A Teologia da história prova a vinda de um Monarca restaurador da ordem política?

S. Luís, rei de França, rogai por nós!

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A Teologia da história prova a missão dos apóstolos dos últimos tempos com o advento do Papa Santo

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Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados (Vol. I, parte 1, 3a edição, Cap. II)".

Neste artigo, tratamos se é possível provar a vinda de um grande monarca através da Teologia da História, prosseguindo o raciocínio dos artigos precedentes deste capítulo.

Se um Pontífice Santo virá para restaurar a esfera espiritual com o suporte do Grande General e dos apóstolos dos últimos tempos, os quais farão valer, na ordem social, as diretrizes espirituais da restauração, naturalmente se pensa o destino da esfera política, a qual parecia negligenciada
nas outras edições deste volume, mas agora recebeu madura cogitação.

Assim, neste artigo continuaremos o raciocínio, dando sequência aos artigos precedentes, sobre o futuro da esfera política no mundo inteiro, partindo das teses anteriores.

1. A restauração engendrada pelo Papa Santo e seus subordinados acarretará alvoroços políticos nas diversas nações, ainda que o Papa somente atue dentro da Soberania do Estado do Vaticano usando seu poder de cabeça da hierarquia eclesiástica.

Totalmente dedutível na atual situação social do mundo, visto que as lideranças políticas mais conservadoras, se ainda existirem, perceberão o quão longe estão do verdadeiro conservadorismo. Também o mesmo se aplica aos católicos do mundo inteiro e às opiniões públicas nacionais mais próximas do espírito católico nas idéias ou nas tendências.

O poder das trevas fará um alarde não só pela possível conversão das lideranças políticas, mas mais que tudo, pela influência que a restauração fará sobre a opinião pública, a qual poderá decidir, nas suas respectivas nações democráticas, o futuro político e social aliado à Santa Igreja Tradicional.

Da eficácia tremenda da restauração espiritual, deduz-se que o poder das trevas, assim como quis matar Nosso Senhor para que Ele não ganhasse todo o povo, buscará o fim não só do Vigário de Cristo, mas de todo governo nacional que tenha uma política simpática à ingerência dos subordinados do Papa Santo nos assuntos do país, se houver uma. Mais um motivo para invadir a nação soberana do Vaticano.

2. Uma vez que a restauração espiritual será mundial, a restauração da esfera política e da esfera social também deverão ser, pois somente unidas pela mesma fé estas podem se relacionar duravelmente entre si. Sem união de espírito, sempre haverá atrito.

3. Este Vigário de Cristo coroará um Rei que lutará pela influência da Santa Igreja na esfera política. Razões:

3.1. A fim de descentralizar o poder que emana de Deus, e assinalar a divisão entre esfera espiritual, esfera temporal, e esfera política em todo o globo.

Uma vez que a glória de ser ao mesmo tempo Sacerdote, Profeta e Rei pertence ao homem-Deus, que é a segunda pessoa da Santíssima Trindade, nem o Papa Santo, nem o Grande General liderarão a esfera política.

3.2. Pois a restauração espiritual suscitará a audácia infernal de invadir a nação soberana do Vaticano, já que a restauração exitosa sofrerá forte oposição do poder das trevas, principalmente por este dominar o mundo político. Isto pode ser retardado por um tempo pelo temor de guerra contra o exército Papal, maior do que a guarda pontifícia e espalhado pelo mundo em plena campanha.

3.2.1. Ora, todo exército exige um comandante.

3.3. Para marcar o apoio ao regime monárquico, ainda que constituído pelo poder descentralizado, assim como o apoio ao gênero das elites, das quais a nobreza é espécie.

Por causa do igualitarismo metafísico alastrado por todo o orbe vítima da Revolução, a posição favorável à nobreza católica, representada pela coroação do monarca por parte do Papa Santo, será a trombeta anunciadora do motivo da vinda daqueles três apóstolos suscitados por Deus: "restaurar tudo em Cristo", e “calcar tudo aos pés de Cristo”.

Além disso, reforça essa razão a ancestralidade comum do rei Davi por parte de todas as casas nobiliárquicas tradicionais, sustentada por alguns historiadores. Tal afirmação, muito plausível e arquitetônica, não só confirmará as profecias privadas acerca de um Grande Monarca vindouro, como comprovará como as profecias antigas ainda têm significado enquanto aplicadas aos descendentes de Davi. Assim, haverá um valor profético a mais no "reino de Davi": estende-se não só com Nosso Senhor Jesus Cristo, cabeça da Santa Igreja e verdadeiramente presente em todos os sacrários até o fim do mundo, mas com os descendentes de Davi.

3.4. Para clarear a noção de que o Papa é o Soberano no Estado do Vaticano e pode conferir títulos nobiliárquicos Pontifícios.

Posteriormente, se o Santo Padre delegar ao Grande Monarca o poder de conferir títulos nobiliárquicos pontifícios este poder estará de acordo com a nova descentralização do poder (esfera espiritual, social, e política).

4. Tal Monarca, coroado pelo Pontífice Reinante, marcará claramente, perante a opinião pública mundial, sua diferença com a esfera espiritual, comandando um exército para conquistar as nações para o seio da Santa Igreja.

5. Acima da guarda suíça, da guarda nobre, e qualquer outra instituição restaurada ou futura que defenda o Papado, sua posição militar declarará a guerra cruenta contra a Revolução no globo, restando evidente que o Rei é o braço armado tanto do Sumo Pontífice, quanto da doutrina social contra-revolucionária.

6. Sua eficácia militar, suas conquistas, suas estratégias e sua fé impressionarão de tal maneira o mundo, segundo inúmeras profecias privadas, que ele será chamado de Grande Monarca.

Confirmando todos os vaticínios católicos sobre este Monarca, completando o sentido de diversas tradições a-católicas sobre a vinda de um Rei conquistador, e confirmando a verdade da fé católica, por causa dos outros três apóstolos principais, o Grande Monarca precisa confirmar, ainda que possua a humildade de Davi e se sinta indigno, o quanto a história passada, presente e futura confirma a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo e Sua Igreja.

7. O Grande Monarca disporá de um exército bem preparado e eficaz.

Os apóstolos dos últimos tempos muitas vezes são confundidos com os batalhadores que acabarão com o Reinado Satânico da Revolução. Somente em uma dimensão de sentido eles o são: a incruenta.

7.1. Os apóstolos dos últimos tempos, por estarem subordinados ao Grande General e focados na restauração temporal e tudo que a esta ajuda, não serão tipicamente seus auxiliares.

Esta tese deriva da noção sociológica apresentada no capítulo I: há três esferas sociais, a temporal, a política, e a espiritual. Todas se relacionam o tempo inteiro. Estando os referidos apóstolos em combate contra a Revolução e seus tentáculos, sua luta será árdua e, em alguns casos, indispensável para a vitória política. Contudo, será em maior medida incruenta, isto é, uma luta de conceitos, uma luta de influências, uma luta de profetas.

Ainda que seja possível que alguém atuando completamente na esfera temporal possa gerir a esfera política temporariamente, esta não é sua função típica, assim como o poder judiciário de modo atípico administra sua estrutura interna.

Além disso, se a esfera temporal termina em uma luta de idéias, a esfera política termina em uma luta de força física. Ainda que o fator estratégia confira vantagem, como em diversas batalhas militares do passado, a guerra temporal é muito mais repleta de estratégia, do qual o exemplo mais evidente é o litígio judicial.

Quem se dedica totalmente à esfera temporal toma em armas quando toda a esfera temporal está ameaçada, por exemplo: um agricultor que emprega toda a força bélica mínima que possui junto de suas terras para enfrentar uma ameaça que porá em risco estas mesmas terras. É possível que, em algum momento, os apóstolos dedicados integralmente ao trabalho na esfera temporal, tomem parte na batalha engendrada pelo poder político, dado que neste mundo tudo pode se resumir à força física.


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