perda de poder da TFP: por falta de radicalidade. Também fala do pecado imenso na TFP", Idem. Link: http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2020/07/dr-plinio-preve-perda-de-poder-da-tfp.html
[4] Considerações prévias, "Refutação da TFP a uma investida Frustra vol.1: Três cartas", Átila Sinke Guimarães, 1984/06, Os outros são: "Refutação da TFP a uma investida Frustra vol.2: Fichas Hagiográficas em defesa da TFP", Antonio Augusto Borelli Machado, Gustavo A. Solimeo, 1984/07, "Servitudo ex Caritate", Átila Sinke Guimarães, 1986/06. Link: http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2014/01/refutacao-de-uma-investida-frustra-e.html
[5] "Em 1901, o Pe. Georg Chober, consultor da Sagrada Congregação dos Ritos, emitiu, a pedido dessa Congregação, um juízo sobre os escritos, no qual se pronunciou severamente contra os erros neles existentes. E a partir de então, os vários peritos consultados pela referida Congregação tem apontado erros nas obras atribuídas a Ana Catarina Emmerick". "A Sagrada Congregação dos Ritos, em decreto de 1927, decidiu nos termos do cânon 2042 do CDC de 1917, não considerar como sendo da vidente os escritos de Brentano. A Sagrada Congregação para as Causas dos Santos, no decreto de 4 de Maio de 1981, adotou análoga posição". Citado em "Refutação a uma investida Frustra: Três Cartas", Átila Sinke Guimarães, com parecer do Pe. Victorino Rodriguez, O. P., pgs.16 e 48, respectivamente.
[6] La cité mystique de Dieu : vie de la Très-Sainte Vierge Marie, Maria de Jesús de Agreda précédée de la vie de l'aucteur, 1862. Paris : V. Poussielgue-Rusand. University of Ottawa. https://archive.org/details/lacitmystiqued01mari/page/n5/mode/2up. Resumo das glórias da Venerável: http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2020/08/maria-de-agreda-leitura-incomoda-aos.html
[7] "Posição da TFP sobre a missa nova, e o estudo de A. Xavier da Silveira - Plinio Corrêa de Oliveira". Link: https://www.youtube.com/watch?v=iUo2CWiQYx4&
[8] Visto em 28/02/2021: http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/arautos_resgatar_prisioneiros/
[9]
Excerto de: OEUVRES SPIRITUELLES DE S. BONAVENTURE, de l'Ordre des Frères Mineurs, Cardinal-Évêque d'Albane, Traduites par M. l'Abbé Berthaumier, curé de Saint-Pallais. Paris. Louis Vivès, Libraire — Éditeur, rue cassette, 23. 1854. Beaugency. — Imprimerie de Gasnier. Numérisation: Abbaye Saint Benoît de Port-valais, 2005. Link: https://www.bibliotheque-monastique.ch/bibliotheque/bibliotheque/saints/bonaventure/vol02/014.htm#_Toc101148485. Link:
http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2020/09/remedios-contra-os-pecados-principais.html