O profeta Ezequiel fala da corrupção sacerdotal, da restauração da Igreja e da vinda de um Rei, um "novo Davi"

Para entender alguns conceitos aqui expostos, sugerimos a leitura prévia: 

São João Bosco profetiza castigos contra a França e Roma. Deus lamenta os sacerdotes, mas restaurará tudo com Maria

N.Senhora do Bom Sucesso profetiza a crise na Igreja "calando-se quem deveria falar", o desprezo pela extrema unção e a eucaristia 

São João Bosco profetiza a saída do Papa de Roma, a cidade destruída, e a restauração

O profeta Daniel fala da abominação no templo, do fim das iniquidades no mundo, e de uma guerra depois da vinda de um ungido

Clique aqui para ler mais sobre Reino de Maria, Castigo, etc

Profeta Ezequiel, capítulo 34.

1-6 - Foi-me dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: Filho do homem, profetiza acerca dos pastores de Israel; profetiza e dize aos pastores: Isto diz o Senhor Deus: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si próprios ! Porventura não são os rebanhos os que devem ser apascentados pelos pastores ? Vós lhes tomais o leite, vos vetis das suas lãs, matais as reses mais gordas, mas não apascentais o meu rebanho. Não fortalecestes as ovelhas débeis, não curastes as enfermas, não ligastes os membros às que tinham algum quebrado, não fizestes voltar as desgarradas, nem buscastes as que se tinham perdido; mas domináveis sobre elas com aspereza e com prepotência. Assim as minhas ovelhas se dispersaram, por não terem pastor, tornaram-se a presa de todas as feras do campo, desgarraram-se. Os meus rebanhos erraram por todos os montes e por todos os outeiros elevados; os meus rebanhos dispersaram-se por toda a face da terra, e sem haver ninguém que os buscasse, sem haver ninguém, digo, que os buscasse.

A profecia fala em linguagem mística da Igreja, Israel no sentido simbólico. Em um plano ela fala da dispersão por toda a terra das dez tribos, e no final relaciona a vinda do Messias ao reagrupamento destas tribos em Israel, no entanto, a epístola de S.Tiago deixa claro nos primeiros versículos, as tribos ainda estavam dispersas depois do Calvário de Nosso Senhor. Então não se fala aqui da primeira vinda de Nosso Senhor no mínimo, no entanto, sustentamos que o "servo Davi" profetizado mais para frente da profecia é, em um plano de interpretação, o Grande Monarca vindouro da sexta era cristão, que falamos em outros artigos.

O duplo sentido da profecia é indicado pelo começo e final desse parágrafo, "profetiza acerca dos pastores de Israel; profetiza e dize aos pastores", depois: "sem haver ninguém que os buscasse, sem haver ninguém, digo, que os buscasse".

É profetizado a crise na Igreja, já que fala-se Dela. Então se refere ao nosso tempo, determinado para acabar na vinda do Papa Santo, o começo da sexta era (embora não acabe a crise de uma vez). É nesse crise em que os pastores procuram tratar dos seus próprios interesses, alheios ao da Igreja, negligenciando o cuidado do rebanho, não nutrindo-o com a lei de Deus. É dessa época, quando um Concílio reuniu todos eles se dizendo "pastoral", que fala o Senhor contra os pastores, confirmando a a-pastoralidade do Concílio e seus pastores.

Estes pastores aproveitam de todas as riquezas das ovelhas, todas as doações e boa vontade, e usam ao seu proveito sem apascentá-los, deixando-os para as feras do campo, as seitas heréticas, os costumes neo-paganistas. Deus coloca bem claro que os pastores falharam de todos os jeitos, acabando com as ovelhas existentes, não buscando as perdidas, não curando as enfermas, não dando doutrina paras as débeis, não ligando o osso para as em situação complicada dentro da Igreja. Então, a situação é semelhante a da dispersão das dez tribos, pois a Igreja antes era uma só "nação" no mundo com rebanho em todo lugar, agora o rebanho pertence às nações, pois a Igreja, na estrutura temporal, não forma mais uma como que "nação" só em todo o mundo. Em todo lugar que está, ela abriu a porta para as ovelhas se misturarem na nação dali, elas são assim dispersas.

Elas dispersaram-se por "toda a face da terra". Isto só pode se entender pela dispersão posterior a de Nosso Senhor, a dispersão dos judeus após a destruição de Jerusalém em 70 DC. Mas como aqueles não podem ser chamados ovelhas, pois não aceitaram a Igreja, o sentido vai para a dispersão dos fiéis católicos após a crise na Igreja. Aliás, a dispersão das tribos na quinta era antiga foi uma prefigura da crise na Igreja na quinta era cristã, assim como a reunião das tribos profetizada para uma era messiânica, virá para a sexta época cristão, quando virá o "Davi", no sentido do Grande Monarca. 

Se compreende deste modo a profecia porque em seguida Deus fala que vai punir estes pastores. Ora, puní-los com o inferno por si seria se interpretássemos aqui a segunda vinda de Nosso Senhor, quando, de fato, haverá uma conversão dos judeus por pregação de Elias e Enoch. Mas interpretamos não para esta parte da história, e sim para a relação óbvia da profecia com os fatos ocorridos na quinta era antiga, que é uma prefigura da quinta era cristã.

8-10 - Por isso, ó pastores, ouvi a palavra do Senhor: Juro, diz o Senhor Deus, que, porque os meus rebanhos foram entregues à rapina, as minhas ovelhas expostas a serem devoradas por todas as feras do campo, por falta de pastor; porque os meus pastores não buscaram o meu rebanho, mas só cuidavam em se apascentar a si mesmos, e não em apascentar os meus rebanhos; ouvi, portanto, ó pastores, a palavra do Senhor: Isto diz o Senhor Deus: Eis eu mesmo vou pedir contas a esses pastores do meu rebanho, e acabarei com eles para que nunca mais apascentem o rebanho, nem se apascentem jamais a si próprios; livrarei o meu rebanho da sua booca, e eles não lhes servirá mais de comida.

Novamente há uma dupla fala no começo pelo mesmo motivo explicado acima: "entregues à rapina, as minhas ovelhas expostas a serem devoradas". As rapinas é descuidado com os que estão dentro porque a rapina pode vir enquanto o rebanho está junto. As feras são as heresias e cismas variados. Deus vai pedir contas para todos eles, acabará a crise na Igreja, virá o Grande Castigo que falamos em outros artigos. O Papa Santo e destituirá sabiamente todos os falsos pastores, e ele fará com poder e graça de Deus, fará com instrumentos variados, com apóstolos seus escolhidos por terem mantido a Santa Doutrina.

11-16 - Porque isto diz o Senhor Deus: Eis que eu mesmo irei buscar as minhas ovelhas e as visitarei. Assim como um pastor visita o seu rebanho no dia em que se acha no meio das suas ovelhas (depois que andaram) desgarradas, assim eu visitarei as minhas ovelhas e as livrarei de todos os lugares por onde tinham andado dispersas no dia de nublado e de escuridão. Tirá-las-ei dentre os povos, juntá-las-ei de diversos países e as introduzirei na sua terra; apascentá-las-ei sobre os montes de Israel, ao longo das ribeiras e em todos os lugares habitáveis do país. Eu as levarei a pastar nas pastagens mais férteis; os altos montes de Israel serão o lugar da sua pastagem; lá repousarão sobre as verdes relvas e pastarão sobre os montes de Israel, em abundantes pastagens. Apascentarei as minhas ovelhas e as farei repousar, diz o Senhor Deus. Irei procurar as que se tinham perdido, farei voltar as que andavam desgarradas, ligarei os membros às que tinham algum quebrado, fortalecerei as que estavam fracas, conservarei as que estavam gordas e fortes e as apascentarei com justiça.

O dia nublado e de escuridão se refere ao dia da crise na Igreja, e os três dias de escuridão, quando Deus finalizará o Castigo Mundial, e as ovelhas voltarão todas em unidades por graça extraordinária de Nossa Senhora. Elas serão apascentadas sobre os "montes de Israel", porque dentre eles está o Monte Carmelo, da onde deve sair os principais instrumentos para a restauração da Igreja na sexta era. Foi mencionado "montes", porque também inclui o "monte tabor", onde Nosso Senhor se trasnfigurou, como prefigura da glória futura da Santa Igreja no Reino de Maria, isto é, a civilização após a restauração global. Por estes motivos "pastarão sobre os montes de Israel". Deus no final afirma que restaurará tudo.

17-22 - Mas vós, rebanhos meus, isto diz o Senhor Deus: Eis que julgarei entre rebanho e rebanho, entre carneiros e bodes. Porventura não vos bastava ter pastagens excelentes ? Porém vós calcastes aos pés o resto dos vossos pastos; e, depois de terdes bebido água limpidíssima, turvaste o resto com os vossos pés. Assim as minhas ovelhas tinham de se apascentar do que tinha sido pisado com os vossos pés; tinham de beber do que os vossos pés tinham turvado. Portanto isto vos diz o Senhor Deus: Eis que eu mesmo julgarei entre ovelhas gordas e ovelhas magras. Visto que vós atropeláveis com os vossos costados e ombros todas as ovelhas fracas, e (como touro) com os vossos chifres as lançáveis pelos ares, até as dispersar por fora, eu salvarei o meu rebanho, e ele não ficará exposto à pilhagem, e julgarei entre ovelhas e ovelhas.

Linda parte em que se expõe o fato profético da volta do ensinamento de toda doutrina negligenciada na crise: a doutrina tradicional. Aqui fica mais evidente a restauração da Igreja do que o juízo final.

23-24 - Suscitarei sobre elas um único pastor que as apascente, o meu servo Davi; ele mesmo as apascentará e será o seu pastor. E eu, o Senhor, serei o seu Deus; e o meu servo Davi será príncipe no meio delas; eu, o Senhor, o disse.

É o Grande Monarca que provamos em artigos pelas profecias e pela teologia da história. Por isso é um "novo Davi": ele será Rei em toda terra, fará grandes conquistas para a cristandade, ajudará na restauração, por isso é mencionado na profecia.

25-31 - Farei com elas um aliança de paz e exterminarei do país os animais ferozes; e os que habitam no deserto dormirão seguros no meio dos bosques. Pô-los-ei ao redor da minha colina para os abençoar, farei cair as chuvas a seu tempo e serão chuvas de bênção. As árvores do campo darão o seu fruto, a terra dará o seu germe, as minhas ovelhas habitarão sem temor no seu país; elas saberão que eu sou o Senhor, quando eu tiver quebrado as cadeias do seu jugo e as tiver arrancado das mãos daqueles que as dominavam; e não serão mais a presa das nações, nem os animais da terra as devorarão, mas habitarão com toda a segurança, sem terem nada que temer. Farei brotar para elas uma vegetação de grande nomeada; não tornarão a ser consumidas pela fome sobre a terra, nem trarão mais sobre si o opróbio das nações. Saberão que eu, o Senhor seu Deus, estarei com eles, e eles, os da casa de Israel, serão o meu povo, diz o Senhor Deus. Vós, porém, rebanhos meus, vós, os rebanhos da minha pastagem, sois homens, e eu sou o Senhor vosso Deus, diz o Senhor Deus.

A "aliança de paz" é a aliança de uma paz como nunca antes existiu, é a paz universal do Reino de Maria. Deus exterminará, para a vinda dela, os "animais ferozes", isto é, as heresias, pois só assim haverá paz, a tranquilidade da ordem, com uma só fé no mundo. Dormirão seguros no deserto pois até as zonas menos habitadas serão católicas. Elas "habitarão com toda a segurança", isto é, as suas nações, mas não dispersas da Doutrina. Aqui, no sentido da habitação na terra, fica clara que a passagem se refere a uma paz na terra. E novamente as duas frases finais da profecia se repetem, porque querem significar a conversão dos judeus no fim do mundo, da "casa de Israel", e dos "rebanhos meus", os membros da Igreja. De fato, também na conversão das nações no Reino de Maria estão inclusos os judeus, de modo que é possível tomar a conversão dos judeus por Elias no fim do mundo como a conversão do povo que voltará a praticar a falsa religião judaica por obra do anti-Cristo, ou a conversão de um povo que somente habitará Israel mas perverter-se-á pelo mesmo anti-Cristo, ou outra coisa que tenha somente um simbolismo disso.