Bíblia, Santos e Teólogos sobre dormir e acordar cedo, o leito adequado, o exercício regulado e o exame de consciência

(texto publicando na seguinte fonte, mas também de muita utilidade aos homens): https://catolicatradicionalistacontrarevolucionaria.wordpress.com/2020/02/29/sobre-dormir-e-acordar-cedo-o-leito-adequado-o-exercicio-regulado-e-o-exame-de-consciencia/

Colocamos aqui trechos escolhidos de dois livros antigos, instrutivos e de piedade para as mulheres. É uma pena não haver mais o "espírito de Jesus Cristo" a falar de coisas tão importantes por meio do sacerdócio, mas é um dos tristes frutos da Revolução progressista. Colocamos os subtítulos em negrito.


- Sagrada Escritura

"Todo o povo madrugava para ir ter com ele e ouvi-lo, no templo" São Lucas 21:38

"Ao romper da manhã, voltou ao templo e todo o povo veio a ele. Assentou-se e começou a ensinar" São João 8:1 

- Cardeal Mindszenty

"O demônio não tenta quem trabalha, tenta quem nada faz. Quando alguém não tem trabalho, dá-lho o demônio, que, para esses casos, dispõe de muitos recursos. É preciso fugir da ociosidade, porque a preguiça é o travesseiro, sobre o qual repousa o demônio" (A Mãe, pg 229). 

- Monsenhor Landriot, Arcebispo de Reims, França, citando diversos Santos, e também a medicina e filósofos

Diz a medicina, que, quando se ultrapassam os limites da idade, em que a natureza se forma, seis a sete horas de sono bastam para os temperamentos vulgares.

Antes de estabelecer uma série de proposições sobre o sono, faço todas as reservas para as pessoas doentes, sofredoras, de temperamento fraquíssimo, contanto que se não alargue muito o manto da noite para nele se abrigarem todos os raciocínios engenhosos da preguiça, disfarçados sob a forma de pretendidas enfermidades; pois poderia acontecer que se ficasse no leito oito grandes manhãs, para a cura das consequências duma enxaqueca futura se julgasse necessário sacrificar as oito manhãs seguintes. Por pequeno que fosse o mal durante todos os quinze dias, a preguiça acharia sempre a sua conta perfeitamente regulada. Diz a medicina, que, quando se ultrapassam os limites da idade, em que a natureza se forma, seis a sete horas de sono bastam para os temperamentos vulgares. 

Sobre o mal do sono excessivo, e como este deve estar acompanhado de exercício regulado

Quando se dorme demasiadamente as idéias entorpecem-se ao mesmo tempo que os membros, a atividade do corpo e da alma embota-se e acaba-se por se estar meio dormente, mesmo quando se está acordado. Além disto, os grandes dormidores pouco fazem, porque dão ao sono a maior parte da sua existência, e a que lhe resta é consagrada a uma semi-sonolência que lhes é habitual. Escutai duas autoridades bem diferentes e que pela própria diversidade terão peso mais considerável: - “O sono excessivo não é salutar nem ao corpo nem a alma – diz Platão – porque é incompatível com as ocupações da vida; durante o sono ninguém é útil, é-se nem mais nem menos como morto. Todo aquele que quer ter o corpo são e o espírito livre, conserva-se acordado o maior espaço de tempo possível, não dormindo mais que o preciso para a saúde, e pouco será preciso quando disto se tenha feito um bom hábito”. (As leis, 1. VII) – “A donzela acostuma-se a dormir um terço mais do que preciso para conservar perfeita a saúde, e o longo sono não serve senão para amolecer, para torná-la mais delicada, mais exposta ás revoltas do corpo, em quanto que um sono medíocre, acompanhado de um exercício regulado, faz uma pessoa alegre, vigorosa e robusta, o que, sem dúvida, constitui a verdadeira perfeição do corpo, sem falar das vantagens que vão para o espírito." (Da educação das meninas, 1. VII)

Dormindo-se demasiado o corpo debilita-se em lugar de se fortificar, é este o parecer de todos os médicos; o espírito torna-se cada vez mais pesado, menos ativo, a alma é mais fraca para resistir ao corpo, e com isto sofrem as ocupações notavelmente, porque a maior parte do dia lhes é roubada, e porque uma espécie de sonolência geral pesa sobre o resto da vida, ainda mesmo quando parece ser consagrada ao cumprimento dos deveres

Sobre a refeição noturna e o leito


O mais terrível dos combates que o homem tem a travar, nem sempre é num campo de batalha, é o que temos de sustentar a cabeceira do nosso leito. Não nos abandonemos ali, porque ali está um dos nossos inimigos, mais difícil de vencer, pois o soldado, intrépido em presença das bocas de fogo e dos perigos da guerra, muitas vezes perdeu a coragem nos plainos do travesseiro. Tomai, pois, sábias e enérgicas precauções contra este inimigo implacável. Tende principalmente a firmeza de um caráter perfeitamente decidido a não vacilar, mas não desprezeis as duas recomendações seguintes:
 

Se a vossa refeição noturna for demasiada, resultará dela uma espécie de digestão de alimentos duros, difícil e laboriosa, mais ou menos febritantes, e no dia seguinte quando quiserdes levantar-vos, parecerá que tendes o corpo chumbado ao leito; os menores movimentos vos incomodarão, e a preguiça chegando neste meio tempo, terá facilidade em provar-vos que deveis a vossa saúde não atormentardes um corpo lânguido. “É forçoso evitar o comer demasiado – diz Clemente de Alexandria – com receio de que o peso das iguarias nos não incomode durante o somo, como fardo que pesasse sobre o nadador, no meio das ondas. A sobriedade dar-nos-á um despertar fácil.

A segunda precaução respeita à forma e matéria do leito. Não tenhais leitos demasiado flácidos, evitai estes apuros de inteligente voluptuosidade que tudo combinam para dormirem sobre rosas; tais hábitos são outras tantas cadeiras que vos prendem, com pesar vosso, e que exercem sobre os vossos órgãos um império quase irresistível; quando dais armas aos vossos inimigos não vos admireis de que sejam sempre, e facilmente, os vencedores

Apesar da íntima e profunda ventura da tábua, não vos convidarei a que a useis, porque receio pela presença e pelo número das minhas ouvintes. Dir-vos-ei somente: quanto mais simples e mais sóbrio de precauções sensuais for o vosso leito, tanto mais sã mente dormireis, tanto melhor será para o vosso corpo, e tanto menos, talvez, trareis a alma exposta.

O exemplo dos Padres da Igreja seria, em caso de necessidade, a minha segunda desculpa: - “É nocivo à saúde – diz Clemente de Alexandria – o dormir sobre uma flácida pena, onde o corpo, arrastado pelo peso, se mergulha inteiramente e se sepulta, por assim dizer. Num fofo leito, o calor que se levanta de cada lado do corpo dificulta a digestão, queima e corrompe os alimentos; os leitos firmes e completamente unidos, que são como o ginásio natural do sono, facilitam a digestão, tornam-na mais sã, menos incômoda, e dão-nos a força, a destreza, a agilidade de que carecemos para as ações do dia seguinte.” (Pedag.)

Se quereis que o vosso seja doce tende uma boa consciência: “Custodi legem atque consilium; si dormieris, non timebis: quiesces, et suavis erit somnus tuus.” (Prov. III, 24) A virtude a tudo é verdadeiramente útil; favorece todas as boas ações a até o sono. Quando a consciência não é pura, e o vento das paixões a agita com maior ou menor violência, o interior da alma torna-se semelhante a um revolto mar, a onda levanta-se, rugindo sobre a praia, e as noites ressentem-se de tal tempestade, são agitadas, produzem sucessivas insônias e o corpo e a alma contorcem-se num leito de agonias: Nec per noctem mente requiescit. (Eccl. II, 23). Por paixões entendo tudo quanto a agita e a faz sair do seu equilíbrio: não somente as grandes paixões que transformam o corpo e a alma, mas os pequenos abalos do coração e da inteligência, o amor-próprio, a vaidade, a inveja, os ódios, os azedumes, as irritações, os atritos contínuos da vida, pois todos estes cuidados, todas estas agitações tiram o sono, diz o Espírito Santo: Cogitatio illius aufert somnum. (Eccl. XXXI).


 Benefícios do sono

O tempo do sono é, não somente útil ao corpo, senão também à alma; ele serena as agitações, derrama um bálsamo doce sobre as dores agudas e impede as precipitações de palavras e de fatos. Os antigos chamavam a noite boa conselheira, pois que até em seu favor aproveita as insônias preparadas pelas paixões, ou pelas enfermidades corporais: e na calma que em toda a parte operam as trevas, ela desperta no homem melhores sentimentos. Se ele é cristão fere-lhe as fibras da oração, e um único colóquio com Deus, um único olhar para o céu basta, algumas vezes, para abafar os maus e perigosos germes, e para preparar para o dia imediato um céu puro e sem nuvens. Outras vezes – diz Santo Ambrósio – há tanta serenidade e placidez no sono do justo, que é como um êxtase, no qual, em quanto que o corpo repousa, a alma está, por assim dizer, arrancada aos seus órgãos e unida ao Cristo: - Somnus tranquillitatem menti invehens, placiditatem animae, ut tanquam soluto nexu corporis se ablevet. Et Christo adhaereat. (Ep. XVI, nº 4). 


O sono mais favorável à saúde

O sono é pois excelente em si próprio; mas como até das melhores coisas se pode abusar; abusando-se dele, produzirá efeitos completamente contrários aos que acabo de enumerar, isto é, enfraquecerá o corpo, tornará pesadas as idéias, e, bem longe de refrescar e reparar a vida, preparar-lhe-á uma espécie de sepultura viva para a enterrar. – Depois de algumas considerações sobre este importante assunto indicamos as precauções físicas e morais, que é bom tomar para facilitar a benéfica ação da noite. Resta-nos agora desenvolver outras considerações, que serão o tema desta sexta conferência. 

Não basta determinar a quantidade de sono que deve ser regulada com sabedoria, sem conceder nem tirar muito a natureza; é necessário calcular a qualidade do sono (Nota de rodapé: Os alemães têm um provérbio que diz: - Uma hora de sono antes da meia noite vale duas da manhã.). Ora, segundo as observações gerais, o sono da verdadeira noite à verdadeira manhã, isto é, o que se dorme no intervalo de nove a cinco ou seis horas, é o melhor, o mais salutar, o mais favorável à saúde. Não digo que seja necessariamente preciso dormir todo o tempo que acabo de indicar; é um espaço designado para a escolha das horas de sono. 


Malefícios do sono prolongado pela manhã, um exemplo de bom sono
 
O sono, muito prolongado pela manhã, porque é retardado à noite, tem gravíssimos inconvenientes. Comunica ao estado geral da saúde uma languidez doentia, que parece tornar-se a situação habitual de certos temperamentos, entre as quais a vida é uma espécie de perpétua convalescença, não chegando nunca a gozarem o mais precioso bem da natureza, uma saúde verdadeira e solidamente estabelecida.

Vede ao contrário as camponesas robustas da aldeia: de noite vão cedo pedir ao leito o repouso para os membros fatigados, de manhã levantam-se ao cantar da cotovia. No inverno, o fogo cintila de madrugada no lar doméstico; arranja-se a casa, a ordem do dia dispõe-se antecipadamente, o almoço dos trabalhadores está pronto a ir para a mesa, e, todavia, o sol ainda não repontou no horizonte.
 

As soirées, longas vigílias de noite, trazem vários malefícios e vem do paganismo
 
Gasta-se uma parte das noites em soirées que acabam por ser transformadas em longas manhãs; dorme-se uma parte do dia, e disto resulta uma atonia geral na constituição, um cansaço nos nervos, um entorpecimento nos órgãos e uma fraqueza habitual e perseverante. Certos temperamentos excepcionais poderão resistir; mas é incontestável aos olhos de todo o observador imparcial, que a perda da saúde, sobretudo nas mulheres, é devida, em grande parte, aos excessos que acabo de assinalar: “As longas vigílias de noite – diz um sábio – arrastam necessariamente fadigas, que influem no cérebro e sobre os aparelhos digestivos e respiratórios. Ora as fadigas desta natureza, bem longe de favorecerem o sono, tornando-o incompleto e penoso.

Esse excesso das soirées vem-nos do paganismo; existia no tempo de Sêneca, e eis em que termos este filósofo o fustiga: - “Há-os que invertem o uso do dia e da noite... Também nada há tão triste e abatido, como o aspecto das pessoas que, por assim dizer, se consagraram à noite; têm a cor dos doentes, são pálidas, definhadas e vestem uma carne morta sobre o corpo vivo. E ainda aqui não está o maior mal: o sei próprio espírito é cercado de trevas, entorpecido, e habita as nuvens... Como não deplorar um excesso, que consiste em fugir da luz do dia para mergulhar a vida nas trevas:” (Epist. 1222)


Monsenhor Landriot cita São Francisco de Sales e Sêneca

São Francisco de Sales faz a este respeito algumas reflexões em que a fina ponta duma agradável malícia se mostra sob uma alta razão, e que com pesar deixaria de citar-vos: “Nós temos visto fidalgos e damas da elevada posição passarem a noite inteira, e até várias noites seguidas a jogarem, e, todavia os mundanos não diziam palavra, e os amigos também se não davam a esse trabalho; mas pela meditação duma hora, ou por nos verem levantar um pouco mais cedo que o costume para nos prepararmos para a comunhão, todos correm ao médico, para que nos venha curar os humores hipocondríacos ou da icterícia. Passar-se-ão trinta noites a dançar sem uma queixa, e só por algumas horas na noite de Natal todos tossem e estão incomodados no dia seguinte.” (Vida devota, 4ª parte)

O salutar regime de deitar e levantar cedo é muito precioso par a alma, e as ocupações da vida são, deste modo, muito melhor cumpridas. A alma é mais serena a noite; é mais calma como tudo quanto é regular, como tudo quanto não é perturbação nem investido pelas mil preocupações de uma vida muito mundana.


Gasta-se uma parte das noites em soirées que acabam por ser transformadas em longas manhãs; dorme-se uma parte do dia, e disto resulta uma atonia geral na constituição, um cansaço nos nervos, um entorpecimento nos órgãos e uma fraqueza habitual e perseverante. Certos temperamentos excepcionais poderão resistir; mas é incontestável aos olhos de todo o observador imparcial, que a perda da saúde, sobretudo nas mulheres, é devida, em grande parte, aos excessos que acabo de assinalar: “As longas vigílias de noite – diz um sábio – arrastam necessariamente fadigas, que influem no cérebro e sobre os aparelhos digestivos e respiratórios. Ora as fadigas desta natureza, bem longe de favorecerem o sono, tornando-o incompleto e penoso.

Esse excesso das soirées vem-nos do paganismo; existia no tempo de Sêneca, e eis em que termos este filósofo o fustiga: - “Há os que invertem o uso do dia e da noite... Também nada há tão triste e abatido, como o aspecto das pessoas que, por assim dizer, se consagraram à noite; têm a cor dos doentes, são pálidas, definhadas e vestem uma carne morta sobre o corpo vivo. E ainda aqui não está o maior mal: o seu próprio espírito é cercado de trevas, entorpecido, e habita as nuvens... Como não deplorar um excesso, que consiste em fugir da luz do dia para mergulhar a vida nas trevas” (Epist. 1222);


Sêneca e Pitágoras sobre o exame de consciência do dia, feito antes de dormir


Ouvi Pitágoras: “Não permitais que o sono te cerre os olhos sem teres examinado todas as ações do dia. Em que falei? Que fiz? Que dever esqueci? Começa assim pela primeira das tuas ações e percorre-as a todas, e depois censura-te pelo que fizeste mal e regozijate com o que fizeste bem.” (Versos dourados, 10-44) “Que haverá mais belo – diz Sêneca- que o hábito de fazer sempre o inquérito de cada dia! Que sono o que sucede a esta revista das ações! Como é sereno, profundo e livre quando a alma recebeu a sua parte de elogio ou de censura, e quando, submetida ao seu próprio julgamento, ela organiza secretamente o processo do seu caminhar! Eu, tomei esta autoridade sobre mim próprio, e todos os dias me cito perante o tribunal da minha consciência. Tanto que a luz é retirada, analiso o meu dia, peso de novo os meus atos e as minhas palavras, nada me dissimulo, nada me desculpo” (Da cólera, 1. II, c.86) Adquiri este santo hábito, senhoras, e em vós, tanto aproveitará a razão como a piedade, em uma doce serenidade se derramará em volta de vossa alma, e adormecereis numa paz inteiramente angélica: Somnus sanitatis in homine. (Eccl. XXXI). Já vistes necessariamente como dormem as crianças:- “Que calma! Que dulcíssima expressão! Que graciosidade de fisionomia! Que posição viva e silenciosa! Pois será assim a imagem do vosso sono.

Dicas sobre acordar cedo: guardar firmemente a hora em que se acorda e acordar em um golpe só

Não vos exortareis para que imiteis uma mulher delicadíssima, que dizia, durante a sua assistência em Vichy: - “Eu começo o meu dia às quatro horas da manhã, a fim de que o corpo o não arrebate a alma” (Cartas de Mme. Swetchine) Não vos proponho este modelo, e tenho mesmo a certeza de que se abrisse um registro poucos membros encontraria para a irmandade de Madame Swetchine. Deixe-nos, pois, um pouco indeciso o valor da frase – levantar cedo; basta que seja o mais cedo possível, o que talvez seja sempre demasiado tarde. Uma vez determinada a hora do vosso levantamento matinal, conservai-a com tanto maior firmeza, quanto mais difícil de transpor é o posso, e quanto maior é a quantidade de fluido magnético que o desgraçado leito encerra, e pelo qual se é arrastado, não digo com pesar próprio, mas com uma doçura de violência que nos chumba ao poste.

Confesso que estamos aqui em face do mais terrível dos inimigos, que é o travesseiro; quando pela manhã o queremos deixar, usa de artifícios linguagem de sereias, e acaricia-nos com terna precaução. Parece dizer-nos: - Porque me abandonas? Não estás bem aqui? Que doce temperatura! Que inapreciável bem estar! Não vês que ainda é muito cedo? Não sentes os membros fatigados ainda, porque não desancastes quando devias? Apalpa a fronte e verás que uma dor de cabeça poderia começar; alguns quartos de hora mais e ela será dissipada; amanhã te levantarás mais cedo. Demais, está tanto frio lá fora! Para que afrontar o rigor da estação? O dia é bastante longo; tens muito tempo para fazer face a tudo; não sejas realmente tão áspero contigo mesmo. Depois duma linguagem tão eloqüente o querido travesseiro estende os seus dois braços para vos enlaçar e a vitória em breve é consumada

Falo muito seriamente, senhoras, dizendo-vos que um dos inimigos mais difíceis de vencer, é o travesseiro pela manhã; há só um meio de triunfar dele, é um golpe pronto e decisivo, uma carga militar, um salto fora do leito. Carregai o inimigo com uma vigorosa saída e a vitória será vossa. – Um velho capuchinho dizia que, depois de longos anos de religião, o que mais lhe custava ainda era o levantar-se às quatro horas da manhã. É verdade, senhoras, que há nisso um sacrifício, um sacrifício real e incontestável; mas, neste mundo, a vida é cheia de sacrifícios, e cada um deles é seguido dum sentimento de verdadeira ventura, e cada vitória dá ao homem uma força espantosa. Quando vejo uma pessoa que tem a coragem de se levantar cedo, formo logo uma altíssima idéia da firmeza do seu caráter e digo: - Esta pessoa saberá nas ocasiões críticas desenvolver uma energia extraordinária; a sua natureza retemperar-se-á, em cada manhã, na luta contra o travesseiro, combate este, que muitas vezes é mais difícil, sobretudo por causa da sua continuidade, que o do soldado no campo de batalha

Razões bíblicas e citações de autoridade sobre o benefício de acordar e rezar cedo, pela manhã

“É perigoso – diz Santo Ambrósio – que o sol venha perturbar com seus raios indiscretos, os sonhos de um espírito ocioso e oculto no seu leito” (In Ps., 118, s.19) O poeta italiano, diz, falando da manhã: - “Então o nosso espírito, mais estranho a carne e mais distante dos pensamentos terrestres, é quase divino nas suas vidas.

Se o sol da oração se levanta no horizonte, os germens do bem despertam, desenvolvem-se e sobem ao passo que o calor divino se torna mais intenso: “O maná – diz o Profeta – desaparecia ao surgir à manhã: era para mostrardes a todos, ó meu Deus, que é preciso prevenirmos o aparecimento do sol, para recebermos as vossas preciosíssimas bênçãos.” (Sabedoria, XVI, 28).

“Senhor – diz o Profeta – vós escutareis a minha oração da manhã.” (Ps. V, 4) “Pela manhã, apresentar-me-ei na Vossa presença e verei a Vossa glória.” (Ibidem, V.4) “De manhã a minha oração Vos surpreenderá.” (Idem, LXXXVII, 14). “É de manhã que a Vossa misericórdia se derrama sobre nós abundantemente.” (Idem, LXXXIX, 14) “Os que velam cedo – diz a Sabedoria – achar-se-ão.” (Prov., VIII, 17) O próprio Senhor se chama estrela esplendida, estrela da manhã: Ego Stella splendida et matutina. (Apoc, XXII, 16)

Uma das horas mais preciosas e mais doces da vida é a da oração da manhã: eu não me refiro somente a oração vocal; quero, sobretudo, dizer a oração da união com Deus, o silêncio e o repouso da alma n’Ele; falo da abertura da boca da alma, que aspira um leite divino, que bebe a luz e o amor, que nada diz, e que se esconde no seio da mãe por excelência, da mãe que se chama Deus, e que tão poucos cristãos conhecem! Os meum aperui et attraxi spiritum. (Ps. CXVIII, 131).


Maravilhas que se obtêm ao acordar bem cedo

Ah! Se conhecêsseis o dom de Deus que se apelida o amor da manhã! Si scires donum Dei (Joann. IV 10)! Há uma frescura, uma suavidade, uma energia, uma paz que vêm diretamente de Deus. Quando se está sobre as montanhas, no verão, às três horas da manhã, e os primeiros raios do sol aparecem, parece que nos chegam mais límpidos, pois não têm passado por outros peitos; é como a mais pura essência do astro, que entra em nós; o mesmo acontece com a união a Deus, na hora em que quase todos os homens dormem. Sobre as montanhas divinas, a alma tem as primícias dos favores celestes; enche-se de luz, de amor, de força, donde lhe resulta para todo o dia uma dulcíssima embriaguez, que, longe de enfraquecê-la, dá mais firmeza aos nossos pensamentos e às nossas ações, e derrama um perfume de alegria sobre todas as nossas obras. – Quando não houvessem outras razões para o levantar cedo eu vos diria: - Sacudi o vosso travesseiro, porque o Senhor vem visitar-vos com escolhidos favores; mas o menor desleixo será a prova da vossa indiferença, e forçareis o Senhor a ir mais longe procurar as almas mais dignas dos Seus benefícios. Não há pessoa que, em cada manhã, deixasse de levantar-se prontamente, se corressem a dizer-lhe: Vinde depressa, espera-vos um príncipe que chegou a vossa casa. – Colocai Deus no lugar do príncipe e tereis a verdade.

Se alguma coisa quereis fazer seriamente, madrugai. De manhã não se está alterado, está-se cercado de calma, de uma doce solidão, e com mais facilidade se dá expediente a todos os negócios e serviços. Podereis ocupar-vos no comércio, no arranjo da casa, na leitura, no trabalho intelectual se amais o estudo; depois de alguns anos será incalculável o resultado que colhereis assim.


Uma hora pela manhã vale duas da noite, porque o espírito está fresco, naturalmente mais recolhido, não tem ainda as forças gastas, nem está exausto pelas fadigas do dia. As horas da manhã parecem-se, para a agilidade do espírito e para s favor do estudo".

Se vos levantardes tarde, tereis a vida em perpétua pilhagem, e pertencerá ao primeiro que vier arrancar-vos um fragmento.

É vergonhoso que a dona de casa se faça acordar pelos seus domésticos, não sendo a primeira a acordá-los.” (As leis, I. VII) Esta frase parecerá talvez uma exageração; entretanto, se as coisas pudessem passar-se assim não iria tudo melhor no interior da família? A mulher, dissemo-lo com o Espírito Santo, é o sol de sua casa, mas é o sol quem soa em toda a parte a hora do despertar da natureza. É o primeiro a repontar no horizonte e tudo se levanta logo no universo – a planta, o animal, o homem. O sol não se faz despertar pelos seus satélites, é ele próprio que dá o sinal. Seja assim a mulher forte: Sicut sol oriens mundo in altissimis Dei, sic mulieris bonae species in ornamentum domus ejus. (Eccles., XXVI)

Os doutores da Igreja ensinam que alma humana, com a sua organização é uma casa completa: nada lhe falta nem mesmo os porteiros. Ali há a inteligência, a alma propriamente dita, a imaginação e os sentidos. A inteligência é como o esposo – diz Santo Agostinho – (De Cen. Cont. Man., 1. II, nº 15); a alma propriamente dita é a mulher. Ajuntarei que a imaginação, com os seus numerosos caprichos representa um pessoal de domésticos tumultuosos, e que os cinco sentidos são como cinco porteiros, dos portões da rua. Fazer ouvir este pequeno mundo pô-lo em harmonia não é coisa fácil! Quando a inteligência quer uma coisa, o coração quer outra; são marido e mulher, muitas vezes prestes a baterem-se. Depois, a imaginação, com os seus mil fantasmas, com os seus ruídos fantásticos, com a sua algazarra de dia e de noite: julgais que o vosso lar não está em condições excelentes para excitar-vos a paciência? E os porteiros, os olhos, os ouvidos, esta espécie de batalhões azafamados, que fazem mais barulho que o resto, não, não contando os nervos! Que interior? Que confusão! Que Babel! – Repito mais uma vez o texto da Bíblia: - Madrugai para dardes trabalho e alimento aos vossos criados, pondo-os em ordem logo de manhã. Desanuviai a vossa imaginação, para o que será talvez preciso mais tempo e cuidado do que para pentear uma cabeleira desgrenhada! Vede como as vossas idéias vão aos quatro ventos, como a imaginação canta e se torna impertinente, como raciocina, como troveja, como é absurda! A inteligência quer submetê-la á razão, mas é inútil! São fadigas perdidas! Porque ela grita mais alto, e enfurece-se com mais violência e continuidade. Faz tanta algazarra, que se diria, segundo a nota de São Gregório, a voz múltipla de várias criadas, cujas línguas fossem perfeitamente afiadas: Cogitationum se clamor, velut garrula ancillarum turba, multiplicat (Moral, 1. I, c. XXX)

É preciso pôr ordem na casa, que é a natureza humana, desordenada pelo pecado

Outrora não se fazia todo esse barulho na pobre cabeça humana, e por quê? Porque ela estava submetida a Deus, e neste caso, todas as potências do homem, o espírito, o coração, à vontade, a imaginação, os sentidos, tudo era submetido ao chefe da casa; porque este próprio chefe obedecia a Deus. Desde a primitiva revolta, que tudo foi transtornado no homem, e a nossa pobre natureza converteu-se numa como casa, onde muitas vezes se batem, marido, mulher e domésticos, isto é, o espírito, o coração e a imaginação. Há um meio muito simples de restabelecer a paz, não completa, mas a mais tolerável neste mundo: trazei Deus para casa, fazei-O chefe, ordenador, e presidindo a tudo, e em breve tudo entrará em ordem.

Pela manhã, quando a cabeça está doente, deponde-a aos pés da cruz; quando o coração sofre colocai-o sobre o coração de Nosso Senhor; quando a imaginação tem febre acalmai-a com uma gota de sangue de Jesus Cristo; quando o ser inteiro está em ebulição, dai-lhe um pouco de refrigério, pedindo a Deus que deixe cair sobre vós o orvalho do Céu (A Mulher Forte, Monsenhor Landriot, Trechos das pgs. 36-38, 40-47, 54).





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