Santos veneravam como relíquias objetos simples dos servos de Deus. Curas eram obtidas

 Imagens e relíquias de entes queridos, vivos ou falecidos, avivam nosso amor e nossa devoção

De uma pequena biografia de Padre Eustáquio (1890-1943):

"É costume entre todos os povos conservar e venerar com saudosa piedade as recordações e lembranças de pessoas queridas vivas ou falecidas....restratos, bustos, escritos ou objeto de seu uso pessoal.

"As imagens e relíquias dos Santos, assim como de outros entes queridos, nos fazem lembrar essas pessoas. No-las tornam como 'presentes', 'mais perto', avivam nosso amor e a nossa devoção fazendo-nos recordar suas virtudes e boas qualidades". [1]

São Bernardo (1090-1153) usava como relíquia valiosíssima a túnica de São Malaquias

"Antes de dar sepultura aos restos de São Malaquias (arcebispo de Armagh, primaz da Irlanda, que morreu em Claraval em 1148) o Abade de Claraval (São Bernardo) tirou-lhe cuidadosamente a túnica e desde então a usou, como relíquia valiosíssima".[2]

Fragmentos dos sapatos de Frei Domingos de Valência distribuídos como benção aos doentes, logo após a sua morte

De uma vida dos Frades Pregadores, escrita por um contemporâneo de São Domingos:

"Frei Domingos de Valência, pertencente ao convento de Orthez, tendo sido enviado a pregar em Bazas, aldeia da Vascônia, depois das muitas fadigas que teve que sofrer nas pregações, nas confissões, e nas observâncias regulares, faleceu ali mesmo, no hospital dos pobres; e ele, pobre, foi sepultado entre os pobres. em seu sepulcro muitos foram curados de diversas infermidades.

"Certa irmã do hospital conservou os sapatos desse frade e os entregou a um peregrino, segundo creio, sem licença do superior da casa. Mas naquela mesma noite apareceu-lhe em sonhos o frade, procurando seus sapatos. E na mesma noite apareceu também ao peregrino, mandando-lhe que devolvesse logo os sapatos do hospital; e ele assim o fez. E os frades da casa os dividiram em fragmentos pequenos que entregaram como benção aos enfermos. E muitos ficaram curados" [3]


O Santo Cura d'Ars (1786-1859) conservava um espelho, porque nele se havia refletido o rosto do Padre Balley, que ele tinha por Santo.

"O P. Vianney chorou-o (ao Padre Balley) como a um pai. Devia-lhe tudo ! Conservou imperecível lembrança daquele santo varão. 'Tenho visto almas muito belas, afirmava ele, nenhuma porém como aquela'. Os exemplos do antigo mestre ficaram gravados tão profundamente no seu espírito, que dizia ainda nos últimos anos da vida: 'Se eu fosse pintor poderia traçar o seu perfil'. Sempre que falava nele enchiam-se-lhe os olhos de lágrimas (Irmão Jerônimo, Processo Ordinário, p.556). Todos os dias pela manhã nomeava-o no memento da missa. Até à morte o Cura d'Ars, que era tão desprendido de tudo, conservou sobre a estufa um pequeno espelho 'porque nele havia refletido do P. Balley' (P. Beau, Processo Ordinário, p. 1204)". [4]

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Fonte:
Refutação a uma Investida Frustra, 470 fichas hagiográficas em defesa da TFP, pg.63, 64 e 67
[1] Novena ao Servo de Deus Padre Eustáquio, Promoção da Família,Editora, Belo Horizonte, pp. 44-45. Com aprovação eclesiástica
[2] Fr.Ma. GONZALO MARTINEZ SUÁREZ, Bernado de Claraval, Editorial El Perpetuo Socorro, Madrid, 1964, p.555 / Imprímase: Segundo, Acebispo de Burgos, 20-7-1964
[3] GERARDO DE FRACHET, Vida de Los Frailes predicadores, in Santo Domingo de Guzmán visto por sus contemporâneos, BAC, Madrid, 1947, p.787 / Imprimatur: casimiro, Obispo Aux. y Vic.gen., 30-5-1947
[4] Cônego FRACIS TROCHU, O Cura d'Ars, Vozes, Petrópolis, 2a. ed., 1960, p.94 / Imprimatur: Luís Filipe de Nadal, Bispo de Uruguaiana, 29-6-1959