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Esclarecimentos sobre este site e seus autores, tendo em vista as citações do mesmo pelo brasilianista Georg Wink


*Consertado os hiperlinks daqui para a página "quem somos".

Novamente, este site é citado por autor estrangeiro membro de um revolucionário observatório internacional, o qual se intitula brasilianista (outrora estrangeiros imparciais e menos subjetivos, e que até criticavam brasileiros de esquerda com fontes e documentos do que realmente houve na história do Brasil, como Stuart B. Schwartz).

Uma outra publicação estrangeira que cita este labor, e a qual noticiamos pela abundância de documentos inéditos, foi até mesmo citada por esta que há pouco nos chegou ao conhecimento. Veja:

Historiador americano narra, com fartas fontes e citando este labor, o profetismo de Dr. Plinio no Concílio Vaticano II

Aproveitando o ensejo da nova publicação, dispomos aqui certos esclarecimentos e observamos alguns elogios mais provavelmente não intencionais do autor.

Trata-se de Georg Wink,
"Brazil, Land of the Past: The Ideological Roots of the New Right", Bibliotopía, 2021, Cuernavaca, Morelos (México), um brasilianista e diretor do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Copenhague (Dinamarca). A sua obra contém 161 menções a Plinio Corrêa de Oliveira e 111 à TFP, e um número maior a outras figuras ideológicas que formam o que ele chama de direita até sua publicação.

-> Elogios que o autor provavelmente não teve a intenção

Toma o Syllabus do site como "o Syllabus da TFP" ("TFP's syllabus", p. 117, nota 98 e cita pelo menos uns três outros syllabus)


Os
"Syllabus" (listas) deste site são artigos em que se junta uma porção de idéias de um movimento ou pessoa relevante socialmente na atualidade e se coloca, em contraste, um compilado da Sagrada Escritura, dos Papas, Santos e teólogos sobre o mesmo tema em um hiperlink (ou uma referência a outro Syllabus que as contém) do modo mais breve e eficaz possível. De nenhuma maneira pretendem ter caráter condenatório, o que compete à hierarquia católica que vem do sucessor de S. Pedro. Pretende sim oferecer subsídio, primeiro para leigos que querem luz na escuridão, e segundo para um clero corajoso que sabe que a verdade reside nos séculos de tradição, e não numa seita nascida anteontem.

Muitas vezes imaginávamos como um dia realmente podiam servir de guia contrastante para contra-revolucionários opinarem, embasados na doutrina católica tradicional (e com uma adequada exposição para evitar afastar toda
aparência de tradô), acerca de pensamentos de certas figuras do passado ou presente que ainda influenciam, pois a Tradição da Sagrada Escritura, Papas, Santos e Teólogos a tudo julgará (por isso, Nosso Senhor disse que os Apóstolos julgariam as tribos de Israel, embora só um daqueles, S. Pedro, fosse o Papa).

O Sr. Wink, considerando um compilado daqui como obra da TFP, dá motivos para expormos esse antigo desejo. Porém, saibam todos: o conteúdo original deste site (seleção ou parte original) estará sempre aberto a críticas respeitosas (envie-as para o endereço
disposto ao final desta página).

Cita este site diversas vezes, bem como cita os pdf's que este site juntou


É incrível como para aqueles que se dizem contra-revolucionários e tradicionalistas este site é meramente bonzinho, mas para quem dedica a sua vida a observar o passo da Contra-Revolução ele merece ser citado.

Eis uma das razões por detrás do arrefecimento da atividade aqui: muitas vezes parecia que tudo aqui só servia para gente fora do público-alvo, embora suspeitamos o porquê, dado o modus operandi dos revolucionários high tech,
como já comentado.

-> Suposições falsas sobre este site e esclarecimentos sobre isso


Chama este site de "anônimo" ("anonymous webpage “O Príncipe dos Cruzados”", p.203, nota 47 e também p. 307)

Não sabemos como funciona no país do Sr. Wink, já no Brasil, onde este site é hospedado, o anonimato é vedado pela carta magna, a Constituição Federal de 1988:
"Art. 5º, IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato".

Bastava um pouco de boa vontade para visitar a seção do
"quem somos", descobrir os autores e entrar em contato via e-mail com o responsável pela comunicação. Cada artigo individual sem assinatura não prova um anonimato, e sim algo imputado ao conjunto dos autores daquela seção.

Muitos casos de sites de diversas vertentes ideológicas fazem uso do mesmo recurso de só imputar a um autor da equipe de editores quando o artigo é assinado.

O Sr. Wink algumas vezes parece entender isso, pois cita este site também como um grupo de seguidores que usa um pseudônimo, "published under a pseudonym by followers of Plinio Corrêa de Oliveira" (p.126, nota 17), o que mostra confusão se se considera as próximas citações (e Deus sabe se foram propositais ou não).

Confundiu algumas vezes o nome deste site e as datas dos compilados deste site (p. 313)

Para um alemão, o Sr. Wink devia prezar mais pelas regras e boa ordem. Citou o volume II como a
a primeira edição da parte 1 do volume I, de 2015 (a qual já reconhecemos como bem monstruosa na escrita), e citou o volume II como a primeira edição de 2018 (a qual hoje poríamos fogo, se não fosse digital, só por apresentar português péssimo nas partes não compiladas).

Citar um site sempre se faz melhor informando quando foi retirada a citação, pois na internet tudo é editável, o que nos leva à próxima correção.

Ademais, em outro lugar usa o singular: "O Príncipe do Cruzado" (p.126, nota 17).

Citações sem indicação do tempo em que se buscou uma fonte da internet

Um livro acadêmico geralmente se sujeita a regras que normatizam o modo de citar de acordo com o lugar citado. Também já fomos bem ruins em citações, porém, não há nenhum ânimo acadêmico por aqui.

Argumenta que este endereço mais provavelmente é tocado por gente na realidade de linha
bem oposta e até de uma pessoa que foi sedevacantista

Falando deste endereço, hipotetiza gratuitamente Georg Wink: "mais provavelmente manejado pelo sucessor de Fedeli, Alberto Zucchi e seu ex-aluno Felipe Coelho" ("probably managed by Fedeli’s successor Alberto Zucchi and his former student Felipe Coelho", p.203, nota 47).

Do último, não
tínhamos clara notícia até a citação. Parece ser mais um caso de "tipo humano tradô", que há tempos destrinchamos como categoria psicológica, pois foi aluno defensor do tradosismo da vertente de Orlando Fedeli, e depois defendeu o tradosismo de vertente sedevacantista, aonde ruma o tradô mitigado, se não arrependido, como falávamos naquele Syllabus do tipo humano tradô. Que Nossa Senhora proveja para que ele esteja em reto caminho hoje.

Reiteramos:
nunca, em nenhum momento, aderimos ao sedevacantista cismático ou mesmo colaboramos com Orlando Fedeli e sucessores.

Embora
tenhamos tomado algum jeito de tradô que parece sedevacantista, nunca aderimos a isso na teoria e na prática, e sempre repudiamos quem aderia, ainda que só na prática. Por isso, mais recentemente fizemos a imagem que consta na coluna à direita deste site como homenagem ao Papado do Pontífice Reinante Francisco.

Em relação ao Sr. O. F., quando se trava contato com sérias acusações assim, a primeira reação é, como todo católico deveria fazer, ouvir os dois lados, ou seja, ambas as publicações (conforme o princípio da Lei Mosaica em Dt XVI: "Estabelecerás juízes e magistrados em todas as cidades que o Senhor teu Deus te tiver dado, em cada uma das tuas tribos, para que julguem o povo com justo juízo, sem se inclinarem para uma das partes"). Por isso, repudiamos firmemente o que ele dizia, bem como o seu jeito tradosista de quem faz repeteco (ou realejo) de velha acusação, que só ganhou força por causa da inércia daqueles que deveriam estar vigilantes.


Por fim, saiba o Sr. Wink e todos, que cada artigo deste site virá sempre de uma digital pena de um postulante à "amigo da Cruz, do sofrimento e do desprezo"!

Historiador americano narra, com fartas fontes e citando este labor, o profetismo de Dr. Plinio no Concílio Vaticano II

"[N.E: A obra do Concílio] não pode estar inscrita,
enquanto efetivamente pastoral, nem na
História, nem no Livro da Vida." RCR, 1976.
Dr. Plinio e outros membros da TFP chegam para
o maior desastre da Igreja no século XX.

 Veja outros relacionados:

Clique aqui para ver mais sobre Plinio Corrêa de Oliveira e suas previsões

Atuação da TFP e de Dr. Plinio no Concílio Vaticano II. Um profeta no Concílio

Resumo do profetismo de Plinio Corrêa de Oliveira na esfera temporal: ambientes, costumes e civilizações


Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados (Vol. I, parte 2, 3a edição)".

Tal como os “Cedros do Líbano” mencionados pelo salmista, Plinio Corrêa de Oliveira elevou-se acima das árvores comuns de seu tempo dentro de sua esfera de atuação.

Incapazes de reconhecer humildemente a grandeza da gesta pliniana, são vários os que recusam lhe dar a justa honra, mitigando-a por diversos fatores, embora auxiliados pelo mau exemplo daqueles que alegavam continuar a posição de Plinio Corrêa de Oliveira (entre os quais, inclui-se este trabalho).

Assim, como é corriqueiro em um mundo revolucionário e eivado de inveja, Dr. Plinio não foi reconhecido desde o princípio, e mesmo em sua vida e até após a sua morte, comparavam-no a um dos falsa-direitas momentâneos e hoje já não tão lembrados, ou mesmo à religiosos sem constância que apareciam com soluções fáceis e mágicas para a crise na Igreja, como se esta, estendida por todos os cantos do globo, pudesse ser sanada somente por poucos bispos, e não por expressa vontade, graça e intervenção divina. Nada de novo debaixo do sol, pois também os pagãos filosofescos comparavam os santos padres da Igreja aos gregos Platão e Aristóteles, e os romanos pagãos criam, com o tempo, refrear o cristianismo pelo banho de sangue dos mártires.

À medida que o tempo foge, entretanto, a história emerge, pois o Juiz da História é o próprio Deus, principalmente no Juízo Final. Surgem intelectualmente honestos como o historiador americano Benjamin Cowan, que narra pormenorizadamente o profetismo de Dr. Plinio no Concílio Vaticano II, ainda que não o categorize assim, por ser revolucionário (há séculos um pré-requisito para ser reputado na academia).

É preciso notar que aquela obra do professor universitário americano citou este pobre labor, especialmente no que tange à atuação de Dr. Plinio naquela “hora quase tão triste quanto a morte de Nosso Senhor” (C. 1, p. 25, notas 35 e 38). Se queriam passar a mensagem de “estamos de olho”, é preciso notar que não somos nós, mas Deus quem atua na história. Isto explanou Gamaliel na Sinagoga aflita pela pregação apostólica: “Deixai-os! Se o seu projeto ou a sua obra provém de homens, por si mesma se destruirá; mas se provier de Deus, não podereis desfazê-la. Vós vos arriscaríeis a entrar em luta contra o próprio Deus”, Atos V.

Como infelizmente é praxe há anos, outra iniciativa (no caso, o Instituto Santo Atanásio) foi mais célere do que os discípulos de Plinio Corrêa de Oliveira para traduzir crucial artigo sobre o profetismo deste gigante da Fé.

Republicamos aqui só a parte referente ao “Concílio Vaticano II”*. O original é do Sr. Julio Loredo, da TFP italiana.

***


“Benjamin A. Cowan publicou recentemente o livro Moral Majorities across the Americas. Brazil, the United States and the Creation of the Religious Right (University of North Carolina Press, 2021, 294 pp.). Formado em Harvard, o professor Cowan é docente de história na Universidade da Califórnia em San Diego.

O trabalho de pesquisa é substancial. Nada menos que 824 notas de rodapé atestam a riqueza de referências com as quais o autor quis enriquecer sua obra. Boa parte das fontes são inéditas: o arquivo pessoal de Monsenhor. Geraldo de Proença Sigaud; relatórios dos serviços de inteligência brasileiros; os documentos de Paul Weyrich da seção de manuscritos da Biblioteca do Congresso; os arquivos diocesanos de São Paulo e Diamantina; o arquivo do Itamaraty e assim por diante.

Como em qualquer trabalho de análise histórica, haveria distinções a serem feitas, principalmente por parte de pessoas, como eu, que participaram de alguns dos fatos narrados, ou que mantiveram contato íntimo com quem deles participou. Não obstante, é um trabalho substancial, destinado a direcionar a pesquisa acadêmica sobre o assunto (...).

O Concílio Vaticano II

O primeiro capítulo é dedicado ao Concílio Vaticano II.

Apesar da vasta bibliografia disponível sobre o Concílio, Cowan afirma que os estudiosos ainda não deram a devida importância à “ação decisiva de um grupo coeso de brasileiros que trabalhou durante e após o Concílio para conter a onda reformista. (...) A centralidade dos brasileiros [na reação tradicionalista] costuma estar envolta em sombras” [1]. Negligencia-se, por exemplo, as intervenções de Mons. José Maurício da Rocha, bispo de Bragança Paulista, “monarquista, ferozmente antimodernista, anticomunista e antiliberal”. Mais notada, mas ainda não bem estudada, é a ação de Dom Geraldo de Proença Sigaud, Arcebispo de Diamantina, e de Monsenhor Antonio de Castro Mayer, Bispo de Campos.

Esse “grupo coeso de brasileiros” era formado pelos dois últimos Padres conciliares, animados e apoiados por membros da TFP, que na ocasião abriram dois escritórios na Cidade Eterna. O inspirador e a força motriz do grupo era, sem dúvida, o professor Plinio Corrêa de Oliveira.

Embora esse grupo “tenha desempenhado um papel importante, e em certo sentido pioneiro, na política do catolicismo tradicionalista, nacional e transnacional, durante e após o Concílio, Mayer, Sigaud e a conhecida TFP são muitas vezes deixados de fora da historiografia sobre a gênese da reação católica arqui-conservadora no mundo. (...) Os pesquisadores em grande parte têm ignorado essa contribuição brasileira. (...) Neste primeiro capítulo, gostaria de delinear esse ativismo dos conservadores brasileiros durante o Concílio Vaticano II como um elemento na construção e no desenvolvimento do tradicionalismo católico transnacional. (...) Os brasileiros foram, de algum modo, a principal - e até então negligenciada - força por trás da resistência conservadora no Vaticano II [2].

Obviamente, Cowan não afirma que esse foi o único componente da reação tradicionalista durante o Concílio. Ele apenas afirma que até agora não recebeu a devida atenção.

A ação antiprogressista de Plinio Corrêa de Oliveira, segundo Cowan, começa na década de 1930 com a constituição do Grupo Legionário, continua com sua oposição ao neomodernismo dentro da Ação Católica na década de 1940, e com a fundação do movimento Catolicismo nos anos cinquenta. Na virada da década de 1960, a obra antimodernista de Plínio “havia reverberado no Brasil [e também] teve repercussões internacionais significativas que ajudaram a moldar e sustentar a reação católica global à modernização e secularização” [3]. Quando o Dr. Plinio chegou a Roma em 1962, portanto, ele já tinha ideias muito claras e um plano de batalha perfeitamente traçado, ao contrário de muitos outros conservadores que “foram pegos de surpresa pela guinada progressista do Concílio” [4]. De fato, explica Cowan, “a TFP se antecipou à orientação do Concílio, e começou a se organizar antes mesmo dele começar” [5]. O arquivo privado de Monsenhor Sigaud contém o relato dos encontros com Plinio Corrêa de Oliveira para preparar o plano de oposição ao assalto progressista no Concílio, antes de partir para a Cidade Eterna.

Este plano consta do votum apresentado ao Concílio por Mons. Sigaud, mas inspirado, e talvez parcialmente escrito, por Plinio Corrêa de Oliveira: “A Igreja deve organizar, em escala mundial, a luta contra a Revolução” [6]. A visão realisticamente preocupada do Dr. Plínio contrastava notavelmente com o “júbilo” que não poucos conservadores sentiam pela convocação do Concílio, onde viam uma oportunidade de “renovação conservadora”, enquanto o líder brasileiro temia que se transformasse em uma debacle [7].

Durante o Concílio, os tradicionalistas se reuniram no Coetus Internationalis Patrum. Do arquivo de Mons. Sigaud emerge a centralidade dele na formação do Coetus, sempre encorajado por Plinio Corrêa de Oliveira. São seus, por exemplo, os manuscritos com “os esquemas para a estrutura, reunião, publicação, atividade e financiamento” do Coetus. Em carta ao chanceler brasileiro, pedindo-lhe apoio econômico, Mons. Sigaud escreve: “Não encontro [em Roma] colaboradores desinteressados e confiáveis. O ativismo brasileiro, ao contrário, trabalha mediante um senso de dedicação à nossa causa, com grande eficácia e discrição. (...) Eles são especialistas, cada um em um aspecto do Concílio. (...) A espinha dorsal da Coetus sempre foi, e deve continuar sendo, confiada a esses ativistas brasileiros” [8]. Cowan conclui: “O ativismo da TFP assumiu uma importância central na mobilização do bloco conservador”.

O próprio Monsenhor Marcel Lefebvre definiu a TFP como o “comitê diretivo” da Coetus [9]. Opinião compartilhada pelo historiador francês Henri Fesquet. Concluindo, Cowan afirma: “Como vimos, Marcel Lefebvre e seus sequazes estavam entre aqueles que consideravam os brasileiros os principais atores, até mesmo heróis, neste campo” [10].”

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* Link (visto em 18 de novembro de 2021): https://institutosantoatanasio.org/blog/item/429-estudo-o-resgate-da-tradicao-e-o-papel-de-plinio-correa-de-oliveira-na-constituicao-da-direita-religiosa-internacional. Originalmente publicado em italiano em: https://www.atfp.it/notizie/306-analisi/2018-studio-il-riscatto-della-tradizione-e-il-ruolo-di-plinio-correa-de-oliveira-nella-creazione-della-destra-religiosa-internazionale

[1] Benjamin A. Cowan, Moral Majorities across the Americas. Brazil, the United States and the Creation of the Religious Right, University of North Carolina Press, 2021, pp. 16-17.
[2] Ibid., pp. 17-19.
[3] Ibid., p. 18.
[4] Ibid., p. 25.
[5] Ibid., p. 25.
[6] Ibid., p. 230.
[7] Ibid., p. 234.
[8] Ibid., p. 23.
[9] Ibid., p. 24.
[10] Ibid., p. 59.

Syllabus tradô: tipo humano falso tradicionalista, pois sem caridade, mancha a imagem da Tradição pelo seu jeito

Tradô contendente em ação espantando os simpáticos ao tradicionalismo


Com a graça da Virgem Santíssima esperamos que aqueles que se vêem identificados com o tradô (tipo humano universalmente descrito aqui), leiam este artigo com isenção de ânimo, avaliando a argumentação e fontes aqui dispostas para cada tópico salientado. Com efeito, é na Tradição Católica que se encontra a verdade sobre qualquer assunto. Esta lista (Syllabus) fazemos sem nenhuma intenção além do limite do estado laical. Outras compilações:

Clique aqui para ver mais syllabus contra variados falsa-direitas

 

Sumário


- Análise dos defeitos do Tradô com base em sua falta de caridade
- Aviso: a leitura atenta deste syllabus ou fará o leitor melhor, ou pior
- Tradô contendente: por seu jeito, afasta o povo que tende a ser tradicionalista
- Tradô presunçoso: crê que todos deveriam se converter imediatamente
- Exemplo: padre traumatiza recém-convertida famosa na sua primeira missa tradicional
- Tradô hipócrita: diz que os outros são anticlericais, mas só respeita o sacerdote tradô. Outros exemplos
- Tradô invejoso
: Orlando Fedeli, detrator pertinaz até a morte. O
utros exemplos
- Tradô cismático: cume da falta de caridade, une todas as más tendências tradosistas
- Remédios espirituais contra os defeitos tradosistas, baseado em S. Boaventura
- Conclusão





***

"E, ante o progresso crescente da iniquidade, a caridade de muitos esfriará",
S. Mateus XXIV.


***

 

Observação: o termo "tradô" e sua definição não são criações atuais, pois já circulavam há décadas em meios tradicionalistas. O esquecimento do nome e a proliferação deste tipo humano em contraste com o verdadeiro tradicionalista, cortês e educado, pariram o rótulo de "rad-trad" nos tempos atuais. A originalidade deste artigo consiste meramente na análise, compilação e ordem.





- ANÁLISE DOS DEFEITOS DO TRADÔ COM BASE EM SUA FALTA DE CARIDADE

Baseado nos sete pecados capitais e suas filhas, segundo obras de S. Tomás de Aquino*:

1. Falta de caridade, campo fértil para:

1.1. Inveja, combatida pela caridade.

1.1.1. todas as filhas do pecado da inveja, que é combatida pela caridade, esfriada no tradô:

1.1.1.1. As ocorridas no início da glória alheia: Murmuração (veladamente) e Detração (publicamente).

1.1.1.2. As ocorridas no termo final da glória alheia: Ódio, Exultação pela Adversidade, Aflição pela Prosperidade.

1.2. Orgulho, combatido pela caridade.

1.2.1. todas as filhas do pecado do orgulho, que é combatido pela caridade, esfriada no tradô:

1.2.1.1. As ocorridas diretamente: Jactância, Hipocrisia e Presunção.

1.2.1.2. As ocorridas indiretamente: Pertinácia (dá-se na inteligência), Discórdia (dá-se na vontade), Contenda (dá-se nas palavras), Desobediência (dá-se nos fatos).

1.3. Espírito cismático ou cisma, cume da falta de caridade, pois é diretamente contra a virtude teologal da caridade, de onde, ao menos na prática, o tradô sustenta que a Tradição Católica só está purificada em seu nicho.





 

- AVISO: a leitura atenta deste syllabus ou fará o leitor melhor, ou pior

Vendo o descortinamento do tipo humano tradô e de seus defeitos, alguns precisam ganhar nova mentalidade: não copiem palavras e exemplos antitradôs, mantendo a si mesmo o mérito e a fonte oculta. Antes, combatam o orgulho com a humildade reconhecendo quem teve ou tem papel superior, evitando envaidecê-lo (s).

Meditemos nesta atitude anti-igualitária, e não seremos confundidos, como o salmista: "Amparai-me pela vossa promessa, e viverei, e não permitai que eu seja confundido no que espero" Sl CXVIII, 116

 

 

 

 

 

- TRADÔ CONTENDENTE: POR SEU JEITO, AFASTA O POVO QUE TENDE A SER TRADICIONALISTA 

Contenda é filha do pecado do orgulho, combatido pela caridade, esfriada no tradô.

Exemplo 1: Similar ao protestante que condena seus não seguidores ao inferno na praça movimentada da cidade, o tradô costuma publicamente afastar os outros com sentenças que, do modo como são enunciadas, deixam a impressão de que aquela mentalidade é típica de gente alienada. Por onde a foto de um comentário público:



Muitas vezes, este tipo de tradô, além de manter contenda com qualquer um, não encontrando limite para a crítica, desfila cega presunção, pois nem todos têm o mesmo tempo de conversão e compreensão da tradição (como o tradô julga entender).

Exemplo 2: quando faz contenda misturada com racismo, papagueia ou vem de alguma falsa-direita da Europa, pois certos europeus, cientes do papel das raças e origem no ser humano, consideram-na como fator único no desenvolvimento humano. Apontando aos judeus como mal do mundo, por exemplo, o tradô contendente repete o irrefletido pensamento falsa-direita europeu de tom nazistóide, cujo erro principal na matéria consiste em desconsiderar o fator da graça no ser humano. Mas o tradô europeu não só reclama dos judeus, tornando ainda mais contraditório o seu similar brasileiro, quando não puro caucasiano.

Exemplo 3: Nosso Senhor denunciou o tipo humano fariseu semelhantemente em S. Mateus XXIII: "Percorreis mares e terras para fazer um prosélito e, quando o conseguis, fazeis dele um filho do inferno duas vezes pior que vós mesmos".

 


 

 

- TRADÔ PRESUNÇOSO: CRÊ QUE TODOS DEVERIAM SE CONVERTER IMEDIATAMENTE

Presunção é filha do pecado do orgulho, combatido pela caridade, esfriada no tradô.

Resume-se à falta de caridade com os outros, levando ao orgulho e à presunção de que todos devem entender a questão tradicional no mesmo espaço de tempo em que o tradô "compreendeu". Tal aspecto tradosista também nos influenciou no começo da nossa conversão. Até hoje lutamos contra esta tendência oriunda do pecado original.

Exemplo 1: erro frequentemente implícito no tradô contendente.

Exemplo 2: Muitas vezes presente nos recém-convertidos, a atitude orgulhosa carece de humildade, como se sua conversão tenha originado de um ato de vontade pura, sem nenhum papel da graça. Falta meditação na notória frase católica tradicional: "sem a graça de Deus, não podemos sequer nomear piedosamente os nomes de Jesus e Maria".

Exemplo 3: Nosso Senhor denunciou o tipo humano dos doutores da lei assim em S. Lucas XI: "tomastes a chave da ciência, e vós mesmos não entrastes e impedistes aos que vinham para entrar".

Exemplo 4: o relatado abaixo, em comentário à II Carta de São Paulo a Timóteo IV, por Plinio Corrêa de Oliveira:

“Suplica, admoesta com toda paciência e doutrina”.

"Quer dizer, advirta, mostra que está errado com toda paciência, para esses que estão fracos, que se envergonham, que reconhecem que andam mal. Então, para esses, com toda paciência, admoestar.

Nunca começar uma admoestação com algo do gênero assim: “Fulano, até quando você deixará de ouvir o que eu te disse? Afinal de contas, eu perco a paciência com você!”. Isso é orgulho. Deve-se fazer o contrário. Nunca perder a paciência, nunca ter a palavra dura, nunca manifestar-se cansado de tanto repetir as (mesmas) coisas. Tomar um ar – ao se dar conselhos – de que a gente está achando uma delícia dar aquele conselho, nunca deixar transparecer que se pode estar cansado, que se pode estar caceteado, nem nada.

Mas isto não basta. Além de admoestar com toda paciência, é preciso admoestar com toda doutrina, ou seja, é preciso dizer coisas razoáveis, é preciso dar conselhos bons, saber empregar os argumentos bons em favor da verdade, de maneira a tocar o entendimento e mover a vontade da pessoa a quem se dirige"

(Reunião "Santo do Dia", 25 de Janeiro de 1967, grifos nossos).

 


 

 


 

- EXEMPLO: PADRE TRAUMATIZA RECÉM-CONVERTIDA FAMOSA NA SUA PRIMEIRA MISSA TRADICIONAL

Em meados dos anos 2010, um caso típico de tradosismo eclodiu: uma famosa recém-convertida, tatuada em partes visíveis do corpo, ficou traumatizada em uma liturgia tradicional, pois o sacerdote resolveu alertar previamente a comunidade sobre tatuagens segundo a doutrina católica, o que a fez se retirar abalada e, posteriormente, relatar chorosa todo o caso em sua rede social.

Ainda que fossem avisos gerais e costumeiros, sem a citação de nomes, é notável a falta de tino psicológico para entender que não só os convertidos atuais não têm base doutrinária prévia, como são muitas vezes levados pelos sentimentos, algo que todo pastor deveria saber, pois pastoreia um povo, um templo aberto ao público, e não um papel em branco que recebe tudo em que nele é escrito.

A solução evidente para mostrar caridade, evitando tais embaraços, era alguém (de ambos os sexos para cada caso) ficar à porta a fim de, com toda paciência e doçura (e não de modo tradô!), explicar brevemente algum ponto da doutrina católica de sempre ali evidenciado estar faltante. Se possível, emprestando a roupa caso a pessoa, de boa vontade, diga não ter outra ali. Se fosse feita, tal atitude seria até mais eficaz que avisos rotineiros.

Não objetem os espíritos de má vontade a impossibilidade em virtude da obediência à hierarquia eclesiástica, pois inúmeros mandatos extraoficiais são conferidos aos leigos pela hierarquia ou pelo pároco, e até mesmo certas atividades recebem livre caminho para florescer dentro de paróquias, etc, embora não tenham nenhum status canônico.

 

 

 

 

 

- TRADÔ HIPÓCRITA: DIZ QUE OS OUTROS SÃO ANTICLERICAIS, MAS SÓ RESPEITA O SACERDOTE TRADÔ. OUTROS EXEMPLOS

Hipocrisia é filha do pecado do orgulho, combatido pela caridade, esfriada no tradô.

Exemplo 1: Apesar de pregar respeito e submissão aos sacerdotes e atacar quem considera anticlerical, o tradô muitas vezes aparenta considerar integralmente só o sacerdote tradô responsável por sua transformação neste tipo humano. É o mais comum dos tradôs hipócritas, encabeçando este tipo humano.

Seus mentores padres tradôs não são necessariamente cismáticos, mas quase sempre propagadores de murmurações, ainda que veladas por supostos elogios, a Plinio Corrêa de Oliveira, quem ensinou sobre a sacralidade da ordem temporal não só com escritos, mas com um modo de falar, de gesticular e de agir.

Eclesiástico VII: "Teme a Deus com toda a tua alma, tem um profundo respeito pelos seus sacerdotes". Os sacerdotes de Deus não são só ciclano ou padre de xyz lugar...

Exemplo 2: Nosso Senhor denunciou o tipo humano hipócrita nestes termos (S. Mateus XXIII): "por fora pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e iniquidade", isto é, hipocrisia em relação à prática das virtudes da justiça.

Exemplo 3: todo católico observador dos mandamentos da Igreja percebe o quanto é hipocrisia se dizer católico tradicional contra o progressismo moderno e, invés de buscar o que a moral católica tradicional diz, frequentar lugares de banho misto, como são as praias modernas, etc. Exemplos assim já testemunhamos.

Abaixo, outro exemplo do tipo humano hipócrita, similar, porém, mais antigo e diferente do testemunho precedente.

Reprodução de 2014/ask.com

Exemplo 4: Como avaliamos tipos humanos universais, e não críticos de Plinio Corrêa de Oliveira, como se "tradô" fosse todo aquele não simpatizante do mesmo, é preciso notar a manifestação deste tipo humano tradô hipócrita em simpatizantes ou discípulos do eminente católico homem de ação. Dá-se quando, enquanto dizem considerá-lo, escondem seus ensinamentos sobre certos assuntos que desagradam ou reprovam a vida do tradô hipócrita tefepista ou simpatizante em questão. Invés disso, deveriam praticar a humildade, reconhecendo seus erros e aqueles que lhe são superiores em algo, combatendo o orgulho com a humildade.
 

 






- TRADÔ INVEJOSO: ORLANDO FEDELI, DETRATOR PERTINAZ ATÉ A MORTE, E OUTROS EXEMPLOS

São filhas do pecado da inveja, combatido pela caridade, esfriada no tradô: as ocorridas no início da glória alheia, isto é, a murmuração (veladamente), a detração (publicamente), e as ocorridas no termo final da glória alheia, isto é, o ódio, a exultação pela adversidade, a aflição pela prosperidade.

Assim como em relação à Santa Igreja sempre houve propagadores de máfia das mais variadas, também os santos foram vítimas das mais variadas difamações, muitas vezes movidas pela inveja.

Exemplo 1: Acredite-se ou não na santidade de Plinio Corrêa de Oliveira, o fato é que nenhum católico tradicionalista teve alguém integralmente dedicado a sua detração post-mortem: seu ex-aluno Orlando Fedeli e, consequentemente, a associação que fundou, a Montfort, assombrada pelo seu espírito tradô invejoso.

A polêmica entre ambos já deixou obras dos dois lados (contudo, só uma com parecer canônico e fichas hagiográficas). Aqui se mostrará somente como Fedeli se enquadrava perfeitamente no tipo humano do tradô invejoso.

Após a morte de Dr. Plinio, a cisão da TFP (prevista por Dr. Plinio [1]), e o advento da era da cibernética (alertada por ele [2]), Orlando Fedeli saiu de seu ostracismo anônimo junto de meia dúzia de antigos simpatizantes da entidade (em contraste com os duzentos que deixara). Por causa da perda da influência da TFP (prevista por Dr. Plinio [3]), Fedeli semeava
em terreno fértil suas acusações gravíssimas feitas em tom zombeteiro. Movido por uma inveja odiosa descontrolada, exibia as filhas deste pecado rotineiramente:

Ódio: inúmeros artigos de Fedeli ou da Montfort, mesmo quando sequer possuem relação indireta com a TFP ou Dr. Plinio, borbulham com ironias e comparações como "parece coisa tefepista", "igual ao Dr. Plinio". Tal ódio
contra seus alvos cria suposições ferindo a cortesia e a amabilidade, e chegam a ser tão vis que não devem circular no meio católico, segundo já soubemos. Sua gênese talvez se encontre no livro "Refutação a uma investida frustra", livro-resposta de 1983 com parecer canônico, logo no início: "se há isenção de ânimo nas acusações do Sr. O. F." [4].

Detração: qualquer místico (a) já admirado pelo católico internacionalmente reconhecido era alvo de detração igualmente. O principal era a Beata Anne-Catherine Emmerich, que já havia sido analisada pela
Sagrada Congregação dos Ritos em 1927, a qual desconsiderou as obras de Brentano, um biógrafo da mística, como autênticas suas [5]. Outro caso menos conhecido é o da Venerável Maria de Ágreda, cuja obra fora proibida pelo Santo Ofício há séculos, fazendo Fedeli rechaçá-la com espírito tradô, pois sabia da apreciação de Dr. Plinio. Assim, sequer se importava com a posterior revisão de toda sua obra e vida feita pouco depois pela alta hierarquia eclesiástica, bem como seus inúmeros milagres e dons [6].

Corpo incorrupto da Venerável Madre (séc. XVII), embaixo de sua estátua, em Ágreda. Fedeli a criticava, enquanto Dr. Plinio a considerava


Exemplo 2:
infelizmente, um discípulo de Fedeli e seu sucessor na chefia da Montfort, Alberto Zucchi, ministra aula de como ser um tradô invejoso ao unir duas filhas do pecado da inveja simultaneamente. A ocasião foi a intervenção Vaticana nos Arautos do Evangelho, grupo formado pela dissidência da TFP e integrado por padres progressistas (entre eles, alguns ex-alunos de Fedeli). Apesar disso, os Arautos reivindicam a herança de Dr. Plinio, o qual não era sacerdote, tampouco gostava do missal novo usado pelos Arautos [7]:

Exultação pela adversidade: evidente no título de um artigo-comentário sobre a causa da intervenção (vídeos vazados rindo de uma futura morte do Santo Padre, etc): "Os Arautos do Evangelho são mais uma vez desmascarados. A hora é de resgatar os prisioneiros" [8].

Aflição pela prosperidade (dos herdeiros de luta contra-revolucionária no Brasil, o IPCO): no mesmo artigo, explica que "prisioneiro" a ser resgatado é o clero conservador simpático ao IPCO, como o Cardeal Burke e Dom Athanasius. Tais prelados justificam o escandaloso vídeo dos dissidentes da TFP, alucina Zucchi, "tornando-os como que prisioneiros do apoio que prestaram".

Exemplo 3:
o invejoso, sendo um tipo humano, não se restringe a quem seja tradicionalista em algum grau, pois é encontrável também entre os progressistas, cujo amor aos prazeres o fazem, por exemplo, preterir qualquer escrito da tradição a uma figura ou interpretação moderna publicitariamente alçada pelo progressismo. Afinal, uma leitura espiritual assim traz uma reprovação de seu estilo de vida, do qual não desejam desvencilhar-se.

Exemplo 4:
Analogamente, o próprio Plinio Corrêa de Oliveira apontava isso dentre seus discípulos. Após o exemplo do membro da TFP detentor de mais amabilidade, diz o que outro, ao invés de invejar, deveria exclamar:

“(...) Fizestes esses dons tão diversos entre si para que Sua obra no conjunto Vos desse graça e Vos desse glória. Eu Vos agradeço pelo papel que destes ao meu irmão tal, tão mais dotado do que eu no terreno da amabilidade.

Haverá, meu Deus, alguma coisa em que eu seja mais dotado que ele? Provavelmente não, pois eu me conheço e sei que até lá não vou. Mas, meu Deus, eu sei que os menores tem um papel na hierarquia que Vós estabelecestes. Ainda que o meu papel seja pequeno, ele é único e inconfundível. E sendo um papel único e inconfundível, Vós me criastes a mim para aquele papel.

Meu Deus, como eu amo executar o papel que Vós me mandastes executar! Que é talvez apenas o modesto papel de ajudar meu irmão encantador a ser mais encantador ainda, acendendo as luzes do salão onde ele penetra com o visitante, vendo se está tudo em ordem para que o ambiente esteja agradável e ele não tenha que tomar esse trabalho e assim possa brilhar melhor. Pela minha solicitude ele brilhou melhor e aquela alma [N.E: objeto da amabilidade] saiu amando mais a Deus.

No dia do Juízo verei aquele meu irmão receber um prêmio por essa visita bem sucedida. Mas meu Anjo da guarda e o dele se voltarão para mim e dirão: “Nesse sucesso, ó filho, uma parte é tua. É uma parte menor que a dele, mas tu fizeste a tua parte com mais mérito porque ele fez isso com naturalidade. Tu fizeste com humildade, e a humildade te deu um prêmio maior perante Deus. Suba mais alto do que ele.” Pode acontecer....pode acontecer...e é lindo que aconteça"

(1 de março de 1986, Reunião "Santo do Dia").







- TRADÔ CISMÁTICO: CUME DA FALTA DE CARIDADE, UNE TODAS AS MÁS TENDÊNCIAS TRADOSISTAS

O tradosismo, por estar repleto de falta de caridade, em algum momento pode levar ao mais grave pecado contra a caridade: o cisma. Uma vez cismático, o tradô desfila publicamente toda a sua falta de caridade, isto é, une as filhas do pecado do orgulho com as filhas do pecado da inveja, especialmente.


Exemplo 1: 
não por acaso, em nichos tradôs, não é raro um de seus frequentadores ir, ao longo do tempo, para o sedevacantismo.

Exemplo 2: 
o tipo humano do tradô cismático nem sempre é cismático de fato. Basta que tenha um espírito cismático, isto é, basta agir como se, na prática, a Tradição Católica só está purificada em seu nicho, evitando contato com os demais, em espírito de cisma com tudo e todos, chegando mesmo a ser inteiramente anti-social, e cavando outros abismos para a saúde mental própria, como transtornos de personalidade. No fundo, falta a reflexão, de uma posição católica, da necessidade que os outros têm de sua companhia, se ela realmente é boa. Porém, para isso é necessário caridade.

Exemplo 3: 
erro que muito nos acometeu (mais no jeito do que nas afirmações), o julgamento de tudo e de todos é típico tradô de espírito cismático, como se o julgador fosse não só a autoridade eclesiástica, mas o próprio Deus, único capaz de todos julgar. São comuns as sentenças tradôs: "fulano é herege", "ciclano é maçom", "beltrano é gnóstico", "fulana é cismática", etc. Quem tem ojeriza ao igualitarismo anti-hierárquico (mais especificamente, ao espírito de cisma com a hierarquia eclesiástica) toma muito cuidado com qualquer afirmação gravíssima e pertencente ao juízo da Santa Sé, afirmando-o somente com base nas palavras de Roma.







- REMÉDIOS ESPIRITUAIS CONTRA OS DEFEITOS TRADOSISTAS, BASEADO EM S. BOAVENTURA

S. Francisco, S. Domingos e S. Ângelo da Sicília
se encontrando em uma sacristia.
Todos, encarando o semblante de sede de alma
um do outro, quiseram ajoelhar,
sinal evidente da humildade
que leva à admiração do próximo.

Humildade ausente no tradô.

Contra a inveja e o orgulho, por S. Boaventura
[9].

"Porém, o amor ao próximo afasta a inveja; eis porque iremos falar disto um pouco. Primeiramente, diremos por quais meios podemos conservar entre nós esse amor mútuo; e em seguida, como cada um deve se conduzir para ser amado pelos outros e os amar. Dessa forma, teremos remédios suficientes contra a inveja.

2o remédio: ter uma caridade mais próxima possível entre aqueles que têm mesmos objetivos e vontades, e que estão de alguma forma livres de todos os vícios
 
Vós deveis saber que a caridade perfeita, verdadeira e permanente se conserva inviolável apenas entre aqueles que têm o mesmo objetivo, a mesma vontade e que estão de alguma forma livres de todos os vícios, como é dito na décima sexta Conferência de Cassiers. Assim, a suprema caridade será encontrada no céu, e a verdadeira caridade teria sido encontrada no paraíso terrestre, se o homem não tivesse pecado. No entanto, existe uma forma de adquirir e preservar a caridade entre nós, ainda que imperfeita.

Graus contra a inveja

1o: também um remédio soberano contra a inveja consiste em desprezar do fundo do coração e pisar sob os pés tudo que, neste mundo, pode dar origem a contestações, disputas, ciúmes, como riquezas, honras, etc.

2o: não confiar em sua própria sabedoria, seguindo sua própria vontade, recusando-se a concordar com as visões dos outros, o que gera sobretudo a discórdia e o rancor.

3o: saber preferir o bem da caridade ao que nos é útil, e mesmo necessário. Com efeito, mesmo se eu tiver uma fé capaz de transportar as montanhas; se eu falar a língua de todos os homens e anjos, e não tiver caridade, tudo isso será inútil. Por isso, devemos, em todas as nossas ações, considerar antes de tudo a caridade para com os irmãos. E não há nada que os anjos e o Senhor dos anjos tanto desejem, que encontrar em nós a união fraterna e a caridade mútua.

4o: consiste em evitar, com grande cuidado, a ira e qualquer coisa que possa ofender aos outros. Se por acaso pecamos contra nosso irmão, devemos humildemente pedir-lhe perdão: se, ao contrário, nosso irmão concebeu aversão contra nós sem razão, apliquemo-nos, tanto quanto pudermos, a fazer as pazes com ele. Tudo isso é tirado da décima sexta conferência dos Padres do Deserto (...).

3o remédio: mirar aos homens melhores do que nós, e aos anjos, para que a comparação sirva para nos humilhar previamente.

Devemos também mirar aos homens melhores do que nós, e aos anjos, para que a comparação sirva para nos humilhar previamente.

O orgulho carnal pode ser reconhecido por estas pistas: está no silêncio, cheio de murmúrio, de amargura e raiva; na alegria ele se dissolve, ele ri sem medida e sem causa; na tristeza, ele é duro e severo; na correção, ele é odioso e sem compaixão: ele fala aleatoriamente, sem gravidade, sem reflexão; ele é sem paciência e sem caridade; ele lança o insulto com arrogância e o recebe apenas com pusilanimidade; ele se submete com dificuldade à obediência, desdenha dos avisos e é teimoso em sua própria vontade; ele se esforça para fazer prevalecer seus sentimentos e se recusa sempre a concordar com outros; ele não aceita conselho de ninguém e tem mais confiança em sua iluminação do que na dos sábios".

 

 

 

 

 -> CONCLUSÃO

Esta lista de atitudes do tipo humano tradô e seus defeitos deve ser suficiente para que o tradô veja que são os remédios espirituais católicos, os exemplos de santos e reconhecimento dos grandes do passado (seja da Tradição, mais recentes ou mesmo atuais) os caminhos a serem trilhados para adquirir
a humildade e a caridade.

Rezemos para que o tradô, se quer continuar na Tradição, curve-se diante de Nossa Senhora Co-Redentora, e fazendo assim que tantos outros se curvem também, entre os quais estaremos nós, em ação de graças por isso e pedindo perdão pelos nossos pecados.

 

 

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* Análise das filhas dos pecados capitais segundo São Tomás de Aquino, segundo esquema compilado e ordenado a partir de "Sobre o ensino (De Magistro) / Os Sete Pecados Capitais", Ed. Martins Fontes. Link:
http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2015/04/filhas-dos-sete-pecados-capitais.html

[1] "Dr. Plinio prevê o desmantelamento da TFP: "São provas pelas quais é preciso passar"", in "O Príncipe dos Cruzados, Vol. I, parte 2", 3a edição. Link: http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2015/03/drplinio-preve-o-desmantelamento-da-tfp.html
[2] "Dr. Plinio prevê o domínio da internet e da transpsicologia sobre os meios de comunicações e propaganda em 1982". Idem. Link: http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2014/08/drplinio-preve-o-dominio-da-internet-e.html
[3] "Dr. Plinio prevê a perda de poder da TFP: por falta de radicalidade. Também fala do pecado imenso na TFP", Idem. Link: http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2020/07/dr-plinio-preve-perda-de-poder-da-tfp.html
[4] Considerações prévias, "Refutação da TFP a uma investida Frustra vol.1: Três cartas", Átila Sinke Guimarães, 1984/06, Os outros são: "Refutação da TFP a uma investida Frustra vol.2: Fichas Hagiográficas em defesa da TFP", Antonio Augusto Borelli Machado, Gustavo A. Solimeo, 1984/07, "Servitudo ex Caritate", Átila Sinke Guimarães, 1986/06. Link: http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2014/01/refutacao-de-uma-investida-frustra-e.html
[5] "Em 1901, o Pe. Georg Chober, consultor da Sagrada Congregação dos Ritos, emitiu, a pedido dessa Congregação, um juízo sobre os escritos, no qual se pronunciou severamente contra os erros neles existentes. E a partir de então, os vários peritos consultados pela referida Congregação tem apontado erros nas obras atribuídas a Ana Catarina Emmerick". "A Sagrada Congregação dos Ritos, em decreto de 1927, decidiu nos termos do cânon 2042 do CDC de 1917, não considerar como sendo da vidente os escritos de Brentano. A Sagrada Congregação para as Causas dos Santos, no decreto de 4 de Maio de 1981, adotou análoga posição". Citado em "Refutação a uma investida Frustra: Três Cartas", Átila Sinke Guimarães, com parecer do Pe. Victorino Rodriguez, O. P., pgs.16 e 48, respectivamente.
[6] La cité mystique de Dieu : vie de la Très-Sainte Vierge Marie, Maria de Jesús de Agreda précédée de la vie de l'aucteur, 1862. Paris : V. Poussielgue-Rusand. University of Ottawa. https://archive.org/details/lacitmystiqued01mari/page/n5/mode/2up. Resumo das glórias da Venerável: http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2020/08/maria-de-agreda-leitura-incomoda-aos.html
[7] "Posição da TFP sobre a missa nova, e o estudo de A. Xavier da Silveira - Plinio Corrêa de Oliveira". Link: https://www.youtube.com/watch?v=iUo2CWiQYx4&
[8] Visto em 28/02/2021: http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/arautos_resgatar_prisioneiros/
[9]
Excerto de: OEUVRES SPIRITUELLES DE S. BONAVENTURE, de l'Ordre des Frères Mineurs, Cardinal-Évêque d'Albane, Traduites par M. l'Abbé Berthaumier, curé de Saint-Pallais. Paris. Louis Vivès, Libraire — Éditeur, rue cassette, 23. 1854. Beaugency. — Imprimerie de Gasnier. Numérisation: Abbaye Saint Benoît de Port-valais, 2005. Link: https://www.bibliotheque-monastique.ch/bibliotheque/bibliotheque/saints/bonaventure/vol02/014.htm#_Toc101148485. Link:
http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2020/09/remedios-contra-os-pecados-principais.html

Reino da Virgem Maria ressurge: áudios de Plinio Corrêa de Oliveira

Divulgando este importante blog e seus canais, reproduzimos o seguinte post, recomendando o acompanhamento de seu blog e as inscrições nos Canais, pedindo também orações neste sentido:



"Desde 08/2013 existiu um Canal no Youtube chamado Reino da Virgem Maria.

Nele, havia mais de 200 áudios de Plinio Corrêa de Oliveira falando sobre variados assuntos.

O que o tornava único era sua seleção criteriosa de áudios, trabalho compilativo e a edição das partes com gritaria joanista (joanistas eram membros da TFP que depois viraram progressistas). As que constavam era por erro de edição ou simultaneidade com a fala de Dr. Plinio.

Entretanto, sua vida durou até ser deletado em 2017, por motivos que não valem a pena perder tempo explicando.

Sendo ESTE BLOG O DETENTOR DAQUELE CANAL, se resolveu retomar aquele trabalho com os seguintes novos elementos:"


Continua em.... 

https://cruciferos.wordpress.com/2019/07/16/reino-da-virgem-maria-ressurge-audios-de-plinio-correa-de-oliveira/

 

Syllabus D. Mayer: elogiou o Concílio, assinou suas atas progressistas, por causa da TFP virou bispo, mas ficou inimigo e morreu excomungado

"Chega o tempo de realizarmos na vida prática os decretos do II Concílio Vaticano, para a glória de Deus"- O "Leão" de Campos em 1966.
Na foto, com João Paulo II e o então Pe. Rifan

Com a graça de Nossa Senhora esperamos que aqueles que possuem apreço sentimental por Dom Antônio de Castro Mayer vejam este artigo com isenção de ânimo, avaliando as fontes aqui dispostas para cada tópico salientado.
 
Este artigo mostra com provas históricas que todas as posições boas e tradicionalistas, e quase toda sua notoriedade, e até mesmo sua indicação à Bispo de Campos, tem como causa direta ou indireta a influência de Plinio Corrêa de Oliveira. Em seguida, mostramos como o rompimento com este leigo católico levou a eventos e uniões lamentáveis.

Outras compilações:

Clique aqui para mais syllabus contra várias falsa-direitas

Sumário

- Fatos até sua nomeação episcopal -

- Seu primeiro cargo de destaque: assistente eclesiástico do Legionário, jornal então dirigido e feito famoso pelo jovem Dr. Plinio
- Ganha o cargo de assistente geral da Ação Católica, por ser próximo de Dr. Plinio, quando este é nomeado presidente da Ação Católica
- Ganha o cargo de Vigário-Geral da Arquidiocese de São Paulo por intervenção do Núncio Apostólico em favor do livro de Dr. Plinio, então em preparação
- Elogia livro de Plinio Corrêa de Oliveira, ao qual conferiu o imprimatur.
- É expulso de seu cargo de prestígio e jogado no exílio, por estar junto do "Grupo do Plinio"


- Após a sua nomeação episcopal -

- É nomeado Bispo por causa da influência do "Grupo do Plinio", já que Pio XII alegrara-se com o livro-denúncia de Dr. Plinio e seu Grupo, e nomeou bispos ao Pe. Mayer e ao Pe. Sigaud, os mais próximos. O elogio ao livro veio pouco depois
- Toma como brasão o Leão já usado pelo Grupo do Plinio, que posteriormente formou a TFP
- Nota de luto de falecimento da Madre Letícia, assim como foto desta com D. Mayer e o Prof. Pinio confirmam a originalidade do Leão Rompante, ao provar a simpatia de outras pessoas de vida religiosa pela TFP
- Funda, mediante solicitação de Dr. Plinio, a Revista Catolicismo
- Suas cartas pastorais são divulgadas pela TFP, o que fez sua fama no Brasil todo
- Novamente, Dr. Plinio solicita o nome e autoridade do bispo de Campos para assinar o best-seller: "Reforma Agrária: questão de consciência". D. Mayer só revisou e assinou, assim como D. Sigaud



- Após o Concílio Vaticano II - 

- Assinou os documentos progressistas do Concílio Vaticano II, não apoiando as estratégias de Dr. Plinio
- Defende que se viva os decretos do Concílio Vaticano II, e sustenta que estes darão vigoroso impulso ao apostolado leigo. E, para desgosto de Dr. Plinio, faz tudo isso na Revista Catolicismo
-Passa a criticar o Concílio e suas partes heterodoxas, obviamente por influência de Dr. Plinio, dado a proximidade, o intercâmbio mútuo e o fato de que este sempre foi crítico do evento
- Apoia e divulga livro do então membro da TFP (Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira) sobre o problema da missa nova
- Encontra-se com João Paulo II por volta de 1981. Volta dizendo que é "o Papa do Reino de Maria"



- Do rompimento com o Prof. Plinio até sua excomunhão e fim -

- Depois de 40 anos de união, em 1983, rompe com a TFP acusando-a de seita herética e anti-clerical
- Junta-se a D. Lefebvre e rompe com João Paulo II e a hierarquia eclesiástica, sagrando bispos e tendo sua excomunhão automática ratificada pelo "Papa do Reino de Maria"
- Desencanta com D. Marcel Lefebvre por causa do maurrasianismo sectário e vai fundar seu grupo com os chamados "padres de Campos", hoje conhecida como Adm. Apostólica S. João Maria Vianney
- Dom Corso, bispo ligado a Roma em Campos, 1995, envia carta para bispo da Espanha acusando Dom Mayer de "subserviência" à Plinio Corrêa de Oliveira, ou seja, punha a culpa do então cisma de Dom Mayer e seus padres de Campos na TFP. A TFP espanhola responde.
- Morre e poucos anos depois, e seu grupo de padres, os padres de Campos, sai do cisma (Deo Gratias!)
- Triste fim: sequer é citado no documento de "levantamento" da excomunhão dos bispos que sagrou conjuntamente com D. Lefebvre, o que refuta a tese de que o levantamento foi um "mea culpa" do Vaticano
 
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- FATOS ATÉ SUA NOMEAÇÃO EPISCOPAL –



Como padre, seu primeiro cargo de destaque é ser assistente eclesiástico do Legionário, jornal então dirigido e feito famoso pelo jovem Dr. Plinio

"Em 6 de Agosto de 1933, Plínio Corrêa de Oliveira foi convidado a assumir a direção do Legionário, que naquele mesmo mês se tornou órgão oficioso da Arquidiocese de São Paulo. A publicação não era destinada ao grande público, mas ao movimento católico, a fim de lhe proporcionar orientação doutrinal e operativa. Foi no interior destes ambientes, do norte ao sul do país, que logo se estendeu a vigorosa influência do semanário. 

Plínio era o autor dos artigos de fundo e da coluna "À margem dos factos", que depois tomou o nome "7 dias em revista". Reuniu em torno de si uma equipe de valorosos colaboradores, entre os quais dois jovens Sacerdotes destinados a tornar-se figuras de primeiro plano do Clero brasileiro: o P. António de Castro Mayer, assistente eclesiástico do jornal, e o P. Geraldo de Proença Sigaud, S.V.D (...). Sob o impulso do dinâmico diretor, em 1936 o jornal transformou-se de quinzenário de duas folhas em semanário de oito páginas, e de simples boletim paroquial passou a ser a voz católica mais influente no país".

("O Cruzado do Século XX: Plinio Corrêa de Oliveira", Roberto de Mattei, 
Cap II, 4).





Em seguida, por ser próximo de Dr. Plinio, quando este é nomeado presidente da Ação Católica, ganha o cargo de assistente geral deste movimento, que reunia todas as forças do laicato católico de São Paulo


"Alguns meses depois, faleceu o Arcebispo de São Paulo. O seu sucessor, D. José Gaspar de Affonseca e Silva, representava um tipo humano muito diverso (...), o modo de D. José Gaspar tratar as pessoas era afável e atraente. Conhecer o seu verdadeiro modo de pensar e interpretar as suas opções, frequentemente inspiradas em forte senso político e diplomático, nem sempre era fácil. As suas primeiras atitudes não deixaram de suscitar surpresa. Em 11 de Março de 1940 confiou a Plínio Corrêa de Oliveira o mais prestigioso dos encargos: o de Presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica. No mesmo período, o Padre António de Castro Mayer foi nomeado Assistente Geral da Ação Católica de São Paulo, enquanto o Padre Geraldo de Proença Sigaud foi designado assistente arquidiocesano da Juventude Estudantil, masculina e feminina. Plínio Corrêa de Oliveira tomava assim em mãos a direção de todas as forças do laicato católico de São Paulo, que então compreendia as organizações estudantis, os homens e as mulheres da Acção Católica e as associações auxiliares como as Pias Uniões, as Ordens Terceiras e as Congregações Marianas"("O Cruzado do Século XX: Plinio Corrêa de Oliveira", Roberto de Mattei, Cap.III, 6).





Ganha o cargo de Vigário-Geral da Arquidiocese de São Paulo por intervenção do Núncio Apostólico em favor do livro de Dr. Plinio, então em preparação

"Entretanto, Plínio Corrêa de Oliveira quis levar a sua obra até às suas últimas consequências. Decidiu assim escrever um livro em defesa da Ação Católica, oferecendo um cuidadoso diagnóstico dos males que a afligiam.

Estes males não eram ignorados pelo Núncio Apostólico no Brasil, D. Bento Aloisi Masella, que há tempos observava e apreciava Plínio Corrêa de Oliveira, embora não o conhecesse pessoalmente. Enviou-lhe como emissário da sua confiança o jesuíta italiano Cesare Dainese, então reitor do Colégio Loyola de Belo Horizonte, o qual preparou o caminho para um encontro com o Núncio. O colóquio teve lugar pouco depois, no Rio de Janeiro. O Núncio era um homem de sessenta anos, de atitude reservada e perfeita compostura diplomática. Ouviu em silêncio a exposição do presidente da Ação Católica paulista, animou-o tacitamente e encarregou o Padre Dainese de manter relações com ele. Pouco depois o Padre António de Castro Mayer foi promovido a Vigário-Geral da Arquidiocese de São Paulo. A intervenção da nunciatura era evidente e constituía um apoio ao projeto do Prof. Plínio, o qual mergulhou no estudo dos documentos para concluir, quanto antes, a redação da sua obra"
("O Cruzado do Século XX: Plinio Corrêa de Oliveira", Roberto de Mattei, Cap.III, 6)







Elogia livro de Plinio Corrêa de Oliveira, ao qual conferiu o imprimatur. Este livro foi elogiado por Pio XII posteriormente

D. Mayer elogia o livro "Em Defesa da Ação Católica" (de 1943) em 1963:

"Não obstante, “habent sua fata libelli”. Especialmente os que tratam de questões candentes, os que denunciam o avanço sorrateiro, mas firme, da Revolução. Diga-o o grande publicista espanhol, D. Felix Sardá y Salvany. Num tempo em que o liberalismo dominava soberano, ousou o Padre catalão dizer a verdade como a ensinam os Papas. Esscreveu um opúsculo, “El Liberalismo es Pecado”. Foi alvo de virulento ataques dos católicos de tendência liberal (...)

“Em Defesa da Ação Católica” também agitava as águas onde pescavam tranquilamente os fautores da Revolução. Foi alvo de murmúrios e de campanha surda mas implacável e generalizada. E não de uma refutação pública, que parecia impossível (...)

Os companheiros de luta, porém, não se dispersaram. “Catolicismo” se honra em ter entre seus colaboradores mais brilhantes e assíduos, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Nas colunas do mensário de Campos, precisamente como comemoração do seu centésimo número, publicou ele o ensaio “Revolução e Contra-Revolução”, com que desce ao fundo da luta que se travou em torno de “Em Defesa da Ação Católica” (...)”

(Revista Catolicismo, 
Junho de 1963, no.150. Link: http://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0150/P02-03.html)







É expulso de seu cargo de prestígio e jogado no exílio, por estar junto do "Grupo do Plinio"

"D. Carlos Carmelo, cuja visão era oposta à do Legionário, tinha, por outro lado, um temperamento muito diverso do seu predecessor: não era homem de meios termos e encarou a situação de frente. Impôs à equipe do Legionário um "armistício" como desaprovação para os seus dirigentes. Plínio Corrêa de Oliveira perdeu o seu cargo de presidente da Ação Católica; o Padre António de Castro Mayer, vigário-geral da Arquidiocese, foi removido para o bairro de São José do Belém, como simples vigário ecônomo; o P. Geraldo de Proença Sigaud foi enviado para a Espanha. Seguiu-se uma tempestuosa campanha de difamação, da qual o Prof. Plínio e os seus amigos não puderam defender-se publicamente, por causa do "armistício" imposto pelo Arcebispo. Por fim, em Dezembro de 1947, Plínio Corrêa de Oliveira foi afastado da direção do Legionário. No número de 29 de Fevereiro de 1948, apareceu um editorial com o título "Legionário em terceira fase", em que se anunciava o início de uma "nova fase" na existência do semanário, resumida no mote final do artigo, não assinado: "Incipit vita nova". Nem uma palavra sobre Plínio Corrêa de Oliveira, que havia dedicado ao Legionário, com imensa generosidade, quinze anos da sua vida. No mesmo ano, D. Hélder Câmara assumiu o cargo de assistente eclesiástico da Ação Católica Brasileira. A atmosfera tinha mudado profundamente". ("O Cruzado do Século XX: Plinio Corrêa de Oliveira", Roberto de Mattei, Cap.III, 8)

 






- APÓS A SUA NOMEAÇÃO EPISCOPAL – 




É nomeado Bispo por causa da influência do "Grupo do Plinio", já que Pio XII alegrara-se com o livro-denúncia de Dr. Plinio e seu Grupo, e nomeou bispos ao Pe. Mayer e ao Pe. Sigaud, os mais próximos. O elogio ao livro veio pouco depois

"Em Janeiro de 1947 chegou, imprevista e inesperada, a notícia da elevação do P. Proença Sigaud a Bispo de Jacarezinho. Poucos meses depois, o P. António de Castro Mayer foi nomeado coadjutor de D. Octaviano Pereira de Albuquerque, Arcebispo de Campos. Os dois sacerdotes, postos de lado por causa do apoio dado ao grupo de Legionário e ao livro "Em Defesa da Ação Católica", viam-se agora honrados com uma manifestação de confiança da Santa Sé, que parecia ter o significado de uma reparação"
("O Cruzado do Século XX: Plinio Corrêa de Oliveira", Roberto de Mattei, Cap.III, 9).


Conta Dr. Plinio em artigo do Jornal Folha de S.Paulo: 

"Contra todas as expectativas, outra alegria nos esperava no ano seguinte. Ao chegar eu, numa noite de Março de 1948, à nossa catacumba, um amigo esperava-me à porta, efervescente de júbilo. Contou-me que o Cônego Mayer, que passara durante a tormenta do alto cargo de vigário-geral da Arquidiocese para vigário do distante, e aliás tão simpático bairro de Belenzinho, acabava de nos comunicar a sua nomeação para Bispo-coadjutor de Campos. É inútil dizer com que exultação fomos no mesmo instante felicitá-lo".

(
"Nasce a TFP" in Folha de S. Paulo, 22 de Fevereiro de 1969. Link: http://www.pliniocorreadeoliveira.info/FSP%2069-02-22%20Nasce.htm).





Toma como brasão o Leão já usado pelo Grupo do Plinio, que posteriormente formou a TFP
Primeiro estandarte da TFP,
anos 40

Na imagem ao lado se vê o primeiro estandarte da TFP, ainda presente na Sede do Reino de Maria, em Higienópolis, São Paulo, SP. Pertence aos fundadores da Associação, que tornaram a casa a atual sede do IPCO (Instituto Plinio Corrêa de Oliveira). 

Ao contrário do que dizem os que não foram testemunhas históricas, esse estandarte é anterior ao brasão de D. Mayer (imagem abaixo), e foi abandonado por ter as chaves do Papado, já que não podem ser usadas por uma entidade civil. Dois motivos provam isso. 

Primeiro, o fato de D. Mayer nunca ter reclamado, depois de ter se distanciado da TFP, que esta era meramente um suporte seu e por isso tinha tomado o seu brasão como referência. Do mesmo modo, nem Dr. Plinio, nem a TFP nunca se pronunciaram sobre a origem e simbolismo do Leão usado pela Associação aludindo ao Brasão episcopal de D. Mayer.

O segundo é o testemunho de Dr. Plinio: 


Brasão de D. Mayer
"Nós estávamos instalados na Rua Martim Francisco, e queríamos pôr na capelinha de lá (era uma saleta) um estandarte que representasse o grupo. Então imaginamos aquele estandarte, e havia uma freira dominicana francesa que pintava muito bem e era simpática a nós, e pedimos a ela que pintasse o modelo daquele estandarte. Com base no modelo daquele estandarte, pedimos a uma senhora que costurasse, e ela fez aquele estandarte que está lá. Está desfigurado, a poluição passou sobre ele, ele não é senão um resto. Muitas pessoas me recomendaram queimar esse estandarte, mas eu me recusei tenazmente, porque é o primeiro estandarte"
(Reunião Santo do Dia, 4 de Janeiro de 1986). 

Como Dr. Plinio diz em um livro de relatos autobiográficos, o aluguel da sede da Martim Francisco tinha a intenção de salvar ao Grupo um lugar de reunião, quando viesse a perda da direção do Jornal "O Legionário". Esta veio, como acima mencionado, em dezembro de 1947, quatro meses antes da nomeação de Dom Mayer para bispo.

(Minha Vida Pública, Parte V, Cap. XIII, 1, 2. Link: http://www.pliniocorreadeoliveira.info/Minha_Vida_publica/MVP_08_Dom_Jose_Gaspar_e_Dom_Carlos_Carmelo.htm#_ftnref307).






Nota de luto de falecimento da Madre Letícia, assim como foto desta com D. Mayer e o Prof. Pinio confirmam a originalidade do Leão Rompante, ao provar a simpatia de outras pessoas de vida religiosa pela TFP
"A Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade tem o pesar de comunicar o faleci­mento [2-5-1974], aos 74 anos de idade, de sua sócia honorária, Revda. Madre Ma­ria Letícia da Virgem Misericordiosa, no século Maria Julieta da Gama Cerqueira.

Descendente de ilustre e tradicional estirpe mineira, a Revda. Madre Le­tícia consagrou-se desde cedo à vida religiosa, ingressando na Congre­gação das Servas do Espírito Santo, em Juiz de Fora (...).

A Revda. Madre Letícia foi, des­de as primeiras horas, ardorosa sim­patizante da TFP, à qual dispensou continuamente o apoio de seus enco­rajamentos, preces e sacrifícios. Sen­tindo-se mortalmente doente, pediu que seu corpo fosse inumado em ja­zigo da entidade (...).

A assembléia geral desta entidade atribuiu à Revda. Madre Letícia, post mortem, o título de sócia.

Anteontem e ontem os estandartes da Sociedade estiveram hasteados com tarja negra, em luto pelo falecimento da ilustre e benemérita Religiosa"

(Catolicismo, N.° 281, Maio de 1974. Link: https://www.pliniocorreadeoliveira.info/MAN%20-%2019740502_LutoporMadreLeticia.htm)









Funda, mediante solicitação de Dr. Plinio, a Revista Catolicismo. "Era o antigo Legionário aparecendo com outro nome", ou seja, o antigo jornal do "Grupo do Plinio". Dom Mayer podia escrever o que quisesse ali, como autoridade episcopal

Dr. Plinio no livro que contém seus relatos auto-biográficos:

"Daí veio a idéia de lançarmos um jornal e começarmos a expandi-lo pelo Brasil afora.


Dom Mayer, mediante solicitação nossa, fundou o mensário Catolicismo, que ele nos entregou para dirigir e constituir o corpo de redatores. Era o Legionário aparecendo sob outro nome e sustentando posições absolutamente idênticas. Era editado em Campos e impresso em São Paulo"

("Minha Vida Pública", 2015, 
Parte IV, Cap.III, 2).

 

Dom Mayer celebrando missa tridentina no auditório S. Miguel (data provável entre 1970's-começo dos 1980's). Vê-se a roupa de cavaleiro, tipicamente masculina, usada pelos eremitas de S. Bento (membros de casas de estudo da TFP) com a capa vermelha da TFP no ombro mantida pelo Leão Rompante.

Suas cartas pastorais são divulgadas pela TFP, o que fez sua fama no Brasil todo


Segundo livro da história da TFP publicado em 1988, até aquele ano a Carta Pastoral sobre os Cursilhos de Cristandade, de D. Antonio de Castro Mayer, "mobilizou 120 sócios e cooperadores que, agrupados em treze caravanas, percorreram, de dezembro de 1972 a março de 1973, 1238 cidades dos mais diversos pontos do País.

Três edições consecutivas da Pastoral (21 mil exemplares) esgotaram-se rapidamente, bem como quatro tiragens sucessivas (72 mil exemplares) do nº 264 de “Catolicismo”, o qual estampava o texto integral do documento. Assim, 93 mil exemplares da Pastoral foram vendidos em todo o Brasil.

Já a Carta Pastoral "Pelo casamento indissolúvel" foi divulgada pela TFP conseguindo "duas edições, num total de cem mil exemplares", que "se escoaram em um mês de campanha".

(
Um homem, uma obra, uma gesta – Homenagem das TFPs a Plinio Corrêa de Oliveira, Cap. III, 1988).






Novamente, Dr. Plinio solicita o nome e autoridade do bispo de Campos para assinar o best-seller: "Reforma Agrária: questão de consciência". D. Mayer só revisou e assinou, assim como D. Sigaud

"Em 10 de Novembro de 1960, um grande manifesto, publicado na primeira página dos mais importantes jornais do Brasil anunciava o lançamento do livro de Plinio Corrêa de Oliveira: "Reforma Agrária, Questão de Consciência". A primeira parte da obra devia-se ao próprio Prof. Plinio, que submeteu o texto à apreciação de D. António de Castro Mayer e a D. Geraldo de Proença Sigaud, respectivamente Bispos de Campos e de Jacarezinho, a fim de que o examinassem do ponto de vista teológico e o assinassem juntamente com ele. Ao economista Luiz Mendonça de Freitas devia-se a segunda parte da obra, de natureza estritamente técnica". A obra obteve 10 edições em 6 países e 40 mil exemplares"

("O Cruzado do Século XX: Plinio Corrêa de Oliveira", Roberto de Mattei,
Cap.V, 4).

 







- APÓS O CONCÍLIO VATICANO II – 




Assinou os documentos progressistas do Concílio Vaticano II, não apoiando as estratégias de Dr. Plinio

Conta o bispo lefebvrista Tissier de Mallerais, tentando abafar a situação: 

“A adesão de Mons. Lefebvre e de Mons. Castro Mayer ficou oficialmente registrada nas Acta do Concílio. Se, posteriormente, Mons. Lefebvre afirmou várias vezes não ter assinado a liberdade religiosa nem a Gaudium et Spes, fê-lo impelido pela lógica da sua anterior e posterior oposição à promulgação da liberdade religiosa, enganado pela sua memória ou por algum erro.”

(
Mons. Marcel Lefebvre. Una vita, tr. It Tabula Fati, Chieti, 2005 pp. 359-360, pp.357-360).

Como já vimos, Dr. Plinio não só profetizou a tragédia conciliar, mas tentou persuadir os bispos amigos, D. Mayer e D. Sigaud, a saírem do Concílio com uma estratégia que teria mudado a história da Igreja, o que estes prelados não fizeram.

 





Defende que se viva os decretos do Concílio Vaticano II, e sustenta que estes darão vigoroso impulso ao apostolado leigo. E, para desgosto de Dr. Plinio, faz tudo isso na Revista Catolicismo

Por mais que Dr. Plinio seja a cabeça de "Catolicismo", não se podia negar um artigo que D. Mayer resolvesse publicar, já que este era o encarregado eclesiástico do mensário. Já refutamos antes todas as tentativas de fazer crer que Dr. Plinio foi favorável ao Concílio, antes, durante ou depois

"Felicitamos, portanto, todos os nossos dedicados colaboradores que, de modos os mais variados, contribuem para manter nosso mensário, e os exortamos a prosseguir no caminho traçado, agora ainda com mais ardor, quando chega o tempo de realizarmos na vida prática os decretos do II Concílio Vaticano, para a glória de Deus, esplendor de sua misericordiosa revelação, grandeza de sua Igreja e salvação eterna de seus filhos"

(
"Catolicismo completa quinze anos de vida". Revista Catolicismo, Janeiro de 1966. Grifos nossos. Link: http://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0181-182/P02-03.html).


 





Passa a criticar o Concílio e suas partes heterodoxas, obviamente por influência de Dr. Plinio, dado a proximidade, o intercâmbio mútuo e o fato de que este sempre foi crítico do evento

Até no máximo outubro de 1973, o Bispo de Campos já entendia os problemas no Concílio, por causa da carta a Paulo VI transcrita a seguir (foi datada de janeiro de 1974). Em algum ponto entre 1966 e essa data Dom Mayer mudou de opinião.

 



Apoia e divulga livro do então membro da TFP (Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira) sobre o problema da missa nova

"Campos, 25 de janeiro de 1974

Beatíssimo Padre

Prostrado respeitosamente aos pés de Vossa Santidade, peço vênia para submeter-lhe à consideração os estudos que seguem com a presente carta.

O envio destes estudos é feito em obediência à ordem de Vossa Santidade transmitida por carta do Eminentíssimo Cardeal D. Sebastião Baggio ao Eminentíssimo Cardeal D. Vicente Scherer, da qual este último me deu ciência oralmente (...).

Em 15 de outubro último, tive a honra de escrever a Vossa Santidade, afirmando meu filial acatamento a tais ordens.

Entre estas, estava a de que, dada a eventualidade de “em consciência não estar eu de acordo” com “atos do atual Magistério Ordinário da Igreja”, “manifestasse livremente à Santa Sé” meu parecer. É o que faço com toda a reverência devida ao Augusto Vigário de Jesus Cristo, ao entregar a Vossa Santidade os três estudos anexos. (...)

3. Sobre o novo “Ordo Missae”.
(Esse último de autoria do advogado Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, a cujo conteúdo me associo). (...).

Suplicando queira Vossa Santidade conceder-me, como à minha Diocese, o precioso benefício da Bênção Apostólica, sou de

Vossa Santidade
Filho humilde e obediente.
+ Antônio de Castro Mayer
Bispo de Campos

(Visto em setembro de 2018. Link: http://www.arnaldoxavierdasilveira.com/)
.

 




Encontra-se com João Paulo II por volta de 1981. Volta dizendo que é "o Papa do Reino de Maria"
Conforme testemunham membros da TFP daquela época, em auditório da associação, o Bispo voltou de Roma falando que se encontrou com o "Papa do Reino de Maria". Algo que não se duvida quando se analisa as faces na foto acima: D. Mayer e Pe. Rifan parecem encantados com João Paulo II. Como era de se esperar, sabe-se pelos mesmos testemunhos que Dr. Plinio não acreditou nem um pouco nas palavras de seu amigo Bispo.




 


- DO ROMPIMENTO COM O PROF. PLINIO 
ATÉ SUA EXCOMUNHÃO E FIM -




Depois de 40 anos de união, em 1983, rompe com a TFP acusando-a de seita herética e anticlerical

Em carta publicada posteriormente em Jornal, o Bispo de Campos reclama do "anticlericalismo" da TFP, que a faz ser "uma seita herética", embora tenha sido sagrado bispo por apoiar o livro de Dr. Plinio que defendia precisamente a hierarquia eclesiástica contra o igualitarismo anti-hierárquico em 1943.

(J
ornal campista Folha de Manhã em 1991, sendo o texto original datado de 1984. Tradução da versão de Le Sel de la Terre, nº 28, de 1999, pelo site "Fratres in Unum", que depois o retirou do site, mas até a publicação deste artigo não afirmou discordar da carta).

Em outra carta particular, criticou a ortodoxia da TFP sobre o culto particular, e recebeu resposta da TFP, por ter sido a carta publicada por O. Fedeli quando este passou a atacar Dr. Plinio e sua obra, na qualidade de ex-membro.

(
"Refutação da TFP a uma investida Frustra vol.1: Três cartas - Átila Sinke Guimarães". Parecer canônico do Pe. Victorino Rodríguez, O. P. - 1984).

 





Junta-se a D. Lefebvre e rompe com João Paulo II e a hierarquia eclesiástica, sagrando bispos e tendo sua excomunhão automática ratificada pelo "Papa do Reino de Maria", em suas palavras antigas

Notoriamente, no ano de 1988, é co-sagrante nas sagrações de Êcone, Suiça, onde quatro padres da FSSPX viraram bispos contra a autoridade Papal que, como autoridade monárquica, é legisladora e ao mesmo tempo a fiel intérprete do Código de Direito Canônico (segundo o próprio CDC).

Depois das sagrações os defensores desta disseram estar amparados por interpretação própria, alegando "estado de necessidade" ou "a salvação das almas é a lei suprema", conceito até então aplicado por teólogos somente para sacramentos "in articulo mortis", quando visam restituir a condição essencial para a salvação, isto é, a vida de graça nas almas mortas pelo pecado. Nessa condição, até um leigo pode batizar, e um padre a-católico pode conferir extrema unção.

 





Desencanta com D. Marcel Lefebvre por causa do maurrasianismo sectário e vai fundar seu grupo com os chamados "padres de Campos", hoje conhecida como Adm. Apostólica S. João Maria Vianney

Há outras provas, mas basta o relato de Orlando Fedeli, que é insuspeito, pois foi adversário da TFP, rompendo com esta após 30 anos: 

"Conhecemos, de longa data, --e muito -- a Fraternidade Sacerdotal São João Maria Vianey, agora reconhecida pela Santa Sé como Administração Apostólica.

Fomos amigos de Dom Mayer, e, durante muitos anos, cooperamos com os "Padres de Dom Mayer", como eram chamados.

Eram Padres simples, sem muita formação doutrinária e com um apostolado mais sentimental do que doutrinário.

Eles se envolveram com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X de Dom Lefebvre. Dom Mayer, apesar de apoiar Dom Lefebvre, não quis unir-se oficialmente aos Lefrevistas, pois sabia de certas tendências nacionalistas e Maurrasianas que havia lá. Mas os apoiou na questão da defesa da Missa Tridentina"

(Carta "Administração Apostólica S. João Maria Vianey, de Campos", de 02/06/2003. 
Link: http://www.montfort.org.br/bra/cartas/polemicas/20040820234404/).






Dom Corso, bispo ligado a Roma em Campos, 1995, envia carta para bispo da Espanha acusando Dom Mayer de "subserviência" à Plinio Corrêa de Oliveira, ou seja, punha a culpa do então cisma de Dom Mayer e seus padres de Campos na TFP. A TFP espanhola responde.

"Ao afirmar uma acusação tão grave como a "subserviência" de um bispo, com a inteligência e cultura de D. Mayer, a um leigo, o Prof. Plinio, D. João Corso coloca-se em franca contradição com os fatos históricos.

Ao longo dos 33 anos em que D. Mayer foi bispo de Campos (1948-1983), ao mesmo tempo que colaborava com o Prof. Plinio e com a TFP na luta ideológica contra o comunismo, o socialismo e o progressismo, o prelado mantinha o governo da sua diocese ciosamente independente.

Em certo momento, D. Mayer decidiu esfriar suas relações com o Prof. Plinio e aproximar-se cada vez mais de D. Lefebvre, cujas orientações passou a seguir, conjuntamente com a maioria do clero diocesano que lhe era fiel. Nem o Prof. Plinio, nem ninguém da TFP pôde impedi-lo de seguir essa trajetória que terminaria por acarretar a excomunhão. Prova de que nula a influência da TFP nos assuntos estritamente eclesiásticos de Campos.

Onde está a "subserviência", ou servilismo ao Prof. Plinio? Um servilismo que se converteu em discrepância doutrinária... (....)

É significativo que, numa conversa entre D. Mayer e o Prof. Plinio, o primeiro, em determinado momento, disse que D. Lefebvre poderia sagrar alguns bispos, ainda que sem licença da Santa Sé, dando a entender que ele, Dom Mayer, o seguiria. O Prof. Plinio respondeu cortesmente que para entrar em ruptura com a Santa Sé não contasse com seu apoio, pois ele sempre se manteria fiel à Cátedra de Pedro."

Antes, a carta reiterava na página 22: "Sirva de exemplo a posição de fidelidade e comunhão com o Santo Padre adotada por todas as TFP's, sem nenhuma exceção, em relação ao cisma mayer-lefebvrista, ao contrário da adesão ao referido cisma de muitos dos detratores da entidade".

(Grifos nossos. Pg. 41 e 43 de "TFP-Covadonga refuta a falaciosa carta do senhor Bispo de Campos (RJ), D. João Corso". Link: https://www.pliniocorreadeoliveira.info/GES_9508_resposta_a_dom_Corso.htm)







Morre e poucos anos depois, este grupo de padres de Campos sai do cisma (Deo Gratias!)

O Pe. Rifan foi o articulador da volta para a Igreja, em nome de D. Licínio Rangel, sucessor de D. Mayer. Posteriormente, o Pe. Rifan, sucedendo D. Licínio como bispo e líder da União Sacerdotal S. João Maria Vianney, agora não mais cismática, passa a ter uma posição bi-ritualista e favorável ao Concílio Vaticano II. Tais fatos não exigem provas, pois são notórios a todo tradicionalista. Embora críticas possam ter havido sobre a forma de volta à Igreja dos padres de Campos, o fato é que "fora da Igreja não há salvação".

Infelizmente, ninguém lembra da obra de Dom Mayer após o rompimento com o Prof. Plinio. Contudo, muitos inimigos deste gostam de exaltar a vida passada daquele como se suas pastorais tivessem criado pernas, tomado kombis e instrumentos de fanfarra e ido sozinhas aos quatro cantos do país.  

 




Triste fim: sequer é citado no documento de "levantamento" da excomunhão dos bispos que sagrou conjuntamente com D. Lefebvre, o que refuta a tese de que o levantamento foi um "mea culpa" do Vaticano

Por fim, no decreto do Cardeal Giovanni Re da Congregação dos Bispos, feito com aval de Bento XVI, sequer são mencionados D. Marcel Lefebvre e D. Antônio de Castro Mayer, ou seja, não há afirmação alguma de que foram excomungados injustamente como alguns dizem ter visto no documento. 

Então, qual era a intenção do "levantamento"? 

O decreto deixa claro: "Espera-se que este passo seja seguido pela solícita realização da plena comunhão com a Igreja de toda a Fraternidade São Pio X"*.

Sabendo que também os cismáticos russos são considerados fora da "comunhão plena" pelo mesmo Papa Bento XVI, o qual até lamentou as excomunhões passadas e disse que amava a igreja destes (o que não disse aos lefebvristas) entende-se claramente como o conceito é uma palavra-talismã em prol do ecumenismo: não se fala mais de "cismático", mas de "sem plena comunhão", assim como não se fala de herege, mas "irmão separado". Em suma, o levantamento é um ato simbólico ecumênico onde se "desexcomunga" para dizer em seguida, nos termos ecumênicos, que continua excomungado. 

A intenção não se julga, mas a consequência é clara: confusão na Igreja, fama de conservador ao então Papa alemão, e como o progressismo não acredita mais no pecado de communicatio in sacris, aumento dos casos de sacrilégios no mundo. 

Além disso, o ato simbólico verifica-se já no começo do decreto, onde se diz que o então superior dos bispos da FSSPX pediu o levantamento da excomunhão, como se o mesmo acreditasse que realmente estava excomungado. 

Se o pedido é verídico ou não, o certo é que na visão do superior da Fraternidade, ao invés disso, devia-se pedir o reconhecimento da excomunhão como inválida e injusta desde o princípio. Um lefebvrista deveria responder se crê que Dom Fellay acreditava na sua excomunhão, e consequentemente na dos bispos sagrantes, dado que pediu o levantamento destas todas.


*Link: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cbishops/documents/rc_con_cbishops_doc_20090121_remissione-scomunica_po.html


Veja mais sobre comungar em Igreja fora da comunhão com Roma: É lícito receber de a-católicos sacramentos, sacramentais ou ir ao culto deles em algum caso? Communicatio in Sacris ativa






-> CONCLUSÃO

Esta lista de problemas e fatos de D. Mayer, dentro do contexto histórico atual, deve ser suficiente para que algum católico admirador do prelado veja que é o caminho a ser seguido é a Tradição da Santa Igreja. 

E a Tradição da Santa Igreja inclui a Tradição da comunhão com a hierarquia que Nosso Senhor Jesus Cristo deixou na terra, unida em vínculo de caridade ao sucessor do Príncipe dos Apóstolos. Não abandonemos essa hierarquia por ela estar desfigurada, tal como as santas mulheres não abandonaram Cristo Crucificado porque estava desfigurado, caminhando ao Calvário.

Rezemos para que todos que têm boa vontade e são admiradores de D. Mayer se curvem diante de Nossa Senhora Co-Redentora, e façam assim que tantos outros se curvem também, entre os quais estaremos nós, em ação de graças por isso e pedindo perdão pelos nossos pecados.