Sociologia Católica Tradicional VS falsas teorias sociológicas: QAnon, Globalismo, Colapsologia, NOM, etc. Peste na Teologia da história


S. Antônio Maria Claret, rogai por nós!

Anterior deste capítulo: "Fim dos tempos" é igual a "últimos tempos"? Autores (um elogiado por S. Teresinha e outro de extensa obra de profecias privadas) concordam que falta o mundo ser católico

Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados (Vol. I, parte 1, 3a edição, Cap. I)".



No decurso deste trabalho, uma visão sobre a história, isto é, uma sociologia determinada é defendida: a católica. A fim de contrastá-la com novas teorias sociológicas que pipocam nos meios tendentes ao conservadorismo hoje, passou a convir resumir a substância da sociologia católica tradicional, seus autores principais, sua antiguidade no pensamento católico, bem como sua eficácia teórica e prática. Ademais, dada a situação mundial hodierna, assolada por uma peste (embora o mundo revolucionário queira incutir que “peste” só exista em livros de histórias) este artigo apresentaria grande lacuna se não mostrasse, mesmo por textos citados, o sentido de tais flagelos divinos na teologia da história.

Antiguidade da Sociologia Católica Tradicional * Síntese feita no século XX * Elogio desta síntese por autoridades eclesiásticas

Para muitos sociólogos laicos do ocidente, o tempo da “modernidade” iniciou-se no Renascimento e Humanismo. A definição não é por mera brevidade histórica, pois marca o tempo de um rompimento tendencial com a Cristandade Medieval, caracterizada pelo profundo espírito social católico.

O borbulhar destas tendências pagãs e gozadoras da vida foi criticado por profetas da época como S. Antonino de Florença, lamentada por Papas como Adriano VI [1], e narradas posteriormente por historiadores como o Monsenhor Gaume [2].

As nefastas novas forças motrizes do homem ocidental prepararam a Revolução Protestante. Neste tempo, muitos santos foram arautos da Contra-Revolução. Se não recuperavam almas para o redil de Cristo, ganhavam novas almas além-mar, ou obtinham graças através de seus sofrimentos em clausuras de ordens religiosas aromatizadas por reformas como Deus quis. A metafísica daquela Revolta era igualitária: não havia mais hierarquia. Especificamente, não havia mais hierarquia eclesiástica.

Baseando-se nisto e em muito mais, o Papa Leão XIII em sua encíclica “Parvenu à la Vingt-Cinquième Année (1902)” demonstra como da Revolução Protestante germinou a Francesa, calcada também no igualitarismo contrário às autoridades legitimamente constituídas. Posteriormente, o autor espanhol Contra-Revolucionário Donoso Cortés criticava o socialismo no século XIX, e já o antevia como ameaça futura. Foi profético. A Revolução Comunista, pranteada pelas lágrimas da Virgem Maria em Fátima, abalou todo o ocidente.

Toda esta sociologia foi condensada no ensaio “Revolução e Contra-Revolução” (RCR) de 1959, sob a pena de Plinio Corrêa de Oliveira, o qual reuniu em sua obra todas as sentenças dos autores mais citados deste pensamento católico.

Se se citava o papel principal das tendências, era por causa, entre outras, da observação de Donoso Cortés sobre o gozo carnal ser o sentido único da vida já em seu tempo [3].

Se se afirmava em curto espaço que a Igreja era a alma da Contra-Revolução, a razão consistia na história e na quase unanimidade da luta contra-revolucionária ter vindo de ultramontanos da Santa Igreja [4].

Se se criticava a maçonaria brevemente, é por se ter em vista o monumental trabalho do Monsenhor Henri Delassus [5]. E assim por diante com inúmeros autores, em geral pertencentes à escola contra-revolucionária do século XIX.

Não era simplesmente um compilado, pois temas nunca antes explicitados pelos contra-revolucionários, como a importância das “Artes, Ambientes e Cultura” na atuação Revolucionária, embora estivessem muitas vezes entrelaçados e comentados em obras esparsas antigas, receberam foco nítido nesta obra síntese de sociologia tradicional católica, já traduzida para inúmeras línguas e difundida em diversos países.

Denso, cada parágrafo do Magnum Opus de Plinio Corrêa de Oliveira poderia dirigir numerosas coleções de caráter histórico-cultural, quando já não eram baseados em alguns existentes. Penetrante, cada capítulo possibilita inúmeros paralelos sociais, ou mesmo pontuais com paixões desregradas reinantes. Abrangente, o livro leva o leitor a unir toda observação de seu contexto e história a uma cosmovisão católica.

Não obstante a radicalidade católica de uma interpretação histórica, figuras de relevo da época enalteceram o trabalho grandemente. Escrevia o Pe. Cesar Dainese, S.J. (Superior de Residência dos Padres Jesuítas) sobre a obra ser "um riquíssimo índice analítico de uma monumental enciclopédia da Teologia da História [...] Teríamos então a edição atualizada, ampliada e completa da grandiosa obra de Santo Agostinho, ‘De Civitate Dei,’ para os homens de hoje". Fazendo-lhe coro, o Pe. Bernardo Pani, O. Cister (Itaporanga, Brasil), alegou “que é uma obra que cristaliza a ‘Civitas Dei’ de Santo Agostinho. Plinio é admirável no estilo, na forma, no saber e na objetividade" [6].

Ainda outro jesuíta, o equatoriano Pe. Aurélio F. Aulestia, faz a mesma comparação: "Dois Amores, escreveu Santo Agostinho, fundaram duas Cidades, a saber: o amor de si mesmo até o desprezo de Deus, fundou a cidade terrena; e o amor de Deus até o desprezo de si mesmo, fundou a Cidade celestial (De civitate Dei XIV, 28) (...)

Santo Inácio de Loyola, em seus Exercícios Espirituais apresenta a célebre meditação das Duas Bandeiras, que, na realidade, é um verdadeiro comentário da visão genial de Santo Agostinho (...)

De outra forma, mas coincidindo no essencial com Santo Agostinho e Santo Inácio de Loyola, um egrégio pensador e publicista moderno, Plinio Corrêa de Oliveira, brasileiro, apresenta a luta eterna das Duas Bandeiras sob os nomes de Revolução e Contra-Revolução” [7].

Mesmo após a primeira edição, o autor incrementou a obra com apêndices. Primeiro, noticiando a eficácia prática daquele manual de guerra, a saber, as conquistas do movimento já atuante na primeira edição, mas ainda não civilmente constituído: a TFP (sociedade em defesa da tradição, família e propriedade). Segundo, comentando a vinda da 4ª Revolução, a Tribalista, já prevista por Marx e seus sequazes, e lamentando a entrada da Revolução na Santa Igreja, previsão ainda mais evidente quando se recorda a pastoral Tribalista do “Sínodo da Amazônia” de 2019, aberto pelo Papa Francisco [8].

Exemplo de análise sociológica RCR: a mudança na fonte padrão empregada em textos por todo o globo

Diz o RCR que, enquanto conformes aos desígnios revolucionários, “a cultura, ambientes e artes” desempenham significativo papel. Ainda sobre papel, já em outro sentido, é notável a mudança tipográfica desde a Idade Média ao longo dos séculos.

Quem nunca viu as estonteantes iluminuras do medievo, ou já não se impressionou ante a riqueza de detalhes das fontes maravilhosas daquele tempo? Porém, os séculos mudaram, e com ele, as fontes. Temos hoje ainda muitas fontes estilosas, principalmente na internet, a qual demanda uma fonte comum, ou melhor, um modo de escrever comum e compreensível.

O ambiente influencia o homem. Ora, a palavra escrita observada cotidianamente faz parte deste. Por isso, a mudança na fonte tipográfica mundialmente aceita, enquanto conduz para uma tendência revolucionária, é almejada pelo fenômeno da “Revolução”, cuja universalidade, descrita no RCR, é identificada na observação dos fatos seguintes.

Mudaram ou estão mudando para a mesma fonte: os programas mais populares para escritório no globo, as plataformas de bloggers, os sites mais acessados em todo o planeta, os padrões de artigos científicos nacionais e internacionais, os manuais de redações governamentais, etc.

E qual é a mudança? Do “Times New Roman” para “Calibri”. Eis a diferença:

Texto Fonte – Texto Fonte

A decadência é manifesta. À objeção de que algo tão pequeno não faz diferença na sociedade deve-se responder que a Igreja também é cheia de detalhes, principalmente na liturgia tradicional, os quais marcam a distância das falsas religiões.

É arriscado o exemplo contra-revolucionário do endereço que abriga este trabalho: talvez levará à eliminação do banco de dados do Google, notória “Big Tech” (empresa de tecnologia parte do oligopólio mundial da internet). Via algoritmo, este endereço e de outros sites “defasados” pelo uso da fonte antiga podem ser descartados mais do que já o são com robôs de inúmeros países que mascaram a verdadeira estatística.

Afinal, o monopólio do buscador da internet é detido pela Google-Alphabet, a qual gere também o Blogger, Youtube, Google Books, Gmail e outros serviços úteis diariamente usados por bilhões de usuários no globo. Tal fato está conectado a um assunto diverso, porém, relacionado aos monopólios e posições de poder na sociedade.

Abordagem sensata da questão das forças secretas, em especial, da maçonaria

Forças ocultas sempre existiram a fim de exterminar todo vestígio de Deus. Foi Satanás, inventor da mentira, quem sempre agiu nas sombras para que não fosse detectado e causasse horror pelos seus planos de inversão da hierarquia divina e pecados horríveis. Já na história moderna, a seita-mestra da Revolução também atuou nas sombras a fim de terminar com os restos de Civilização Cristã. Cabem advertências sobre como combatê-la.

Denunciadores contínuos da maçonaria, mesmo quando não esbravejam de modo insensato, desenham a caricatura de quem a rechaça, a ponto de realizar um desserviço para a causa católica em questão. “Certamente não será assim como dizem. Continuarei a frequentá-la”, pensará quem escuta frases proferidas passionalmente.

Invés de falar, em atitude de convencimento, dos pontos mais passíveis de rejeição e mais comuns em qualquer loja maçônica, como os votos de obediência, até mesmo na apresentação das contas de casa (sem contar a ritualística macaqueada dos Sagrados Ritos católicos), as acusações se concentram em rotular qualquer loja maçônica de fundo de quintal de um interior precário do país como apoiadora de algum cenário dantesco identificado nos documentos mais antigos de uma loja de país longínquo.

De diversa maneira agia Plinio Corrêa de Oliveira, embora quem com ele conviveu possa afirmar como suas explicações sobre fatos, às vezes considerados banais da sociedade, incluíam a influência das forças secretas. Sabendo dosar perfeitamente o tempero conforme o interlocutor, Dr. Plinio nunca passou a impressão de paranóico, porém, deixou farto material sobre o tema. Dialogou, inclusive, com historiadores antigos e contemporâneos seus na temática, como Gustavo Barroso [9].

QAnon: a falsa sociologia da ultra falsa-direita, em geral, a americana

Com a ascensão da falsa-direita americana, uma nova teoria sociológica acerca das práticas de uma anti-religião e seus vínculos com a pedofilia emergiu na web. Antes que tivesse oportunidade de fazer adeptos em outros países, foi silenciada por patrulhas ideológicas à serviço da elite revolucionária por trás das “Big Tech” com o motivo principal, e justo, de coibir falsas acusações do grave crime de pedofilia.

O QAnon, entretanto, carece de encaixe dentro da história da Igreja depois do advento da modernidade, isto é, após as Revoluções. Assim, é mais uma a fazer companhia as historicamente furadas teorias geopolíticas neoconservadoras. Por vezes são repetidas por indivíduos em idêntica vibração histérica dos já descritos no subtópico anterior.

Conquanto o problema do Satanismo por detrás da Revolução seja bem antigo, o movimento foi aludido algumas vezes como próxima Revolução Social por parte de Plinio Corrêa de Oliveira. Desde 1995, seu falecimento, não há como desconsiderá-lo se se acompanha as notícias, e especialmente quando se recorda de suas inúmeras previsões sociais compiladas na segunda parte deste volume.

Nova Ordem Mundial: falsa principalmente como algo surgido do século XX com mero intuito de implantar o comunismo

A sua identificação e diversas matizes precisam entrar no mapa geral que nos fornece a sociologia católica. Não pode ser posta como remendo.

Desconsiderando as mudanças sociais históricas desde o renascimento, apontar a universalidade de uma dominação revolucionária é só um meio de responder aos mais descarados fatos atuais debaixo de uma perspectiva laica ou pseudo-direitista. O poder das trevas só lucra com o desfiguramento da noção da verdadeira oposição à cidade do demônio: a cidade de Deus, toda Civilização Católica.

Se uma sociedade laica e ecumênica não é ideal, mas somente tolerada em certas circunstâncias, menos ainda deve ser algo no campo das idéias, como a sociologia laica. Se o povo judeu era o “microcosmo da humanidade”, hoje os católicos o são.

O mesmo se diga do chamado “Deep State”: não há como compreender o conceito sem entender o livro do Monsenhor Delassus, pois sistemas por trás da política internacional são históricos [10].

Globalismo: altamente confundida mesmo entre a falsa-direita

Teoria certeira da semiótica para o então futuro da comunicação social, as “aldeias globais” [11] precisam ser encontradas no radar que nos fornece a Sociologia e cosmovisão Católica direcionadas para o século XX.

Alguns, entretanto, parecem estender o pensamento original, ou popularizado, do sociólogo canadense Marshall McLuhan nos anos de 1960, e definem o globalismo como algo ruim que veio, junto de ideologias comunistas e análogas, expulsar Deus do coração da sociedade liberal do século XIX e começo do século XX [12].

A impressão é clara: o homem estava bem até o advento do comunismo. Ignora-se as heresias e inúmeras revoluções seculares. Neste ponto de vista, não há uma sociologia católica, como se Deus, na história, favorecesse todas as seitas. Tal pensamento exige a correção dos livros históricos sagrados em que Deus auxilia unicamente o Seu povo até o momento em que este peca, como quando crucificaram o próprio Deus Encarnado, a cabeça da Igreja Católica, e “o véu do templo se rasgou”.

Colapsologia: teoria sociológica laica dos neopagãos

Convergindo muitas vezes com afirmações alarmistas de aquecimento global, já desbancadas por citações de cientistas do ramo em compilado do volume II desta série, a colapsiologia é o Relatório Meadows de 1972 reciclado, cujo conteúdo é descartado pelos economistas cientes da influência do progresso técnico na humanidade. Na verdade, todos os relatórios científicos apontando para um eventual colapso da humanidade por causa da escassez dos fatores de produção ou consumo possuem um só predecessor: Thomas Malthus [13].

A novidade do “Comment Tout Peut S'effrondrer” [14] reside na apresentação e adição de elementos pelos seus autores franceses: a complexidade e interdependência de cada cidadão nos centros urbanos, gráficos novos indicando similitude com gráficos antigos que noticiaram colapso nas suas respectivas áreas, o modo de apresentação, etc. A impressão deixada pelo livro foi de tal maneira profunda que alguns se dedicaram a um sistema de recuperação de todos os códigos da humanidade após o “colapso” da humanidade.

Embora tais previsões laicas se desprestigiem quando Deus intervier na humanidade através de Seus instrumentos, não só os meios pelos quais elas conjecturam um “colapso geral” merecem atenção, como o acompanhamento da Revolução exigem um olhar não ingênuo para as explicações racionalistas destes eventos.

Questão sanitária que mudou o mundo desde 2020: peste, flagelo divino * Estatísticas provando quem a peste realmente veio afetar primeiro

Abalados pelo surgimento de um vírus novo, o qual foi alardeado como superpotente e capaz de destruir economias mundiais, muitos conservadores o definiram como uma arma biológica eivada de outros motivos.

No meio da confusão inicial, da falta de estatística, e dos desmandos autoritários de inúmeros governantes que se inspiravam em modelos nunca antes usados de combate ao problema, a explicação mais plausível ao então estado social-político era a seguinte: o caso sanitário não era senão uma desculpa para implantar um estado socioeconômico diverso do vigente.

Passado um ano desde o começo da peste, dado o número de mortes que causou, e sua contínua imposição de uma mudança de vida, principalmente aos hábitos antes mais atrelados ao encontro das massas, já é patente ao católico minimamente informado que a peste veio com marca de advertência divina.

Ante a objeção de que as mortes totais diminuíram no ano de 2020 em relação à 2019, há a oportunidade de gravar nos corações a repulsa pelo mundo neopagão e sua feição genocida:

Tabela do boletim epidemiológico de 2020 do Ministério da Saúde [15].


Nota-se uma diminuição de 68% no total dos casos reportados de AIDS (41919 para 13677), de 2019 em relação a 2020, justo o ano em que as aglomerações neopagãs foram interditadas, ainda que estupidamente junto de reuniões e comércios relevantes.

A assombrosa diminuição, pouco noticiada mesmo por católicos, se refere à AIDS, e não a todas as doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, quantas rixas foram evitadas este ano? Quantas overdoses? Quantas desgraças morais às famílias? Quanta perda de capital humano em “entretenimentos” neopagãos?

Nada disso é comparável ao número crescente de abortos que ocorria no mundo há décadas. Estatísticas apontam 40 milhões de abortos por ano. A mesma quantidade de assassinatos feitos pelo comunismo e pelo nazismo a cada três anos. Portanto, uma peste não chega a ser o princípio do pagamento temporal, pelas nações, só deste pecado que “clama aos céus, e brada a Deus por vingança”.

Semelhanças e diferenças com pestes históricas * Opinião de S. Antônio Maria Claret sobre a peste em Cuba em seu tempo de missão: corretivo divino.

Nas anotações de um curso de história ministrado na Europa, segundo a linha “RCR” já citada, as razões teológicas da peste do século XIV iluminam a atual [16]:

“3 –Passaram agora [N.E: os inimigos da Igreja, que antes agiam de outra forma] a usar a guerra psicológica em seu mais alto grau. Usar a sociologia, a psicologia, a medicina, a arte para destruir a Igreja.

4 – Visão de S. Brígida em 1298. Nosso Senhor lhe diz: “hoje deixei sair do inferno um demônio pior que o demônio do deicídio”. Dr. Plinio comentou que era o demônio da Revolução. (...)

16 - Cinco acontecimentos chocantes: a bofetada de Anagni [N.E: bofetada no Papa por parte de um enviado de um Rei de França, Felipe, o Belo, em 1303], a mudança do Papado a Avignon, a supressão dos Templários, a Grande Fome e a rebelião dos Pastoreaux [N.E: dois exemplos de eventos notáveis e característicos da época, segundo o autor das notas, talvez baseado na obra de Barbara Tuchman]. E tudo em 20 anos. (...)

19 - Apego ao dinheiro: “Nunca houve um tempo quando mais atenção era dada ao dinheiro e posses do que no século XIV” [There never was a time when more attention was given to Money and possessions than in the 14th century”, A Distant Mirror, pg. Foreword xix., Tuchman. Primeiramente publicado em 1978].

20 – S. Brígida deplorava a situação moral de Roma. Dizia que a cidade estava cheia de orgulho, avareza, autocomplacência e corrupção. (...)

1 - Quase 50 anos depois do início da Revolução, em 1347 (49 anos) já a população da Europa se havia dado conta de que mudaram de rumo, e se distanciaram da Igreja.

2 - Como não houve nem arrependimento nem nenhuma reação decente ao pecado, Deus lhes enviou um dos piores castigos conhecidos: a chamada peste negra.

3 - A peste começa em 1347 quando chega um barco genovês em Sicília proveniente de Criméia. O barco estava cheio de doentes e mortos. Os enfermos tinham uma bola negra grande como um ovo na axila. Esta bola soltava pus e sangue. Depois a pele se enchia de manchas negras por causa do sangue que o corpo derramava dentro de si mesmo. Os enfermos tinham grandes dores e morriam em 5 dias.

4 – À medida que a peste se propagava, apareceu outra variante, que era ter febre contínua e cuspir sangue, em vez de ter a bola preta. Essas vítimas tossiam e suavam forte e morriam entre 1 e 3 dias.

5 - Na verdade era uma peste bubônica presente de duas formas: uma infectava o sangue e tinha a bola preta, e se espalhava pelo contato. A outra, mais violenta, parecia uma pneumonia e se espalhava pela respiração. Essa praga era tão violenta que houve casos de gente que se deitava saudável e morria antes de acordar. Também houve casos de médicos que contraíam a peste ao lado de enfermos e morriam antes dele.

6 - Em geral, a praga chegava a um lugar, ficava entre 4 e 6 meses e se ia. Exceto nas grandes cidades, onde geralmente desaparecia no inverno, para reaparecer na primavera.

7 - A praga não atingiu certas partes da Espanha e Portugal. Da mesma forma, dificilmente tocou a Polônia e a Rússia. E certos lugares da Europa, como o país tcheco ou uma parte da Bélgica, também não foram afetados. Ou seja, a peste atacou a Europa já contaminada pela Revolução, e as partes ainda sãs não foram especialmente afetadas”.

Ainda sobre o tema “peste”, S. Antônio Claret, sobre “a peste e a cólera-morbo” de seu tempo de missão, traça um gritante contraste com a peste de 2020:

“Aproveitei essa ocasião [após nefastos tremores de terra em Cuba] para pregar-lhes, e lhes dizia: “Deus tem feito como uma mãe faz com o filho dorminhoco: sacude-lhe a cama para o acordar e obrigar a levantar-se”. Foi o que o Senhor se dignou revelar-me.

Houve entre os ouvintes quem não gostasse. E dizia-lhes mais: “Quando os filhos não atendem, vêm-lhes algumas palmadinhas corretivas”. Aí é que não gostaram mesmo e até me criticaram. Mas, algum tempo passado, começaram a aparecer sintomas da peste, a cólera-morbo. E veio de maneira espantosa. Houve ruas completas em que morreram todos os habitantes em dois ou três dias.

Muitas pessoas que não tinham participado da santa missão acorriam às confissões, temerosas, julgando essas epidemias um aviso do céu. Pelo sim, pelo não, muitíssimas conversões ocorreram.

Durante a epidemia, todo o clero portou-se muito bem, dia e noite, atendendo a todos com dedicação exemplar. A todos socorriam corporal e espiritualmente, como bons samaritanos. Só um padre morreu de peste no serviço da caridade. E precisamente este foi o pároco do Cobre, Pe. Francisco Veja. Já atacado pela doença, ao ser chamado para um enfermo que se encontrava muito mal, correu a atende-lo dizendo: “Prefiro morrer a deixar de atender a quem me chama”. E, ao voltar, ficou acamado e logo depois morreu” (S. Antônio Claret por ele mesmo, traços biográficos preparados por Elias Leite, CMF, Editora Ave Maria, Pg. 134-135, grifos nossos).

Noção tradicionalista contra-revolucionária sobre a peste de 2020

Resumindo a opinião deste volume, eis um fácil modelo de perguntas e respostas:

1 - Qual é, afinal, a opinião tradicionalista contra-revolucionária sobre o atual problema sanitário?

É a peste, que em tantas épocas veio castigar o povo, ainda que no ano de 2020 não tenha sido perniciosa [17]. É a mesma “peste” que comenta Nosso Senhor, quando fala divinamente de tempos difíceis: “haverá fome, peste e grandes desgraças em diversos lugares” (S. Mateus XXIV).

2 – A peste foi prevista por alguma das profecias deste compilado ou é prévia a algum castigo vindouro, segundo alguma exegese ou revelação privada?

Não há citação literal em nenhuma das revelações privadas, aqui tratadas, de que uma peste viria previamente ao tempo do Castigo. Pode haver interpretações, contudo.

3 – A peste atual não faz parte do “Castigo Mundial”?

Não. Este artigo, com as estatísticas e comparações do subtópico anterior, leva a concluir que a peste atual não chegou a ser perniciosa, tampouco é o “princípio das dores” que virão.

4 – Enrijecendo a letalidade da peste, teríamos o “Castigo Mundial”?

Não, se não vier acompanhada por algo mais, isto é, a vinda de profetizados personagens que confirmarão a relação do “Castigo” com esta letalidade. Afinal, como disse o Beato Palau citado no capítulo V, sem a intervenção divina, imputarão tudo ao natural: “Para que o ímpio não as atribua à pura obra da natureza, será necessária uma voz apostólica que as mande e as retire para dar crédito à onipotência do Deus dos católicos, e a verdade do poder da Igreja” [18]. O “Castigo” precisa ser evidentemente um Castigo divino a todos.

5 – A peste não pode piorar muito, sem antes virem os profetizados?

Sim, a peste pode piorar muito sem antes virem os profetizados, a ponto de termos uma peste perniciosa comparável à peste do século XIV. Caso ocorresse, seria a certeza da frase do santo fundador dos claretianos sobre a peste em Cuba: “quando os filhos não atendem, vêm-lhes algumas palmadinhas corretivas”.

6 – O que se deve fazer em caso de peste perniciosa?

Seguir os conselhos de S. Agostinho sobre o porquê de os corretivos divinos afetarem também os bons: “Se, antes de mais nada, pensassem humildemente em seus pecados, de que a cólera divina se vinga, enchendo o mundo de espantosas catástrofes, embora muito longe de serem criminosos, dissolutos ou ímpios, julgar-se-iam de tal modo isentos de culpa que não tivessem necessidade de expiá-la por meio de alguma pena temporal?” [19]. Após convencido e praticante disso, estimular que outros o façam também.



Veja também: Dois teólogos (incluso um admirado por S. Teresinha) convergem exegeticamente com o Pe. Vieira sobre um triunfo futuro 

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[1] Reunião Extra dada por Plinio Corrêa de Oliveira em 1966, sem data: “Uma instrução do Papa Adriano VI, um bom Papa, antirenascentista, dada em 1522 ao núncio Chieregati, enviado a Nuremberg, bem ilustra o espírito que havia penetrado profundamente os meios católicos, e na qual se lê as seguintes palavras:
“Sabemos que desde há muitos anos vêm ocorrendo em torno da Santa Sé coisas abomináveis, abusos no espiritual, exorbitâncias nos mandatos e um amolecimento geral. Assim, não é estranho que o mal se haja estendido da cabeça aos membros, dos papas aos prelados e sacerdotes mais inferiores. Nós todos com o clero afastamo-nos de nosso caminho; ninguém tem feito algo de bom desde muitíssimo tempo, e urge, por isso mesmo, que honremos a Deus, que humilhemos nossas almas diante d'Ele e que cada um veja de onde veio o mal”.
Oncken comenta que esta reação não produziu efeito no alto e opulento clero italiano, nem na sociedade italiana em geral. E tanto assim, que quando em 14 de setembro de 1523, morreu esse Papa reformador, celebrou-se sua morte como um sucesso faustoso. Os inimigos do defunto puseram em casa do seu médico de cabeceira, esta inscrição: "O Senado e o povo felicitam o libertador da pátria". Um literato disse:
“Se este acérrimo inimigo das musas e da eloqüência e de tudo quanto é belo tivesse vivido mais, forçosamente teríamos voltado ao tempo da barbárie goda”, Oncken, vol. XIX. pág. 102”
[2] Todas suas obras são interessantes, embora a mais famosa tenha sido “O Verme Roedor das Sociedades Modernas, ou o Paganismo na educação”, 1886
[3] Roberto de Mattei, em “O Cruzado do Século XX”, Cap. IV, I, Nota 14, diz: “A carta que Juan Donoso Cortés, Marquês de Valdegamas (1809-1853), dirigiu ao Cardeal Fornari em 19 de Junho de 1852 pode ser considerada um dos mais lúcidos manifestos da Contra-Revolução católica do século XIX”
[4] Exceção a este exemplo foi Joseph De Maistre, autor de “Du Pape”, e muito reconhecido na “Escola Contra-Revolucionária”. Pesquisa histórica posterior mostrou a posição favorável de de Maistre à Maçonaria, não obstante ter sido muito citado por Mons. Delassus, até mesmo em sua obra sobre essa seita-mestre da Revolução: “A Conjuração Anticristã”.
[5] “A Conjuração Anticristã: o templo Maçônico que quer se erguer sob as ruínas da Igreja Católica”, 1910
[6] Revista Catolicismo, N° 702, Junho de 2009
[7] Aurélio F. Aulestia B., SJ, Es necesario que Jesucristo reine!, En la Mitad del Mundo, Quito, 1973, pp. 64, 65. Visto em: Revista Catolicismo, Número 580, Abril de 1999.
[8] Previsão ainda mais evidente é a sua obra “Tribalismo Indígena, ideal comuno-missionário para o Brasil no século XXI”, 1978, cujo título já é uma previsão com século marcado. Sobre isso, veja a parte 2 deste volume: “Dr. Plinio previu pastoral Tribalista comuno-missionária do século XXI 40 anos antes”. Link: http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2020/10/dr-plinio-previu-pastoral-tribalista-do.html
[9] Eis uma oportunidade, que não visamos nem no curto prazo, para uma alma com visão contra-revolucionária compilar todas as hipóteses, idéias e comentários de Plinio Corrêa de Oliveira sobre o tema das forças secretas, em debate com autores notórios na matéria. Será uma prova a mais de que o curto parágrafo na RCR era denso não só pelos autores que se tinha em vista no tempo de sua publicação.
[10] Sobre este assunto, ver a matéria de capa da Revista Catolicismo n° 835, julho de 2020, na qual se estabelece bem o limite entre o conspiracionismo anticristão e o falso: http://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0835/P36-37.html
[11] Baseamo-nos no resumo bem feito de Guilherme Freire: https://www.youtube.com/watch?v=BGZvzAJ2OM4
[12] Assim se explica o embaixador e ex-chanceler do Brasil Ernesto Araújo, que parece ser o definidor do termo em palestra repleta de estudiosos do assunto: “Isso é o globalismo: o momento em que o comunismo, o gramscismo, o fisiologismo ocupa o coração, que tinha se deixado vazio, da sociedade liberal”. “Ministro Ernesto Araújo abre o seminário "Globalismo" - Brasília, 10 de junho de 2019”. Link: https://www.youtube.com/watch?v=mWajQ0NBeio
[13] David N. Weil, Economic Growth (2012), cita desta forma o Relatório Meadows, ainda que diga ao final, na p. 495: “Unfortunately, the past miscalculations of prophets of doom are no guarantee that current forecasters will be wrong.”
[14] “Comment tout peut s'effondrer. Petit manuel de collapsologie à l'usage des générations presentes”, Pablo Servigne, Raphaël Stevens, 2015
[15] Acesso em 28 de Junho de 2021 em: http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2020/boletim-epidemiologico-hivaids-2020
[16] Tópicos numerados de “Historia De la Revolucion”, respectivamente, “El humanismo” e “La peste Negra”. Dada em espanhol na TFP de Creutzwald, Francia. Foram traduzidos do espanhol e selecionados os mais pertinentes para o tema deste artigo
[17] A Bíblia Ave-Maria displicentemente traduz o “Quoniam ipse liberavit me de laqueo venantium, et a verbo áspero” Sl XC, 3 como "É ele quem te livrará do laço do caçador, e da peste perniciosa”. O nome “peste perniciosa”, no entanto, parece definir bem uma peste mais severa.
[18] “La cruz”, El Ermitaño, Nº 159, 23-11-1871
[19] A cidade de Deus, Livro, I, Cap. IX