Syllabus D.Mayer: elogiou o Concílio, assinou as atas progressistas, por causa da TFP virou bispo, mas virou inimigo e acabou excomungado

O "Leão" de Campos em 1966: "Chega o tempo de realizarmos na vida prática os decretos do II Concílio Vaticano, para a glória de Deus". Na foto, com João Paulo II e Pe.Rifan


Este artigo prova que todas as posições boas e tradicionalistas, e quase toda sua notoriedade, e até mesmo sua indicação à Bispo de Campos, tem como causa direta ou indireta a influência de Plinio Corrêa de Oliveira. Em seguida, provamos como o distanciamento deste varão católico e da TFP, levou a eventos e uniões lamentáveis, e um legado hoje inexistente, a exemplo de "pelos frutos, conhecerei".

Nossa compilação (Syllabus) de fatos muitas vezes pouco conhecidos sobre Dom Mayer, espelhando o grande documento, do mesmo nome, de Pio IX sobre os erros de seu tempo.

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Como padre, seu primeiro cargo de destaque é ser assistente eclesiástico do Legionário, jornal dirigido e feito famoso por Dr.Plinio

"Em 6 de Agosto de 1933, Plínio Corrêa de Oliveira foi convidado a assumir a direção do Legionário, que naquele mesmo mês se tornou órgão oficioso da Arquidiocese de São Paulo. A publicação não era destinada ao grande público, mas ao movimento católico, a fim de lhe proporcionar orientação doutrinal e operativa. Foi no interior destes ambientes, do norte ao sul do país, que logo se estendeu a vigorosa influência do semanário. 

Plínio era o autor dos artigos de fundo e da coluna "À margem dos factos", que depois tomou o nome "7 dias em revista". Reuniu em torno de si uma equipe de valorosos colaboradores, entre os quais dois jovens Sacerdotes destinados a tornar-se figuras de primeiro plano do Clero brasileiro: o P. António de Castro Mayer, assistente eclesiástico do jornal, e o P. Geraldo de Proença Sigaud, S.V.D (...). Sob o impulso do dinâmico diretor, em 1936 o jornal transformou-se de quinzenário de duas folhas em semanário de oito páginas, e de simples boletim paroquial passou a ser a voz católica mais influente no país". ("O Cruzado do Século XX: Plinio Corrêa de Oliveira", Roberto de Mattei, Cap II, 4).

Em seguida, por ser próximo de Dr.Plinio, quando este é nomeado presidente da Ação Católica, ganha o cargo de assistente geral deste movimento, que reunia todas as forças do laicato católico de São Paulo


"Alguns meses depois, faleceu o Arcebispo de São Paulo. O seu sucessor, D. José Gaspar de Affonseca e Silva, representava um tipo humano muito diverso (...), o modo de D. José Gaspar tratar as pessoas era afável e atraente. Conhecer o seu verdadeiro modo de pensar e interpretar as suas opções, frequentemente inspiradas em forte senso político e diplomático, nem sempre era fácil. As suas primeiras atitudes não deixaram de suscitar surpresa. Em 11 de Março de 1940 confiou a Plínio Corrêa de Oliveira o mais prestigioso dos encargos: o de Presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica. No mesmo período, o Padre António de Castro Mayer foi nomeado Assistente Geral da Ação Católica de São Paulo, enquanto o Padre Geraldo de Proença Sigaud foi designado assistente arquidiocesano da Juventude Estudantil, masculina e feminina. Plínio Corrêa de Oliveira tomava assim em mãos a direção de todas as forças do laicato católico de São Paulo, que então compreendia as organizações estudantis, os homens e as mulheres da Acção Católica e as associações auxiliares como as Pias Uniões, as Ordens Terceiras e as Congregações Marianas" ("O Cruzado do Século XX: Plinio Corrêa de Oliveira", Roberto de Mattei, Cap.III, 6).

Ganha o cargo de Vigário-Geral da Arquidiocese de São Paulo por intervenção do Núncio Apostólico em favor do livro de Dr.Plinio, então em preparação

"Entretanto, Plínio Corrêa de Oliveira quis levar a sua obra até às suas últimas consequências. Decidiu assim escrever um livro em defesa da Ação Católica, oferecendo um cuidadoso diagnóstico dos males que a afligiam.

Estes males não eram ignorados pelo Núncio Apostólico no Brasil, D. Bento Aloisi Masella, que há tempos observava e apreciava Plínio Corrêa de Oliveira, embora não o conhecesse pessoalmente. Enviou-lhe como emissário da sua confiança o jesuíta italiano Cesare Dainese, então reitor do Colégio Loyola de Belo Horizonte, o qual preparou o caminho para um encontro com o Núncio. O colóquio teve lugar pouco depois, no Rio de Janeiro. O Núncio era um homem de sessenta anos, de atitude reservada e perfeita compostura diplomática. Ouviu em silêncio a exposição do presidente da Ação Católica paulista, animou-o tacitamente e encarregou o Padre Dainese de manter relações com ele. Pouco depois o Padre António de Castro Mayer foi promovido a Vigário-Geral da Arquidiocese de São Paulo. A intervenção da nunciatura era evidente e constituía um apoio ao projeto do Prof. Plínio, o qual mergulhou no estudo dos documentos para concluir, quanto antes, a redação da sua obra" ("O Cruzado do Século XX: Plinio Corrêa de Oliveira", Roberto de Mattei, Cap.III, 6)

Elogia livro de Plinio Corrêa de Oliveira, ao qual conferiu o imprimatur. Este livro foi elogiado por Pio XII posteriormente

D.Mayer elogia o livro "Em Defesa da Ação Católica" de 1943:

"Não obstante, “habent sua fata libelli”. Especialmente os que tratam de questões candentes, os que denunciam o avanço sorrateiro, mas firme, da Revolução. Diga-o o grande publicista espanhol, D. Felix Sardá y Salvany. Num tempo em que o liberalismo dominava soberano, ousou o Padre catalão dizer a verdade como a ensinam os Papas. Esscreveu um opúsculo, “El Liberalismo es Pecado”. Foi alvo de virulento ataques dos católicos de tendência liberal (...)

“Em Defesa da Ação Católica” também agitava as águas onde pescavam tranquilamente os fautores da Revolução. Foi alvo de murmúrios e de campanha surda mas implacável e generalizada. E não de uma refutação pública, que parecia impossível (...)

Os companheiros de luta, porém, não se dispersaram. “Catolicismo” se honra em ter entre seus colaboradores mais brilhantes e assíduos, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Nas colunas do mensário de Campos, precisamente como comemoração do seu centésimo número, publicou ele o ensaio “Revolução e Contra-Revolução”, com que desce ao fundo da luta que se travou em torno de “Em Defesa da Ação Católica” (...)” (Revista Catolicismo, Junho de 1963, no.150. Link: http://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0150/P02-03.html)

É expulso de seu cargo de prestígio e jogado no exílio, por estar junto de Dr.Plinio

"D. Carlos Carmelo, cuja visão era oposta à do Legionário, tinha, por outro lado, um temperamento muito diverso do seu predecessor: não era homem de meios termos e encarou a situação de frente. Impôs à equipe do Legionário um "armistício" como desaprovação para os seus dirigentes. Plínio Corrêa de Oliveira perdeu o seu cargo de presidente da Ação Católica; o Padre António de Castro Mayer, vigário-geral da Arquidiocese, foi removido para o bairro de São José do Belém, como simples vigário ecônomo; o P. Geraldo de Proença Sigaud foi enviado para a Espanha. Seguiu-se uma tempestuosa campanha de difamação, da qual o Prof. Plínio e os seus amigos não puderam defender-se publicamente, por causa do "armistício" imposto pelo Arcebispo. Por fim, em Dezembro de 1947, Plínio Corrêa de Oliveira foi afastado da direção do Legionário. No número de 29 de Fevereiro de 1948, apareceu um editorial com o título "Legionário em terceira fase", em que se anunciava o início de uma "nova fase" na existência do semanário, resumida no mote final do artigo, não assinado: "Incipit vita nova". Nem uma palavra sobre Plínio Corrêa de Oliveira, que havia dedicado ao Legionário, com imensa generosidade, quinze anos da sua vida. No mesmo ano, D. Hélder Câmara assumiu o cargo de assistente eclesiástico da Ação Católica Brasileira. A atmosfera tinha mudado profundamente". ("O Cruzado do Século XX: Plinio Corrêa de Oliveira", Roberto de Mattei, Cap.III, 8)

É sagrado Bispo por causa de Dr.Plinio, porque Pio XII alegrara-se com o livro-denúncia de Dr.Plinio e seu Grupo, e mandou sagrar ele e o Pe. Sigaud, padres mais próximos. O elogio ao livro veio pouco depois

"Em Janeiro de 1947 chegou, imprevista e inesperada, a notícia da elevação do P. Proença Sigaud a Bispo de Jacarezinho. Poucos meses depois, o P. António de Castro Mayer foi nomeado coadjutor de D. Octaviano Pereira de Albuquerque, Arcebispo de Campos. Os dois sacerdotes, postos de lado por causa do apoio dado ao grupo de Legionário e ao livro "Em Defesa da Ação Católica", viam-se agora honrados com uma manifestação de confiança da Santa Sé, que parecia ter o significado de uma reparação("O Cruzado do Século XX: Plinio Corrêa de Oliveira", Roberto de Mattei, Cap.III, 9).

Conta Dr.Plinio em artigo do Jornal Folha de S.Paulo: "Contra todas as expectativas, outra alegria nos esperava no ano seguinte. Ao chegar eu, numa noite de Março de 1948, à nossa catacumba, um amigo esperava-me à porta, efervescente de júbilo. Contou-me que o Cônego Mayer, que passara durante a tormenta do alto cargo de vigário-geral da Arquidiocese para vigário do distante, e aliás tão simpático bairro de Belenzinho, acabava de nos comunicar a sua nomeação para Bispo-coadjutor de Campos. É inútil dizer com que exultação fomos no mesmo instante felicitá-lo" ("Nasce a TFP" in Folha de S. Paulo, 22 de Fevereiro de 1969. Link: http://www.pliniocorreadeoliveira.info/FSP%2069-02-22%20Nasce.htm).

Toma como brasão o Leão já usado pelo Grupo do Plinio, posteriormente TFP
Primeiro estandarte da TFP, anos 40

Na imagem ao lado se vê o primeiro estandarte da TFP, ainda presente na Sede do Reino de Maria, em São Paulo. É posse dos fundadores da TFP, que fizeram desta sede a sede do IPCO (Instituto Plinio Corrêa de Oliveira). Ora, esse estandarte é anterior ao brasão de D.Mayer (imagem abaixo) e foi abandonado por ter as chaves do Papado, por estas não poderem ser usadas por uma entidade civil. Uma das provas de que anterior ao brasão do Bispo de Campos, sendo símbolo do "Grupo do Plinio", além do testemunho do próprio abaixo, é o fato de D. Mayer nunca ter reclamado, depois de ter se distanciado da TFP, que ela era meramente um suporte dele e por isso tinha tomado o brasão dele como referência. Do mesmo modo, nem Dr.Plinio, nem a TFP nunca se pronunciaram sobre a origem e simbolismo do Leão usado pela Associação aludindo ao Brasão episcopal de D. Mayer.

"Nós estávamos instalados na Rua Martim Francisco, e queríamos pôr na capelinha de lá (era uma saleta) um estandarte que representasse o grupo. Então imaginamos aquele estandarte, e havia uma freira dominicana francesa que pintava muito bem e era simpática a nós, e pedimos a ela que pintasse o modelo daquele estandarte. Com base no modelo daquele estandarte, pedimos a uma senhora que costurasse, e ela fez aquele estandarte que está lá. Está desfigurado, a poluição passou sobre ele, ele não é senão um resto. Muitas pessoas me recomendaram queimar esse estandarte, mas eu me recusei tenazmente, porque é o primeiro estandarte" (Reunião Santo do Dia, 4 de Janeiro de 1986). Como Dr. Plinio diz em um livro de relatos autobiográficos, o aluguel da sede da Martim Francisco tinha a intenção de salvar ao Grupo um lugar de reunião, quando viesse a perda da direção do Jornal "O Legionário", o que veio, como acima mencionado, em dezembro de 1947, quatro meses antes da nomeação de Dom Mayer para bispo (Minha Vida Pública, Parte V, Cap. XIII, 1, 2. Link: http://www.pliniocorreadeoliveira.info/Minha_Vida_publica/MVP_08_Dom_Jose_Gaspar_e_Dom_Carlos_Carmelo.htm#_ftnref307).

Brasão de D.Mayer

Vira o laranja de Dr.Plinio na Revista Catolicismo: aparece como fundador, mas quem dirige o mensário é Dr.Plinio (entretanto, Dom Mayer podia escrever o que quisesse ali)

Dr.Plinio no livro que contém seus relatos auto-biográficos: "Daí veio a idéia de lançarmos um jornal e começarmos a expandi-lo pelo Brasil afora.

Dom Mayer, mediante solicitação nossa, fundou o mensário Catolicismo, que ele nos entregou para dirigir e constituir o corpo de redatores. Era o Legionário aparecendo sob outro nome e sustentando posições absolutamente idênticas. Era editado em Campos e impresso em São Paulo" (Minha Vida Pública", 2015, Parte IV, Cap.III, 2).

Tem suas cartas pastorais divulgadas pela TFP, o que faz sua fama no Brasil todo

Segundo livro da história da TFP publicado em 1988, até aquele ano a Carta Pastoral sobre os Cursilhos de Cristandade, de D. Antonio de Castro Mayer, "mobilizou 120 sócios e cooperadores que, agrupados em treze caravanas, percorreram, de dezembro de 1972 a março de 1973, 1238 cidades dos mais diversos pontos do País.

Três edições consecutivas da Pastoral (21 mil exemplares) esgotaram-se rapidamente, bem como quatro tiragens sucessivas (72 mil exemplares) do nº 264 de “Catolicismo”, o qual estampava o texto integral do documento. Assim, 93 mil exemplares da Pastoral foram vendidos em todo o Brasil.

Já a Carta Pastoral Pelo casamento indissolúvel foi divulgada pela TFP conseguindo "duas edições, num total de cem mil exemplares", que "se escoaram em um mês de campanha" (Um homem, uma obra, uma gesta – Homenagem das TFPs a Plinio Corrêa de Oliveira, Cap.III, 1988).

Novamente, Dr.Plinio usa o nome e autoridade do bispo de Campos para lançar best-seller: "Reforma Agrária: questão de consciência". D.Mayer só revisou e assinou, não escreveu nada

"Em 10 de Novembro de 1960, um grande manifesto, publicado na primeira página dos mais importantes jornais do Brasil anunciava o lançamento do livro de Plínio Corrêa de Oliveira: "Reforma Agrária, Questão de Consciência". A primeira parte da obra devia-se ao próprio Prof. Plínio, que submeteu o texto à apreciação de D. António de Castro Mayer e a D. Geraldo de Proença Sigaud, respectivamente Bispos de Campos e de Jacarezinho, a fim de que o examinassem do ponto de vista teológico e o assinassem juntamente com ele. Ao economista Luiz Mendonça de Freitas devia-se a segunda parte da obra, de natureza estritamente técnica". A obra obteve 10 edições em 6 países e 40 mil exemplares ("O Cruzado do Século XX: Plinio Corrêa de Oliveira", Roberto de Mattei, , Cap.V, 4).

Assina os documentos progressistas do Concílio Vaticano II, não apoiando as direções de Dr.Plinio


Conta o bispo lefebvrista Tissier de Mallerais, tentando abafar a situação: “a adesão de Mons. Lefebvre e de Mons. Castro Mayer ficou oficialmente registrada nas Acta do Concílio. Se, posteriormente, Mons. Lefebvre afirmou várias vezes não ter assinado a liberdade religiosa nem a Gaudium et Spes, fê-lo impelido pela lógica da sua anterior e posterior oposição à promulgação da liberdade religiosa, enganado pela sua memória ou por algum erro.” (Mons. Marcel Lefebvre. Una vita, tr. It Tabula Fati, Chieti, 2005 pp. 359-360, pp.357-360).

Sabemos, pelos artigos que publicamos antes, que Dr.Plinio não só profetizou a tragédia conciliar, mas tentou fazer com que os bispos amigos, D.Mayer e D.Sigaud, saíssem do Concílio com uma estratégia que teria mudado a história da Igreja, o que eles não quiseram fazer.

Defende que se viva os decretos do Concílio Vaticano II, sustenta que darão vigoroso impulso ao apostolado leigo. E para desgosto de Dr.Plinio, faz tudo isso na Revista Catolicismo


Por mais que Dr.Plinio seja a cabeça de "Catolicismo", não se podia negar um artigo que D.Mayer resolvesse publicar, já que este era o encarregado eclesiástico do mensário. Já refutamos antes todas as tentativas de fazer crer que Dr.Plinio foi favorável ao Concílio, antes, durante ou depois dele

"Felicitamos, portanto, todos os nossos dedicados colaboradores que, de modos os mais variados, contribuem para manter nosso mensário, e os exortamos a prosseguir no caminho traçado, agora ainda com mais ardor, quando chega o tempo de realizarmos na vida prática os decretos do II Concílio Vaticano, para a glória de Deus, esplendor de sua misericordiosa revelação, grandeza de sua Igreja e salvação eterna de seus filhos" ("Catolicismo completa quinze anos de vida". Revista Catolicismo, Janeiro de 1966. Grifos nossos. Link: http://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0181-182/P02-03.html).

Passa a criticar o Concílio e suas partes heterodoxas, obviamente por influência de Dr.Plinio, dado a proximidade, o intercâmbio mútuo e o fato de que este sempre foi crítico do evento

Até no máximo outubro de 1973 o Bispo de Campos já entendia os problemas no Concílio, pelo que vemos na carta a Paulo VI, transcrita abaixo e datada de janeiro de 1974. Em algum ponto entre 1966 e essa data Dom Mayer mudou de opinião.

Apoia e divulga livro de membro da TFP (Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira) sobre o problema da missa nova

"Campos, 25 de janeiro de 1974

Beatíssimo Padre

Prostrado respeitosamente aos pés de Vossa Santidade, peço vênia para submeter-lhe à consideração os estudos que seguem com a presente carta.

O envio destes estudos é feito em obediência à ordem de Vossa Santidade transmitida por carta do Eminentíssimo Cardeal D. Sebastião Baggio ao Eminentíssimo Cardeal D. Vicente Scherer, da qual este último me deu ciência oralmente (...).

Em 15 de outubro último, tive a honra de escrever a Vossa Santidade, afirmando meu filial acatamento a tais ordens.

Entre estas, estava a de que, dada a eventualidade de “em consciência não estar eu de acordo” com “atos do atual Magistério Ordinário da Igreja”, “manifestasse livremente à Santa Sé” meu parecer. É o que faço com toda a reverência devida ao Augusto Vigário de Jesus Cristo, ao entregar a Vossa Santidade os três estudos anexos. (...)

3. Sobre o novo “Ordo Missae”.
(Esse último de autoria do advogado Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, a cujo conteúdo me associo). (...).

Suplicando queira Vossa Santidade conceder-me, como à minha Diocese, o precioso benefício da Bênção Apostólica, sou de

Vossa Santidade
Filho humilde e obediente.
+ Antônio de Castro Mayer
Bispo de Campos (Link: http://www.arnaldoxavierdasilveira.com/).

Encontra-se com João Paulo II por volta de 1981. Volta dizendo que é "o Papa do Reino de Maria"

Conforme membros da TFP daquela época, o Bispo, em auditório da associação assim contou sua impressão do encontro com o Papa. Coisa que não se duvida quando se analisa as faces na foto acima: D.Mayer e Pe.Rifan parecem encantados com João Paulo II. Obviamente, sabe-se pelo testemunho dos discípulos de Dr.Plinio, como este, por sua vez não acreditou nem um pouco nas palavras de seu amigo Bispo.

Depois de 40 anos de união, por volta de 1983, rompe com a TFP acusando-a de seita herética e anti-clerical


Em carta publicada posteriormente em Jornal, o Bispo de Campos reclama do "anti-clericalismo" da TFP, que a faz ser "uma seita herética", embora tenha sido sagrado bispo por apoiar o livro de Dr.Plinio que defendia precisamente a hierarquia eclesiástica contra o igualitarismo anti-hierárquico em 1943 (Jornal campista Folha de Manhã em 1991, sendo o texto original datado de 1984. Tradução da versão de Le Sel de la Terre, nº 28, de 1999, pelo site "Fratres in Unum", que depois o retirou do site, mas até a publicação deste artigo, não afirmou discordar da carta).

Em outra carta particular, criticou a ortodoxia da TFP sobre o culto particular, e recebeu resposta da TFP, por ter sido a carta publicada por O.Fedeli quando veio a atacar Dr.Plinio e sua obra, na qualidade de ex-membro ("Refutação a uma investida frustra Vol.I", A.S.Guimarães, G.A.Solimeo, com parecer do teólogo Pe.Victorino Rodríguez, O.P., 1984).

Junta-se a D.Lefebvre e rompe com João Paulo II e a hierarquia eclesiástica, sagrando bispos e recebendo excomunhão automática ratificada pelo "Papa do Reino de Maria" em suas palavras antigas


Notoriamente, no ano de 1988, é co-sagrante nas sagrações de Êcone, Suiça, onde quatro padres da FSSPX viraram bispos contra a autoridade Papal, que é lesgiladora e ao mesmo tempo a fiel intérprete do Direito Canônico (segundo o próprio CDC), no qual depois das sagrações os defensores dela disseram estar amparados por interpretação própria, alegando "estado de necessidade" ou "a salvação das almas é a lei suprema", conceito até então aplicado por teólogos somente para sacramentos "in articulo mortis", quando visam restituir a condição essencial para a salvação, isto é, a vida de graça nas almas mortas pelo pecado. Nessa condição, até um leigo pode batizar, e um padre a-católico pode conferir extrema unção.

Desencanta com D.Marcel Lefebvre por causa do maurrasianismo sectário e vai fundar seu grupo com os chamados "padres de Campos", a hoje conhecida Adm.Apostólica S.João Maria Vianney


Há outras provas, mas basta o relato de Orlando Fedeli, outro adversário da TFP que rompeu com ela após 30 anos: "Conhecemos, de longa data, --e muito -- a Fraternidade Sacerdotal São João Maria Vianey, agora reconhecida pela Santa Sé como Administração Apostólica.

Fomos amigos de Dom Mayer, e, durante muitos anos, cooperamos com os "Padres de Dom Mayer", como eram chamados.

Eram Padres simples, sem muita formação doutrinária e com um apostolado mais sentimental do que doutrinário.

Eles se envolveram com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X de Dom Lefebvre. Dom Mayer, apesar de apoiar Dom Lefebvre, não quis unir-se oficialmente aos Lefrevistas, pois sabia de certas tendências nacionalistas e Maurrasianas que havia lá. Mas os apoiou na questão da defesa da Missa Tridentina" (Carta "Administração Apostólica S. João Maria Vianey, de Campos", de 02/06/2003. Link: http://www.montfort.org.br/bra/cartas/polemicas/20040820234404/).

Morre e poucos anos depois, este grupo de padres de Campos sai do cisma, mas D.Rifan, sucessor de D.Mayer, passa a criticar quem critica a missa nova e o Concílio. A "obra" de D.Mayer cai por terra: "pelos frutos conhecerei".

O Pe.Rifan é quem articula a volta para a Igreja, em nome de D.Licínio Rangel, sucessor de D.Mayer. Depois o Pe.Rifan, sucedendo D.Licínio como bispo e líder da União Sacerdotal S.João Maria Vianney, agora não mais cismática, passa a ter uma posição bi-ritualista e favorável ao Concílio Vaticano II. Não precisamos provar isso já que é notório.

Triste fim: nem sequer é citado no documento de "levantamento" da excomunhão dos bispos que sagrou conjuntamente, o que refuta a tese de que o levantamento foi um "mea culpa" do Vaticano

Por fim, no decreto do Cardeal Giovanni Re da Congregação dos Bispos, feito com aval de Bento XVI, não são sequer mencionados D.Marcel Lefebvre e D.Antônio de Castro Mayer, e assim nenhuma afirmação de que foram excomungados injustamente com alguns dizem ter visto no documento. Então, qual era a intenção do "levantamento"? O decreto deixa claro: "Espera-se que este passo seja seguido pela solícita realização da plena comunhão com a Igreja de toda a Fraternidade São Pio X"*. Sabendo que também os cismáticos russos são considerados fora da "comunhão plena" pelo mesmo Papa Bento XVI, o qual até lamentou as excomunhões deles e disse que amava a igreja deleso que não fez no caso dos lefebvristas, entende-se claramente como o conceito é uma palavra-talismã em prol do ecumenismo: não se fala mais de "cismático", mas de "sem plena comunhão". Em suma, o levantamento é um ato simbólico ecumênico onde se "desexcomunga" para dizer em seguida, nos termos ecumênicos, que continua excomungado. A intenção não se julga, mas a consequência é clara: confusão na Igreja, fama de conservador ao Papa alemão, e como o progressismo não acredita que é pecado comungar em Igreja a-católica, aplicar o princípio ao caso aumentando o sacrilégio no mundo. 

Além disso, o ato simbólico verifica-se já no começo do decreto, onde se diz que o então superior dos bispos da FSSPX pediu o levantamento da excomunhão, como se o mesmo acreditasse que realmente estava excomungado. Se o pedido é verídico ou não, o certo é que na visão deles, ao invés disso, devia-se pedir o reconhecimento da excomunhão como inválida e injusta desde o princípio. É de se perguntar a um lefebvrista defensor da veracidade do documento se ele também é verdadeiro quando afirma que Dom Fellay acreditava na sua excomunhão, e consequentemente na dos bispos sagrantes, dado que pediu o levantamento destas todas.


*Link: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cbishops/documents/rc_con_cbishops_doc_20090121_remissione-scomunica_po.html

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