A escritura e os Papas falaram de medida de modéstia e pudor nas vestes ?

Mulheres búlgaras do séc.IX citadas abaixo

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Sagrada Escritura

O Gênesis, quando mostra que apesar de estarem sós e serem casados, Deus vestiu Adão e Eva depois do pecado original. "Feliz aquele que vigia e guarda as suas vestes para que não andes nu, ostentando a sua vergonha", Apocalipse 16.

No Evangelho de S.João, Cap.19, é descrito a túnica do Senhor toda tecida de alto a baixo. Sendo Cristo o modelo de modéstia, como antes, e a noção histórica que o “alto” não cortava os braços, nem o “baixo” os tornozelos, e com isso temos a medida da modéstia. Por isso, nas imagens, Jesus foi assim representado.

A escritura fala de medida de modéstia e pudor para as mulheres ?


Indiretamente sim, pois dando a medida para o homem se dá uma noção mínima para a mulher, dado que a mulher é até incentivada ao uso de véu por São Paulo em I Cor 11, e a vestir-se com modéstia em I Tim. 2. De fato, Nossa Senhora sempre foi representada com muito recato nas imagens.

Isso sem contar também que Deus dá uma ordem definitiva para o futuro, o que justifica uma medida de recato: "Não haverá traje de homem na mulher, e nem vestirá o homem roupa de mulher; porque, qualquer que faz isto, abominação é ao Senhor teu Deus", Dt. 22.

Mas os hábitos de vestimenta não mudam ?

Os hábitos mudam, as cores, os tecidos, os bordados e cortes das roupas mudam. Porém, o recato e o pudor não mudam. Uma barriga à mostra, seja por roupa colada ou por nudez dela, nunca deixará de ser "uma barriga à mostra", assim como outras partes do corpo.

Papa São Nicolau I

Lembrando que calças nesse primeiro texto significa a femoralia, disponível para visualização nas fotos acima (na pintura da esquerda, retrato das mulheres búlgaras em 1586 por H. Beck, é possível ver o término da femoralia na canela). Esta nada tem de semelhante com a calça colada de nossos dias. Ela escondia as partes impudicas, ficava por baixo de uma espécie de saia e não era uma indumentária totalmente semelhante ao dos homens búlgaros. E mesmo assim, a advertência era somente aos Búlgaros, tanto que o Papa ressalta que o costume no ocidente é o uso da femoralia somente por homens.

“Consideramos ser irrelevante o que você perguntou sobre a femoralia; pois não desejamos que o estilo exterior da sua roupa seja mudado, mas sim o comportamento do homem interior, nem queremos saber o que estão vestindo exceto Cristo – entretanto, muitos de vós que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo [Gal 3, 27] – mas sim como vocês estão progredindo na fé e nas boas obras. Mas como vocês perguntaram, em simplicidade preocupados com tais assuntos, por temerem de que isto se pudesse ser imputado como pecado, por divergir dos costumes de outros Cristãos, e a fim de que não deixássemos de lado esses desejos, nós declaramos que nos nossos livros, calças [femoralia] são feitas, não para que as mulheres possam usá-las, mas para os homens. Agora, como vocês passaram do velho para o novo homem [Ef 4, 22-24; Col 3, 9-10] vocês passaram dos seus costumes para os nossos em todas as coisas; portanto façam como desejarem. O fato de você ou sua esposa vestir ou não calças [femoralia] não impede sua salvação nem leva a qualquer aumento de sua virtude.

Claro, porque nós temos dito que calças são ordenadas a serem feitas, deve-se observar que vestimos calças espiritualmente, quando nós freiamos a concupiscência da carne através da abstinência; porque esses locais são limitados pela femoralia, onde é conhecido estar o local da luxúria. É por isso que os primeiros seres humanos, quando sentiram movimentos ilícitos em seus membros após o pecado, correram para as folhas de uma figueira e teceram tangas para si [Gn 3,7]. Mas estas são calças espirituais, que vocês ainda não poderiam suportar, e, se eu pudesse falar com o Apóstolo, vocês ainda não são capazes; pois vocês ainda são carnais. [I Cor 3, 2]. E assim nós temos dito algumas poucas coisas sobre este assunto, embora, com a graça de Deus, poderíamos dizer muito mais.” [1]

Pio XII contra as roupas que oferecem perigo de pecado ao próximo, contra as roupas que exibem as coxas, etc

“(...) a modéstia – a própria palavra “modéstia” vem de modus, uma medida ou limite – provavelmente expressa melhor a função de governar e dominar as paixões, especialmente as paixões sensuais. Ela é o baluarte natural da castidade. É seu baluarte natural porque ela modera os atos que estão estreitamente conectados com o próprio objeto da castidade (...)

Mas, não importa quão ampla e variável seja a moral relativa das modas, sempre haverá uma norma absoluta para guardar depois de ter escutado a admoestação da consciência advertindo ao se aproximar do perigo: um estilo jamais deve ser uma ocasião próxima de pecado.” [2].

“Lemos na “Passio SS. Perpetuae et Felicitatis” – com justiça considerada uma das jóias mais preciosas da literatura cristã primitiva – que, no anfiteatro de Cartago, quando a mártir Vibia Perpétua, jogada para o alto por uma vaca selvagem, caiu no chão, seu primeiro pensamento e ação foi arrumar o vestido de modo a cobrir sua coxa, porque ela estava mais preocupada com a modéstia do que com a dor.” [3]

Bento XV

“Desde este ponto de vista não podemos deixar de condenar a cegueira de quantas mulheres de todas as idades e condição; feitas tontas pelo desejo de agradar, elas não vêem a que nível a indecência de suas vestes chocam a todo homem honesto, e ofendem a Deus. A maioria delas teriam, em outras épocas, se envergonhado com esses estilos por grave falta contra a modéstia Cristã; e já não é suficiente que elas se exibam na via pública; elas não tem medo de cruzar as portas da Igreja, a assistir o Santo Sacrifício da Missa, e até de levar a comida sedutora das suas paixões vergonhosas até o Altar da Eucaristia onde recebemos o Autor celeste da pureza.”.[4]

Pio XI contra as roupas indecentes, incluso as de ginástica

I. O padre da paróquia e, especialmente, o pregador, quando a oportunidade surgir, deverá, segundo as palavras do Apóstolo Paulo (I Tim 2,9), insistir, argumentar, exortar e ordenar que o traje feminino seja baseado na modéstia e que o adorno feminino seja uma defesa da virtude. Deixá-los igualmente advertir aos pais para fazer com que suas filhas deixem de vestir trajes indecorosos (...).


"III. Que os pais mantenham suas filhas longe do público de jogos e competições de ginástica, mas se as suas filhas são obrigadas a frequentar essas exposições, deixá-los ver que elas estejam totalmente e modestamente vestidas. Que eles nunca permitam que suas filhas usem trajes indecentes. (...)

V. As Superioras mencionadas e professores não devem receber em suas faculdades e escolas meninas vestidas indecentemente, e não devem nem mesmo abrir uma exceção no caso das mães dos alunos. Se, após a admissão, as meninas insistirem em vestir-se indecentemente, as alunas devem ser rejeitadas. (...)

IX. Donzelas e mulheres vestidas indecentemente devem ser impedidas de receber a Comunhão e de atuar como madrinhas dos sacramentos do Batismo e da Confirmação, e, além disso, se o delito for extremo, podem mesmo ser proibidas de entrar na Igreja" [5].

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[1] Responsa Nicolai I ad consulta Bulgarorum, Resposta de Nicolau às perguntas dos Búlgaros, dia 13 de dezembro de 866; PL, CXIX, 1002, MGH Epistolae VI, Berlin, 1925, pp.568-600.
[2] S.S. Pio XII, 8 de novembro de 1957, The Pope Speaks Vol. IV, No. 3, págs. 273-285.
[3] Ed Franci de Cavalieri, 1896, p. 142-144 Op. Cit. S.S. Pio XII - Alocução às meninas da Ação Católica, 6 de outubro de 1940 em Papal Teaching, The Woman in the Modern Word, St. Paul Editions (1958)
[4] Bento XV, Encíclica Sacra Propediem, 1922.
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xv/encyclicals/documents/hf_ben-xv_enc_06011921_sacra-propediem_en.html
[5] Cardeal Donato Sbaretti, Prefeito, Sagrada Congregação do Concílio, Roma, 12 de janeiro de 1930. Aprovado por Pio XI.