Santos sobre "não sou eu quem vivo, é meu superior quem vive em mim". A obediência cega, de mesmo sentir e vontade do superior


Poucos conhecem a doutrina sobre obediência aos superiores na Igreja Católica, por isso trazemos hoje textos que explicitam o assunto.

Aos poucos esclarecidos da doutrina da obediência, ainda mais nesses tempos de orgulho e exaltação da vontade própria, frases destes textos isoladamente podem soar heterodoxas.

Exemplo disso foi o fato de um grupo de pessoas acusarem a frase de um ex-membro da TFP: "Eu já não vivo, é o sr. Dr. Plínio que vive em mim" como contrária ao ensinamento católico. Este membro, agora já totalmente fora dos ideais da TFP, se referia aos votos feitos voluntariamente (não obrigatório aos membros) a Plinio Corrêa de Oliveira, fundador da TFP, em reunião privada para outros membros com os mesmos votos.


Convém ao defensor de Dr.Plinio no quesito, quando interpelado pelos acusadores, citar os textos sem mencionar os autores, não dar a entender que é de um santo, para então pedir a opinião do acusador, e depois ver a cara do sujeito quando confrontado com a dura realidade de sua pobreza doutrinal. Sem sadismo, mas com espírito cristão.


Explicação dos votos na TFP: download do livro Servitudo ex Caritate - Átila Sinke Guimarães
[negritos nossos]

Mesmo sem entender, deve-se obedecer cegamente, isto é, anular sua própria vontade


São Luis Maria Grignon de Montfort

Nas regras dos Missionários da Companhia de Maria, diz, ao n. 9 do tópico sobre a obediência: "poderão contudo declarar ingênua e simplesmente as razões que tem para deixar ou não de fazer o que se lhes manda. Mas, depois de declaradas se (...) não se tomam em conta suas razões, lhes será ordenado obedecer cega e prontamente, sem dizer por que nem como; e não somente com obediência de vontade, mas também de juízo e de entendimento, crendo, apesar de suas idéias particulares, que o que o superior proíbe ou ordena é absolutamente o melhor diante de Deus" [1]

São Francisco de Assis

"Há efetivamente muitos religiosos que, sob o pretexto de verem coisas preferíveis às que os seus superiores ordenam, olham para trás e voltam ao vômito de sua vontade própria (Lc. IX, 62 e Prov. XXVI, 11). Estes tais são homicidas e, pelos seus funestos exemplos, causam a perda de muitas almas". [2]


Ter mais fé na santidade e conhecimento do superior que se faz o voto que qualquer outro.


São Pedro Damião

Dizia o santo ao seu superior: "Olho-vos como a meu pai, como a meu dono, doutor e anjo tutelar, e tenho mais Fé em vossas luzes do que nas luzes de todos os doutores e anjos do céu" [3]


Esse superior basta que seja prudente, pacífico e experiente, não precisa ser superior de uma ordem, e pode te mandar para uma outra ordem.


São Nilo

"Quando se encontram tais mestres (homens experientes, prudentes e pacíficos), eles pedem discípulos que renunciem a si mesmos e a suas vontades próprias, e sejam sobretudo semelhantes a um cadáver, a fim de que, tal como a alma faz no corpo o que quer, sem resistência da parte deste, assim também o mestre possa pôr em ação sua ciência espiritual em seus discípulos maleáveis e obedientes" [4]

Santa Catarina de Siena

Lê-se na biografia de Santa Catarina de Siena, simples leiga, terceira dominicana, como seus discípulos, tanto mulheres como homens, fizeram votos de obediência à santa, a quem chamavam pelo doce nome de Mamma, e como ela fez uso dos poderes que lhe conferia esse voto para mandar "em nome da santa obediência", que cada qual abraçasse o estado de vida que ela ia indicando: assim, um deles (o bem-aventurado Estevão Marconi) se fez monge cartuxo, e chegou a ser Superior Geral de sua Ordem; outro se fez agostiniano. outros professaram na Ordem Dominicana, etc. [5]


Também não é necessário a aprovação da Igreja


Francisco Suárez, S.J., o Doutor Exímio (1548-1617)

"o voto de obediência (...) pode ser válido e honestamente feito a um homem bom e prudente, a quem se sujeite aquele que emite o voto, a fim de ser governado por ele; quer seja prometendo a Deus que obedecerá a tal homem, quer seja prometendo também a esse homem que o obedecerá em tudo que se refere ao bem da própria alma e ao serviço de Deus (...)"

"Também da parte da pessoa a quem é prometido a obediência, não é necessário especial aprovação ou mandato da Igreja , para que possa lícita e validamente aceitar a sujeição e obediência de outrem. (...) Para aceitar semelhante voto ou promessa não é necessário um poder especial conferido por Deus, mas basta que ponderando reta e prudentemente, se julgue que o ato é honesto e agradável a Deus; isso, com efeito, é suficiente para que se entenda que Deus aceita aquilo que um homem, escolhido para representá-lo, aceita com o fim de o servir. E não é necessário que esse representante de Deus seja um ministro público com deputação da Igreja para o exercício dessa função. mas basta que seja voluntária e prudentemente escolhido por quem emite um voto." [6]


Em resumo: mesma vontade, sentir e entendimento do superior. "Não sou eu quem vivo, é meu superior quem vive em mim".


Santo Inácio de Loyola

"Também desejo que se fixe muito em vossas almas ser muito baixo o primeiro grau da obediência, que consiste na execução do que é mandado, e que não merece o nome (de obediência), por não atingir valor desta virtude, se não se sobe ao segundo grau, que consiste em fazer sua a vontade do superior. De maneira que não somente haja execuçao no efeito, mas conformidade no afeto com um mesmo querer e não querer. Por isso diz a Escritura que: 'é melhor a obediência do que os sacrifícios' (1 Re. XV, 22), porque segundo São Gregório: 'Por outros sacrifícios mata-se carne alheia, mas pela obediência sacrifica-se a vontade própria' (Morales, C. 14, n.28, PL LXXVI, 765). (...)

"De maneira que, concluo, a este segundo grau de obediência, que é (além da execução) fazer sua a vontade do superior, isto é, despojar-se da sua e vestir-se da divina por ele interpretada, é necessário que suba aquele que à virtude da obediência queira subir.

Mas quem pretenda fazer inteira e perfeita oblação de si mesmo, ademais da vontade é mister que ofereça o entendimento (que é outro grau, e supremo, de obediência), não somente tendo um mesmo querer, mas tendo um mesmo sentir com o superior, sujeitando o próprio juízo ao seu, na medida em que a devota vontade pode inclinar o entendimento.

Pois, ainda que este não tenha a liberdade que tem a vontade, e naturalmente dá seu consentimento àquilo que se lhe apresenta como verdadeiro, todavia, em muitas coisas em que não lhe força a evidência da verdade conhecida, pode, com a vontade, inclinar-se mais a uma parte do que a outra, e nestas todo o obediente verdadeiro deve inclinar-se a sentir o que seu superior sente.

É certo, pois, que a obediência é um holocausto, no qual o homem todo, sem dividir nada de si, se oferece no fogo da caridade a seu Criador e Senhor pela mão de seus ministros; e pois é uma resignação inteira de si mesmo, pela qual se despoja de tudo, para ser possuído e governado pela Divina Providência, por meio do Superior (...)" [7]

Vidas de Santos: davam bênçãos mesmo sendo leigos, as pessoas ajoelhavam-se diante deles e osculavam-lhes os pés

Vidas de Santos: Louvavam os que os honravam, e até distribuíam relíquias de si

Santos que eram chamados de: "guia de sua época", "árbitro da cristandade", "alma da Igreja", "suporte do Papado"

Vida de Santos: Declaravam a sua missão como santa ou profética, ou mesmo se diziam predestinados

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Fontes:
Servitudo ex Caritate, Resposta a uma investida Fustra, Átila Sinke Guimarães, parecer do Pe. Antonio Lobo, O.P.
[1] Obras Completas, BAC, Madrid, 1954, p.615
[2] Os opúsculos de São Francisco de Assis, 2a. ed., Ed. Vozes, 1943, p.79
[3] EDELVIVES, El Superior Perfecto, p.25
[4] De Monast. exercit. c. XLI, in P. SEJOURNÉ , Dic. Théol. Cath., t.XV, col.3260
[5] Johannes JOERGENSEN, Santa Catarina de Siena, Ed. Vozes, Petrópolis, 1944, pp.391-392
[6] De religione, Tr. VII, lib. II, cap. XV, no 7-8, vol XV, Ed. Vivès, Paris, p.194
[7] Obras Completas, BAC, 1952, pp. 836-838