O profeta Baruc fala da conversão da China e do mundo, da reunião das tribos de Israel, e do castigo dos ímpios

Santo profeta Baruc, rogai por nós!

Anterior deste capítulo: O Profeta Sofonias fala do extermínio dos maus sacerdotes, a queda das torres altas. As casas dos ímpios "converter-se-ão num deserto"
 

Outras leituras prévias:
Hipótese Teológica da divisão das Eras da Igreja, em parte segundo S. Agostinho e S. Boaventura

As dez tribos perdidas de Israel: o retorno destas nas profecias (parte 3). Hipótese Teológica.

A Teologia da História prova a vinda do Castigo Mundial ou Bagarre, por Plinio Corrêa de Oliveira em 1971.

Clique aqui para ler mais sobre Reino de Maria, Castigo Mundial, Papa Santo

Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados (Vol. I, parte I, 3a edição, Cap. IV)".

Baruc, capítulo IV, 30-36 - Tem bom ânimo, ó Jerusalém, porque te encoraja o que te deu o nome. Os malvados que te vexaram, perecerão; os que se congratularam na tua ruína, serão punidos. As cidades em que foram escravos os teus filhos serão castigadas; será castigada a que os deteve. Porque, assim como ela se regozijou na tua ruína e se alegrou na tua queda, assim se contristará na tua desolação. Será cortada a algazarra da sua multidão e a sua jactância se converterá em pranto. Porque o fogo lhe sobrevirá da parte do Eterno por largos dias, e pelos demônios será habitada durante muito tempo.

Esta profecia trata da volta das tribos perdidas à Israel. No entanto, isso nunca aconteceu, nem depois do Calvário de Nosso Senhor, como atesta S. Tiago Menor no começo de sua epístola. Nossa interpretação é que a volta das tribos simbolizava a conversão das nações, isto é, o Reino de Maria, a plenitude da civilização cristã na terra, conforme tratamos nos capítulos anteriores. Sobre as dez tribos perdidas e o retorno destas, tratamos no capítulo III.


Ora, o Reino de Maria, para ser instaurado, requer que a sociedade, na presente situação, passe por uma purificação, como sustentamos em vários artigos, onde também mostramos, por teologia da história, que virá esse Reino. Esta purificação é um grande castigo, e por isso, as nações que viram a ruína da Igreja, "que se congratularam na tua ruína [a Igreja é representada por Jerusalém aqui], serão punidos".

"As cidades em que foram escravos os teus filhos serão castigadas", isto é, o mundo todo será castigado, pois, como mostramos em artigos anteriores, as tribos perdidas se misturaram com todas as nações, dispersaram-se por toda terra, e atualmente vemos somente vestígios de uma ou outra tribo, e de restos de judaísmo sem saber de qual tribo vieram.

"Será cortada a algazarra da sua multidão e a sua jactância se converterá em pranto": parece, então, e mais ainda devia parecer ao israelita da época, que a reunião das tribos seria total e não demoraria muito o fim do exílio, de modo que aquelas nações, inclusive o império da Babilônia, seria destruída para dar lugar a esta reunião. Mas não foi assim, como a história atesta. O império não foi tomado pelos israelitas, e sim pelos persas, então, terminou o exílio sob Ciro, rei dos persas. Mas só o reino do sul de Israel voltou à terra prometida. O exílio feito pelos assírios no reino do norte não terminaria e não terminou, pois as dez tribos permaneceram perdidas. Deste modo, a profecia podia enganar as pessoas da época. A interpretação correta, cremos, é que o império neo-pagão da luxúria e impureza, o qual se estende hoje por todas as nações, será quem chorará depois da algazarra e da jactância. Esse império é um império de uma mentalidade anti-Católica, anti-Israel no sentido simbólico do profeta, que falava da Israel mística, a Israel depois de Cristo, a Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

Então, o fogo virá como em Sodoma e Gomorra, pois a mentalidade do pecado contra a natureza está nesse império, e porque o Castigo lembrará o castigo àqueles povos antigos, como diz Nosso Senhor no Evangelho, conforme já analisamos neste capítulo.

"Pelos demônios será habitada durante muito tempo", por causa da extensão temporal do Castigo, mas não no sentido de séculos ou décadas, dado que nos parece que o Castigo (a Bagarre anunciada pelo Papa Santo, conforme hipotetizamos no capítulo III) só ocorrerá até as nações perecerem, como essa profecia deixa entender.

Adendo da 3a edição: elaboremos melhor a última frase do último parágrafo da edição anterior. De fato, no final dos versículos acima há palavras que significam tempos: "largos dias" e "muito tempo". Se não sabemos o que significam estes adjetivos, sabemos que o versículo também cita o "Eterno": parece-nos uma citação intencional que visa contrastar com os adjetivos que, portanto, não significam eternidade. Ademais, "largos dias", dentro do contexto desses versículos, lembra algo os quarenta dias no deserto e outros contextos de largos dias bíblicos, pois não trata-se do mesmo contexto de "Abraão morreu cheio de dias", pois "dias" aqui estão no contexto de uma vida. Assim, "muito tempo" parece ser uma extensão desses largos dias. Entretanto, o adjetivo "muito" e seu contexto não nos deixa entrever nada, mas se for "décadas" não contradirá essa dimensão interpretativa, pois a reconstrução do mundo, após a Bagarre, não será necessariamente rápida. Afinal, os demônios só deixarão de habitar muitos lugares anterior depois da reconstrução. 


36-37 - Olha, ó Jerusalém, para o oriente, e vê o regozijo que te vem de Deus. Pois eis aí vem os teus filhos, os que enviaste dispersos; vem congregados do oriente até o ocidente, segundo a promessa do Santo, louvando a Deus com alegria.

A conversão do mundo para a Igreja, principalmente da China, que vem do Oriente, conforme as profecias que vimos no capítulo V e neste capítulo. Porém, não só o Oriente se converterá: virão do "oriente até o ocidente" segundo a profecia. Também reforçam essa noção a oração profética de Nosso Senhor na Cruz sobre a conversão das nações, como tratamos no começo deste capítulo.

Capítulo 5, 1-4 - Tira, ó Jerusalém, os vestidos do teu luto e da aflição e enfeita-te de gala e da magnificência daquela glória sempiterna, que te vem de Deus. Deus revertir-te-á do manto duplo da justiça, e porá sobre a tua cabeça um diadema de eterna honra. Porque Deus mostrará em ti seu resplendor a todo aquele que está debaixo do céu. Porque o nome, que Deus te imporá para sempre, será: Paz da justiça, e glória da piedade.

Jerusalém, símbolo da Igreja, será coroada com a eterna honra, e com o manto duplo da justiça, isto é, a justiça de ser Corpo Místico de Cristo e de ser a inspiradora da mais avançada civilização já existente na terra, o vindouro Reino de Maria, "porque Deus mostrará em ti seu resplendor a todo aquele que está debaixo do céu", isto é, todos conhecerão a glória da Igreja, todos serão católicos, pois pouquíssimos se perderão.


5-9 - Levanta-te, ó Jerusalém, e põe-te no alto e olha para o oriente e vê teus filhos congregados, desde o sol levante até ao poente, em virtude da palavra do Santo, cheios de alegria, porque Deus se lembrou deles. Saíram de ti a pé levados pelos inimigos; mas o Senhor os trará a ti conduzidos com honra, como filhos do reino. Porque Deus determinou aplanar todos os montes altos e os rochedos eternos, e encher os vales para igualarem com a terra, a fim de que Israel ande com diligência para glória de Deus. Assim os bosques, como todas as árvores de suave fragância, farão uma sombra agradável a Israel por ordem de Deus. Porque Deus conduzirá Israel com júbilo à luz da sua majestade, com a misericórdia e a justiça que dele vem.

"Olha para o oriente e vê teus filhos congregados", novamente no sentido já dado, " desde o sol levante até ao poente", isto é, toda a terra. Essa passagem fala das glórias de uma grande Civilização Cristã mundial, ao mesmo tempo em que fala, em outra dimensão interpretativa, da Igreja Triunfante no céu.



Próximo deste capítulo: O profeta Zacarias fala do extermínio das nações e da restauração, quando o resto delas virão para adorar o Senhor